segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

COMO VENDEDOR SOU PÉSSIMO

Por José Mendes Pereira - (Crônica 34)

Admiro bastante o vendedor, seja ele quem for. Chega, pede licença, senta-se, e ali começa expor o seu produto, as vantagens, para que serve, a durabilidade, a importância, o valor, e com essas explicações, minutos depois está vendendo à vista ou a prazo. Faz a nota, entrega os boletos, ou recebe o dinheiro, e se manda para ludibriar outro ali na frente, só com o seu jeito de conversar. 

Eu nunca soube vender nada. Se for preciso ganhar dinheiro como vendedor, com certeza, irei passar fome, e muita fome, porque não nasci para isto.

Nos anos oitenta, eu já era funcionário público estadual, mas, como a inflação não deixava ninguém ir mais além, fui obrigado sair vendendo fotos para túmulos, principalmente, para familiares que haviam perdidos os seus ente queridos.

Em frente a casa em que eu morava, aliás, reside, porque quem saiu de lá, fui eu, um senhor de nome Ivan, sendo que este leva a vida nesse ramo, de vender fotos para túmulos, e além destes, também vende pratos para inserir fotos de crianças.

Sabendo que eu andava enfrentando dificuldades financeiras o Ivan perguntou-me se eu interessava vender fotos de túmulos, afirmando-me que eu ganharia 20% em cada foto vendida. E a partir daquele momento, eu já me considerava um vendedor de fotos para túmulos.

Antes de tudo, o Ivan me deu uma aula sobre  vendas, como eu deveria procurar os meus futuros clientes, como eu tinha que usar papos e mais papos, para conseguir convencer o futuro cliente, pelo menos, naquele momento.


Terminada a aula recebi das suas mãos uma parta tipo 007, com talões, canetas, lápis, formulários para preenchimentos dos pedidos..., aliás, um  mostruário completo, para que eu apresentasse aos futuros interessados. 

Quando eu recebi a pasta fiquei tão feliz que até me considerava o verdadeiro 007, dos antigos filmes de espionagens do James Bond.

https://br.pinterest.com/explore/sean-connery-james-bond/

Mas na verdade, todo mundo quer ser vendedor, mas a profissão não quer ninguém, isto é, vendedor já nasce para aquilo. Nem todos têm esta habilidade para enganar o cliente.

Foram 16 dias tentando vender esta mercadoria, mas, infelizmente não vendi uma foto sequer. Abandonei a profissão muito antes de começar, já que eu não cheguei a vender nada, com certeza, eu nem comecei.

https://www.youtube.com/watch?v=kiZOzckjViE

Depois eu me pus a imaginar. Eu não tinha interesse de vender fotos, mas sim, andar pelas ruas de Mossoró imitando o  James Bond - o famoso "007", com aquela linda pasta em uma das mãos. E adeus fotos! 

Minhas Simples Histórias 

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TIRO DE GUERRA DE MOSSORÓ – PARTE III

Por José Mendes Pereira - (Crônica 33)

Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano:

Já se passaram 48 anos que nós fizemos a primeira marcha oficial pelo Tiro de Guerra de Mossoró.

Quem está de fora pensa que prestar serviços militares às Forças Armadas é moleza. Mas na verdade não é. Os sofrimentos são terríveis, cobranças por qualquer erro; uma palavra ou resposta dada aos superiores é preciso que sejam calculadas o tamanho e seu peso, pois poderá pagar caro por isso. 

Você, meu amigo Raimundo, foi um que não media as suas palavras, e por isso, sempre estava escalado para faxinar.

No dia 7 de Setembro de 1970,  ali, no meio das Ruas de Mossoró, nós estávamos desfilando para a população nos aplaudir. O sol escaldante nos deixou com a pele frágil no meio daquela multidão.

Passamos alguns dias treinando o que deveríamos fazer no momento da nossa entrada às ruas; quem iria seguir à frente, puxando as três turmas de atiradores; as exigências feitas pelos sargentos, às advertências para conservarmos os passos sem erros; as fardas limpas e bem passadas; os coturnos reparados pelo sapateiro, batendo os pregos...; os gorros postos às cabeças um pouco de lado, cintos com as fivelas brilhando. Estes cuidados teriam que ser cumpridos, e ai daquele que chegasse ao TG sem estas exigências.

