segunda-feira, 4 de novembro de 2019

MINHA PRIMEIRA BICICLETA


Por José Mendes Pereira

Naqueles tempos de dificuldades para todos aqueles que nasciam e residiam no campo tudo era muito difícil, e que muitos pais que dependiam apenas da saúde para trabalhar e sustentar a sua numerosa prole viviam miseravelmente sem apoio de ninguém, somente da boa vontade de Deus.

Meus irmãos e eu não vivemos a miséria porque apesar de viver de favor em propriedade alheia, onde lá meus pais e nós filhos nascemos, mas que ele nunca fora empregado do proprietário, isso é, sem obrigação para com o proprietário de terras, o nosso pai era dono de um grande chiqueiro de criações, e além disto, ele fazia tudo (menos desonestidade) para não nos ver com fome. Lógico que os nossos alimentos não eram muito nutrientes, porque em décadas passadas o camponês alimentava a sua família apenas com carne da sua criação, feijão, arroz, cuscuz (milho passado no moinho), farinha vez por outra, rapadura fabricada no cariri, e mais algumas caças completavam os nossos alimentos. 

Como todos sabem muito bem como era a vida do campo no período de inverno todos estavam ocupados no plantio, estendendo-se até agosto, mais ou menos, porque chegava o período da colheita do milho. E assim que terminava a colheita todos iriam trabalhar no corte da palha da carnaubeira, mas nem todos os camponeses faziam esta atividade, somente em lugares que têm rios ocupados pelas carnaubeiras.

Eu ainda era pequeno e que tenho a impressão com menos de 13 anos, não só eu como todos as crianças da época, mas meu desejo era possuir uma bicicleta mercswiss. Naqueles tempos crianças trabalhavam, e é por isso, não menosprezando a linda juventude que existe hoje, o Brasil formou homens responsáveis, e é por isso que nenhum de nós se tornou marginal. Como eu estava trabalhando no corte de palha fui juntando dinheiro para um dia ser dono de uma bicicleta mercswiss usada. Meses depois, eu estava com o valor da bicicleta pronto.

O meu pai já sabia da minha intenção de possuir uma bicicleta, e como quase não dispunha de tempo, pois tinha as suas obrigações, porque era encarregado de uma turma de corte da palha da carnaubeira, e com o vexame de fazer logo esta compra, falei para eu vir sozinho à Mossoró e comprar a tão sonhada bicicleta. Ele tinha plena certeza que eu não sabia comprá-la, mas mesmo assim,  não se opôs, dizendo-me:

- Eu acho meu filho, que você não sabe comprar bicicleta, porque ainda é muito pequeno. Mas como eu não posso ir, tente sozinho. Tenha cuidado! Veja bem o estado da bicicleta que lhe agradar. Às vezes elas só têm presenças, mas que não estão perfeitas. – Dizia-me o meu pai.

A noite eu passei quase em claro só me lembrando da bicicleta e do retorno para casa, montada nela. Uma sensação que já estava pedalando. Quando eu cochilava sonhava já montado na tal bicicleta dos meus sonhos. Os enfeites que eu pensava em colocar nela, tudo foi pensado e vistos no meu pensamento. Um farol com dínamo e ao anoitecer, montar nela e fazer carreira em busca da casa da minha avó Mamãenana, que ficava um pouquinho distante de onde eu morava. E ao sair de casa, minha mãe dizia:

- Cuidado meu filho, porque tem touros bravos nos caminhos por aí e poderá tentar te derrubar com bicicleta e tudo!

- Se algum deles vier me açoitar mamãe, eu faço carreira na bicicleta para cá!

Quatro horas da manhã do dia seguinte eu já estava pronto para enfrentar a pé o caminho que trás até Mossoró. E ao me ver já pronto, meu pai me disse:

- É muito cedo ainda meu filho, para você caminhar até Mossoró.

- É porque papai, eu quero chegar cedo lá e também voltar cedo. – Eu disse.

