sábado, 3 de fevereiro de 2018

DEIXA-ME PEGAR NAS TETAS DA MINHA MÃE, SEU LUIZ!

Por José Mendes Pereira - (Crônica 28)
Pedro Nél Pereira

O título deste artigo parece um pouco ridículo, decepcionante, até para uma jovem que talvez tenha interesse de lê-lo. Mas não tenha medo, pode lê-lo, sem nenhum receio,  nele, não há baixaria, e que você só irá saber o porquê deste título quando chegar mais adiante.

Como eu já falei em outros escritos, que Pedro Nél Pereira (era meu pai) não gostava de maltratar os seus animais, e por mais que um deles fosse bravo, sem querer o obedecer, procurava maneiras para não judiar com pancadas, açoites com chicotes; e usava apenas uma palavra cada vez que se aproximava do animal: "- Chegue!, - Chegue!..." E feito isto, aos poucos, Pedro Nél chegava a dominá-lo sem rezas e sem nenhum tipo de  magia ou hipnotismo, vez que ele não conhecia nada disso. 

Aconteceu que na década de 90, meu pai estava sem vaqueiro na sua pequena fazenda, e aguardava alguém que se oferecesse para cuidar dos seus animais, e com certeza, não seria daqui de Mossoró, porque, fazia mais de mês que muitos cuidadores de gado já sabiam a falta de um vaqueiro em sua propriedade, e ainda não havia recebido visita de nenhum profissional.

Luiz Pereira natural da cidade de Upanema, um veterano derrubador de gado, encontrava-se desligado de fazendas, e  assim que tomou conhecimento da vaga na propriedade do Pedro Nél, deslocou-se até Mossoró, para uma possível negociação.

E lá houve a negociação. Meu pai havia lhe dito que os seus animais eram tratados com carinho, e que ele não os maltratassem de forma alguma...; o novo vaqueiro propôs-lhe o leite das vacas como pagamento, isto é, ele venderia a produção do líquido, dispensando um ordenado mensal pago pelo meu pai, já que também as condições dele não eram tão favoráveis. Negócio feito, negócio cumprido por ambas as partes.

Mas o novo vaqueiro não tinha amor pelos os animais como tinha Pedro Nél. Cuidava-os sempre com pancadas, e vez por outra, enfrentava os animais montado em um cavalo, coisa que o meu pai não fazia e nem aceitava seus animais manobrados através de cascos de cavalo. Todos eles eram tangidos com apenas "- Chegue!".  "- Chegue!".


O que eu presenciei certa vez, ao pôr do sol, quando ele e eu estávamos sob o alpendre da casa grande, e lá, ele iniciou uma reclamação sobre a maneira que seus animais estavam sendo tratados pelo o novo zelador.

O que seu Luiz Pereira fazia. Antes de 1 hora da tarde já separava os bezerros das vacas, isto no intuito de uma melhor produção de leite no dia seguinte, deixando os bezerros sem o leite de cada final de tarde.

Casa da pequena fazenda de Pedro Nél Pereira - Fonte da foto: Damião Maycon.

Para incentivar mais ainda a reclamação de Pedro Nél sobre o que fazia o vaqueiro, a bezerrada ficou com a cabeça sobre o muro que rodeia a casa grande. E ali, iniciou uma espécie de reclamação, berrando, urrando, chorando, como se estivesse enredando a meu pai, que o seu Luiz Pereira não deixava mais eles mamarem em suas mães nos finais das tardes.


Ouvindo os incontrolados berros dos bezerros Pedro Nél olhou para mim e em seguida, disse-me:

- Meu filho, eu me arrependi de ter colocado seu Luiz Pereira para tomar de conta dos meus bichinhos. Tanto zelo que eu tenho por eles, agora os vejo sendo maltratados. Assim que dá 1:00 hora da tarde ele separa os bezerros das suas mães. E este alarido deles, é me reclamando, dizendo-me que eu fui um malvado e covarde para eles, entregando-os a um homem perverso e sem amor a animais. E também, é como se cada um  deles estivesse me dizendo: "- Pedro Nél, peça a seu Luiz Pereira para deixar eu pegar pelo menos nas tetas da minha mãe! Eu não quero ficar dependurado nas tetas dela o resto da tarde, eu só quero é pegar e mais nada".

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

TER PENA DOS OUTROS É SOFRER POR SI E PELOS OUTROS

Por José Mendes Pereira - (Crônica 27)

Quando pedi minha demissão da empresa em que eu trabalhava fui viver do comércio, no ramo de cereais, bebidas e outros mais que não podem faltar nas prateleiras de uma mercearia. Atividade esta que, eu não tinha a mínima experiência. Vivi durante cinco anos do comércio, e posteriormente, tentei várias atividades, as quais não me deram bons lucros, mas deram para sustentar a minha pequena família.

