quarta-feira, 9 de outubro de 2019

O FACÍNORA E SANGUINÁRIO CAPITÃO LAMPIÃO

Por José Mendes Pereira

O cangaceiro e chefe de uma grande turba o capitão Lampião foi um dos cangaceiros mais inteligente, e além disso: amado, odiado, perseguido, perseguidor, traído, respeitado e respeitador, adorado por muitos e rejeitado por outros, exigente, vingativo, cruel, corajoso, destemido aos arrufos de qualquer um, respeitava as opiniões dos seus comandados, mas não admitia covardia, Traições de qualquer um, mesmo que fosse feitas pelos seus melhores amigos, pagava imperdoavelmente com a morte, coisa que ele não aceitava ser colocada na sua mesa de bandoleiro.

Viveu quase vinte anos nas caatingas nordestinas. Seguido pelas forças volantes dos governos, mas  mesmo assim, o facínora Lampião conseguiu manter o seu desastroso movimento, isto é uma grande e respeitada amada empresa de cangaceiros por  sete Estados do nordeste brasileiro, os quais foram: Pernambuco, sua terra natal. Paraíba, Alagoas, neste, Lampião resolveu atacar fortemente, protestando contra o assassinato do seu patriarca  José Ferreira  da Silva. Rio Grande do Norte, que no dia 13 de Junho de 1927, foi escorraçado de Mossoró, uma das maiores decepções que o rei Lampião passou, além dos Estados Ceará e  Bahia. Este último  ele viveu a sua segunda fase de bandoleiro. Mas o seu último coito foi armado na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, em Porto da Folha, atualmente é a cidade de Poço Redondo, onde lá foi tocaiado e morto com 9 comandados, além do mais, sua rainha Maria Bonita, na madrugada do dia 28 de julho de 1938.

Nos anos trinta, do século XX, Lampião resolveu colocar em seu bando uma senhora, Maria Gomes de Oliveira, que no bando ficou conhecida como dona Maria, quando falavam diretamente a ela, e ou, dona Maria do capitão, esse último era quando falavam nela. Ela nasceu no dia  8 de Março de   1911 (existe uma outra data) em  uma minúscula fazenda em Santa Brígida, no Estado da Bahia. Era filha do sofrido casal José Gomes de Oliveira e Maria Joaquina Conceição Oliveira, tendo como irmãos:   

Benedita,  Antonia, Amália (não confundir com Anália que era irmã de Lampião, Joana, Olindina, Francisca, José, Arlindo, Ananias,  Isaías, Ozéas, todos sendo Gomes de Oliveira.

Aos 15 anos de idade, Maria Bonita resolveu se casar, tendo como marido, o sapateiro José Miguel da Silva, o Zé de Nené (seu primo, segundo pesquisadores), que não levando sorte, durante o tempo em que viveram juntos, a sua vida foi infernizada pelo desastroso casamento, quando o sapateiro não a valorizava, e com isso, as brigas eram constantes no lar.
              
Apesar de ser cangaceiro os pais de Maria Bonita tinham admiração por Virgulino Ferreira da Silva (existem registros que afirmam que quando Maria Bonita se juntou a Lampião, o seu pai debandou-se por aí, porque não queria tal união, passando oito anos fora da família. 

O que sentiu Lampião por Maria Bonita foi sem dúvida, o tipo físico de mulher brasileira,  olhos e cabelos castanhos que faziam com que muitos a desejassem, por ser  considerada uma mulher interessante. A atração foi recíproca entre os dois, que posteriormente, Lampião a convidou para fazer parte do seu respeitado bando.      

O cangaceiro Volta Seca, em uma de suas entrevistas com o jornal " Pasquim", afirma que Lampião não queria que ela entrasse para o bando, mas ela insistiu tanto, que Lampião findou a levando consigo para a caatinga.            
               
Após a entrada de Maria Bonita, na empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia, muitos asseclas levaram as suas amadas para as caatingas, como o cangaceiro Corisco, que raptou uma jovem de 13 anos (mas existem registros que afirmam que Dadá não foi raptada, foi por espontânea vontade), para acompanhá-lo na mais perigosa vida, que é a de viver em correria dentro das matas, quando eram perseguidos pelas volantes.