Noutros tempos o sujeito andava a qualquer hora do dia e da noite, e tinha certeza que chegaria em casa, exceto algum animal feroz que o atacasse. Tirando este, sairia vivo e retornaria vivo.

Abri a porta da frente da nossa humilde casinhola de taipa e me mandei. Sempre com a imaginação voltada para o tão desejado transporte. E durante o percurso eu corria, parava, fazia gestos de quem monta em bicicleta, me desequilibrava como se fosse cair do transporte  simbolicamente. Deixei a mercswiss e tentei a bristol, mas ela não tinha apoio aconchegante. Tentei outras, isto somente na minha mente, nenhuma era especial como a mercswiss. 

Mas quando eu percebi que solitariamente o pai da vida aqui na terra já estava irradiando um pouco o chão do nosso chão, eu fiz carreira sem parar um só instante.

Lá para as tantas eu entrei em Mossoró. E me mandei até a casa de uma tia minha de nome “Dos Reis” que morava na atual Ilha de Santa Luzia. Ela já havia se levanto e feito café. Tomei um pouco e me mandei para a pedra do mercado, porque era lá o local de vendas destes. Ao chegar, sentei-me em um banco da praça aguardando os comerciantes que  logo chegariam para ludibriarem aqueles que tentavam comprar algo. E lá para as sete horas os comerciantes ambulantes foram chegando. Daí a pouco, a praça estava cheia de gente vendendo de tudo quanto existe em feiras livres.

E lá estava eu sentado no banco feito um matuto mesmo com um pouco de timidez. Disfarçadamente, vi uma bicicleta de cor azul, e no meu entender, aquela estava perfeita, bem pintada e com aparência de pouco uso. Somente os aros tinham começo de ferrugem, e a desejei, mas não saí do banco. Como eu a observava apenas com um rabo de olho o dono se aproximou de mim e me perguntou:

- Você mora aonde?

- Na Barrinha, eu o respondi.

Aquelas alturas aquele carniceiro percebeu que eu era camponês, e camponês é matuto, e matuto é bestão mesmo, e se é bestão é bom de fazer negócio, e se fizer, é fácil ser ludibriado de todas as formas.

- Veio fazer o que aqui em Mossoró?

- Eu vim comprar uma bicicleta mercswiss. 

O sujeito pôs a me ganhar na conversa.

- Veio com seu pai? - Perguntou-me?

- Não senhor, vim só.

E começou fazer mais perguntas e eu as respondendo. Em seguida disse:

- Vamos tomar um cafezinho ali...

Eu o acompanhei, e foi lá que ele me apresentou a bicicletas que estava à venda e que eu a tempo que a observava. E era aquela mesma que eu queria. Perfeita, bonita, quase nova. 

- Dê uma voltinha nela para você ver como ela é boa...

- Não precisa. - Respondi. 

Fomos a negócio. De lá pra cá veio o preço que eu nem me lembro mais quanto custava. E de cá pra lá foi a minha confirmação. Concordei que eu queria a bicicleta por aquele valor. 

Montei na já minha tão sonhada bicicleta e fui-me embora. Mas ao passar pela ponte do rio Mossoró, um pouco mais a frente a bicicleta começou os problemas. A corrente caiu, a catraca não prestava, freios duros e secos. Em busca de casa, andei mais a pé do que mesmo nela. 

A bicicleta só tinha beleza, presença, mas estava toda cheia de solda. Como ela tinha sido pintada a tinta cobria as partes que haviam sido soldadas. 

Que sorte! Naquele tempo matuto era matuto. Hoje não existe mais esta raça. O matuto de hoje sabe tanto quanto o homem da cidade. 

Parabéns para ele!

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sábado, 26 de outubro de 2019

SE BEBER NÃO SE FAÇA DE CORAJOSO PORQUE TEM OUTROS QUE SÃO MAIS CORAJOSOS DO QUE VOCÊ.

