terça-feira, 24 de dezembro de 2019

As bombas americanas destroem cidades de Hiroshima e Nagasaki no império japonês

Por José Mendes Pereira

A nuvem de cogumelo sobre Hiroshima após a queda da Little Boy - pt.wikpedia.org 

Morrer pela pátria é uma coisa sem graça e sem sentido. Por que morrer pela pátria se os que deveriam estar lá, lutando pelo a defesa do seu país, ficam escondidos em suas mansões, só ordenando que ataquem isso ou aquilo? Eu, hein!

Os ataques com grande poder de destruição às lindas e conhecidas cidades Hiroshima e Nagasaki, ocorridos no final da Segunda Guerra Mundial, realizados nos dias 6 de agosto e 9 de agosto do ano de 1945, contra o Império do Japão, foram feitos pela Força Aérea dos Estados Unidos da América, com ordens de Harry S. Truman, que na época era presidente dos Estados Unidos.
 


Após seis meses de horrorosos bombardeios, os Estados Unidos  tentavam convencer o Japão desistir da batalha, atacando outras cidades,  mas só conseguiram vencer o Japão com a mais potente bomba atômica "Little Boy", soltando em uma segunda-feira, sobre a cidade de Hiroshima. 

Em 6 de Agosto de 1945 às 8:15am, uma bomba atômica carregada de Urânio explodiu 580 metros acima da cidade de Hiroshima com um grande Flash brilhante, criando uma gigante bola de fogo, a temperatura no centro da explosão chegou aos 4,000ºC. Mandando raios de calor e radiação para todas as direções, soltando uma grande onda de choque, vaporizando em milisegundos milhares de pessoas e animais, fundindo prédios e carros, reduzindo uma cidade de 400 anos à pó. O que era de árvores foram todas destruídas com o forte calor
 
Em Hiroshima foi jogada a bomba atômica “Little Boy” e, três dias depois, a bomba “Fat Man” em Nagasaki. Até os dias de hoje, as duas bombas foram as únicas . - www.infoescola.com   

Três dias depois, no dia 9, a "Fat Man" caiu sobre Nagasaki. Historicamente, estes são até agora os únicos ataques onde se utilizaram armas nucleares. As estimativas, do primeiro massacre por armas de destruição maciça, sobre uma população civil, apontam para um número total de mortos a variar entre 140 mil em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki, sendo algumas estimativas consideravelmente mais elevadas quando são contabilizadas as mortes posteriores devido à exposição à radiação. A maioria dos mortos eram civis.

 
No dia 3 foi a vez de Nakasaki, recebendo de presente a bomba “Fat Man”. Até os dias de hoje, as duas bombas foram as únicas .http://pt.wikipedia.org/wiki/Fat_Man 

Com a destruição em massa dessas duas cidades e milhares de mortos em poucos segundos, o Japão resolveu entregar os pontos no dia 15 de agosto de 1945. Mas para isso, foi obrigado assinar oficialmente da sua rendição em 2 de setembro, na baía de Tóquio,  e finalmente foi anunciada o fim da II Guerra Mundial.

Que destino tomou esta criança - corujapaideia.blogspot.com 

O papel dos bombardeios atômicos na rendição do Japão, assim como seus efeitos e justificações, foram submetidos a muito debate. Nos Estados Unidos, o ponto de vista que prevalece é que os bombardeios terminaram a guerra meses mais cedo do que haveria acontecido, salvando muitas vidas que seriam perdidas em ambos os lados se a invasão planejada do Japão tivesse ocorrido. No Japão, o público geral tende a crer que os bombardeios foram desnecessários, uma vez que a preparação para a rendição já estava em progresso em Tóquio.

Vítima da crueldade do homem - corujapaideia.blogspot.com 

As Bombas Atômicas que atingiram Hiroshima e Nagasaki ficaram em nossas mentes. Todos os dias, as imagens são uma mistura da devastação das terras e prédios. Imagens chocantes das ruínas, mas quanto as vítimas? 

 
Foi lançada a primeira bomba atômica da nossa história, na cidade de Hiroshima, Japão. Somente no primeiro instante foram mortas mais de 70.000 pessoas, ... - eleteimou.blogspot.com 

O calor provocados pelas bombas, foi tão intenso que  tudo foi vaporizado. As sombras dos parapeitos foram imprimidas no chão. Em Hiroshima, tudo o que sobrou de alguns humanos, sentados em bancos de pedras próximos ao centro da explosão, foram as suas silhuetas.