Mas mesmo usando o seu malabarismo, finalmente na madrugada de 28 de Julho de 1938, Lampião e mais dez cangaceiros foram  executados pelas forças volantes, comandadas pelo tenente João Bezerra da Silva, e entre eles, estava a sua rainha Maria Bonita.

Uns dizem que Lampião havia chegado a sua hora. Outros dizem que Lampião foi envenenado. Outros afirmam que a morte do rei e da rainha aconteceu devido um bom cerco policial que o seu matador havia preparado. O certo é que, o compadre Lampião chegou ao fim. Ninguém se esconde por muito tempo de ninguém. Um dia chegará a sua vez.

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terça-feira, 8 de outubro de 2019

O PROFESSOR JOÃO MALEÁVEL EXIBE-SE DENTRO DE ÔNIBUS


Por José Mendes Pereira

Existe uma pequena diferença com o verbo ir que às vezes a gente fica naquela dúvida vai para ficar ou vai para voltar, é simplesmente porque o verbo nos força querer saber se uma delas está errada.

“Vou à escola” passa a ideia de que o interlocutor (quem fala) irá voltar em questão de horas. Dessa forma, a noção que temos, como ouvintes, é de algo temporário, ou melhor, de curta duração.

“Vou para a escola” já indica um período maior de tempo, praticamente definitivo. O interlocutor vai, mas não temos ideia de quando volta ou se volta. Obviamente, dentro de circunstâncias normais, ninguém mora na escola.

Mas quando dizemos “Vou à casa de meus pais” e “Vou para a casa de meus pais” já existe a probabilidade do interlocutor estar indo visitar os pais ou morar com eles.

Da mesma forma ocorre com “Vou à Bahia” e “Vou para a Bahia”. A primeira oração dá a entender que a pessoa vai passar uns dias na Bahia. Já na segunda, há a possibilidade da pessoa estar indo residir na Bahia. Mas isso é apenas uma brincadeirinha com o meu personagem João Maleável. Não se trata de português ao pé da letra.

Eram seis horas da manhã quando o João Maleável apanhou o ônibus com destino a Pau dos Ferros. Ia resolver problemas do seu interesse.

Ao entrar no ônibus fez uma observação para ver se ali iam pessoas conhecidas, que ele pudesse se sentar ao lado de uma delas. Não viu nenhum conhecido, e em seguida, sentou-se em uma cadeira que estava paralela ao motorista e perguntou-lhe:

- Este ônibus vai a Pau dos Ferros?

- Vai sim senhor! Vai para Pau dos Ferros.

O dono da sabedoria era um senhor que não gostava de se exibir em determinados assuntos, mas se tratando de português ele às vezes tinha a mania de se apresentar como sábio, inteligente...

A viagem continuava em paz e os passageiros faziam um silêncio total dentro do transporte.

Daí a pouco o professor João Maleável tenta recantar o motorista:

- Senhor motorista, este ônibus vai a Pau dos Ferros ou vai para Pau dos Ferros? Se ele vai a Pau dos Ferros ele vai e volta - explicava querendo confundir a mente do motorista, mas se ele vai para Pau dos Ferros ele vai para ficar. Finalmente, este ônibus vai a Pau dos Ferros ou vai para Pau dos Ferros?

O motorista já meio encabulado e muito indeciso por não ter conhecimentos de gramática, e tinha notado que estava diante de um homem letrado, mas se ele tentasse novamente, com certeza iria lhe dar uma resposta desagradável.

Daí a pouco o professor João Maleável insistiu novamente dizendo:

- O senhor calou-se. Por quê?

O motorista não suportando mais a insistência dele resolveu abrir a boca.

- Eu estou aqui pensando o seguinte senhor, é que eu não sei se mando o senhor à puta que te pariu, ou para a puta que te pariu.

- Para que tanta ignorância, senhor motorista! Só porque não sabe da resposta?

O motorista calou por total.


domingo, 6 de outubro de 2019

POR ONDE ANDA OS NETOS DO CANGACEIRO VOLTA SECA?

Por José Mendes Pereira

Já se passaram alguns anos que uma neta de Antonio dos Santos o cangaceiro Volta Seca fez contato comigo. 

Ela me disse todos os nomes dos filhos de Volta Seca que aparecem nesta foto, além do nome desta senhora que era esposa dele. 

Disse-me também que voltaria depois para informar mais algumas coisas sobre o seu avô Volta Seca. 