Por José Mendes Pereira
A imagem pode conter: pessoas sentadas

Beber é muito bom, mas bom mesmo é não beber. Quem é que não gosta de se arrumar, vestir a roupa mais nova, calçar uns pisantes, botar um dinheirinho no bolso e se mandar para uma brincadeira em um bar acompanhado de bons amigos, e que lá não tenha mui amigos. Todos gostam. Mas é preciso ter cuidado para não conversar demais.
Em todos os lugares que nós frequentamos geralmente têm pessoas que são irritadas até consigo mesmas. Então, devemos controlar o que a gente pensa em dizer, isto é, temos que pesar e medir as palavras antes que nós as pronunciamos, porque, muitas vezes, o que a gente diz poderá ferir alguém, e nem todas às vezes a pessoa ferida quer perdoar aquilo que ouviu contra si de um bêbado ou de quem quer que seja.
No dia 03 de março de 2018 completaram 30 anos que eu nunca mais ingeri bebidas alcoólatras. 30 anos que deixei de frequentar bares, e tenho certeza que não perdi nada, ao contrário, acho que ganhei muito durante estes anos todos que eu não fiquei ébrio.
Em anos passados eu residi no bairro Paraíba no centro da cidade de Mossoró, posteriormente no bairro Pereiros, à Rua Almirante Barroso, depois no Alto da Conceição à Rua Romualdo Galvão, Bom Jardim, Santo Antonio e definitivamente me mudei para o grande Alto de São Manoel onde vivo até os dias de hoje. Mas o que segue aconteceu no bairro Bom Jardim, e eu não mais morava lá, apenas voltei em uma velha e desmoronada bicicleta, simplesmente para visitar os velhos amigos que ainda continuavam naquele bairro.
Depois de tomar umas 4 quatro ou 10 de cachaça pura no bar do Neném, porque eu gostava mesmo era da branquinha, despedi-me dos amigos e pequei a Rua Luiz Colombo, e esta, faz cruzamento com a Rua Juvenal Lamartine e lá, eu morava antes, e ao entrar, passando um pouco da esquina do cruzamento, 4 casas no máximo, vi uma porção de pessoas que estava em frente à uma casa pequena e humilde, e o motivo daquela gente ali, era que o dono da residência estava separado, e fazia tempo que ele prometia matar a sua ex-esposa, acusando-a de traições.
A casa era isolada das confinantes, isto é, terreno de um lado e do outro, e não tinha muro, apenas cercas protegiam a sua frente. O homem eu o conhecia apenas de paletó e gravata, mas que nunca tive nenhuma conversa com ele no tempo em que morava naquele bairro.
Eu que já estava pra lá de Bagdá com uns goles a mais ao vê aquela aglomeração de pessoas, fui me aproximando, e ali eu quis saber o que estava acontecendo, no que fui logo informado que o dono da casa tinha tentado entrar pela porta da frente, para cometer o crime contra a sua ex-mulher, e ela conseguiu fechar a porta antes que acontecesse uma desgraça. Ele insatisfeito por não ter conseguido fazer o que desejava pulou a cerca da frente da casa e foi tentar assassiná-la pela porta da cozinha.
O homem vivia de negociar estacas, mourões e toros para cercas, e na frente da casinha, tanto de um lado como do outro, tinha uma porção destes na horizontal sobre a calçada de barro, e eu vendo aquela fraqueza, achava eu, dos homens que não queriam enfrentar o futuro assassino, para evitar que ele assassinasse a esposa, e olhando para os montes de estacas... resolvi falar, tentando ajudar a mulher que enlouquecida, lá dentro da casa, chorava muito e corria perigo de morte, por ele ter pulado a cerca para tentar esfaqueá-la lá dentro. Foi quando eu perguntei a um senhor que também se omitia defender a mulher da faca-peixeira do ex-marido:
- O que está acontecendo nesta casa, seu Zé?
E ele me respondeu:
- O Raimundo (eu nem sabia o seu nome) chegou aí agora e está querendo matar a sua esposa. Segundo ele, ela o traiu.
- Mas será possível, dizia eu, que uma ruma de homens vai deixar o indivíduo matar a mulher? Tantas estacas... aí no chão e ninguém faz nada...!
Nesse momento que dizia isto eu não via que o homem vinha pulando a cerca de volta, e ao ouvir o que eu disse, com a faca em uma das mãos. E ao pular já bem próximo de mim, perguntou-me:
- O que é que você está dizendo, magro?
E eu desconfiado e querendo fugir do perigo, respondi-lhe:
- Eu não disse nada não senhor!
E me montando na bicicleta pedalei forte, e dali desapareci o mais rápido possível. Só que ele saiu a pé correndo atrás de mim com a faca-peixeira empunhada, na intenção de fazer algo contra mim, dizendo:
- Espera por mim malandro, que eu quero enfiar a minha peixeira na sua barriga...
A sorte foi que, mesmo eu estando bêbado ele não me alcançou, voltando em seguida.
Só sei que até hoje quando me lembro disto continuo correndo sem destino, com medo daquele indivíduo sanguinário. E é como se eu estivesse ouvindo alguém dizer:
- Se eu te alcançar eu te furo com esta faca-peixeira, malandrão!.
Posteriormente, eu soube que ele não matou a sua ex-esposa, mas a esfaqueou e quase ela teve a vida findada. Nos dias de hoje, eu não tive mais notícia daquele perverso.
Quem muito conversa muito erra, e essa é que é a verdade.