A explosão da bomba hiroshima fez os relógios pararem 8:15 

Adultos e crianças foram incinerados ou paralisados em suas rotinas diárias, os seus organismos internos entraram em ebulição e seus ossos carbonizados. Que maldade dos homens! No centro da explosão, as temperaturas foram tão quentes que derreteram concreto e aço. Dentro de segundos, 75,000 pessoas foram mortas ou fatalmente feridas. As mortes causadas pela radiação ainda aconteceram em grandes números nos dias seguintes. “Sem aparente motivo as suas saúdes começaram a falhar. Eles perderam apetite. Seus cabelos caíram. Marcas estranhas apareceram em seus corpos. E eles começaram a ter sangramentos pelas orelhas, nariz e boca”.

 

Médicos “deram aos seus pacientes injeções de Vitamina A. Os resultados foram horríveis. E buracos começaram a surgir em seus corpos causado pela injeção da agulha. Em todos os casos as vítimas morreram”. Como pode!

Hibakusha é o termo usado no Japão para se referir as vítimas das bombas atômicas que atingiram Hiroshima e Nagasaki. A tradução aproximada é “Pessoa afetada por explosão”.

Eles e suas crianças foram vítimas da falta de conhecimento sobre as consequências das doenças causadas por radiação.

olavosaldanha.wordpress.com  - Hiroshima e Nagasaki 

Muitos deles foram despedidos de seus empregos. Mulheres Hibakusha nunca se casaram, muitos delas tinham medo de dar a vida para uma criança deformada. Os homens também sofreram discriminação. “Ninguém quis se casar com alguém que poderia morrer em poucos anos”.

Em 10 de Agosto de 1945, o dia depois dos ataques à Nagasaki, Yosuke Yamahata, começou a fotografar a devastação. A cidade estava morta. Ele caminhou através da escuridão das ruinas e corpos mortos por horas. Mais tarde, ele fez as suas últimas fotos próximas a estação médica, ao norte da cidade. Em um único dia, ele completou o único registro fotografico logo após às bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.

O  sonho acabou - julia-nopaisdasmaravilhas.blogspot.com 

A detonação da Little Boy, como era chamada a bomba que causou a morte de mais de 250 mil pessoas em Hiroshima, foi ouvida até nas cidades vizinhas. Ela destruiu tudo o que encontrava num raio de dois quilômetros e meio, devastando vegetação e estrutura da cidade. Porém, o aporte térmico da bomba teve um alcance ainda maior. A detonação daFat Man sobre Nagasaki causou tanta destruição quanto em Hiroshima.

Vida findada - olavosaldanha.wordpress.com

Sobreviventes que sofreram fortes queimaduras devido a propagação do intenso calor, fora da área de explosão, andavam pelas ruas sem saber o que havia acontecido. A radioatividade se espalhou provocando chuvas ácidas, causando a contaminação da região, incluindo lagos, rios, plantações. Os sobreviventes foram atendidos dias depois, o que ocasionou a morte lenta e agonizante de muitos.

Até os dias de hoje, os descendentes dos habitantes afetados sofrem os efeitos da radioatividade. 
Grande parte: Wikipédia
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domingo, 8 de dezembro de 2019

SEU GALDINO ENCONTRA ONÇA PRETA COM UMA PATA ENGANCHADA NUMA ÁRVORE E A SALVA.

