terça-feira, 7 de janeiro de 2020

FORMAL DE PARTILHA

FORMAL DE PARTILHA

FORMAL DE PARTILHA passada a  favor de FRANCISCA RODRIGUES DUARTE extraído dos autos de Inventário dos bens deixados pelo finado FRANCISCO DUARTE FERREIRA para título e conservação de seus direitos.

O doutor Abílio Cesar Cavalcanti Juiz de Direito da 1ª. Vara desta Comarca de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, na forma da lei etc.

FAZ SABER a todos os senhores doutores desembargadores, juízes e mais pessoas da Justiça a quem o conhecimento desta haja de pertencer, que perante este Juízo e cartório do 4º. Ofício, desta cidade, se processaram os outros de Inventário dos bens deixados pelo finado Francisco Duarte Ferreira, com inteira observância das prescrições legais, feito iniciado com sua distribuição aos vinte e seis (26) do mês de abril do ano de mil novecentos e cinquenta e cinco (1955) e tendo a respectiva partilha sido julgada por sentença de primeiro de julho de 1955, que transitou em julgado e como por FRANCISCA RODRIGUES DUARTE tenha sido pedido o presente formal, é o mesmo extraído dos referidos autos, nos termos e com as peças necessárias, determinadas pelo art. 509 do Código de Processo Civil, em seguida transcritas:

TERMO DE COMPROMISSO DE INVENTARIANTE:

Aos vinte e sete dias do mês de abril do ano de mil novecentos e cinquenta e cinco, nesta cidade de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, em meu cartório à Rua Coronel Vicente Saboia, número vinte (20), onde se achava o Juiz de Direito da Primeira Vara Doutor Abílio César Cavalcanti, comigo escrivão do seu cargo abaixo indicado e que este subscreve, compareceu o Doutor Raimundo Doares de Sousa, procurador e advogado da inventariante dona FRANCISCA RODRIGUES DUARTE, a quem o M. Juiz se referiu o compromisso na forma da lei, de bem e facilmente, com boa e sã consciência, sem dolo nem malícia, de empenhar o cargo de inventariante dos bens do espólio de FRANCISCO DUARTE FERREIRA, falecido nesta cidade no dia (03) três de março do ano em curso. Aceito o referido compromisso, prometeu cumpri-lo com fidelidade. Do que para constar, lavrei este termo que depois de lido e achado conforme, vai assinado pelo Juiz e compromissado. O Escrivão do quarto Ofício João Bruno da Mota, que o datilografei e subscrevi. (aa) Abilio Cesar Cavalcanti – Raimundo Soares de Souza, João Bruno da Mota.

TERMO DE DECLARAÇÕES PRELIMINARES

Aos vinte e oito dias do mês de abril do ano de mil novecentos e cinquenta e cinco (1955), pelas nove horas nesta cidade de Mossoró, Termo Sede da Comarca do mesmo nome, Estado do Rio Grande do Norte, em meu cartório à Rua Coronel Vicente Saboia, número vinte (20), onde se encontrava o doutor Abílio Cesar cavalcanti, Juiz de Direito da Primeira Vara desta Comarca, comigo escricão do seu cargo abaixo nomeado e no final, assinado, aí compareceu o doutor Raimundo Soares de Souza, brasileiro, casado, advogado, domiciliado e residente nesta cidade, na qulçaidade de procurador e advogado da inventariante dona FRANCISCA RODRIGUES DUARTE e pelo mesmo foram prestadas as seguintes declaraçõea preliminares: Disse que o inventarido FRANCISCO DUARTE FERREIRA, brasileiro, criador, com 82 anos de idade, natural deste município, faleceu nesta cidade, no dia trêsde março do corrente ano, deixando testamento. Que o “de cujus” fora casado em primeira núpicias, sob o regime de comunhão de bens com dona MARIA VICÊNCIA DUARTE, e em segundas com a inventariante dona FRANCISCA RODRIGUES DUARTE. Que do seu primeiro consórcio deixou os seguintes filhos:

PRIMEIRO): MANUEL DUARTE FERREIRA, brasileiro, comenrciante e proprietário, vom sessenta anos de idade, casado com dona Francisca Leite Duarte, de prendas domésticas, domiciliados e residentes nesta cidade.

SEGUNDO)LUIZ DUARTE DA COSTA, brasileiro, criador e agricurtor, com cinquenta e cinco anos de idade, casado com dona MARIA DE FREITAS DUARTE, de afazeres domésticos, domiciliados e residentes nesta cidade.

TERCEIRO)MARIA DUARTE TRIGUEIRO, brasileira de prendas domésticas, com cinquenta e três anos de idade, casada com JOAQUIM HENRIQUE TRIGUEIRO, militar reformado, domiciliados e residentes na capital Federal.

QUARTO)RAIMUNDA CALDAS DUARTE, brasilera, de prendas domésticas, com cinquenta anos de idade, casada com LUIZ CALDAS DUARTE, funcionário público estadual, domiciliados e residentes nesta cidade.

QUINTO)DR. FRANCISCO DUARTE FILHO, brasileiro, médico com quarenta e nove  anos de idade, casado com MARIA SALEM DUARTE, de prendas domésticas, domiciliados e residentes nesta cidade.

SEXTO)LUZIA DUARTE MAIA, brasileira, de prendas domésticas, com quarenta e sete anos de idade, casada com FRANCISCO ALVES MAIA, agrimensor, domiciliados e residentes na cidade de Goiânia Estado de Goiás.

SÉTIMO)JOSÉ DUARTE FERREIRA, brasileiro, mecânico, com quarenta e dois anos de idade, casado com dona MATILDE SOUTO DUARTE, de prendas domésticas, ele domiciliado e residente na cidade de Manaus, Estado do Amazonas e ela domiciliada e residente nesta cidade.

OITAVO)CRISTINA DUARTE FERREIRA, brasileira e desquitada, de prendas domésticas, domiciliada e residente na cidade de Natal capital deste Estado.

NONO)VICENTE DUARTE FERREIRA, já falecido deixando o seguinte herdeiro: Raimundo Nonato Duarte, brasileiro, com----- anos de idade, agricultor, domiciliado e residente nesta cidade.

DÉCIMO)JOANA LEITE DUARTE, brasileira, já falecida deixando os seguintes herdeiros: 

        1º.) -  ALDEMAR DUARTE LEITE, agricultor, com trinta e seis anos de idade, casado, domiciliado e residente nesta cidade. 

        2º.) – ARMANDO DUARTE LEITE, solteiro, com trinta e quatro anos de idade, mecânico, domiciliado e residente nesta cidade. 

           3º. – MARIA ARICÉ DUARTE LEITE, de prendas domésticas, com trinta e dois anos de idade, domiciliada e residente nesta cidade, solteira. 

           4º.) – ALBANIZA DUARTE DOS REIS, de prendas domésticas, com trinta e um ano de idade, casada com JOSÉ FRANCISCO DO REIS, comerciante, domiciliado e residente nesta cidade. 

      5°.) – ADALTA DUARTE LEITE, solteira, com trinta anos de idade, domiciliada e residente nesta cidade. 