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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

SEU GALDINO DEU UMA DE AGIOTA EMPRESTANDO DINHEIRO A JURO

Por José Mendes Pereira

Tendo um bom rebanho de gado e devido a falta de chuvas por toda região seu Galdino Borba(gato) Mend(onça) Filho resolveu selecionar algumas cabeças de gado mais nutridas, chamou o marchante e negociou todas de uma só vez. Com o valor em mãos ficou sem saber em que deveria empregar aquele dinheirão.
Os amigos mais próximos diziam que o melhor seria comprar lotes de terra, e com certeza, empregaria o dinheiro muito bem, e não teria despesas, ao contrário, cada dia que se passava mais valorizados ficariam os imóveis, e ele nunca iria ter prejuízo, porque terreno ninguém o carrega e nem o bicho come. Mas outros mais distantes achavam que melhor seria comprar casas, vez que elas se alugam e todo mês tem dinheiro extra para receber.
Mas seu Galdino não estava interessado em nenhuma destas opiniões, o melhor para ele era se tornar agiota, porque o juro é bom, e assim fez. Disse a alguns amigos que entrara no ramo da agiotagem.
Manoel Cascudo que há poucos anos morava em Mossoró oriundo da chapada do Apodi e amigo em tempo longínquo do seu Galdino, logo tomou conhecimento que ele estava emprestando dinheiro a juros. Vivo, pegou seu velho carro chevrolet e se mandou até a fazenda do recém/agiota, na intenção de tomar um dinheirinho para negociar lá pelo Mercado Público Central da cidade de Santa Luzia.
Ao chegar, Manoel Cascudo não encontrou o recém/agiota em casa, mas foi informado pela dona Dionísia sua esposa que ele não se demoraria chegar. Tinha ido apanhar em uma cacimba um galão dágua para os serviços da sua cozinha. Ali, sob o alpendre, Manoel Cascudo ficou sentado em um banco feito de tábua da aroeira, aguardando o futuro oportunista. E com alguns minutos depois, ele apontou na estrada conduzindo sobre os ombros o galão com água.
Foi um encontro de dois amigos da antiguidade que há alguns anos não se viam, mas o respeito continuava firme. Ali, sob a cobertura conversaram muito, onde fora relembrados alguns acontecimentos do tempo de jovem. Depois de tudo isso o Manoel Cascudo levou o assunto ao seu Galdino sobre a sua ida até lá. Soubera que ele estava com dinheiro para começar a sua nova atividade de empréstimo a juro. E ele sendo um dos seus amigos e de grande responsabilidade queria uma certa quantia.
Depois de ouvido a conversa do Manoel Cascudo seu Galdino disse-lhe que não seria possível o empréstimo, pela razão de só emprestar todo o dinheiro em uma única mão. Não tinha intenções de dividir o seu dinheiro para três, quatro ou mais mãos. Toda quantia a um único seria melhor para ele. Dito isto, o Manoel Cascudo se engrandeceu. Queria o dinheiro todo. Só assim ele faria uma melhor arrumação, isto é, compraria mais produtos de venda para o seu futuro comércio.