Por José Mendes Pereira

sábado, 7 de dezembro de 2019

SEU GALDINO SE EMPREGA COMO ZELADOR NOTURNO DO CEMITÉRIO SÃO SEBASTIÃO EM MOSSORÓ

Por José Mendes Pereira

Em anos bem distantes seu Galdino Borba(gato) fora um dos que trabalhava no cemitério São Sebastião de Mossoró. Dizia ele que qualquer emprego assumido com responsabilidade é sem dúvida, honrado. Muitos dos brasileiros sentem vergonha quando estão ocupando funções que ganham pouco, e que não é visto como um emprego social, mas na verdade, qualquer trabalho é digno de respeito. Não importa qual seja, mas tudo é bem-vindo para quem está desempregado. O pior mundo do mundo é não ter para onde ir ao se levantar pela manhã, sem destino, filho chorando com fome e não ter alimento para matar-lhe a fome.
Seu Galdino foi convidado para trabalhar no cemitério pelo então prefeito de Mossoró Rodolfo Fernandes de Oliveira Martins, o homem que, mesmo não sendo filho de Mossoró, cuja cidade de origem é Portalegre no Rio Grande do Norte, com muita determinação, combateu o famoso e sanguinário capitão Lampião em 13 de junho de 1927.
Ali, na várzea da propriedade do seu Leodoro Gurmão pela manhã, numa tirada de olhos da carnaubeira para a fabricação de vasouras domésticas, seu Galdino conversava com seu Leodoro sobre o tempo que passou como empregado do cemitério, o que viu lá dentro nas noites que eram obrigações suas. Seu Galdino principiou a sua conversa dizendo assim:
- Compadre Leodoro, eu nunca fui homem frouxe como o senhor sabe disso, mas o tempo que tentava me fazer medo foi o período em que eu era funcinário do cemitério São Sebastião de Mossoró.
- Oh xente compadre, o senhor nunca me falou que tinha sido empregado do cemitério...!
- Compadre Leodoro, - atalhou seu Galdino - eu não tinha falado porque eu pensei que o senhor sabia da minha passagem por lá, mas a oportunidade é esta de lhe contar o que eu vi dentro daquele cemitério.
- Sim senhor! - Fez seu Leodoro.
- Quase todas as noites, após às 12 horas eu ouvia muitos alaridos. Crianças escandalosamente chorando e chamando por mamãe. Mamãe, eu quero comer! Eu estou com fome, mamãe...! Velhos pedindo ajudas porque estava apanhando de filho, mulheres parindo e pedindo médicos pelo amor de Deus!
- Minha nossa Senhora! - Admirou-se seu Leodoro.
- Jovens gritando - continuava seu Galdino - e correndo pelas catacumbas que pareciam que estavam fugindo de alguém que tentavam matá-los. Esqueletos andando por entre as covas. Padres rezando missas. Pastores abençoando os túmulos. Bêbados deitados sobre os túmulos e pedindo para voltarem para suas covas, gritos de lobisomens que fazia qualquer vivente se tremer.
- Que tristeza...!
- Sim senhor! Ao anoitecer quem ficava lá tinha que fazer vistoria para ver se não tinha alguém por lá. E já que não tinha ninguém por lá, aqueles alaridos eram as almas dos defuntos.
Seu Leodoro não duvidava do que estava ouvindo, porque certa vez contara seu pai que também fora vigia de um cemitério, e uma vez nas altas horas da madrugada presenciou dois corpos sem cabeças em braceadas disputando um túmulo, só porque cada um queria aquele lugar para tirar uma soneca durante toda noite.
O mais interessante que contara seu Galdino foi sobre os ex-cangaceiros Colchete e Jararaca. E sem muita demora, iniciou:
- Duas almas de dois mortos que me fizeram medo foi quando eu me encontrei com os ex-cangaceiros Colchete e Jararaca. Os cabelos subiram de vez, porque eles não só amedrontavam verbalmente como engatilhavam os seus fuzis em minha direção, dizendo que iriam atirar em mim. Nessa madrugada eu quase que desisti do emprego, porque os dois me seguiam para onde eu ia. O perverso Jararaca apontava o lugar que fora enterrado e ainda me dizia: “ – Vocês foram covardes de não terem lutado comigo corpo a corpo e me mataram sem nenhuma chavce de defesa”
- O homem era mesmo valente, compadre Galdino?
- E bote “valente” nisso, compadre Leodoro! O facínora me chamou para lutar com ele veja bem o que ele me propôs, dava-me uma chance. Eu com o meu facão e ele sem nada nas mãos.
- Que homem bravo, compadre!
- Como eu não aceitei a sua proposta ele o outro desapareceram num piscar de olhos. Após isso eu fui procurar um lugar para tirar uma soneca sobre um túmulo, e ao passar numa catacumba deteriorada, isto é aberta, olhando bem, vi dois olhos arregalados dentro do túmulo.
- E o senhor imaginava quem era?
- Era os olhos do Jararaca que se escondia por ali. E quer saber o que foi que eu fiz, compadre?
- Quero, sim senhor!
- Num descuido dele eu que já estava com um punhado de areia na mão quando ele tentou olhar pra mim, meti a areia nos olhos dele e fiz carreira.
- Ele, o que dizia?
- Cegou-me, seu peste!
- O senhor é corajoso mesmo, enfrentar dois cangaceiros, além do mais, mortos.
- E eu brinco! Foi um dos maiores aperreios que passei como zelador do cemitério. No dia seguinte eu pedi demissão de lá. Deus me livre de mais cemitério! Eu só vou pra lá porque o morto não tem querer, mas eu queria me enterrar em qualquer canto, menos em cemitério.
Leitor, é só uma brincadeirinha com os compadres Jararaca e Colchete.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