           6º.) -  ARTUR DUARTE LEITE, solteiro, mecânico, com vinte e nove anos de idade, domiciliado e residente nesta cidade.

Disse mais o mesmo procurador e advogado da inventariante que o “de Cujus” deixou testamento conhecido no qual instituiu legatários:

I) – MANUEL DUARTE FERREIRA, comerciante, com 60 anos de idade, casado com dona Francisca Leite Duarte, domiciliada e residentes nesta cidade. 

II) – LUIZ DUARTE DA COSTA, casado com dona Maria de Freitas Duarte, domiciliados e residentes nesta cidade. 

III) – DR. FRANCISCO DUARTE FILHO, médico, casado com dona Maria Salem Duarte, domiciliados e residentes nesta cidade. 

IV) – JOANA DUARTE LEITE falecida representada por seus filhos Aldemar Duarte Leite; Armando Duarte Leite; Maria Aricé Duarte Leite; Albaniza Duarte dos Reis; Adalta Duarte Leite e Artur Duarte Leite. 

V) – MARIA DO CARMOP DUARTE MAIA solteira de prendas domésticas, com 23 anos de idade, filha de Francisco Alves Maia e de dona Luzia Duarte Maia, domiciliados e residentes nesta cidade. Disse ainda o mesmo procurador e advogado da inventariante que os bens da herança, estimados em seiscentos mil cruzeiros, são os seguintes:

IMÓVEIS:  - Uma parte de terra com carnaubal, encravado no lugar denominado Barrinha, também conhecido por Carmo, neste município com o carnaubal na várzea e abrangendo a caatinga, medindo 2.192 (dois mil cento e noventa e dois) metros de frente, com meia légua para cada lado do rio Upanema, adquiridos pelo “de cujos” – na nomeação dos bens deixados por falecimento de sua primeira esposa dona Maria Vicência Duarte, conforme inventário e partilha procedido no Juízo competente desta comarca, que correu pelo Primeiro Cartório desta cidade, julgado por sentença aos vinte e nove de março de mil novecentos e dezessete, limitando-se do seguinte modo: ao norte, com terras de Letícia Rodrigues Duarte; ao sul, com terras do monte inventariando; ao nascente, com terrenos devolutos e ao poente, com os proprietários de terras do rio Mossoró. Uma parte de terra com carnabal, encravado no lugar denominado Tabuleiro Grande, neste município, medindo 964 (novecentos e sessenta e quatro) metros de frente, com meia légua para cada lado do rio Upanema, com carnaubal na várzea e abrangendo a caatinga, adquiridos pelo “de cujus” na reação dos bens deixados por falecimento de sua primeira mulher dona Maria Vicência Duarte, conforme inventário e partilha procedido no Juízo competente desta comarca que correu pelo Primeiro Cartório desta cidade e julgado por sentença aos vinte e nove de março de mil novecentos e dezessete, cuja parte de terra limita-se do seguinte modo:

Ao Norte, com terras do monte inventariando, ao Sul, com terras de Manoel Duarte Ferreira, ao Nascente, com terrenos devolutos e ao Poente, com terrenos dos proprietários do rio Mossoró. Um açude arrombado, sem benfeitorias, encravado no lugar Barrinha deste município, em terreno do monte inventariando.

MÓVEIS E UTENSÍLIOS:

Um motor Lister de 5HP a óleo Diesel, usado. Uma máquina de bater palha, bastante usada.

SEMOVENTOS:

4 vacas paridas; cinco vacas solteiras, um touro, quatro novilhas; duas novilhotas; quatro garrotas; vinte e duas ovelhas; dez carneiros; dez marrans; dezoito cabras; dez bodetes; nove novilhas de cabras.

APÓLICES:

Cinquenta apólices do Banco de Mossoró S.A. de número 01151 a 01200, no valor nominativo de 100 cruzeiros cada um e tudo num total de cinco mil cruzeiros.

JUROS:

Juros de apólices do Banco de Mossoró S/A., relativos ao ano de 1954, na importância de quatrocentos e cinqüenta cruzeiros. - Disse mais o mesmo procurador e advogado da inventariante que, do consórcio de sua constituinte com o falecido não existe filhos:

IMÓVEIS:

Disse mais o mesmo procurador e advogado que existe também o seguinte: - Uma casa de residência, encravada no sítio Barrinha, deste município, em terrenos do monte inventariando, com móveis e utensílios adquirida pelo “de cujus” por construção própria. Pelo mesmo procurador foii declarado ser procurador e advogado de todos os herdeiros e legatários constantes das presentes declarações preliminares, conforme instrumentos, procuratórios que apresentou neste ato, pedindo fossem os mesmos juntos aos presentes autos, o que foi deferido pelo MM. Juiz. – Que são estas as declarações preliminares que tem a fazer, protestando todavia por ulteriores, em virtude de qualquer omissão, de fatos que ainda não sejam do seu conhecimento, ou por qualquer outro motivo. Nada mais declarou. Do que para constar datilografei o presente termo que, depois de lido e achado conforme, vai assinado pelo Juiz e pelo declarante. Eu, João Bruno da Mota, Escrivão do 4º. Cartório, o datilografei e subscreví. (aa) Abilio Cesar Cavalcanti – Raimundo Soares de Sousa. TERMO de Abilio Cesar Cavalcanti – Raimundo Soares de Sousa.

TERMOS DE DECLARAÇÕES FINAIS EM ANDAMENTO

Aos oito dias do mês de junho do ano de mil novecentos e cinquenta e cinco, nesta cidade de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, em meu cartório na rua coronel Vicente Saboia, número vinte, onde se achava o Dr. Abilio Cesar Cavalcanti, Juiz de Direito da primeira vara desta Comarca, comigo escrivão do quarto ofício, aí compareceu o doutor Raimundo Soares de Sousa, procurador e advogado da inventariante dona FRANCISCA RODRIGUES DUARTE e pelo mesmo foi dito que por equívoco, deixaram de ser descritos três armazéns, encravados nas terras situadas no lugar Barrinha, constantes do monte a partilhar, que vinha aditar os seguintes imóveis: Um armazém medindo dez metros de fundos por três metros e meio de frente construído de tijolos e coberto de telhas, com uma porta na frente, isolado pelo lado e lado do poente, anexo com a dasa de morada, já descrita e avaliada. – Dois armazéns conjugados, construídos de tijolos e cobertos de telhas, com oito metros de fundos por seis metros de frente, cada um com uma porta na frente, nos fundos uma porta cada um. E nada mais tinha a dizer ou alteras. Do que para constar lavrei este termo que depois de lido e achado conforme, vai assinado pelo procurador da inventariante e pelo Juiz. Eu João Bruno da Mota escrivão do 4º. Ofício, o datilografei e subscreví.  (aa) Abilio Cesar Cavalcanti – Raimundo Soares de Sousa.