Após o comércio, tentei outras atividades, como: proprietário de bar, possuí uma pequena fábrica de sabão, fui também rádio técnico, sendo que esta profissão eu tive que abandoná-la poucos meses de iniciada, porque alguns rádios chegavam à minha casa ainda falando, e quando saíam, alguns fregueses me reclamavam que o seu veículo de comunicação estava falando fanhoso. Vendo que eu não servia para esta atividade, resolvi abandoná-la de uma vez por toda.

Exceto professor, a única profissão que mais demorei nela como patrão, foi a de serralheiro, mesmo já sendo funcionário público, permaneci por mais de 10 anos.

Quando eu era comerciante fui várias vezes enganado por fregueses, mas o trambique que mais me doeu, sem dúvida,  foi de um senhor que eu não o conhecia.

Certa feita, eu me encontrava no meu pequeno comércio, quando de repente me apareceu um senhor baixo, moreno, cabeludo, de barba rala, aparentemente era homem do campo, puxando um jumento, e agarrados à cangalha dois caçoas, que serviam para transportar as suas mercadorias. De início, o homem conversou, conversou, tomou uma birita, mais outra, em seguida, pagou-me, e depois abriu o jogo:

- Eu vim até aqui à sua mercearia ver se o senhor me vende fiadas umas coisinhas para eu levar para os meus filhos. Desde ontem que eles não comem nada, só bebem água, água; a mãe chora muito em vê-los com fome. São quatro filhos, todos capazes de caberem dentro de um balaio. Eu não tenho mais o que fazer. Ao vê-los com fome, fico me perguntando: Por que Deus me deu uma cruz tão pesada para carrega-la? Se o senhor fizer isso por mim eu estou com um milho para quebrar, e assim que eu vendê-lo, venho logo lhe pagar o valor das mercadorias que eu as levar.

Logo que ele me fez a proposta, de imediato lhe disse que eu não tinha condições de fazer nada por ele, uma vez que eu não o conhecia, nem onde morava. Os poucos fregueses que eu tinha eram meus vizinhos, e se eu o fornecesse mercadorias, com certeza iria faltar para os meus fregueses.

Ele insistiu mais uma vez, mas eu conservei o que tinha dito antes, pois eu não podia vender mercadorias a quem eu não o conhecia. O homem montou-se no seu animal e foi-se embora, sem me dizer muito obrigado pelas minhas verdadeiras palavras.

Assim que ele saiu da minha mercearia eu me pus a pensar, colocando-me como se aquilo fosse comigo, meus filhos todos com fome, e eu não podia comprar nada para eles.

E que alegria as suas crianças iriam sentir quando o avistasse já chegando bem perto de casa, dizendo uma para a outra: “- Lá se vem papai com alimentos para nós”. E de imediato fariam carreira para encontrá-lo.

Vai, seu Madruga!

Peguei a minha velha e surrada lambreta e tomei o caminho que ele havia seguido. Eu não sabia com certeza a direção, mas como eu estava no transporte, de qualquer jeito eu o encontraria.

Não demorou muito para eu o encontrar, porque ele seguia em uma estrada carroçável. E assim que eu o alcancei, disse-lhe:

- Vamos buscar as mercadorias. Eu resolvi vendê-las, mas em uma condição: assim que o senhor vender o seu milho, venha logo me pagar.

- Com certeza, seu moço! Sou um homem de palavra. Quando dou a minha palavra, ninguém desmancha.

Com a lista em mãos, fui colocando as mercadorias sobre o balcão, uma por uma, e anotando-as no meu caderno, inclusive o seu nome, onde morava...

O certo é que, foi a primeira e última vez que eu vi este senhor. Nunca mais o vi nem ao longe. O homem era um verdadeiro trambiqueiro.

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O PROFESSOR JOÃO MALEÁVEL


Por José Mendes Pereira - (Crônica 26)

- Lá vem ele! - disse um aluno que estava encostado à porta da entrada da sala de aula. É ele! É ele!  Confirmou ordenando que todos se sentassem cada um em seu lugar.

Já fazia um bom tempo que a turma o esperava com impaciência dentro da sala, e alguns já admitiam a sua ausência nessa noite.

Finalmente, o João Maleável colocou os pés nos corredores e veio caminhando lentamente. 

- Calma! Calma! - Exclamou uma aluna de outra sala que caminhava em direção à diretoria.

Na lousa, alguém tinha colocado uma oração para que o professor João Maleável a analisasse. 

“Um lavrador tinha um bezerro, e a mãe do lavrador também era o pai do bezerro”.    
              