SÓ COMO ARQUIVO - CADÊ O JOÃO MALAMANHA QUE NÃO VEM ACOMPANHANDO O ENTERRO?


Por José Mendes Pereira

Cadê o João Malamanha que não vem acompanhando o enterro? Esta era uma das perguntas feita no meio daquela gente que acompanhava um fúnebre. 

Ninguém em Mossoró participava de enterro mais do que ele. Se ouvisse falar que alguém tinha falecido fechava a sua oficina mecânica,  e com o anão Leandro, seu ajudante de mecânica, os dois se abalavam para presenciar a tristeza dos que ficaram, o choro das pessoas, as lastimações da viúva, dos pais, dos irmãos, a missa de corpo presente, a conversaria do povo amigo e principalmente, tomar um cafezinho ou uma pinga em um bar mais próximo do velório.

Apesar da sua honrosa fama de valentão, perverso, grosseiro ao estremo, mas o João Malamanha tinha um coração brando e amável  para aquele que  vestia o seu paletó de madeira e se mandava à procura da casa do Senhor Deus. E até diziam em boca miúda que quando ele se encostava ao caixão ficava falando com o morto, aconselhando-o, que nunca mais voltasse ao chão terrestre. Ficasse por lá mesmo para não atazanar quem por aqui ficou. 

E parece que era mesmo verdade. Alguns mortos que ele não tinha os acompanhado até o cemitério, às vezes, apareciam as pessoas. E se isso acontecesse, a cidade toda logo dizia: “Só está aparecendo porque o João Malamanha não foi ao seu enterro”.

Devido o seu agigantado tamanho o homenzarrão era visto de longe em caminhada fúnebre. Se o caixão fosse colocado em túmulo ele participava ajudando o coveiro, levando o caixão para dentro da urna. E se o morto fosse enterrado em cova rasa, de costume, a primeira pá de barro sobre o infeliz seria  colocada pelas suas deformadas mãos.

Aquela tradição de ser ele quem colocava a primeira pá de areia sobre o caixão ninguém nunca havia protestado. E quem era doido, besta ou tolo para criar uma minúscula confusão com um homem deformado e fora dos padrões humanos? Deus que tivesse dó de quem se atrevesse desafiá-lo. O menor castigo que o desafiador iria sofrer, seria um malvado cocorote de afundar a carapuça da cabeça cabeluda. E adeus, provocador!

Costume é costume. Até o enterro do ex-governador do Rio Grande do Norte Jerônimo Dix-sept Rosado Maia, falecido no Estado de Sergipe  em Aracaju, em 12 de julho de 1951, a causa, desastre aviatório, ele também presenciou. O do famoso religioso mossoroense Luiz Ferreira da Cunha Mota o “Padre Mota” em  27 de agosto de 1966, que foi sepultado na  Catedral de Santa Luzia de Mossoró, o João Malamanha lá estava, e deu uma ajudinha ao coveiro no momento de colocar o caixão na cova rasa. Um enterro que aconteceu em 1962, e que de forma alguma ele podia faltar, porque eram amigos de serenatas, foi o do Cocota, irmão dos componentes do Trio Mossoró. João Malamanha chorava como criança e deixou todos os presentes de boca aberta, só porque o deformado homem era macho todo, e por último, estava chorando, quando é de conhecimento de todos que homem não chora. No velório da professora e juíza de futebol Celina Guimarães Viana a primeira mulher mossoroense a votar, ele não faltou, também estava presente.