Eu pensando que ela retornaria não fiz nenhuma anotação.  Mas nunca mais ela me falou nada.

Eu não tenho muita certeza, mas me parece que ela era de Leopoldina no Estado de Minas Gerais. Se existe outra cidade com este nome em outro Estado do Brasil eu não sei.

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COISAS DO SER HUMANO MESMO

Por José Mendes Pereira

Geralmente quando a gente começa estudar o tema cangaço e começa a gostar já se acha o dono da verdade, que já conhece muito sobre os feitos de cangaceiros, de coiteiros, de vítimas que passaram pelas mãos vingativas daqueles perversos delinquentes, mas na verdade, quase nada nós, estudantes do tema sabemos ainda, apenas temos impresso nas nossas mentes que já somos doutores no assunto, verdadeiros cobras, mas é aí que a gente se engana.

Sabemos muito pouco sobre o assunto “Cangaço” e quem sabe mesmo são os pesquisadores e escritores que pesquisaram no campo, aqueles que foram buscar os fatos com os cangaceiros..., e os colecionadores, estes além das fotos em suas mãos têm também uma certa biografia de cada um.

A quantidade de fatos cangaceiros que aconteceu nos idos de 20, 30 do século passado (XX) quando foi extinto este desastroso movimento social de cangaceiros, e que foram escritos por bons profissionais no que diz respeito ao cangaço, é impressionante o monte de histórias sobre estes perversos humanos, principalmente aqueles que foram subordinados ao proprietário da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia" Virgolino Ferreira da Silva o Lampião.

Desde de 2008 que vivo engajado neste fantástico estudo que é “cangaço” paralelo ao pesquisador Antonio José de Oliveira lá de Serrinha no Estado da Bahia, mas eu tenho plena certeza que eu ainda não cheguei a alcançar 10% (dez por cento) de conhecimentos dessa literatura que eu tenho lido; a história é longa e muito interessante. Os perseguidos cangaceiros de modo geral fizeram uma história até então desconhecida.

Se fosse só sobre cangaceiros talvez sim, mas é sobre Cangaço, Coluna Prestes, Canudos, Volantes, Padres, Fazendeiros, Coiteiros, Coronéis, Agricultores, Traidores, Traidoras, Assassinatos de Cangaceiras feitos pelos seus companheiros, Perseguidores, Perseguidos, Mortes de Cangaceiros, de Policiais, Sequestros, Estupros, Vinganças, Roubos, Invasões à Fazendas, Sítios, e Vilarejos, Armadilhas, Acordos..., além do mais Revoltas: Praieira, Balaiada, Cabanagem, Quebra-Quilos; Juazeiro, Padre Cícero, Delmiro Gouveia, Quilombos, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro... 

É uma literatura que nos faz ler com bastante interesse, e quem tenta conhecer bem este tema nunca mais quer abandonar o estudo, porque é fantástico estudá-lo.

Clique no link abaixo para você tomar conhecimento quem pode ser um sócio da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.


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sábado, 5 de outubro de 2019

JOALHEIRO PAGOU PISTOLEIRO PARA MATAR TODA FAMÍLIA



ADENDO: blogdomendesemendes
"O homem que contratou o pistoleiro para assassinar a sua segunda esposa porque a primeira que se chamava Cidália também foi assassinada por ele, apoderado de ciúmes (segundo fala o escritor Alcino Alves Costa no seu livro "Lampião Além da Versão -  Mentiras e Mistérios de Angico), mandou matar a ex-esposa e filha era o volante Mané Véio que participou da chacina aos cangaceiros na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico em terras da cidade de Poço Redondo no Estado de Sergipe. 

O Mané Véio foi o homem que disse ter matado o cangaceiro Luiz Pedro, mas eu como simples estudante do cangaço e jamais serei autoridade no que diz respeito ao tema, não acredito nesta história.

As informações sobre a morte do cangaceiro Luiz Pedro do Retiro ou Cordeiro são bastantes enfeitadas pelos que forneceram entrevistas a alguns repórteres e pesquisadores do cangaço.  

O escritor Alcino Alves Costa teve grande motivo para escrever o livro “Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico”, quando diz que o que aconteceu na Grota do Angico, em terras da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, na madrugada de 28 de julho de 1938, não foi o que informaram os depoentes, tanto cangaceiros como policiais que fizeram partes da chacina aos cangaceiros da “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia, de propriedade do afamado, perverso e sanguinário Virgolino Ferreira da Silva o rei Lampião.