LAUDO DE AVALIAÇÃO:

Laudo de avaliação dos bens deixados pelo falecimento do Sr. Francisco Duarte Ferreira. Um Terreno no lugar Barrinha medindo 2.192 (dois mil cento e noventa e dois) metros de frente com meia légua para cada lado do rio Upanema, com carnabal, limitando-se do seguinte modo: - pelo lado do Norte, com terra de Letícia Rodrigues Duarte, pelo lado do Sul com terra do monte inventariando, lado do nascente, com terras devolutas, e pelo lado do poente, com os proprietários de terras do rio Mossoró, que avalio por Cr$ 600,00 o metro e todos os 2.192 metros por Cr$ 1.315.200,00.

UM TERRENO NO LUGAR TABULEIRO GRANDE com 964 (novecentos e sessenta e quatro) metros de frente com meia légua para cada lado do rio Upanema, com carnaubal, limitando-se pelo lado do Norte, com terra do monte inventariando, pelo lado do Sul, com terra de Manoel Duarte Ferreira, pelo lado do nascente, com terra devolutas e pelo lado do poente, com terra dos proprietário do rio Mossoró, que avalio o metro por 600,00 e todos os 964 metros por Cr$ 578.400,00.

UM AÇUDE NO LUGAR BARRINHA  o dito açude está arrombado, sem benfeitorias, encravado no lugar Barrinha, neste munípio, em terreno do monte inventariando, que avalio por Cr$ 6.000,00.
UM MOTOR LISTER COM 5HP a óleo usado que avalio por Cr$ 5.000,00.
UMA MÁQUINA DE BATER PALHA de carnaúba também usada, que avalio por Cr$ 4.000,00.
QUATRO VACAS PARIDAS que avalio cada uma por 2.500,00 e todas as quatro por Cr$ 10.000,00.
CINCO (5) VACAS SOLTEIRAS que avalio cada um a por 2.000,00 e todas as cinco por 10.000,00.
UM TOURO que avalio por Cr$ 5.000,00.
QUATRO NOVILHAS que avalio cada uma por 1.000,00 e todas as quatro por Cr$ 4.000,00.
DUAS (2) NOVILHOTAS que avalio cada um por 800.00 e todas duas por Cr$ 1.600,00.
QUATRO GARROTES que avalio cada um por 800,00 e todos os quatro por três mil e duzentos.
VINTE E DUAS OVELHAS que avalio cada uma por 150,00 e todas as vinte e duas por Cr$ 3.300,00.
DEZ (10) MARRANS DE OVELHAS que avalio cada uma por 100,00  e todas as 10  por Cr$ 1.000,00.
DEZOITO (18) CABRAS que avalio cada uma por 150,00 e todas as 18 por Cr$ 2.700,00.
DEZ BODETES que avalio cada um por 100,00 e todos os dez por Cr$ 1.000,00.
NOVE (9) NOVILHAS DE CABRAS que avalio cada uma por 100,00 e todas as nove por Cr$ 900,00.
DEZ (10) CARNEIROS que avalio cada um por 200,00 e todos os dez por Cr$ 2.000,00.
UMA CASA NO SÍTIO BARRINHA construída de tijolos e coberta de telhas, que avalio por 6.000,00 ´perfazendo um total de Cr$ 1.959.300,00.
Mossoró, 16 de maio de 1955. (a) Viriato Alves da Silva. Avaliador.

LAUDO DE AVALIAÇÃO – Dos bens deixados por falecimento do Sr. FRANCISCO DUARTE FERREIRA ocorrido neste município de Mossoró.

UM (1) ARMAZÉM NO LUGAR BARRINHA construído de tijolos e coberto de telhas, medindo dez metros de fundos por três metros e meio de frente, com uma (1) porta de frente, isolado pelo o lado do nascente e pelo lado do poente, anexo com a casa de morada que avalio por Cr$ 1.000,00.

DOIS (2) ARMAZÉNS NO LUGAR BARRINHA construídos de tijolos e cobertos com telhas, conjugados com oito metros de fundos por seis metros de frente, cada um com uma porta de frente e nos fundos um porta cada, avalio cada um por 1.000,00 e todos os dois por Cr$ 2.000,00. Perfazendo um total de 3.000,00. Mossoró, 7 de junho de 1955. (a) Viriato Álvares da Silva, avaliador.

PAGAMENTO: - Pagamento que se faz à meeira e viúva cabeça do casal dona FRANCISCA RODRIGUES DUARTE,de prendas domésticas domiciliada e residente no sítio Barrinha, deste termo, da meação lhe coube na presente partilha dos bens deixado por falecimento de seu marido FRANCISCO DUARTE FERREIRA na importância de 726. 017,94, que sai. (726.017.94). Haverá em pagamento de sua meação mil quinhentos e setenta e oito (1578) metros na parte de terra de criar e plantar, com carnaubal, encravada no lugar denominado Barrinha, também conhecido por Carmo, neste município de Mossoró, com carbaubal na nárzea e abrangendo a caatinga, residindo dita parte de terra - 2.192 – (dois mil cento e noventa e dois) metros de frente, com meia légua para cada lado do rio Upanema adquiridos pelo “de cujus” descritos e avaliados em adiatamento em Cr$ 450,00 e todos 1.578 metros por Cr$ 710.100,00, que sai. – (Cr$ 710.100,00). Haverá mais em seu pagamento, na casa de residência do sítio Barrinha, deste município, descrita e avaliada por Cr$ 6.000,00 uma parte correspondendo, a ¾ (três quartos) por 4.500,00, que sai. (4.500,00). Haverá mais em seu pagamento no açude encravado nos terrenos do sítio Barrinha, deste município, descrito e avaliado por Cr$ 6.000,00, uma parte correspondendo a ¾ (Três quartos) por 4.500,00, que sai. (4.500,00). Haverá mais em seu pagamento, uma máquina de cortar palha, descrita e avaliada por 4.000,00, que sai. (4.000,00). Haverá mais em seu pagamento, nos (3) três armazéns construídos de tijolos coberto de telhas, encravados no sítio Barrinha, deste município, descritos e avaliados por Cr# 3.000,00, uma parte correspondente a ¾ (três quartos) por Cr4 2.250,00, que sai. (2.250,00). Haverá mais em seu pagamento, duas ovelhas, das vinte e duas ovelhas, descritas e avaliadas a Cr$ 150,00 cada uma e as duas por Cr$ 300,00 que sai. (300,00). Haverá finalmente, dos carneiros, dos dez carneiros descritos e avaliados a Cr$ 200,00 cada um e os dois por Cr$ 400,00, que sai. (400,00). Levando de mais para repor Cr$ 32,06 que sai. (32,06) Visto a meiação ser Cr$ 726.017,94. Inteirado – (726.017,94). E por esta forma houve o MM. Juiz por feito e acabado o presente pagamento a meeira e viúva do cabeça do casal dona Francisca Rodrigues Duarte, pago com os bens acima descritos. Para constar, mandou o Juíz lavrar este termo que o assina comigo escrivão. Eu, João Bruno da Mota, o subscrevo. (aa) Abílio Cesar Cavalcanti – João Bruno da Mota.

CERTIDÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO “CAUSA=MORTIS”: - N. 849 – A. R.R.N. – Rio Grande do Norte – Departamento da Fazenda Exercício de 1955 – Rendas Diversas – Cr$ 37.870,00. Nº. 049, A fls. Do livro competente foi lançada em Receita a quantia de trinta e sete mil oitocentos e setenta cruzeiros (37.870,00), recebida de Manoel Duarte Ferreira e outros, proveniente do impt. De transmo, causa-mortis s/ 760.508,70 de seus legados e legítimos que lhes hão de caber na partilha dos bens deixados por falecimento de Francisco Duarte Ferreira, falecido no dia 3 de março do corrente ano. Sendo: Transmo. Causa-mortis 37.864,70. Taxa de Expediente – 5,30. Total – Cr 37.870,00. J.N. receb. De Rendas Estaduais, de Mossoró, em 15 de junho de 1955. (aa) R.N. Oliveira, Escrivão. L.M., Coletor. 

CERTIDÕES NEGATIVAS DE IMPOSTOS MUNICIPAIS, ESTADUAIS E FEDERAL: - (Escudo da República) – Rio Grande do Norte – Prefeito Municipal de Mossoró – Tesouraria – Certidão – Certifico a pedido verbal de pessoa interessada que o espolio de Francisco Duarte Ferreira, está quites com o pagamento dos impostos e taxas arrecadas por esta Repartição, até esta data. Tesouraria da Prefeitura Municipal, em 30 de maio de 1955. (aa) Jeremias Jussieu da Escossia, Tesoureiro. Visto – Reginaldo Paiva, Secretário. (Escudo da República) – Departamento  da Fazenda – Recebedoria de Renda – Of nº. 114/55. Mossoró, 8/6/1955. Ao Ilmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 1ª. Vara da Comarca de Mossoró-RN. Respondendo ao ofício s/n, desse Juizo, datado de 31 de maio último, informo a V. Excia., que o espolio de Francisco Duarte Ferreira, está quites com a Fazenda Estadual, por intermérdio desta Recebedoria, até a presente data. Renovo. A V. Excia. Os mm/protestos de estima e consideração. Respeitosa Saudações. (a) Luiz Medeiros, Diretor. Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 1ª. Vara de Mossoró-RN. Em resposta do ofício de V. Excia. Datado de 31 de naio último, informo que o espolio de Francisco Duarte Ferreira, está quites com a Fazenda Nacional, por intermédio desta Mesa de Rendas. Sirmo-me da oportunidade para renovar a V. Excia. Meus protestos de elevada estima e distinta consideração. (a) Werther M. Catunda, administrador. Contém na presente certidão um carimbo com os seguintes dizeres: Mesa de Rendas Federais em Mossoró – Rio Grande do Norete. SENTENÇA: - Vistos, etc. Julgo por sentença o esboço de fls. 71-83, referentemente dos bens deixados por falecimento de Francisco Duarte Ferreira, para que os mesmos produza os seus regulares efeitos, esboço de partilha esse a cuja correspondencia serão feitas as folhas de pagamentos. Quanto ao mais, cumprirá o escrivão o seu regimento. Custas na forma da lei. Int. Mossoró, 1/7/55. (a) Abilio Cesar Cavalcanti. Nada mais se continha nos ditos autos que deveras ser transcrito, na forma da lei. Dado e passado nesta cidade de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, ao primeiro dia do mês de julho do ano de mil novecnetos e cinquenta e cinco.

Eu, João Bruno da Mota escrivão do quarto ofício, que o datilografei, conferi, consertei e subscrevo.
O JUÍZ DE DIREITO

Digitado por José Mendes Pereira conforme xerox do original. Não ignorar a ortografia. Foi datilografado de acordo com a época.


terça-feira, 24 de dezembro de 2019

As bombas americanas destroem cidades de Hiroshima e Nagasaki no império japonês

Por José Mendes Pereira

A nuvem de cogumelo sobre Hiroshima após a queda da Little Boy - pt.wikpedia.org 

Morrer pela pátria é uma coisa sem graça e sem sentido. Por que morrer pela pátria se os que deveriam estar lá, lutando pelo a defesa do seu país, ficam escondidos em suas mansões, só ordenando que ataquem isso ou aquilo? Eu, hein!

Os ataques com grande poder de destruição às lindas e conhecidas cidades Hiroshima e Nagasaki, ocorridos no final da Segunda Guerra Mundial, realizados nos dias 6 de agosto e 9 de agosto do ano de 1945, contra o Império do Japão, foram feitos pela Força Aérea dos Estados Unidos da América, com ordens de Harry S. Truman, que na época era presidente dos Estados Unidos.
 


Após seis meses de horrorosos bombardeios, os Estados Unidos  tentavam convencer o Japão desistir da batalha, atacando outras cidades,  mas só conseguiram vencer o Japão com a mais potente bomba atômica "Little Boy", soltando em uma segunda-feira, sobre a cidade de Hiroshima. 

Em 6 de Agosto de 1945 às 8:15am, uma bomba atômica carregada de Urânio explodiu 580 metros acima da cidade de Hiroshima com um grande Flash brilhante, criando uma gigante bola de fogo, a temperatura no centro da explosão chegou aos 4,000ºC. Mandando raios de calor e radiação para todas as direções, soltando uma grande onda de choque, vaporizando em milisegundos milhares de pessoas e animais, fundindo prédios e carros, reduzindo uma cidade de 400 anos à pó. O que era de árvores foram todas destruídas com o forte calor
 
Em Hiroshima foi jogada a bomba atômica “Little Boy” e, três dias depois, a bomba “Fat Man” em Nagasaki. Até os dias de hoje, as duas bombas foram as únicas . - www.infoescola.com   

Três dias depois, no dia 9, a "Fat Man" caiu sobre Nagasaki. Historicamente, estes são até agora os únicos ataques onde se utilizaram armas nucleares. As estimativas, do primeiro massacre por armas de destruição maciça, sobre uma população civil, apontam para um número total de mortos a variar entre 140 mil em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki, sendo algumas estimativas consideravelmente mais elevadas quando são contabilizadas as mortes posteriores devido à exposição à radiação. A maioria dos mortos eram civis.

 
No dia 3 foi a vez de Nakasaki, recebendo de presente a bomba “Fat Man”. Até os dias de hoje, as duas bombas foram as únicas .http://pt.wikipedia.org/wiki/Fat_Man 

Com a destruição em massa dessas duas cidades e milhares de mortos em poucos segundos, o Japão resolveu entregar os pontos no dia 15 de agosto de 1945. Mas para isso, foi obrigado assinar oficialmente da sua rendição em 2 de setembro, na baía de Tóquio,  e finalmente foi anunciada o fim da II Guerra Mundial.

Que destino tomou esta criança - corujapaideia.blogspot.com 

O papel dos bombardeios atômicos na rendição do Japão, assim como seus efeitos e justificações, foram submetidos a muito debate. Nos Estados Unidos, o ponto de vista que prevalece é que os bombardeios terminaram a guerra meses mais cedo do que haveria acontecido, salvando muitas vidas que seriam perdidas em ambos os lados se a invasão planejada do Japão tivesse ocorrido. No Japão, o público geral tende a crer que os bombardeios foram desnecessários, uma vez que a preparação para a rendição já estava em progresso em Tóquio.