Um dia o João Malamanha faltou no meio daquela gente que acompanhava um enterro. O homenzarrão já era conhecido por todos como assíduo acompanhante de velório, e aqueles que seguiam o cortejo só por uma obrigação humana, não sabiam o motivo da sua falta naquele velório, e perguntavam-se uns aos outros:

- Cadê o grandalhão João Malamanha que não está participando deste fúnebre? Será que ele está doente ou viajou para longe e não está sabendo?

- Não sei...! – Respondia alguém.

E outro:

- O que foi que aconteceu com ele que não veio ao velório?

Um velhinho que tinha muito conhecimento com o João Malamanha disse aos ouvintes que ele estava presente. Ninguém o via, mas ele estava vendo todos. E impaciente, duvidou um abelhudo e fofoqueiro:

- E como ninguém o vê e  em que lugar ele se encontra, porque desde que eu cheguei ainda não o vi?

- O João Malamanha não está aqui no meio de nós, porque quem vai dentro do caixão é ele. – Respondeu o velhinho.

- Mas o João Malamanha morreu? Qual a causa da morte? – Perguntou um curioso em tom de assombro!

- Foi assassinado pelo seu ajudante de mecânica. – Disse o velhinho.

- Aquele pequenino Leandro o matou? Aquele que o acompanhava nos enterros?

- Sim senhor! A gente ver cara e não ver coração... – fez o velhinho ex-amigo do Malamanha.

Adeus, João Malamanha!

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SEU GALDINO E A ONÇA LEITEIRA.