Claro que em relação a cangaço eu sou apenas um metido, que vivo lendo e comparando o que um escreve, o que outro diz em livro..., mas tento confirmar que, o cangaceiro Luiz Pedro não foi assassinado pelo volante Mané Veio, e sim, quem o matou, foi mesmo balas disparadas e direcionadas pelas volantes policiais através da metralhadora, que tentava eliminar vida por vida de cangaceiros.

As informações de três elementos que se dispuseram falar aos entrevistadores como aconteceu a morte do cangaceiro Luiz Pedro, todas são diferentes, e assim, não se tem o autor da morte do afamado cangaceiro e compadre de Lampião e Maria Bonita.

Em 1973, o cangaceiro Balão cedeu entrevista à Revista Realidade, e para mim, não sei se estou certo, Balão foi o cangaceiro que mais fantasiou as suas respostas. É claro que cada um deles queria levar a sardinha para o seu prato, mas não era necessária tanta fantasia.

O cangaceiro Balão falou o seguinte:

- Luiz Pedro ainda gritou. Vamos pegar o dinheiro e o ouro na barraca de Lampião! Não conseguiu. Caiu atingido por uma rajada. Corri até ele, peguei seu mosquetão e, com Zé Sereno, consegui furar o cerco. Tive a impressão de que a metralhadora enguiçou no momento exato. Para mim foi Deus.– http://www.cangacoemfoco.m.jex.com.br 

Ora! Qual é o homem que tem coragem de ver um sujeito cair atingido por balas e de imediatamente ele vai ao seu encontro, para recolher uma arma ou outra coisa semelhante do morto, sabendo que quem atirou ainda está por ali? Ele já tinha o seu mosquetão, e para que mais outro, e além do mais, foi apanhá-lo no meio do fogo. Meio duvidoso o que afirmou ele.

Pelo dizer do "cangaceiro Balão" quem matou o facínora Luiz Pedro foi uma rajada de balas por uma metralhadora.

Já o cangaceiro Vila Nova disse o que segue:

No dia 14 de novembro de 1938 Iziano Ferreira Lima, o afamado cangaceiro VILA NOVA, afirmou ao “Jornal A Noite”, que estava na Grota de Angico no momento do ataque das volantes ao grupo de Lampião, na madrugada de 28 de julho de 1938. Vejam o que ele fala:

Cangaceiro Vila Nova

– Escapei pela misericórdia de Deus, afirma. Vi quando o CHEFE (o chefe que ele se refere é Lampião) caiu se estrebuchando pelas forças do tenente Ferreira.

Ele fala no tenente Ferreira, mas acho eu, ele quis se referir ao tenente João Bezerra da Silva. 

Continua: 

- Meu padrinho Luiz Pedro caiu ferido nos meus pés. Pediu que o matasse, logo. O que fiz, foi apanhar o seu mosquetão e fugir para as bandas do riacho onde o fogo era menor. Depois da fuga fui me esconder na Fazenda Cuiabá, onde me encontrei com ZÉ SERENO, e outros que puderam fugir do cerco. Ali soubemos que junto com o capitão tinha morrido mais 11 cabras, inclusive D. Maria Bonita”. (Ele diz que morreram 11 cabras. Na verdade foram nove cangaceiros e duas mulheres. O que ele afirma sobre o total de cangaceiros que morreu está correto, mas foram 12 mortos lá na Grota do Angico. 9 cangaceiros, 2 mulheres e um volante de nome Adrião Pedro da Silva.

Uma dúvida que tenho certeza que todos estudiosos do cangaço têm e gostariam de perguntar: O cangaceiro Luiz Pedro estava com dois mosquetões? Porque Balão disse que levou o seu Mosquetão. E o cangaceiro Vila Nova também afirma ter levado o mosquetão do cangaceiro.

Está registrado na literatura do cangaço que quem assassinou o cangaceiro Luiz Pedro foi o volante Mané Veio, mas pelas suas informações não tem como acreditar, porque ele afirma que saiu perseguindo o cangaceiro Luiz Pedro, que ia meio avexado, caminhando rápido, e o volante ao seu encalce, até que chegou em um determinado lugar, e disparou sua arma, fechando o cangaceiro.