Foi aí que o seu Galdino caiu na conversa, dizendo que estava feito o negócio, mas descontaria logo os 30% de juros sobre o valor emprestado, e lembrasse que estava emprestando aquela quantidade porque ele era seu amigo. E em seguida, seu Galdino foi lá dentro da casa, apanhou o dinheiro, tirou os 30% e o entregou o valor emprestado com desconto. O pagamento seria feito todo de uma só vez, com 60 dias depois.
Aconteceu que chegou o dia do pagamento e o Manoel Cascudo não lhe apareceu. Passou o primeiro dia, segundo, terceiro... e nada do devedor chegar em sua casa com o dinheiro. Desesperado, seu Galdino foi atrás dele para receber a quantia. Ao chegar em sua residência não o encontrou, fora informado que ele tinha ido a casa de um amigo.
Andando pelas ruas à procura do devedor seu Galdino o viu passando de uma lado da rua para o outro. Mas antes ele já tinha visto o seu Galdino e cuidou de se esconder em uma casa onde velavam o corpo do dono do lar.
E andando mais um pouco seu Galdino viu uma porção de gente aos arredores da casa e resolveu saber o que tinha acontecido ali, e de imediato contaram-no que o dono da casa havia falecido e estavam o velando. E ao entrar seu Galdino viu logo o Manoel Cascudo defronte aos pés do defunto como se ali ele estivesse rezando. E foi se aproximando e em seguida, ficou ao seu lado. Como havia encontrado o fujão seu Galdino quis saber o porquê de não ter ido levar o seu dinheiro. E olhando para ele perguntou-lhe:
- Manoel Cascudo, e o meu dinheiro? Por que você não foi me pagar assim como nós havíamos combinado?
E sem olhar para o seu Galdino com os olhos firmes ao defunto, e além do mais, astucioso, com lágrimas de crocodilo no olhar, o Manoel Cascudo perguntou-lhe:
- E ele não te entregou o dinheiro, Galdino?
- Quem ele? - Perguntou-lhe seu Galdino.
- Ele. Este homem que morreu, pois eu mandei por ele na semana passada...
Nesse momento vinha chegando um amigo do seu Galdino que há anos não o via. Diante de tantos abraços e apertos de mão seu Galdino se descuidou, e quando procurou o Manoel Cascudo, já tinha se mandado. "Adeus, Galdino!"
Assim que o homem saiu da sua presença seu Galdino ficou conversando só, dizendo que ele era acostumado pegar onça nos tabuleiros e não tinha medo dela, muito menos de um caloterio fujão, e não iria deixá-lo mais em paz.
O Manoel Cascudo se mandou para suas terras de origens que eram na chapada do Apodi e nunca mais seu Galdino o viu. Perdeu todo dinheiro.
Mas é assim mesmo. Os mais espertos são os mais tolos. Seu Galdino tão esperto para pegar onça, assim afirmava ele, foi ludibriado por um dos seus amigos mui amigo.

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terça-feira, 22 de outubro de 2019

RITA MUTEMA - Teve uma vida muito infeliz

Por: José Mendes Pereira
José Mendes Pereira

Tem gente neste mundo que nasce, cresce, envelhece e morre no sofrimento, e às vezes perguntamos: Por que tanto sofrimento foi dado a uma determinada pessoa? E esta pergunta só quem sabe respondê-la, e pode, é o "Grande Deus Todo Poderoso".