Por: José Mendes Pereira
- Dionísia, minha velha, gritava seu Galdino, o diabo das ovelhas do morador da viúva estão todas dentro do nosso cercado. Não se pode mais criar nada nas nossas terras. Ele sabe que as suas ovelhas são umas verdadeiras ladras, e as solta perto do meu cercado.
- Calma, meu velho! Calma! - aconselhava-o dona Dionísia. É melhor ter paciência. Intrigas com vizinho já se parece morte.
- Mas por que ele não as coloca no cercado de cima, se lá é bem mais farto o parto do que ali? - dizia ele com ignorância.
Enquanto isso, se ouvia o toc, toc de um animal que vinha caminhando. Era seu Leodoro Gusmão, montado em um lustroso cavalo de campo, que havia tomado emprestado à fazendeira dona Chiquinha Duarte, para a captura de um boi mandingueiro.
- Apeie-se, compadre Leodoro, para tomar um cafezinho. A Dionísia acabou de fazer, e está bem quentinho... Dionísia, trás um cafezinho para o nosso compadre! – gritou seu Galdino em direção à cozinha.
E virando para o seu Leodoro, perguntou-lhe:
- Conseguiu ver o seu boi mandingueiro nos cerrados, compadre?
- Infelizmente não o vi, compadre Galdino. O parto está muito unido ainda, e torna-se difícil ver qualquer vivente naquelas matas fechadas.
- Mas assim é que é bom, compadre! Muito pasto e os nossos animais não morrerão de fome; ao contrário, eles estão nadando no meio da fartura.
- Deus me livre de seca! Só trás sofrimento para nós e para os animais. - Disse seu Leodoro.
- Quando eu vejo a fartura, me lembro de quando ainda não era fazendeiro. O sofrimento era grande. Nós morávamos nos fundos das terras do fazendeiro Chico Duarte, lá bem próximo à Favela.
Eu vivia de campear gado bravo nos cerrados. Eu era vaqueiro de aluguel. Nunca fui vaqueiro de fazendeiro nenhum. O fazendeiro me dizia o bicho que precisava no seu curral, e me dava uma radiografia completa. A cor do animal, o ferro, se era adulto ou ainda novilho, tudo, sem faltar nada. E a partir das características do vivente, eu me mandava em busca dele, e só retornava para casa com ele na frente, mascarado e com chocalho...
- Mas o senhor sempre campeava sozinho, compadre Galdino? Interrompeu-lhe seu Leodoro.
- Sim senhor! Nunca precisei de vaqueiros para tanger gado comigo. E naquele tempo as onças viviam passeando por todos os lugares. Todos os dias, nas fazendas, amanheciam bezerros mortos e estraçalhados pelas danadas.
- E o senhor tinha medo delas?
- Nunca tive medo de tal animal. Eu a tratava como se fosse um cachorro, com uma diferença, apenas de grande porte.
- Eu não tenho medo, compadre Galdino. Eu evito de vê-las, porque elas são traiçoeiras, e não se deve dar chance a esse tipo de animal.
Seu Galdino precisava urgente contar uma história sobre onça a seu Leodoro. E de imediato, deu início a uma de suas aventuras.
- Certa vez, eu precisava de uns cabos para as minhas ferramentas. Os meus dois filhos, os que moram lá na grande São Paulo, o Artur e o Severino ainda eram pequenos, o mais novo com sete anos, e o mais velho com oito. A nossa situação era de lástima, porque os fazendeiros não estavam precisando de serviços dos vaqueiros, vez que os rebanhos estavam muito bem, obrigado. Naquela época, eu ainda nem sonhava em possuir fazenda. Mas, o senhor sabe, que quem é pobre, sofre por tudo. E o pior é a falta de alimentos. A minha casa estava sem nada, apenas água no pote e nada mais. O que ainda tinha em casa era açúcar, e quando um deles sentia fome, a Dionísia fazia garapa, isto no intuito de amenizar a fome do menino.
- Os meus filhos também foram criados bebendo garapa, compadre. - afirmava seu Leodoro para reforçar o que dizia seu Galdino...
- Pois bem, já que eu iria tirar os cabos para as minhas ferramentas, e como a situação andava de pior a pior, que o senhor sabe que quem anda pelas matas, vez por outra encontra uma fruta, mel de arapuá..., levei o Artur e o Severino, pois se caso eu encontrasse frutas ou mel, eles aliviariam um pouco a fome. Mas eu os levei, não só para isto, também para conhecerem as terras que eles teriam que passear por elas quando atingissem a adolescência, à procura de animais. E nós seguimos por uma vereda feita por bodes, e bem próximo ao Pai Antonio, que o senhor o conhece muito bem, do Soutinho, avistamos um animal que se escondia por detrás de uma árvore derreada. E fomos nos aproximando daquele bicho, para termos a certeza que vivente era. Mas com muito cuidado, pois eu temia que poderia ser uma onça, e já que os meus filhos andavam comigo, talvez acontecesse um ataque contra nós, feito por ela. E lentamente, fomos mais perto, e adivinhe, compadre, o que era!?
- Eu suponho que era uma rês pastando bem escondidinha. – Dizia seu Leodoro.
- Que rês que nada, compadre! Era uma enorme onça, em pé, diante de nós. Os meninos ficaram assustados. Mas para consolá-los, eu os disse que não tivessem medo, que ela não iria lhes fazer nenhum mal.
- Meu Deus, uma onça! – exclamou seu Leodoro.
- E vi logo que era uma onça parida, porque as suas mamas estavam muito inchadas, como se ela tivesse perdido os seus filhotes. Mas em nenhum momento, ela demonstrou insatisfeita com a nossa presença. Mas com receio, que ela poderia atacar os meus filhos, coloquei-os trepados em uma árvore, pois se ela tentasse me atacar e eu corresse, ela não conseguiria subir, para estrangular os meus garotos. E fui me aproximando mais dela, e nas mãos, eu levava um enorme facão, mais uma corda que eu a conduzia amarrada em minha cintura. A onça era tão mansa, mas tão mansa, que nada fez contra mim. Fiquei alisando o seu corpo, repuxando o couro, e a danada se era covarde, naquele dia se tornara um cordeiro. Olhando as suas tetas, desejei secá-las. Mas com medo que ela se revoltasse contra mim, continuei alisando o seu couro, e com a outra mão, fui peando as suas patas traseiras. Ali, eu iniciei secar as suas tetas.
- O senhor estava tirando leite da onça, compadre?
- E eu brinco, compadre Leodoro? Como eu já havia peado as suas patas traseiras, cheio de certeza que ela era uma verdadeira amiga, pedi que o Artur descesse da árvore, para que eu o arriasse em uma das patas dianteira da onça, para facilitar a esgotada do leite, que com certeza, seria melhor para eu mungi-la.
- O senhor arriou o seu filho na onça, compadre Galdino? - Perguntava seu Leodoro com espanto.
-Arriei-o! Eu notei logo que a onça era uma lesada..., eu achando que era um desperdício, já que o leite era de boa qualidade, chamei o Severino para mamar nela, porque ele sentia fome. A onça nem ligava, e me parece que ela estava achando boa aquela arrumação. Como ela estava tranquila, desarreei o Artur das mãos da onça, e ordenei-o que fosse mamar também. Eles ficaram com os as barrigas enormes, porque a onça tinha muito leite.
- E depois, compadre, a onça não se revoltou com vocês?
- Pois diga! De forma alguma! Eu vendo que ela era uma besta, isto é, muito mansa, peguei a corda, fiz um cabresto, encabrestei-a, e meus filhos e eu fomos para casa montados nela.
- Que bom que um dia, nos tabuleiros, eu me encontrasse com essa mesma onça, compadre Galdino, para a Gertrudes passear montada nela nesse nosso sertão sofrido.
História contada, seu Leodoro resolveu ir embora, pois precisava fazer algumas compras lá em Mossoró.
- Até mais tarde, compadre! - Disse e saiu galopeando vagarosamente em direção à sua casa.
- Até, compadre...!
Seu Leodoro não tinha mais espaço para guardar a tamanha mentira do seu Galdino.
- Vai-te corno! - Dizia seu Galdino. Quem irá sempre montar na Gertrudes sou eu, e não onça nenhuma!