Mas vejam bem: Durou muito para que o volante assassinasse o cangaceiro, e por que o cangaceiro Balão, o Vila Nova informaram aos pesquisadores que o Luiz Pedro foi assassinado ali, no meio dos outros?

Na minha humilde opinião e não válida, já que eu sou apenas um metido sobre este tema, o Mané Veio já encontrara o cangaceiro Luiz Pedro morto. Ele mentiu mais do que os outros".

E você leitor, poderá me perguntar: -E você, estava lá? Eu não estava lá, mas pela lógica a gente ver que nem tudo foi verdade. o que disse os depoentes.

FONTE: JORNAL ÚLTIMA HORA, DE 14/07/66.


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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

MAIS UMA MENTIRA SOBRE LAMPIÃO NO ESTADO DE MINAS GERAIS

Por José Mendes Pereira

O pesquisador Geraldo Antônio de Souza Júnior que faz um trabalho de alto nível sobre cangaço, tanto na sua página facebook como no seu blog "Cangaçologia"  e que eu sou um verdadeiro larápio (no bom sentido) das suas postagens para o meu "Blog do Mendes e Mendes", postou ontem 02 de outubro de 2019 (não contrariar, porque ele apenas nos apresenta  este recorte de jornal, veja foto acima e link no final da página) o seguinte: 

"Dessa forma foram surgindo as "lendas" a respeito da "fuga" de Lampião de Angico. Contrariando a verdadeira história pesquisada e dando asas para a imaginação dos conspiratórios".

É verdade o que diz o pesquisador Geraldo Antônio de Souza Júnior, que aos poucos foram surgindo invenções sobre a não acontecida morte de Lampião em Angico.

Esse senhor chamado Pedro Canuto de Lima que era garçon, conforme diz no recorte de jornal, com certeza estava vendendo o peixe de acordo com o que foi contado pelo comerciante José Diniz de Guajiru,  no município de São Gonçalo do Amarante, no Estado do Rio Grande do Norte, afirmando ter comprado certa quantidade de gado a Lampião. Mas não foi dito ao jornal, que ele morava em cidade tal, tal do Estado de Minas Gerias. Apenas o texto diz que ele morava em Minas Gerais.


Será que este fazendeiro de Minas Gerais com o nome de Lampião seria o Lampião de Buritis, o homem que soube enganar bastante o fotógrafo José Geraldo Aguiar, quando ele disse o que bem quis, principalmente sendo o verdadeiro Lampião de Serra Talhada, e o nosso saudoso José Geraldo Aguiar acreditou, no que dizia o suposto Lampião? 

Só em você olhar para a foto a gente já ver de cara o olho cego de Lampião de Serra Talhada que ficou branco, mas o olho do Lampião de Buritis mesmo com defeito, continuou preto e como se não tivesse problema nenhum no olho.

Será que este Lampião que vendeu gado ao comerciante José Diniz seria um outro que se passava em Minas Gerais pelo o capitão Lampião de Serra Talhada? 

Ou será apenas que foi uma criação de quem informou ao jornal "O Estado de São Paulo" que o José Diniz teria sido comprador de gado deste Lampião de Minas Gerais?

O certo é que muitas pessoas do Nordeste do Brasil e de outras regiões do país têm os seus apelidos de Lampião, mas não quer dizer que seriam o Lampião de Serra Talhada, assim como eu conheço aqui em Mossoró dois senhores com o nome de Lampião, e que nem em sonho eles chegaram a dizer que são o Lampião verdadeiro. Esse apelido de Lampião é posto em alguma pessoa devido ter o gênio forte, e daí o apelido começa a correr de boca em boca, só pelo fato dele ser um pouco valente ou ignorante, e por isso as pessoas o chamam ou chamavam de Lampião. 

Só sei que mais um mentiroso se dizia ser o capitão Lampião, lá das terras de Serra Talhada, no Estado de Pernambuco.


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domingo, 29 de setembro de 2019

UM SAGUI CONDENADO À MORTE POR PURA PERVERSIDADE.