Para o reparo geral das nossas fardas, muito agradecemos à dona Maria de Lourdes Medeiros (aqui abro um parêntese meu amigo Raimundo Feliciano, para lhe comunicar que hoje, às 10 horas desta manhã, recebi informação que dona Maria de Lourdes de Medeiros faleceu ontem em Mossoró, e que Deus a tenha em um bom lugar), zeladora da Casa de Menores Mário Negócio, que sempre teve o cuidado de examinar todo o nosso uniforme, costurando aqui e ali, porque nós vestíamos fardamentos usados pelas tropas de Natal, e geralmente, já estavam bastante surrados.

Com experiência da sofrida marcha de 7 de Setembro, no ano de 1970, fiquei tramando um jeito de me livrar do 30 de Setembro, sendo que este só é comemorado  em Mossoró.

Já bem próximo a esta comemoração, isto é 30 de Setembro, fui até ao sítio do meu pai, e lá, casualmente, fui atingido na perna (canela), por uma ponta de pau, conhecida por Estrepa cavalo, ficando um pedacinho alojado na carne, e até supurava um pouco.

Como eu planejava não marchar naquele dia não fiz tratamento e nem procurei um médico para consultá-lo, porque se eu tentasse tratar o ferimento, com certeza, o sargento Gumercindo não me liberaria daquela sofrida marcha.

Mas me enganei por completo. Um dia antes, eu fui até à presença do sargento Gumercindo para lhe apresentar o ferimento na minha perna. Mas o resultado foi negativo. Não me dispensava de jeito nenhum da marcha. 

E lá, verbalmente, ele me bateu forte, chamando-me de relaxado, manhoso, desastrado, preguiçoso, que eu deveria ter cuidado do ferimento antes, que isso sempre acontecia com certos atiradores, tentando ludibriá-los. “- Tem que marchar, do contrário, você irá para a tropa de Natal”.

No dia seguinte, lá eu estava marchando com a tropa. O sargento tinha razão. O ferimento na minha perna não era  tão grave assim. Era manha mesmo.

Minhas Simples Histórias

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LAMPIÃO E MASSILON EM MOSSORÓ


Por José Mendes Pereira - (Crônica 32)

Diz o jornalista Alexandre Gurgel que o verdadeiro nome do cangaceiro Massilon era Benevides Leite. Este, havia nascido lá pras bandas de Luís Gomes, aqui no Estado do Rio Grande do Norte.

Adquiriu um pseudônimo para si, “Massilon”, e o porquê ninguém sabe explicar. Apesar de ter se tornado cangaceiro, mas antes, era um jovem que gostava de preservar as suas amizades com os que lhe rodeavam, pois ainda não havia exposto as suas maldades contra ninguém. Os seus bons divertimentos eram: frequentar diariamente casas onde eram colocadas cartas de baralhos sobre a mesa; e gostava muito de estar presente a bares para ingerir bebidas alcoólicas, principalmente uma boa cachaça.

Massilon Leite era obcecado pela almocrevaria, trazendo algodão para Mossoró, e com os bons lucros que lhe renderam durante as suas viagens como comboieiro, transportando algodão para Mossoró, sobre o lombo de animais, posteriormente conseguiu ser proprietário de um caminhão, e, a partir daí, começou a transportar o produto no seu automóvel. Mas infelizmente, ele foi obrigado a deixar a vida de caminhoneiro, devido as estradas não ofereciam boas condições para rodar.

Certa vez, lá em Belém do Brejo do Cruz, no Estado da Paraíba, em confronto com a polícia, Massilon assassinou um soldado, e temendo ser justiçado, conseguiu fugir em direção às caatingas, e lá, se incorporou ao bando de Lampião. O tempo foi se passando, e aos poucos ele foi se tornando um homem paparicado pelo capitão.

Mais ou menos no mês de abril, ou possivelmente no princípio do mês de maio de 1927, Massilon já se sentindo um homem de confiança de Lampião, e confiante de alguns acordos feito com Décio Holanda e o coronel Isaías Arruda, ambos cearenses, fez-lhe a proposta ao rei para juntos fazerem uma invasão à Mossoró, afirmando o cangaceiro que era a maior cidade potiguar, sendo bem estruturada, com um comércio que rendia muito, e além do mais, tinha bancos com bons movimentos, e com certeza, assaltando-a, sairiam daqui com os bolsos e bornais abarrotados de dinheiro.