SEU GALDINO, A ONÇA E O MEL.


Por: José Mendes Pereira
- Compadre Galdino, a sua novilha já pariu? – perguntou seu Leodoro sentado sobre uma cocheira no estábulo, enquanto fabricava um cigarro de fumo bravo.
- Ainda não, compadre. Ainda não. E eu não estou querendo soltá-la no pasto, para que eu possa acompanhar o seu parto de perto. E eu tenho medo que as onças comam o bezerro quando nascer. Ela está com um úbere que faz gosto de ver. E me parece que vai ser uma boa vaca leiteira.
- Foi à caça hoje, compadre Galdino?
- Fui. Mas não foi totalmente uma caça. Apenas eu sabia onde tinha uma colmeia de abelhas italianas, e como aqui em casa já estava quase sem mel, eu fui obrigado a ir tirá-la.
- Onde foi que o senhor encontrou esta colmeia?
- No Riacho do Pai Antonio – dizia seu Galdino apontando a direção.
- A colmeia estava gorda, compadre Galdino?
- Não tão gorda assim, pois eu esperava mais... Mas ainda me rendeu uma lata de mel, aliás, mel e cera.
- É, compadre, nesse período elas não estão tão gordas. Só quando chegar a primavera, período das flores e dos frutos.
- Mas compadre Leodoro, eu acho que Deus sempre me acompanha em minhas andanças.
- Sim senhor! – fez seu Leodoro.
- Assim que terminei o trabalho, isto é, da tirada do mel, eu não quis mais demorar pelas caatingas. Lá no Riacho do Pai Antonio, o senhor conhece muito bem aquele baixio... eu estava na barreira, na parte alta, pelo lado de lá, tentando adquirir fôlego para enfrentar a viagem para casa. Fiz um cigarro, e quando o levei à boca para acendê-lo, fui surpreendido por uma onça vermelha.
- Uma onça vermelha, compadre, nessa mata?! – atalhou seu Leodoro se admirando.
- Sim senhor! Ela estava trepada em uma árvore, que se eu não tivesse levantado a vista, ela tinha me pegado e me estraçalhado de uma só abocanhada. Ela estava bem pertinho de mim, com os olhos aboticados me observando. De arma, eu só tinha meu facão. Tomei posição para enfrentá-la, mas tive medo, porque ela poderia tomar da minha mão o meu facão só com uma tapa. Mas veja o que passou por cima de mim...
- O que, compadre, passou diante do senhor? - interrompei Leodoro.
- Uma macaca, compadre. Uma macaca prego com um filhote sobre às costas. Ela vinha dependurada em um cipó. E quando se aproximou de mim, soltou o cipó, e com o impulso do seu próprio corpo, caiu do outro lado do riacho. Mas antes de soltar o cipó, eu ouvi uma voz que dizia assim: "- Salve-se, seu Galdino! Salve-se! Dependura-se no cipó e passe para o outro lado do córrego, se não a onça te come!"
- A macaca falou, compadre? – Quis duvidar seu Leodoro.
- Se não foi ela compadre, foi Deus! E eu que não sou besta, agarrei o cipó e me mandei dependurado nele, e só o soltei quando eu já estava do lado de cá com os pés em terra firme.
- Já vi, compadre Galdino, o senhor tem razão em dizer que Deus lhe protege. Acontecer desta macaca passar dependurada no cipó, e soltá-lo para o senhor se salvar das garras da onça. Só pode ser milagre. Não é isso mesmo, compadre?
- E apois, compadre! – confirmou seu Galdino se gabando.
- Nesse momento que o senhor passou pro outro lado do riacho, perdeu o mel, mas ganhou a vida. - quis saber seu Leodoro,
- Quem lhe disse que eu perdi o mel, compadre Leodoro?
- O senhor voltou pro outro lado do riacho para apanhar o mel, diante da onça, que com certeza, ainda estava lá?
- Não senhor! O cipó que a macaca havia deixado para eu passar dependurado nele pro outro lado do córrego, tinha um gancho no final da ponta dele, e no momento em que eu o agarrei, passei sobre a lata do mel, o gancho enganchou no arame da lata, e se mandamos nós dois juntos, isto é, eu e a lata do mel.
- O senhor é guiado por Deus mesmo! Ah, se eu tivesse essa mesma sorte que o senhor tem, compadre Galdino!
- Graças ao meu bom Deus, compadre Leodoro. Se não fosse aquela macaca de me aparecer naquele momento, hoje eu seria um finado naquelas matas do Pai Antonio! Sim, senhor!!!
- Vou embora, compadre Galdino. A Gestrudes é muito medrosa e está só..., até mais tarde, compadre.
- Até, compadre Leodoro! Vai-te corno! Dizia seu Galdino consigo mesmo. A Gestrudes não tem medo de onça. Ela tem medo é de você, sua peste. Um homem ignorante que nem falar sabe direito!
Minhas Simples Histórias
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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