Rita Mutema era uma senhora pequenina, morena, magrinha, de cintura meio selada, às vezes simpática, às vezes agressiva. Nasceu e  criou-se no grande Alto de São Manoel em Mossoró, nas imediações da UFERSA (antiga ESAM), já bem próximo ao Rio Mossoró. E desde muito nova que a Rita Mutema era viciada em bebidas alcoólicas, levando o tempo sempre embriagada, urinava em qualquer lugar, e por isso, a infeliz não tinha condições de trabalhar em nada.

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Do meu conhecimento, isto é, desde quando eu a conheci, ela apenas tivera uma filha, por nome de Joana D'arc, sendo que esta tem o mesmo destino da mãe, problemas com o álcool.  

Quando Rita Mutema bebia tornava-se agressiva. E se uma pessoa dissesse algo, mesmo que não a desrespeitasse, seria apedrejada por ela, e se não fugisse logo do local, a Rita não parava de jogar pedras na pessoa.

Nos anos 90, a Rita Mutema, sua filha Joana D'arc e o Antonio seu esposo, que não era o pai da menina, e que também era alcoólatra,  foram moradores do meu pai Pedro Nél Pereira, na sua propriedade, no sítio São Francisco, município de Mossoró.

Pedro Nél Pereira -blogdomendesemendes.blogspot.com

O meu pai tentando recuperá-los e salvá-los das bebidas, levou-os para lá, garantindo-lhes que não faltaria nada, já que tinha muito leite, legumes etc. Mas as intenções da Rita e o Antonio eram nada mais do que viverem  embriagados.

Posteriormente o casal resolveu voltar para Mossoró, e meses depois o Antonio foi acidentado por um automóvel, tendo morte no local.  Alguns anos depois, a Rita Mutema, por infelicidade, bebeu muito nesse dia, e faleceu dentro de um buraco com pouca água. Mas para quem está embriagado, uma lata d’água, é como se fosse um oceano.

 Minhas Simples Histórias

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Fonte:
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Autor:
José Mendes Pereira

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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O BAR DO GERALDO MACARRÃO

Por José Mendes Pereira

Grande amigo e irmão Eraldo Xaxá, há meses ou talvez mais de um ano que sempre tive vontade de escrever algo sobre o nosso amigo  proprietário de um bar na COHAB, no bairro Grande Alto do São Manoel em Mossoró, e que sei que você ainda não esqueceu dele, o Geraldo Macarrão, e o seu bar tinha o nome de fantasia "Bar do Geraldo Macarrão" e a origem do apelido Geraldo Macarrão veio desde pequeno, por ser magrinho, tipo esparguete.

Era um homem simples, atencioso, educadíssimo, calmo além do normal, e de atendimento sem discriminação. Tanto fazia ser os novos fregueses que aos poucos iam aparecendo, como os mais antigos, usando um atendimento só, sem usar dois pesos e duas medidas.

Ali, quem tinha dinheiro sempre pagava as despesas, mas quem não tinha fazia vales e mais vales, e ele nunca fez cara feia para vender fiado ao seus fregueses. Afinal, Geraldo Macarrão sabia muito bem a quem estava vendendo o seu peixe.

O som rodava os discos vinis com cantores variados da época como: Renato e Seus Blue Caps, The Feveres, Roberto Carlos, Wilson Simonal, Wanderley Cardoso, Erasmo Carlos, Leno e Lilian, mas com controle de decibéis, sempre com volume educado. O Geraldo Macarrão dizia que tinha muito respeito pelos seus vizinhos, e por isso não queria som além do normal para não incomodá-los.