Mas diz ainda Alexandre Gurgel que Massilon era apaixonado por uma das filhas do prefeito Rodolfo Fernandes, e sendo astucioso, sabendo que se os seus compassas aceitassem invadir Mossoró, ataque que ele tinha plena certeza que daria certo, seria uma boa oportunidade para levá-la consigo para as caatingas do nordeste.

Mas Lampião não sabia que o maior interesse de Massilon pelo ataque a Mossoró era a paixão irresistível que ele tinha pela filha do prefeito. É claro que se ele antes tivesse tomado conhecimento desse desejo incontrolado do assecla pela moça, com certeza, não teria dado a mínima atenção às suas palavras, e nem tão pouco vindo a Mossoró.

E para que o plano de atacar a cidade potiguar desse certo, Lampião confiava em alguns bandidos que conheciam bem a região, os quais eram: Um senhor de nome Cecílio Batista mais conhecido por Trovão, que em anos remotos, havia morado na cidade de Assu, e já era dono de um currículo de maldades arquivado na delegacia de polícia, sendo por desordens. José Cesário que vulgarmente era chamado “Coqueiro”, que antes ganhava o seu ordenado mensal prestando serviços em Mossoró. Júlio Porto um dos antigos motoristas da firma algodoeira “Alfredo Fernandes”, com a alcunha de Zé Pretinho. E um dos idealizadores do ataque a Mossoró, o Massilon que não poderia estar de fora, que tinha conhecimento de todas as estradas que faziam chegar à cidade mossoroense.

O professor Romero Cardoso em: “Massilon Benevides Leite e o ódio de Décio Holanda contra Chico Pinto”, publicado em páginas do blog Sertão informado, em 17/06/2010, diz o seguinte: “Décio Holanda era genro de Tylon Gurgel, homem respeitado na região do Apodi, cujos domínios se efetivavam principalmente em Pedra da Abelha, hoje município de Felipe Guerra (RN). Cearense de Pereiro, Décio Holanda possuía hábitos e valores nada louváveis, como cultivar ódio em grau exponencial, não conseguindo perdoar desafetos ou pessoas que o desagradassem. Era vingativo ao extremo, movido por verdadeira sede de revanche. Amigo de ex-comboieiro de nome Massilon Benevides Leite, Décio Holanda foi um dos mentores que fomentaram o aliciamento de séquito de bandidos objetivando atacar Mossoró. Aurora, no Ceará, um dos redutos dominados pelo poderoso “Coronel” Isaías Arruda, foi outro ponto estratégico de apoio à empreitada que resultou na tentativa audaciosa de ataque à segunda cidade potiguar, em 13 de junho de 1927”.

Em minha humilde opinião o maior culpado da invasão à Mossoró foi o Massilon, pois se ele não a conhecesse, Lampião não teria tomado conhecimento das riquezas da cidade.

Romero Cardoso diz que o ataque à Mossoró foi previsto para ser realizado no mês de maio. Mas quando o bando de Lampião tomou direção ao Rio Grande do Norte, houve combate em Belém do Rio do Peixe, que atualmente é a cidade “Uiraúna”, no Estado da Paraíba, e lá, os resistentes estavam empiquetados na torre da igreja, que do esconderijo, conseguiram assassinar dois valiosos cangaceiros do respeitado bando de Lampião.

O rei se sentindo vencido e quase sem munição, disse aos seus comandados que seria melhor retornarem ao Ceará para a fazenda do coronel Isaías Arruda, e lá, com certeza apanhariam mais munição e armas.

Assim que os cangaceiros se prepararam com munição e armas, mesmo receoso para fazer a invasão em Mossoró, Lampião se decidiu ao duvidoso ataque. E no dia 02 de maio de 1927, a malta partiu em direção ao Rio Grande do Norte, pisando nas terras da Paraíba, limitando-se com o Ceará, em direção à cidade de Luiz Gomes, sendo esta localizada nas terras potiguar.

O respeitado bando de Lampião não se encontrava completo, pois Massilon comandava uma parte dos cangaceiros ainda no Estado do Ceará, e que antes de pisarem nas terras do Rio Grande do Norte, eles teriam que assaltarem a cidade de Apodi, sendo esta distante de Mossoró 76 km, também no mesmo Estado e no mesmo percurso.