POR QUE REPETIR NOMES DE CANGACEIROS EM FACÍNORAS PRINCIPIANTES?

Por José Mendes Pereira

Ao estudar a "Literatura Lampiônica" a maior parte de estudantes principiantes no que diz respeito ao tema, fica com dúvidas quando encontra em determinada data, o cangaceiro tal já assassinado, e mais adianta, em outro texto encontra o cangaceiro em plena atividade de crime. 

A razão disto é porque quando um cangaceiro valente era assassinado pelas volantes, para confundir a polícia, o capitão Lampião repassava o apelido daquele cangaceiro, ou para principiantes ou para algum que já fazia parte da sua "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia". É o caso dos cangaceiros como: 

Jararaca que foi morto em Mossoró, mas antes dele já existia o Jararaca I, e com a morte deste foi colocado o apelido no cangaceiro José Leite de Santana. José Leite de Santana desapareceu do mundo e do grupo de Lampião, batizou um outro com o apelido de Jararaca. 

Cangaceiro com o nome de Candeeiro existiram dois, muito embora tenha tido mais outro que eu não tomei conhecimento.

Segundo o pesquisador Manoel Belarmino existiram mais cangaceiros com o apelido de Azulão:

Palavras do Manoel Belarmino: 

"Um deles era o Luiz de Maurício como era conhecido antes de entrar no Cangaço, Luiz José da Silva, natural de Poço Redondo, nascido e criado no quilombo Serra da Guia, foi o Azulão do Bando de Lampião. Como no Cangaço de Lampião existiu mais de um cangaceiro com o nome de Azulão, o Azulão da Guia foi o terceiro do bando de Lampião.

Segundo alguns pesquisadores Azulão da Guia entrou no cangaço em 1934, e atuou no grupo de Zé Sereno. Estava naquela madrugada do dia 28 de julho de 1038, e escapou com vida.

Depois da chacina de Angico, Azulão da Guia entregou-se à polícia na cidade de Jeremoabo no mês de outubro de 1938, sendo condenado a 30 anos de prisão. Cumpriu 19 anos a pena e foi indultado em 06 de novembro de 1957. Azulão da Guia saiu da cadeia aos 68 anos de idade". 


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O CANGACEIRO GORGULHO.

    Por Fabio Costa Este Cangaceiro estava no grupo de Mané Moreno em Poço da Volta quando em meio ao forró foram emboscados pela volante de...