Assim que ele entrou na sala pôs a pasta sobre a mesa, e em seguida, observou a oração, lendo-a consigo mesmo. Depois não satisfeito com a ela, voltou-se para a turma e perguntou:

- Quem elaborou esta frase sem sentido?

A Cristina uma das alunas mais aplicada do colegial, autora da oração, pelo menos naquele momento, ocultava-se entre os colegas.

- Esta oração professor, nós queremos a sua explicação sobre ela - Disse a Carolina.

Ele foi à lousa e pôs-se a fazer a análise. Olhou-a, escreveu-a paralela a anterior, apagou-a, reescreveu-a novamente, inverteu a oração para ali, para acolá, e em seguida, disse:

- Eu já entendi o que significa muito bem esta oração, meus alunos! Desculpem-me, mas essa mulher é uma hermafrodita.

- Por que ela é uma hermafrodita, professor? – Quis saber a Janaína.

- Observe, gente! Além de ela ser a mãe do lavrador, também era o pai do bezerro. E mulher desse tipo, meus alunos, não pode ser elogiada com um outro nome. Tem que ser chamada mesma é de hermafrodita.

- Eu concordo plenamente com o senhor, professor!  - Incentivou-o a Daniela.

- Veja, minha gente! - Encorajou-se ele após o incentivo da Daniela - ela deu cria de duas espécies diferentes! - Dizia ele apontando a turma com o dedo indicador. Deu cria do lavrador e do bezerro. E quem produz vida sozinha, meus alunos, não passa de hermafrodita.

- Valeu professor! O senhor é nota dez. Criticou um gaiato lá do meio da sala.

- Com um zero e uma vírgula antes do um! - Zombou um outro aluno que passava no momento em frente à porta da sala.

Análise da frase:

"Um lavrador tinha um bezerro e a mãe. Do lavrador também era o pai do bezerro".

Informação ao leitor: A oração não é criação minha, apenas montei a historinha, usando o meu personagem João Maleável.

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

FILHO ENTRA EM CONFLITO COM O PAI

Por José Mendes Pereira - (Crônica 25)

O tráfico de droga de modo geral vem se alastrando por todo território nacional, entrando pelas fronteiras, vindo de outros países. O governo federal diz que o Brasil tem milhares de quilômetros de terras nos seus litorais, e por isso, não tem como fazer vigilância a todas as fronteiras. E é aí que os traficantes usam e desrespeitam a legislação brasileira.

Antonio Mariano mora na periferia de Mossoró e é mecânico de primeira linha, mas nunca se estabeleceu, apenas presta os seus serviços a quem lhe chama para uma possível revisão em seu automóvel, e além desta profissão é um excelente ferreiro; e tem como ajudante, o seu filho mais novo, o Arnaldo que por via do destino, desde muito cedo que usa drogas.
A pesar de pai e filho trabalharem juntos vivem em guerra, devido o comportamento agressivo do filho, o pai apenas imagina que ele é dependente de drogas.
Certo dia, ao chegar em casa, Antonio Mariano fora agredido pelo o filho, alegando-lhe que a divisão do que eles ganham nos seus serviços não está sendo repartida ao pé da letra, e que o pai está usando sabotagem, tentando ficar com a maior parte do dinheiro ganho.
Mas o pai tenta explicar que entenda o porquê de não dividir o dinheiro ganho em partes iguais, pois o que ele fica, além, é para pagar os materiais que usam na mecânica, já que tudo quem compra é ele.
O que acontece é que o Arnaldo está com efeito de drogas, e sem o pai esperar, o desafia, retirando da cintura uma faca peixeira.
O pai que goza de certo respeito no meio da vizinhança e não quer entrar em conflito com o filho, faz de tudo para que ele guarde a sua arma branca. Mas é inútil. Sabendo que não tem solução para resolver isto, já que o filho está com uma afiadíssima faca, o pai resolve entregar os pontos ao filho, dizendo-lhe:
- Meu filho, de todos os filhos que tenho, para mim, és o que eu tenho mais cuidado, porque os outros já são bons comigo. Nunca me agrediram e me respeitam como pai, como amigo, não preciso me preocupar com eles. Você que sempre cria problemas comigo, e que deveria ser meu amigo, já que trabalhamos juntos, estou entregue a você. Faça o que bem pensar de mim. Mate-me, faça a sua vontade, mas saiba que eu te amo tanto quanto os outros meus filhos que são teus irmãos.
O Arnaldo continua com a faca encostada à barriga do pai. O pai nada faz contra o filho, está entregue às suas vontades, apenas espera o filho cravar em sua barriga a maldita faca.
Com a faca encostada à barriga do pai, o Arnaldo fica meditando o que pode acontecer contra ele se assassinar o pai. A rixa criada pelos irmãos, mãe, tios, primos, avós, vizinhança e todos que lhe conhecem virarão as costas para si. Passar anos engaiolado, humilhado pelos policiais... Depois de meditar tudo isso, recolhe a faca, enfia-a na bainha e a joga bem longe, e logo, cai em choro, dizendo ao pai:
- Eu também te amo muito, papai! E muito! Eu estou precisando da sua ajuda. Desde muito jovem que me viciei na droga. Hoje sou dependente, e já tentei tanto para deixar este vício miserável, mas não consigo. Ajuda-me, por favor! O senhor sabe que antes dos dezesseis anos eu era um filho igual aos teus filhos. Sempre te respeitava, e assim que conheci droga, comecei a mudar de comportamento, causando desgosto ao senhor e a minha mãe, envergonhando os meus irmãos, decepcionando os meus amigos e parentes. Imploro uma ajuda para que eu me livre deste maldito vício. Perdoe-me a minha maneira agressiva.
- Perdoo, meu filho! Eu te perdoo! O pai que não perdoa os erros de um filho não conhece o Deus todo poderoso. Farei o que for possível, meu filho, para te recuperar. Venderei tudo quanto adquiri, mas com os poderes de Deus, a partir de hoje, andarei sempre ao seu lado, e tenho plena certeza que o Deus Todo Poderoso te afastará deste maldito vício.
E assim faz seu Antonio Mariano. Para todos os lugares que o filho quer ir, o pai o acompanha. E não precisou interná-lo em casa de recuperação, e aos domingos, em qualquer lugar de Mossoró, os dois estão, e ainda continuam assistindo missas e cultos.
Hoje, pais, irmãos e o Arnaldo vivem harmoniosamente bem. Deus tomou de conta dos seus lares e do Arnaldo. Nunca mais o Arnaldo usou droga. E até casou-se, e já é pai de duas lindas criancinhas.