Vítima da crueldade do homem - corujapaideia.blogspot.com 

As Bombas Atômicas que atingiram Hiroshima e Nagasaki ficaram em nossas mentes. Todos os dias, as imagens são uma mistura da devastação das terras e prédios. Imagens chocantes das ruínas, mas quanto as vítimas? 

 
Foi lançada a primeira bomba atômica da nossa história, na cidade de Hiroshima, Japão. Somente no primeiro instante foram mortas mais de 70.000 pessoas, ... - eleteimou.blogspot.com 

O calor provocados pelas bombas, foi tão intenso que  tudo foi vaporizado. As sombras dos parapeitos foram imprimidas no chão. Em Hiroshima, tudo o que sobrou de alguns humanos, sentados em bancos de pedras próximos ao centro da explosão, foram as suas silhuetas.


A explosão da bomba hiroshima fez os relógios pararem 8:15 

Adultos e crianças foram incinerados ou paralisados em suas rotinas diárias, os seus organismos internos entraram em ebulição e seus ossos carbonizados. Que maldade dos homens! No centro da explosão, as temperaturas foram tão quentes que derreteram concreto e aço. Dentro de segundos, 75,000 pessoas foram mortas ou fatalmente feridas. As mortes causadas pela radiação ainda aconteceram em grandes números nos dias seguintes. “Sem aparente motivo as suas saúdes começaram a falhar. Eles perderam apetite. Seus cabelos caíram. Marcas estranhas apareceram em seus corpos. E eles começaram a ter sangramentos pelas orelhas, nariz e boca”.

 

Médicos “deram aos seus pacientes injeções de Vitamina A. Os resultados foram horríveis. E buracos começaram a surgir em seus corpos causado pela injeção da agulha. Em todos os casos as vítimas morreram”. Como pode!

Hibakusha é o termo usado no Japão para se referir as vítimas das bombas atômicas que atingiram Hiroshima e Nagasaki. A tradução aproximada é “Pessoa afetada por explosão”.

Eles e suas crianças foram vítimas da falta de conhecimento sobre as consequências das doenças causadas por radiação.

olavosaldanha.wordpress.com  - Hiroshima e Nagasaki 

Muitos deles foram despedidos de seus empregos. Mulheres Hibakusha nunca se casaram, muitos delas tinham medo de dar a vida para uma criança deformada. Os homens também sofreram discriminação. “Ninguém quis se casar com alguém que poderia morrer em poucos anos”.

Em 10 de Agosto de 1945, o dia depois dos ataques à Nagasaki, Yosuke Yamahata, começou a fotografar a devastação. A cidade estava morta. Ele caminhou através da escuridão das ruinas e corpos mortos por horas. Mais tarde, ele fez as suas últimas fotos próximas a estação médica, ao norte da cidade. Em um único dia, ele completou o único registro fotografico logo após às bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.

O  sonho acabou - julia-nopaisdasmaravilhas.blogspot.com 

A detonação da Little Boy, como era chamada a bomba que causou a morte de mais de 250 mil pessoas em Hiroshima, foi ouvida até nas cidades vizinhas. Ela destruiu tudo o que encontrava num raio de dois quilômetros e meio, devastando vegetação e estrutura da cidade. Porém, o aporte térmico da bomba teve um alcance ainda maior. A detonação daFat Man sobre Nagasaki causou tanta destruição quanto em Hiroshima.

Vida findada - olavosaldanha.wordpress.com

Sobreviventes que sofreram fortes queimaduras devido a propagação do intenso calor, fora da área de explosão, andavam pelas ruas sem saber o que havia acontecido. A radioatividade se espalhou provocando chuvas ácidas, causando a contaminação da região, incluindo lagos, rios, plantações. Os sobreviventes foram atendidos dias depois, o que ocasionou a morte lenta e agonizante de muitos.

Até os dias de hoje, os descendentes dos habitantes afetados sofrem os efeitos da radioatividade. 
Grande parte: Wikipédia
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domingo, 8 de dezembro de 2019

SEU GALDINO ENCONTRA ONÇA PRETA COM UMA PATA ENGANCHADA NUMA ÁRVORE E A SALVA.