O bar do Geraldo Macarrão não era dos maiores, mas pela sua organização se tornava enorme, e em dia de sábado, por lá, você, Nelzinho meu cunhado, os professores de educação física Paulo Nogueira e o Uirapuru e eu encontrávamos para ingerirmos uma, duas, três ou até mesmo um monte de doses de cachaça com os mais variados tira-gostos.

Geralmente os tira-gostos eram rolinha, carne assada, peixes dos mais variados e bem preparados pela sua esposa, a qual eu não me lembro mais o seu nome. Ali, nós nos divertíamos com a sinuca que ficava debaixo de uns coqueiros. Nada de apostas e nem de discussão, apenas brincávamos o tempo que fosse necessário e depois pagávamos ou dependurávamos nos vales as despesas das partidas. E vez por outra, nós ingeríamos doses de cachaça, montilla ou conhaque São João da Barra, porque a cerveja não era a nossa preferência.

Eraldo Xaxá

Tem pessoas que não querem beber cachaça porque acham vulgar o sujeito ingerir uma bebida com excesso de álcool, mas para mim, se é para beber (31 anos que não bebo), eu não tenho interesse por outras bebidas, porque a melhor para quem tem responsabilidade e pensa bem, é sem dúvida, a cachaça com um bom tira-gosto. Mas sem ultrapassar a dose, porque é a partir dali que o sujeito irá se tornar irresponsável e muito.

A cachaça tem as suas vantagens. O sujeito vai a ingerindo e ela está sempre alertando que, se continuar a bebendo vai derrubá-lo. Fica se quiser no bar ou no ambiente de bebida, e se cair, não foi falta de conselho, porque ela mesma deu o alerta que quanto mais ingeri-la mais possibilidade tem de ser derrubado.

José Mendes Pereira e Júlio Pereira Batista

Geraldo Macarrão estava sempre por ali esperando uma nova solicitação de bebidas às mesas dos fregueses. E tudo que era servido era cuidadosamente bem preparado. Um exímio jogador de sinuca. Geralmente quando jogava com alguém ele era o vencedor.

Geraldo Macarrão acabou com o serviço de bar e foi morar na cidade recém-nascida de Serra do Mel, e por lá, infelizmente faleceu. Não me lembro bem o ano, mas eu soube no mesmo dia da sua partida para a casa do Senhor Deus. Um bom lugar por lá o Geraldo Macarrão foi hospedado. Não tinha inimigos e vivia da amizade para com todos.

Fotos:

1- Eraldo Xaxá;
2 - José Mendes Pereira e Júlio Pereira Batista.
Fotos feitas na Ponte de Trem sobre o rio Mossoró no Alto da Conceição.

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domingo, 20 de outubro de 2019

MEU, SEU, DELE, DELA, NOSSO ESTADUAL


Por José Mendes Pereira

Por que "O Estadual" e não "A Estadual"? Simplesmente porque esta escola já foi "Colégio Estadual de Mossoró", esta é a razão de todos chamarem de "O Estadual".

Será que existem pessoas adultas ou bem adultas de Mossoró que ainda não conhecem o Estadual? É quase certeza que não. Quem aqui nasceu sabe muito bem chegar na maior Escola pública de Mossoró. E quem aqui nasceu e nela estudou conheceu e conhece todas as dependências dela, e até teve, muito embora pequeno e passageiro, um romance amoroso nas suas dependências, nos seus corredores, na cantina, na área de lazer, no auditório do teatro, na quadra de esporte, na rampa e que tenha sido em qualquer uma delas, enfim, "O Estadual" sempre foi e será um guardador de segredos que viu nas sua dependências casais de alunos e até mesmo professores se amando.


A Escola Estadual Jerônimo Rosado está localizada em Mossoró no bairro Santo Antonio, à Rua Ferreira Itajubá S/N, e foi fundada no ano de 1959, por Dinarte de Medeiros Mariz, que governou o Rio Grande do Norte entre 1956 e 1961.