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PROFESSOR MOSART E A MELHOR TESOURA DO MUNDO

Por José Mendes Pereira - (Crônica 24)

Eu não tenho muito o que falar sobre o  professor Mosart apenas sei que ele residia em Mossoró, em frente à Praça Bento Praxedes Fernandes Pimenta, conhecida como Praça do Codó, e não sei o seu nome completo.


Ele foi meu professor na escola em que eu estudava,  e foi um dos que passou muito rápido por lá, por isso, quase nada tenho para falar sobre ele, mas me lembro de alguns fatos que ele nos contou em sala de aula, e aqui eu escrevo um deles.
  
Certa noite, o professor Mosart  contou-nos que fez uma excursão por alguns países da Europa, e neste continente, conheceu Portugal, Alemanha, Itália, França, Espanha..., e ao retornar, passou pela América do Norte, com maior estadia nos Estados Unidos, para conhecer "The Statue of Liberty" (Estátua da Liberdade), teatros, a "White House" (Casa Branca), Congresso Nacional, costumes, comidas típicas, religiões, políticas e outros mais.

 ultradownloads.com.br

Já com malas prontas para ocupar o avião a sua mãe exigiu que, ao retornar ao Brasil, quando passasse pelos Estados Unidos, comprasse uma tesoura de boa qualidade, pois muito desejava possuir um objeto daquele país tão falado e potente. Mas com uma condição: só queria que a tesoura fosse comprada lá, não importava que tivesse sido fabricada em outro país. Queria a melhor tesoura, e que fosse comprada nos Estados Unidos. 


Lá nos Estados Unidos o professor Mosart visitou algumas lojas para fazer a compra da tesoura de boa qualidade, mas todas as lojas que ele passou, quando solicitava a melhor tesoura do mundo os comerciários só lhe apresentavam tesouras com o nome "Made in Brazil" fabricada no Brasil.

- Mas eu quero a melhor tesoura do mundo. - Dizia o professor Mosart a uma comerciária.

- We have lots of scissors manufactured in different countries. But the best scissors we have is the scissors that is manufactured in Brazil. -  - I told him a lovely, polite young man.

Tradução:

- Temos muitas tesouras fabricadas em diversos países. Mas a melhor tesoura que temos aqui é a tesoura que é fabricada no Brasil. - Disse-lhe uma linda e educada jovem.

O professor Mosart findou comprando a tesoura de fabricação brasileira, já que a sua mãe queria possuir a melhor tesoura do mundo, mas que fosse comprada nos Estados Unidos. Não importava a origem de fabricação. 