Por José Mendes Pereira

sábado, 7 de dezembro de 2019

SEU GALDINO SE EMPREGA COMO ZELADOR NOTURNO DO CEMITÉRIO SÃO SEBASTIÃO EM MOSSORÓ

Por José Mendes Pereira

Em anos bem distantes seu Galdino Borba(gato) fora um dos que trabalhava no cemitério São Sebastião de Mossoró. Dizia ele que qualquer emprego assumido com responsabilidade é sem dúvida, honrado. Muitos dos brasileiros sentem vergonha quando estão ocupando funções que ganham pouco, e que não é visto como um emprego social, mas na verdade, qualquer trabalho é digno de respeito. Não importa qual seja, mas tudo é bem-vindo para quem está desempregado. O pior mundo do mundo é não ter para onde ir ao se levantar pela manhã, sem destino, filho chorando com fome e não ter alimento para matar-lhe a fome.
Seu Galdino foi convidado para trabalhar no cemitério pelo então prefeito de Mossoró Rodolfo Fernandes de Oliveira Martins, o homem que, mesmo não sendo filho de Mossoró, cuja cidade de origem é Portalegre no Rio Grande do Norte, com muita determinação, combateu o famoso e sanguinário capitão Lampião em 13 de junho de 1927.
Ali, na várzea da propriedade do seu Leodoro Gurmão pela manhã, numa tirada de olhos da carnaubeira para a fabricação de vasouras domésticas, seu Galdino conversava com seu Leodoro sobre o tempo que passou como empregado do cemitério, o que viu lá dentro nas noites que eram obrigações suas. Seu Galdino principiou a sua conversa dizendo assim:
- Compadre Leodoro, eu nunca fui homem frouxe como o senhor sabe disso, mas o tempo que tentava me fazer medo foi o período em que eu era funcinário do cemitério São Sebastião de Mossoró.
- Oh xente compadre, o senhor nunca me falou que tinha sido empregado do cemitério...!
- Compadre Leodoro, - atalhou seu Galdino - eu não tinha falado porque eu pensei que o senhor sabia da minha passagem por lá, mas a oportunidade é esta de lhe contar o que eu vi dentro daquele cemitério.
- Sim senhor! - Fez seu Leodoro.
- Quase todas as noites, após às 12 horas eu ouvia muitos alaridos. Crianças escandalosamente chorando e chamando por mamãe. Mamãe, eu quero comer! Eu estou com fome, mamãe...! Velhos pedindo ajudas porque estava apanhando de filho, mulheres parindo e pedindo médicos pelo amor de Deus!
- Minha nossa Senhora! - Admirou-se seu Leodoro.
- Jovens gritando - continuava seu Galdino - e correndo pelas catacumbas que pareciam que estavam fugindo de alguém que tentavam matá-los. Esqueletos andando por entre as covas. Padres rezando missas. Pastores abençoando os túmulos. Bêbados deitados sobre os túmulos e pedindo para voltarem para suas covas, gritos de lobisomens que fazia qualquer vivente se tremer.
- Que tristeza...!
- Sim senhor! Ao anoitecer quem ficava lá tinha que fazer vistoria para ver se não tinha alguém por lá. E já que não tinha ninguém por lá, aqueles alaridos eram as almas dos defuntos.
Seu Leodoro não duvidava do que estava ouvindo, porque certa vez contara seu pai que também fora vigia de um cemitério, e uma vez nas altas horas da madrugada presenciou dois corpos sem cabeças em braceadas disputando um túmulo, só porque cada um queria aquele lugar para tirar uma soneca durante toda noite.
O mais interessante que contara seu Galdino foi sobre os ex-cangaceiros Colchete e Jararaca. E sem muita demora, iniciou:
- Duas almas de dois mortos que me fizeram medo foi quando eu me encontrei com os ex-cangaceiros Colchete e Jararaca. Os cabelos subiram de vez, porque eles não só amedrontavam verbalmente como engatilhavam os seus fuzis em minha direção, dizendo que iriam atirar em mim. Nessa madrugada eu quase que desisti do emprego, porque os dois me seguiam para onde eu ia. O perverso Jararaca apontava o lugar que fora enterrado e ainda me dizia: “ – Vocês foram covardes de não terem lutado comigo corpo a corpo e me mataram sem nenhuma chavce de defesa”
- O homem era mesmo valente, compadre Galdino?
- E bote “valente” nisso, compadre Leodoro! O facínora me chamou para lutar com ele veja bem o que ele me propôs, dava-me uma chance. Eu com o meu facão e ele sem nada nas mãos.
- Que homem bravo, compadre!
- Como eu não aceitei a sua proposta ele o outro desapareceram num piscar de olhos. Após isso eu fui procurar um lugar para tirar uma soneca sobre um túmulo, e ao passar numa catacumba deteriorada, isto é aberta, olhando bem, vi dois olhos arregalados dentro do túmulo.
- E o senhor imaginava quem era?
- Era os olhos do Jararaca que se escondia por ali. E quer saber o que foi que eu fiz, compadre?
- Quero, sim senhor!
- Num descuido dele eu que já estava com um punhado de areia na mão quando ele tentou olhar pra mim, meti a areia nos olhos dele e fiz carreira.
- Ele, o que dizia?
- Cegou-me, seu peste!
- O senhor é corajoso mesmo, enfrentar dois cangaceiros, além do mais, mortos.
- E eu brinco! Foi um dos maiores aperreios que passei como zelador do cemitério. No dia seguinte eu pedi demissão de lá. Deus me livre de mais cemitério! Eu só vou pra lá porque o morto não tem querer, mas eu queria me enterrar em qualquer canto, menos em cemitério.
Leitor, é só uma brincadeirinha com os compadres Jararaca e Colchete.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

SÓ COMO ARQUIVO - CADÊ O JOÃO MALAMANHA QUE NÃO VEM ACOMPANHANDO O ENTERRO?


Por José Mendes Pereira

Cadê o João Malamanha que não vem acompanhando o enterro? Esta era uma das perguntas feita no meio daquela gente que acompanhava um fúnebre. 

Ninguém em Mossoró participava de enterro mais do que ele. Se ouvisse falar que alguém tinha falecido fechava a sua oficina mecânica,  e com o anão Leandro, seu ajudante de mecânica, os dois se abalavam para presenciar a tristeza dos que ficaram, o choro das pessoas, as lastimações da viúva, dos pais, dos irmãos, a missa de corpo presente, a conversaria do povo amigo e principalmente, tomar um cafezinho ou uma pinga em um bar mais próximo do velório.

Apesar da sua honrosa fama de valentão, perverso, grosseiro ao estremo, mas o João Malamanha tinha um coração brando e amável  para aquele que  vestia o seu paletó de madeira e se mandava à procura da casa do Senhor Deus. E até diziam em boca miúda que quando ele se encostava ao caixão ficava falando com o morto, aconselhando-o, que nunca mais voltasse ao chão terrestre. Ficasse por lá mesmo para não atazanar quem por aqui ficou. 

E parece que era mesmo verdade. Alguns mortos que ele não tinha os acompanhado até o cemitério, às vezes, apareciam as pessoas. E se isso acontecesse, a cidade toda logo dizia: “Só está aparecendo porque o João Malamanha não foi ao seu enterro”.

Devido o seu agigantado tamanho o homenzarrão era visto de longe em caminhada fúnebre. Se o caixão fosse colocado em túmulo ele participava ajudando o coveiro, levando o caixão para dentro da urna. E se o morto fosse enterrado em cova rasa, de costume, a primeira pá de barro sobre o infeliz seria  colocada pelas suas deformadas mãos.

Aquela tradição de ser ele quem colocava a primeira pá de areia sobre o caixão ninguém nunca havia protestado. E quem era doido, besta ou tolo para criar uma minúscula confusão com um homem deformado e fora dos padrões humanos? Deus que tivesse dó de quem se atrevesse desafiá-lo. O menor castigo que o desafiador iria sofrer, seria um malvado cocorote de afundar a carapuça da cabeça cabeluda. E adeus, provocador!

Costume é costume. Até o enterro do ex-governador do Rio Grande do Norte Jerônimo Dix-sept Rosado Maia, falecido no Estado de Sergipe  em Aracaju, em 12 de julho de 1951, a causa, desastre aviatório, ele também presenciou. O do famoso religioso mossoroense Luiz Ferreira da Cunha Mota o “Padre Mota” em  27 de agosto de 1966, que foi sepultado na  Catedral de Santa Luzia de Mossoró, o João Malamanha lá estava, e deu uma ajudinha ao coveiro no momento de colocar o caixão na cova rasa. Um enterro que aconteceu em 1962, e que de forma alguma ele podia faltar, porque eram amigos de serenatas, foi o do Cocota, irmão dos componentes do Trio Mossoró. João Malamanha chorava como criança e deixou todos os presentes de boca aberta, só porque o deformado homem era macho todo, e por último, estava chorando, quando é de conhecimento de todos que homem não chora. No velório da professora e juíza de futebol Celina Guimarães Viana a primeira mulher mossoroense a votar, ele não faltou, também estava presente.

Um dia o João Malamanha faltou no meio daquela gente que acompanhava um enterro. O homenzarrão já era conhecido por todos como assíduo acompanhante de velório, e aqueles que seguiam o cortejo só por uma obrigação humana, não sabiam o motivo da sua falta naquele velório, e perguntavam-se uns aos outros:

- Cadê o grandalhão João Malamanha que não está participando deste fúnebre? Será que ele está doente ou viajou para longe e não está sabendo?

- Não sei...! – Respondia alguém.

E outro:

- O que foi que aconteceu com ele que não veio ao velório?

Um velhinho que tinha muito conhecimento com o João Malamanha disse aos ouvintes que ele estava presente. Ninguém o via, mas ele estava vendo todos. E impaciente, duvidou um abelhudo e fofoqueiro:

- E como ninguém o vê e  em que lugar ele se encontra, porque desde que eu cheguei ainda não o vi?