Nas últimas seis décadas esta repartição já educou uma grande parte do povo mossoroense, inclusive pessoas de outras cidades que se matriculam nela, e é conhecida em toda região por "O Estadual", sendo de tradição. É a maior escola pública de Mossoró, com pouco mais de 20 salas de aula, e todas são grandes, com auditório, quadra de esporte, e duas rampas para ter acesso às classes.

As alunas eram as pétalas que desabrochavam em suas flores para florirem aquela escola, e que sempre foram as personalidades que não deviam faltar naquelas dependências. Um olhar e um riso apaixonado de cada uma delas dentro daquele ambiente educacional fazia a escola continuar educando e formando com muito prazer, obrigado!

Quem viveu o Estadual sabe muito bem como era divertido estudar nele, e com certeza, orgulhou-se ou orgulha-se muito, por estudar em uma das mais tradicionais escolas de Mossoró, com bons mestres e responsáveis funcionários.

Aquelas estudantes que vestiam as suas fardas do magistério eram e ainda são muito bem lembradas em qualquer lugar de Mossoró, porque a cor do uniforme embelezava mais ainda a estudante.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

SEU GALDINO CUTUCA ONÇA COM VARA EM TREMPE DE ÁRVORE E QUASE SE DEU MAL.


Por José Mendes Pereira

Mais uma fantástica história do seu Galdino Borba(gato) de Mendoça Filho contada a seu amigo, compadre e vizinho de propriedade seu Leodoro Gusmão.

Seu Galdino contou ao seu compadre que há dez dias antes desta conversa tinha saído para ver se tirava mel de uma abelha italiana situada em um pé de umburana, e quando caminhava em direção à árvore, ainda um pouco distante dela, deparou-se com uma onça dormindo sobre um galho de uma aroeira. Não resistindo àquela cena, procurou uma vara e foi cutucá-la, porque a sua intenção era quando ela descesse da árvore, com medo dele, corresse, e nesse momento que ele correria atrás dela, pelo menos para tangê-la pra bem mais longe de sua propriedade, só assim ela não iria perseguir os seus animais em sua fazenda.

Feito isto, quando a cutucou com a vara ela teve um susto tão grande que saiu num grunhido danado e ele não deu chance, agarrou a calda do felino e se mandou voando com ela. Na carreira, cada pulo que ela dava ele ali subia e descia segurado na sua calda. A onça teve tanto medo dele que fez com que ela desaparecesse nos fundos das suas terras.

Mas seu Galdino não sabia que alguém viu o que se passou com ele. Assim contara o vaqueiro de Lili Duarte ao seu Leodoro, que nesse mesmo dia, que seu Galdino foi surpreendido pela onça, ele também estava nas matas, não no ofício de campear gado, segundo ele, com uma espingarda passarinhando, e como ele estava com um binóculo, viu quase de perto o que fizera a onça contra seu Galdino. A história verdadeira foi a seguinte:

Seu Galdino estava olhando para dentro de um oco de umburana tentando ver se nele existia abelha situada para tirar o mel, já que uma porção delas estava voando ao redor da árvore. Foi quando uma onça negra, lentamente, foi se aproximando sem que seu Galdino a percebesse. A onça ficou estruturando a melhor maneira de agarrar o seu Galdino. Depois de bem posicionada ela pulou e o agarrou pelo fundo da calça. Seu Galdino fez carreira e ela ali agarrada em sua calça. Sabendo que a onça iria devorá-lo o vaqueiro armou a espingarda bate-bucha e disparou para cima, fazendo com que a onça abandonasse o seu plano de devorar seu Galdino e fizesse carreira. Assombrada, a onça entrou de mata adentro. Com medo seu Galdino enfiou-se também no matagal contrário.

Foi assim que se passou e não da maneira como contou seu Galdino ao compadre Leodoro Gusmão.

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O CANGACEIRO GORGULHO.

    Por Fabio Costa Este Cangaceiro estava no grupo de Mané Moreno em Poço da Volta quando em meio ao forró foram emboscados pela volante de...