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ENGRAÇADA ENTREVISTA COM LAMPIÃO

Por José Mendes Pereira (Crônica 19)

Como já faz mais de oito anos que eu venho estudando a literatura lampiônica, e que muito me tem dado bons conhecimentos, no que se refere a cangaço, e ao famoso e lendário cangaceiro do nordeste, o capitão Lampião, como é conhecido mundialmente; e quando eu leio algo sobre este desastroso movimento social daqueles perigosos jovens, tenho a impressão de que estou caminhando com eles pelas caatingas do nordeste, apesar de não as conhecer.                 
               
Mas em cada lugar que eles passaram eu tenho na mente como eram os cerrados, as caatingas, os rios, as invasões, o rio São Francisco, o Raso da Catarina, os coitos que eles faziam, os bailes perfumados, as negociações com os fazendeiros, as tocais... É como se eu estivesse dentro do cangaço, vivendo todos os movimentos que eles faziam.     

Certo dia, eu tive um sonho, e nele, me tornei num repórter, aonde cheguei a fazer algumas perguntas ao famoso Lampião.  Apesar de ter sido um homem perverso, mas ele me recebeu muito bem, obrigado, respondendo as minhas perguntas, as quais eu passo para os meus leitores como aconteceu esta sonhadora entrevista.    
                                  
JMP – Por que entrou para o mundo do crime?                       
               
Lampião – Primero qui tudo têno qui mi indentificá quêim eu sô. Chamu-mi Virgulino Ferreira da Silva, e pertenço à humide famia Ferreira, do Riacho de São Dumingo, municipe de Vila Bela. Meu pai, pur ser cunstantimente pirsiguido pela famia Nogueira e em especiá, pur Zé Saturnino, um dos nosso vizinhos, arresoiveu ritiraçe para o municipe de Água Branca, no istado de Alagôa. Nêim pur isso ceçô a pisiguição.  Im Água Branca, mina mãe faliceu. A causa: caiu im dipreção, divido a pisiguição daquele dirgraçado, o Zé Saturnino. Tumbêim, lá foi açacinado o meu pai, José Ferreira da Silva, pelos Nogueira e Saturnino, no ano de 1920. Não cunfiando na ação da justiça púrbica, pur quê os açacino contava cum a iscandaloza potreção dus grande, risoivi fazê justiça pur mina conta pórpia, isto é, vingá a morte do meu prugenitor. Não pirdi tempo, e risolutamente arrumei-me e infrentei a luta. Não iscuí gente das famia inimiga para matá, e ifitivamente cunsigui dizimá-las cunsideravimente. Pur isso digo qui eu intrei pru mundo do crime, não pur mardade mina, maiz pur mardade dos outo.   
                
JMP – E quais foram as maldades?                 
                
Lampião – Veja se eu têio ou num razão. Em 1915, ocorreu uma das maió secas da rigião nordistina, de intencidade e duração até intão nunca vista. Us meus paiz, coitado, sofrendo cumo tanta ôtras famía, risoiverum viajá até Juazero do Norti, im visita a meu padim padi Cíço. Cumo era custume de muita famia nordistina irem à prucura de ajuda riligiosa, meu pai tumbém dicidiu prucurá os riligioso. E para qui a prupriedade num ficaçe abundonada, eu num viagei cum os meu paiz. Fiquei no sítio prá cuidá dos afazer rutineirus. Dias dispois, cumeçou a dizaparecê caprinus. Eu cumeçei a investigá, tentando discobrí o respunsávi e ricuperar os nosso animá. Insisti até principe do ano de 1916.                                  
               
JMP – E daí, capitão, o que aconteceu? – interrompi-o, mas ele  nem gostou. 
               
Lampião – Caima! Vosmicê mi parece vexado!... Certo dia, eu discubri quêim era o ladrão dos nosso animá. 
              
JMP – E quem era o ladrão, capitão?                                    
              
Lampião – Espera sugeto! Vosmicê é ingual aquele apresentadô da Grobo, um tá de Fastão. Num ispera que ninguém dê a resposta!...Poiz bêim! Ontonse intrei na casa de um moradô na fazenda Pedrera, de purpriedade do dito Zé Saturnino.  Cumo eu sempre fui um sugeito curioso (e com isso, eu cunsegui vivê mais de vinte ano no cangaço), vi város côro de cabra e bode, ainda trazendo nais zurêia, as marca dos noço animá. Daí, num tive durda, que aqueles côro erum dus nosso animá que havia dizaparicido. A partir disso, cumeçêi uma guerra cronta aquele safado ladrão, o Zé Saturnino.
              
JMP – E o que aconteceu depois que o senhor descobriu que haviam roubados os seus animais?  
              