- O João Malamanha não está aqui no meio de nós, porque quem vai dentro do caixão é ele. – Respondeu o velhinho.

- Mas o João Malamanha morreu? Qual a causa da morte? – Perguntou um curioso em tom de assombro!

- Foi assassinado pelo seu ajudante de mecânica. – Disse o velhinho.

- Aquele pequenino Leandro o matou? Aquele que o acompanhava nos enterros?

- Sim senhor! A gente ver cara e não ver coração... – fez o velhinho ex-amigo do Malamanha.

Adeus, João Malamanha!

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SEU GALDINO E A ONÇA LEITEIRA.

Por: José Mendes Pereira
- Dionísia, minha velha, gritava seu Galdino, o diabo das ovelhas do morador da viúva estão todas dentro do nosso cercado. Não se pode mais criar nada nas nossas terras. Ele sabe que as suas ovelhas são umas verdadeiras ladras, e as solta perto do meu cercado.
- Calma, meu velho! Calma! - aconselhava-o dona Dionísia. É melhor ter paciência. Intrigas com vizinho já se parece morte.
- Mas por que ele não as coloca no cercado de cima, se lá é bem mais farto o parto do que ali? - dizia ele com ignorância.
Enquanto isso, se ouvia o toc, toc de um animal que vinha caminhando. Era seu Leodoro Gusmão, montado em um lustroso cavalo de campo, que havia tomado emprestado à fazendeira dona Chiquinha Duarte, para a captura de um boi mandingueiro.
- Apeie-se, compadre Leodoro, para tomar um cafezinho. A Dionísia acabou de fazer, e está bem quentinho... Dionísia, trás um cafezinho para o nosso compadre! – gritou seu Galdino em direção à cozinha.
E virando para o seu Leodoro, perguntou-lhe:
- Conseguiu ver o seu boi mandingueiro nos cerrados, compadre?
- Infelizmente não o vi, compadre Galdino. O parto está muito unido ainda, e torna-se difícil ver qualquer vivente naquelas matas fechadas.
- Mas assim é que é bom, compadre! Muito pasto e os nossos animais não morrerão de fome; ao contrário, eles estão nadando no meio da fartura.
- Deus me livre de seca! Só trás sofrimento para nós e para os animais. - Disse seu Leodoro.
- Quando eu vejo a fartura, me lembro de quando ainda não era fazendeiro. O sofrimento era grande. Nós morávamos nos fundos das terras do fazendeiro Chico Duarte, lá bem próximo à Favela.
Eu vivia de campear gado bravo nos cerrados. Eu era vaqueiro de aluguel. Nunca fui vaqueiro de fazendeiro nenhum. O fazendeiro me dizia o bicho que precisava no seu curral, e me dava uma radiografia completa. A cor do animal, o ferro, se era adulto ou ainda novilho, tudo, sem faltar nada. E a partir das características do vivente, eu me mandava em busca dele, e só retornava para casa com ele na frente, mascarado e com chocalho...
- Mas o senhor sempre campeava sozinho, compadre Galdino? Interrompeu-lhe seu Leodoro.
- Sim senhor! Nunca precisei de vaqueiros para tanger gado comigo. E naquele tempo as onças viviam passeando por todos os lugares. Todos os dias, nas fazendas, amanheciam bezerros mortos e estraçalhados pelas danadas.
- E o senhor tinha medo delas?
- Nunca tive medo de tal animal. Eu a tratava como se fosse um cachorro, com uma diferença, apenas de grande porte.
- Eu não tenho medo, compadre Galdino. Eu evito de vê-las, porque elas são traiçoeiras, e não se deve dar chance a esse tipo de animal.
Seu Galdino precisava urgente contar uma história sobre onça a seu Leodoro. E de imediato, deu início a uma de suas aventuras.
- Certa vez, eu precisava de uns cabos para as minhas ferramentas. Os meus dois filhos, os que moram lá na grande São Paulo, o Artur e o Severino ainda eram pequenos, o mais novo com sete anos, e o mais velho com oito. A nossa situação era de lástima, porque os fazendeiros não estavam precisando de serviços dos vaqueiros, vez que os rebanhos estavam muito bem, obrigado. Naquela época, eu ainda nem sonhava em possuir fazenda. Mas, o senhor sabe, que quem é pobre, sofre por tudo. E o pior é a falta de alimentos. A minha casa estava sem nada, apenas água no pote e nada mais. O que ainda tinha em casa era açúcar, e quando um deles sentia fome, a Dionísia fazia garapa, isto no intuito de amenizar a fome do menino.
- Os meus filhos também foram criados bebendo garapa, compadre. - afirmava seu Leodoro para reforçar o que dizia seu Galdino...
- Pois bem, já que eu iria tirar os cabos para as minhas ferramentas, e como a situação andava de pior a pior, que o senhor sabe que quem anda pelas matas, vez por outra encontra uma fruta, mel de arapuá..., levei o Artur e o Severino, pois se caso eu encontrasse frutas ou mel, eles aliviariam um pouco a fome. Mas eu os levei, não só para isto, também para conhecerem as terras que eles teriam que passear por elas quando atingissem a adolescência, à procura de animais. E nós seguimos por uma vereda feita por bodes, e bem próximo ao Pai Antonio, que o senhor o conhece muito bem, do Soutinho, avistamos um animal que se escondia por detrás de uma árvore derreada. E fomos nos aproximando daquele bicho, para termos a certeza que vivente era. Mas com muito cuidado, pois eu temia que poderia ser uma onça, e já que os meus filhos andavam comigo, talvez acontecesse um ataque contra nós, feito por ela. E lentamente, fomos mais perto, e adivinhe, compadre, o que era!?
- Eu suponho que era uma rês pastando bem escondidinha. – Dizia seu Leodoro.
- Que rês que nada, compadre! Era uma enorme onça, em pé, diante de nós. Os meninos ficaram assustados. Mas para consolá-los, eu os disse que não tivessem medo, que ela não iria lhes fazer nenhum mal.
- Meu Deus, uma onça! – exclamou seu Leodoro.
- E vi logo que era uma onça parida, porque as suas mamas estavam muito inchadas, como se ela tivesse perdido os seus filhotes. Mas em nenhum momento, ela demonstrou insatisfeita com a nossa presença. Mas com receio, que ela poderia atacar os meus filhos, coloquei-os trepados em uma árvore, pois se ela tentasse me atacar e eu corresse, ela não conseguiria subir, para estrangular os meus garotos. E fui me aproximando mais dela, e nas mãos, eu levava um enorme facão, mais uma corda que eu a conduzia amarrada em minha cintura. A onça era tão mansa, mas tão mansa, que nada fez contra mim. Fiquei alisando o seu corpo, repuxando o couro, e a danada se era covarde, naquele dia se tornara um cordeiro. Olhando as suas tetas, desejei secá-las. Mas com medo que ela se revoltasse contra mim, continuei alisando o seu couro, e com a outra mão, fui peando as suas patas traseiras. Ali, eu iniciei secar as suas tetas.
- O senhor estava tirando leite da onça, compadre?
- E eu brinco, compadre Leodoro? Como eu já havia peado as suas patas traseiras, cheio de certeza que ela era uma verdadeira amiga, pedi que o Artur descesse da árvore, para que eu o arriasse em uma das patas dianteira da onça, para facilitar a esgotada do leite, que com certeza, seria melhor para eu mungi-la.
- O senhor arriou o seu filho na onça, compadre Galdino? - Perguntava seu Leodoro com espanto.
-Arriei-o! Eu notei logo que a onça era uma lesada..., eu achando que era um desperdício, já que o leite era de boa qualidade, chamei o Severino para mamar nela, porque ele sentia fome. A onça nem ligava, e me parece que ela estava achando boa aquela arrumação. Como ela estava tranquila, desarreei o Artur das mãos da onça, e ordenei-o que fosse mamar também. Eles ficaram com os as barrigas enormes, porque a onça tinha muito leite.
- E depois, compadre, a onça não se revoltou com vocês?
- Pois diga! De forma alguma! Eu vendo que ela era uma besta, isto é, muito mansa, peguei a corda, fiz um cabresto, encabrestei-a, e meus filhos e eu fomos para casa montados nela.
- Que bom que um dia, nos tabuleiros, eu me encontrasse com essa mesma onça, compadre Galdino, para a Gertrudes passear montada nela nesse nosso sertão sofrido.
História contada, seu Leodoro resolveu ir embora, pois precisava fazer algumas compras lá em Mossoró.
- Até mais tarde, compadre! - Disse e saiu galopeando vagarosamente em direção à sua casa.
- Até, compadre...!
Seu Leodoro não tinha mais espaço para guardar a tamanha mentira do seu Galdino.
- Vai-te corno! - Dizia seu Galdino. Quem irá sempre montar na Gertrudes sou eu, e não onça nenhuma!