Por José Mendes Pereira

Não existe na terra um vivente mais perverso do que o bicho homem. Os animais matam os outros animais para se alimentarem, porque a natureza os fez carnívoros. Já o bicho homem mata por pura perversidade.
Na floresta, o homem corta as árvores. Na fauna ele mata os animais e pássaros. Nos rios e açudes ele mata os peixes. No mar ele mata as baleias com arpões como troféus. Mata os golfinhos, os botos rosas como se ele servissem para simpatias. Mata os peixes-bois, e para completar, polui o mar com óleo e petróleo, que estes líquidos deveriam estar lá em baixo do subsolo, nos seus devidos lugares de origem.
Quando eu ainda tinha 12 anos de idade, e sempre que saía de casa para alguns afazeres da pequena propriedade do meu pai, levava comigo uma baladeira (estilingue que para os mossoroenses ela é mais conhecida como baladeira), um embornal e uma porção de pedras miúdas, para ver se eu matava algumas rolinhas ou até mesmo preás, mortes que meus irmãos e eu fazíamos escondidos do nosso pai, porque ele não queria de forma alguma que nós matássemos os pássaros e preás, aliás, nenhum animal. Mas nós o desobedecia sem ele saber, teimosos e malvados, assim como são quase todas as crianças do mundo, principalmente os meninos, que quando estão armados com estilingues, não resistem ver pássaros ou animais de pequenos portes em sua frente, e a partir dali, começam a perseguição até matá-los.
Nesse dia, eu parei de guerrear, isto é, de matar qualquer tipo de vivente, só porque o que eu fiz com um sagui, me deixou com a mente frustrada, arreada e me sentindo culpado, caso aquele pobre animal morresse.
A minha intenção, era apenas feri-lo, e assim que ele caísse no chão, eu iria capturá-lo para criá-lo acorrentado, mesmo escondido do meu pai, lá na casa do meu avô que era ao lado.
Assim que entrei no mato, vi um grupo de sagui e no meio de alguns velhos e filhotes eu mirei um velho, e de pressa atirei sem puxar muito as ligas da baladeira, derrubando o pobrezinho que nenhum mal tinha me feito.
A maior dor que eu senti, talvez maior do que a dor do soim, foi quando ele caiu no chão e os seus familiares ficaram alvoroçados, pulando de galhos para galhos, com uma alarida baixinha, mas muito triste, como se toda família estivesse chorando. E quando eu vi o soim atingido pela pedrada, passando a sua minúscula mãozinha sobre o local que a pedra havia pegado, bem ao lado das costelas, e a levava à altura dos seus olhinhos redondinhos e pequeninos, e ficava olhando, como se estivesse querendo ver se estava sangrando muito. e eu vendo esta cena triste, minha mente arreou de vez, e ali, junto com eles, eu chorei e chorei muito. O soim repetiu várias vezes esta cena triste, sentadinho no chão. Aquilo me doeu tanto, tanto que a partir dali, eu não mais queria de forma alguma um animalzinho em minha casa preso por uma corrente.
Os outros tentavam descer dos galhos para socorrê-lo, mas temiam, porque o perverso (eu) ainda estava ali. Após vê-lo passando a mãozinha na possível enfermidade, nem tentei mais capturá-lo, e o que eu queria por último, era vê-lo subir nos galhos da árvore e que fosse embora viver a sua vida.
Eu permaneci ali, esperando que ele se recuperasse da pedrada e na árvore subisse. Com alguns minutos depois, ele foi se equilibrando, recuperando-se, e em seguida, com muita dificuldade, subiu na árvore, e num ganchinho ele se amparou, e por sentir dores, ficou lá caladinho e bem quetinho.
Que perversidade minha! Um animalzinho minúsculo que nem serve para alimentar ninguém, apenas para qualquer um de nós seres humanos admirá-lo. Meu Deus! Ainda hoje quando me lembro desta cena triste, sinto como se estivesse acontecendo agora, e que eu deveria pagar pela tamanha perversidade que fiz contra o animalzinho.
Não me lembro mais quantos deles faziam parte da sua família, mas no dia seguinte, eu sair de casa bem cedinho, e um pouco distante do lugar do dia anterior, vi toda família. Todos estavam ali, não faltava ninguém. Ele tinha se recuperado.
Se você pensar bem, jamais matará um animal por perversidade. Deixa ele viver assim como nós, feliz no meio da sua família. Que tristeza um animal sente quando uma ovelhinha da sua família morre ou desaparece para sempre!

O CANGACEIRO GORGULHO.

    Por Fabio Costa Este Cangaceiro estava no grupo de Mané Moreno em Poço da Volta quando em meio ao forró foram emboscados pela volante de...