Lampião - Se  vosmicê calá eça sua forragera, sugetinho que num sabe intrevistá ninguêim, eu vô lhe respondê. Maiz se continuá se intrometendo nas mina rispostas, eu coito a sua língua cum o meu punhá. E acho mió agente incerrá  eça intrevista pur aqui...poiz chim! Ontonsse cumo eu ispaiei o açunto, afirmando a quêim eu incrontava, que Zé Saturnino istava robando as nossa cabra, ele virô-se contra a mina famia. Maiz me fartô a paciênça. Findêi matando um dos seus aduladô. E tive que me refugiá lá no istado de Alagôa, juntando-me a meu irmão Livino, que já istava lá. Nóiz ficamo sêim sabê o que fazê. Tumêi uma sulução. Ô tudo ô nada. Cumo o Sinhô Perera sempre foi meu amigo, e já era dono de um bando de cangacero, aliêi-me a ele, isperando que mi deçe apôio. 
                
JMP – Nessa época, quantos anos o senhor tinha? 
                
Lampião – Eu já tava cum 22 ano de idade. Eu ainda era uma criancina.
               
JMP – Sinhô Pereira foi uma influência na sua vida?
               
Lampião – Foi um grande ôme e muito importante na mina vida de bandulero. È tanto que se ele e eu vortássim a viver novamente, e ele fosse cangaceiro, eu iria sê um sordado dele.
               
JMP – A morte de sua mãe, qual foi a causa?                        
               
Lampião – Parece-me que vosmicê ainda num intendeu nada. Ora sebo! Se cum eça cunfuzão tôda, dus rôbo que Zé Saturnino feiz dos nosso animá, cumo eu num deixêi a mina boca calada, e dizia que êle era um veidadero ladrão, cumo êle ficô decipcionado, feiz cum que o meu pai e mina mãe saíçe das terra de Pernambucu pá morá lá im Alagôa. Mina mãizinha num suportando a pressão daquêle dizaforado, caiu im dipreção, vindo a falicê nu ano de 1920. 
               
JMP – E o seu pai, como foi a sua morte?
               
Lampião – Eu nêim gosto de cumentá. – disse ele com os olhos cheios de lágrimas. Mas cumo vosmicê me preguntô, eu vou lhe explicá..., o disgraçadu munipulô o Zé... eu nêim gosto de falá o nome daquela peste. 
              
JMP  – E quem é o desgraçado, capitão?
               
Lampião – Vosmicê me pareçe que bebe? Num istá acumpãiando o meu raciocino, seu cabra?
              
JMP – Estou capitão, mas o senhor falou num dergraçado e não disse quem é... 
              
Lampião – O disgraçado é o Zé Saturnino! Pôiz bem. Ele num teve corage de me infrentá, cumo lá diz, foi pidir ajuda ao Zé Lucena, ôta poiquera que eu incontrêi no meu camino de bandolêro. Munipulado pur Zé Saturnino, o peste ruim foi lá onde o meu pai morava cum as minas irmã.
              
JMP – E a mãe? 
              
Lampião – A mãe de quêim? – interrogou ele com ignorância, e já com a mão no mosquetão. 
               
JMP – Capitão, eu estou lhe perguntando, por que a sua mãe não estava com o seu pai no momento? 
                
Lampião – Vosmicê num istá prestando atenção a mina resposta, seu dizaforado? 
               
JMP – Estou capitão. Mas por que ela não estava com seu pai?
                
Lampião – Ela já havia falicidu, coisa bêsta!... cumo o Zé Lucena foi munipulado pelo Saturnino, foi lá e açacinô o meu véio pai, a quêim tanto devo.
               
JMP – Nesse período o senhor ainda se encontrava nas terras de Alagoas?
               
Lampião – Ainda. Maiz nesse dia eu istava bem póximo da fazenda que o meu pai morava. Quando eu arricibi a nutiça, para mim foi a maió dô que eu paçei na mina vida.       
              
JMP – O senhor foi para lá? 
              
Lampião – Fui não seu disaforado! Que pregunta idiota essa que vosmicê me feiz dinovo. Se o meu pai tina sido açacinado, pru quê eu num ir lá?... Ora! Qui sebo! Assim que eu cheguêi, que vi meu pai invoivido num linçó de sangue, eu pirdi o tino. Ah, se eu tiveçe me incrontado cum ele naquele dia! Eu tiria o pego e matado divagazim, cortando pur pedaço. Eu cumeçava pelos dedo, dispois os braço, im siguida, as perna, as zurêa para dexá-lo lambido cumo cabra. E dispoiz infiava o  meu punhá na cravica, só para vê-lo morrendo afogado im sangue... 
             
JMP – Capitão, dizem que o senhor conheceu Maria Bonita lá em Santa Brígida. Maria Bonita era bonita mesmo? 
              
Lampião – Óia lá, cabra! Veja o que istá me preguntando.
             
JMP – Mas isso faz parte da entrevista, capitão. 
             