SEU GALDINO, A ONÇA E O MEL.


Por: José Mendes Pereira
- Compadre Galdino, a sua novilha já pariu? – perguntou seu Leodoro sentado sobre uma cocheira no estábulo, enquanto fabricava um cigarro de fumo bravo.
- Ainda não, compadre. Ainda não. E eu não estou querendo soltá-la no pasto, para que eu possa acompanhar o seu parto de perto. E eu tenho medo que as onças comam o bezerro quando nascer. Ela está com um úbere que faz gosto de ver. E me parece que vai ser uma boa vaca leiteira.
- Foi à caça hoje, compadre Galdino?
- Fui. Mas não foi totalmente uma caça. Apenas eu sabia onde tinha uma colmeia de abelhas italianas, e como aqui em casa já estava quase sem mel, eu fui obrigado a ir tirá-la.
- Onde foi que o senhor encontrou esta colmeia?
- No Riacho do Pai Antonio – dizia seu Galdino apontando a direção.
- A colmeia estava gorda, compadre Galdino?
- Não tão gorda assim, pois eu esperava mais... Mas ainda me rendeu uma lata de mel, aliás, mel e cera.
- É, compadre, nesse período elas não estão tão gordas. Só quando chegar a primavera, período das flores e dos frutos.
- Mas compadre Leodoro, eu acho que Deus sempre me acompanha em minhas andanças.
- Sim senhor! – fez seu Leodoro.
- Assim que terminei o trabalho, isto é, da tirada do mel, eu não quis mais demorar pelas caatingas. Lá no Riacho do Pai Antonio, o senhor conhece muito bem aquele baixio... eu estava na barreira, na parte alta, pelo lado de lá, tentando adquirir fôlego para enfrentar a viagem para casa. Fiz um cigarro, e quando o levei à boca para acendê-lo, fui surpreendido por uma onça vermelha.
- Uma onça vermelha, compadre, nessa mata?! – atalhou seu Leodoro se admirando.
- Sim senhor! Ela estava trepada em uma árvore, que se eu não tivesse levantado a vista, ela tinha me pegado e me estraçalhado de uma só abocanhada. Ela estava bem pertinho de mim, com os olhos aboticados me observando. De arma, eu só tinha meu facão. Tomei posição para enfrentá-la, mas tive medo, porque ela poderia tomar da minha mão o meu facão só com uma tapa. Mas veja o que passou por cima de mim...
- O que, compadre, passou diante do senhor? - interrompei Leodoro.
- Uma macaca, compadre. Uma macaca prego com um filhote sobre às costas. Ela vinha dependurada em um cipó. E quando se aproximou de mim, soltou o cipó, e com o impulso do seu próprio corpo, caiu do outro lado do riacho. Mas antes de soltar o cipó, eu ouvi uma voz que dizia assim: "- Salve-se, seu Galdino! Salve-se! Dependura-se no cipó e passe para o outro lado do córrego, se não a onça te come!"
- A macaca falou, compadre? – Quis duvidar seu Leodoro.
- Se não foi ela compadre, foi Deus! E eu que não sou besta, agarrei o cipó e me mandei dependurado nele, e só o soltei quando eu já estava do lado de cá com os pés em terra firme.
- Já vi, compadre Galdino, o senhor tem razão em dizer que Deus lhe protege. Acontecer desta macaca passar dependurada no cipó, e soltá-lo para o senhor se salvar das garras da onça. Só pode ser milagre. Não é isso mesmo, compadre?
- E apois, compadre! – confirmou seu Galdino se gabando.
- Nesse momento que o senhor passou pro outro lado do riacho, perdeu o mel, mas ganhou a vida. - quis saber seu Leodoro,
- Quem lhe disse que eu perdi o mel, compadre Leodoro?
- O senhor voltou pro outro lado do riacho para apanhar o mel, diante da onça, que com certeza, ainda estava lá?
- Não senhor! O cipó que a macaca havia deixado para eu passar dependurado nele pro outro lado do córrego, tinha um gancho no final da ponta dele, e no momento em que eu o agarrei, passei sobre a lata do mel, o gancho enganchou no arame da lata, e se mandamos nós dois juntos, isto é, eu e a lata do mel.
- O senhor é guiado por Deus mesmo! Ah, se eu tivesse essa mesma sorte que o senhor tem, compadre Galdino!
- Graças ao meu bom Deus, compadre Leodoro. Se não fosse aquela macaca de me aparecer naquele momento, hoje eu seria um finado naquelas matas do Pai Antonio! Sim, senhor!!!
- Vou embora, compadre Galdino. A Gestrudes é muito medrosa e está só..., até mais tarde, compadre.
- Até, compadre Leodoro! Vai-te corno! Dizia seu Galdino consigo mesmo. A Gestrudes não tem medo de onça. Ela tem medo é de você, sua peste. Um homem ignorante que nem falar sabe direito!
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COM DAVI, IRMÃO DO VAQUEIRINHO GABRIEL.

  Por Rangel Alves da Costa Hoje (Sábado 12/09), após a Missa de Sétimo Dia, conversei alguns instantes com o irmão do Vaqueirinho Gabriel, ...