Lampião – Cumo vosmicê me preguntô e rialmente faiz parte da intrevista, eu lhe rispondo. Maria era uma linda mulé. Tina umas perna bêim feitas, carinosa, e um cafuné de Maria, me fazia um cordero.
             
JMP – E Luiz Pedro, era um dos seus melhores amigos. O senhor nunca sentiu ciúmes com Maria Bonita.
             
Lampião – Vosmicê já istá indo muito lonje! istá querendo difamar a mina Maria, cabra? – Fez ele encostando o seu punhal na minha goela.
             
JMP – Não capitão!!!
              
Lampião – Vô lhe respondê. Mas não me fassa maiz uma pregunta desse tipo. Poiz se isso acuntecê, vosmicê vai prová do meu punhá..., não só Luiz Pedo, cumo tôda cangacerada era lôca pur Maria. Maiz quêim comia a caine era eu. Eles nunca tiverum direito nêim de ruê os oços. 
              
JMP – Por que o senhor não conseguiu sucesso na invasão de minha Mossoró? 
              
Lampião – Ora! Cidade portegida pur santo, meu amigo, nunca foi para bico de cangacero.
             
JMP – Onde foi que o senhor errou, quando arquitetou o ataque a Mossoró e saiu derrotado? 
              
Lampião – O meu grande êrro, foi de tê mandado doiz biêtes para o prefeito. Se eu tivesse intrado sêim cumunicá-lo, cum ceiteza eu tinha levado todo diêro daquela cidade.   Massilôn, Sabino e outos, num qiria que eu mandaçe. Maiz infilismente eu teimei e mandei. Tumbêim eu num tina muito intereçe de assaltá Moçoró, purqui eu sô divoto de Santa Luzia. E a paduêra de sua cidade é ela. 
             
JMP – O bando estava com quantos homens?
            
Lampião – Eu levava un 60 cabras. Mandêi dizê que erum 150 ômis, pá vê se açombrava aquelas pestes. Elis erum maiz de 300 na luta e ôutro bocado no apôio, iscondidus dentro da igreja de Sum Vicente..., e ainda ôje conde passo numa cidade e vejo Sum Vicente, eu dô vontade de atirá bem no mei da testa, só pá vê a cabeça do disgraçado cair os pedaçus. Naquêli dia, Moçoró istava cum a febre dus capetas e a gripe dos poico. E para me atrapaiá, vêi uma chuva dus diabos, caindo do céu e a chuva de bala cumendo pur baixo. 
             
JMP – O senhor já se encontrou com Benjamim?
             
Lampião – Não. Maiz tenho vontade de me incrontá cum ele. Foi ele quêim me feiz herói no Brasil e no mundo inteiro, atravéiz dais foto que ele feiz prá mim e meus cabra. Se num fôce ele, hoje quase ninguêim me conecia.
            
JMP – Se o senhor voltasse a viver na terra, quais os homens que o senhor os mataria?
              
Lampião - Era o Zé Saturnino. O segundo seria Zé Lucena. E o terceiro, o disgraçado que antecipô a mina ida lá prá onde eu tô morando. Síria o João Bezerra...
              
JMP – E onde o senhor está morando?
              
Lampião – No inferno eu num tô não. Quem divia tá lá, é esse bando de pulítico que roba o Brasil, deixano as famía cum fome. Eu robava, maiz dava tumbém ao pobe.
              
JMP – Fale sobre a baronesa de Água Branca...
              
Lampião – Deixô-me rico, rico... Deixa prá lá...
             
JMP -   Se o senhor voltasse a viver novamente aqui na terra, com certeza seria um homem que fazia o bem? 
              
Lampião – Prá quê? Prá sê prezo? Nem morto! Sê onesto é que eu num quiria sê. Nesse seu Brasí, quem vai preso é o ôme onesto.  Passei maiz de vinte ano robando, matando e nunca fui prezo. O mundo mió qui inziste nessa terra é sê ladrão. Se vai prezo, no ôto dia tá na rua. Agora veja quêim fica lá na cadêa inté mofar..., são os paiz de famia. Maiz ladrão tem o seu lugá garantido no Brasí. 

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CASA DE MENORES MÁRIO NEGÓCIO - UMA INSTITUIÇÃO EXTINTA - PARTE IX

Por José Mendes Pereira - (Crônica 22)

Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano:

Hoje, falaremos um pouco daquele que nos dominava como monitor daquela instituição, com aquele jeito sério, mantendo sempre a sua autoridade, mas que na verdade, é uma grande figura, amigo de todos nós, e que muitas vezes, deixava passar as nossas falhas, sem que a direção tomasse conhecimento de alguns deslizes feitos por internos. Eu me refiro ao amigo e famoso Francisco José Caldas da Silva, o "40", filho da dona Chiquinha, e irmão da Maninha, e que não mais me recordo o nome de batismo da sua irmã.

Segundo seu Néo o outro monitor, falou-me que Francisco José morou por muitos anos no Rio de Janeiro, e posteriormente, resolveu mudar-se para Pernambuco, fazendo residência na capital Recife, que lá, exercia a função de comerciário, mas ele não soube informar qual é o ramo comercial.

Às vezes, eu me pego a pensar: Francisco José que deveria ter seguido a vida de cantor, com aquele vozeirão, mas eu acredito que o que mais o atrapalhou, foi a timidez, que sempre estava presente em sua vida, porque chances ele teve, tendo como madrinha, a sua prima cantora Amanda Costa que já era famosa, e sabia muito bem do seu potencial. Mas infelizmente, Francisco José, o nosso amigo e irmão "40" sempre foi dominado pela timidez (e que eu acredito que ainda o acompanha), fez com que ele não brilhasse nos palcos artísticos.

Lembro-me das canções que ele cantava todos os dias e às noites, lá na Casa de Menores, dos diversos cantores que faziam sucessos naquela época, e que muitas vezes, quando nós morávamos na Rua José de Alencar, víamos pessoas subindo nos muros para apreciarem aquela saudável voz, principalmente, as moças que residiam ao redor da instituição.

Ainda me lembro, que todos os dias, exceto os domingos, ele, Batista (irmão do padre José de Anchieta como nós o chamávamos, ambos, lá de Maçaranduba, terras da cidade Ceará Mirim), e eu, nós íamos ao mercado central fazer compras de legumes e verduras, e ele, mesmo sendo o nosso monitor, sempre ia e vinha fazendo graças. Francisco José Caldas é uma pessoa excelente.

Recordo-me também que, quando ele estava irritado com um aluno qualquer, você olhava para ele e dizia: "- Quareeeenta!", como se fosse uma maneira de desviar aquele problema e acalmá-lo. Ele ficava sério. Mas depois, resolvia se abrir com um sorriso seco e breve.

Uma das coisas engraçadas que aconteceu com ele foi no final dos anos 60, talvez em 1968, e nesse dia, as ruas estavam alagadas, porque o inverno era bom, e o rio Mossoró havia transbordado, deixando uma boa parte do bairro Paraíba e o bairro Pereiros alagada.

Francisco José vestira escondido uma roupa nova do Manoel Flor para ir à Diocese de Mossoró, na finalidade de receber o leite, o queijo e outras mercadorias, que ao ser recebida, era transportada para a instituição através de carroças. Estes produtos eram para a alimentação de um bando de desocupados, inúteis, inclusive nós dois.

Como ele era tímido, e não queria ir só, sempre chamava o Batista e eu para com ele irmos até à Diocese de Mossoró.

Sei que você ainda se lembra de um tanque que tinha encostado ao pé da parede do "Posto América de combustível", lá na rua José de Alencar, mas era enterrado, ficava rente ao chão. Como as águas estavam espalhadas pelas ruas cobriram o tanque, sem que ninguém percebesse que ali existia um buraco, só que mais à frente, tinha uma parte da parede do tanque que aparecia. E na hora, nós procurando um lugar melhor para saltarmos para o outro lado das águas, principalmente alcançarmos a parte da parede que estava fora da água, e ao pular, Francisco José não calculou a distância, escorregou e acertou de cheio o buraco, caindo com todo corpo, ficando mergulhado dentro do óleo misturado com água. E lá se vinha ele morrendo sem fôlego. Ao sair, parecia aqueles pássaros que são salvos quando são atingidos por óleo dentro do mar. A roupa do Manoel Flor não mais prestou. Foi engraçado!

Eu acredito que um dia, ainda nós o veremos, já que os seus familiares são areiabranquenses, e quem sabe, chegará em nossas residências. E tenho certeza que, em qualquer cidade ou capital do Brasil que ele está morando, faz as suas animações, com a sua admirada voz para os seus amigos, ou ainda para os seus superiores.

Minhas Simples Histórias

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São trabalhos feitos com especial carinho para você, leitor!

ALERTA AO LEITOR E LEITORA!

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, não deixa ele te pedir desculpas, desculpa-o antes, porque faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional, você poderá ser vítima. As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão. Você pode não conduzir arma, mas o outro, quem sabe! Carregará consigo uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância.

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COM DAVI, IRMÃO DO VAQUEIRINHO GABRIEL.

  Por Rangel Alves da Costa Hoje (Sábado 12/09), após a Missa de Sétimo Dia, conversei alguns instantes com o irmão do Vaqueirinho Gabriel, ...