Feito o assalto, os bandidos teriam que se juntarem a Lampião em um lugar combinado por ele, onde juntos, deveriam fazer reunião para tomarem rumo à Mossoró. E assim que se juntaram, a partir daí, começaram as desordens dos asseclas por onde passavam, e se sentindo donos das localidades, invadiam fazendas, lugarejos e cidades, roubando tudo o que encontravam no percurso. Fizeram grandes estragos com o auxílio do fogo, e prendendo aqueles que dispunham de bens materiais, e com eles aprisionados, exigiam o pagamento do resgate. É óbvio que Lampião só os soltaria se o regate fosse pago. Do contrário, seriam mortos pelas suas mãos vingativas.

Em minha opinião acho difícil que Lampião tenha anotado em sua agenda a possibilidade de algum dia atacar Mossoró, simplesmente por três razões:

1 – Lampião não era conhecedor das terras do Rio Grande do Norte, e principalmente Mossoró, que fica já próxima ao litoral;

2 – A padroeira da cidade é a Santa Luzia, e se tem informação que ele mesmo sendo facínora, era um dos seus admiradores, e com certeza, não tinha em sua mente pensamentos guardados para lutar contra ela, depredando e assassinando pessoas que viviam sob o seu olhar;

3 – É do conhecimento de muitos que Lampião dizia que era um dos seus lemas: não invadia cidades que tivessem igrejas com duas torres, é o caso da catedral de Santa Luzia.

Mas talvez, mesmo temendo isso, Lampião e o bando, juntos, fizeram reunião, no intuito de chegarem a mais desenvolvida cidade do Rio Grande do Norte. Combinaram e partiram para a grande empreitada.

Eu acredito que Lampião não era muito de confiar em coiteiros e cangaceiros, que com certeza, eram faca de dois gumes. Mas caiu nessa, de ter ouvido a conversa de Massilon.

E já decidido, partiu com a sua saga para a perigosa invasão, sendo os bandos comandados por: Benevides Leite, o Massilon, José Leite de Santana, o Jararaca, Sabino Gomes, e o cangaceiro Vinte e Dois; mas todos eram subordinados ao estado maior, que era formado por Lampião, e Sabino Gomes.

O grupo de cangaceiros era grande, mas depois da frustrada invasão à Mossoró, a maior parte se desligou do grupo, inclusive Massilon e seu irmão Pinga Fogo, que se debandaram sem nunca mais darem notícias onde estavam morando.

(Há um vago comentário que após a invasão de Mossoró, Massilon foi embora para Goiás, e posteriormente para São Paulo. Nos anos 50, ele foi visto no nordeste, sendo dono de um caminhão novo, e com motorista particular. Mas essas informações não foram reconhecidas pelos grandes escritores e pesquisadores).

Os facínoras entraram pela cidade de São Sebastião

No dia 12 de junho do mesmo ano, o bando de Lampião invadiu a cidade de São Sebastião, atualmente Governador Dix-Sept Rosado, esta distante de Mossoró 34 km, e como um estágio, se preparando para a tão falada invasão à Mossoró, lá, o bando humilhou os moradores, deixando-os intranquilos, saqueando os objetos valiosos. E, além disso, fizeram uma vítima, sendo esta, indefesa.

Os cangaceiros apoderaram-se da estação ferroviária, cortaram os fios do telégrafo e dominaram a cidade por completo, fazendo com que os moradores abandonassem as suas residências e tomassem destinos às matas para se protegerem dos absurdos dos facínoras.

Ao entrar nas terras mossoroense Lampião imaginou desistir de fazer a invasão. Mas já que com tanta dificuldade havia colocado os pés nas terras do município potiguar, resolveu atacá-la. E sem mais pensar, enviou um bilhete ao prefeito, este escrito pelas mãos de um dos prisioneiros, Antonio Gurgel do Amaral, que foi obrigado a escrevê-lo, usando as palavras de Lampião.

"Meu caro Rodolfo Fernandes.

Desde ontem estou aprisionado do grupo de Lampião, o qual está aquartelado aqui bem perto da cidade. Manda, porém, um acordo para não atacar mediante a soma de 400 contos de réis. Penso que para evitar o pânico, o sacrifício compensa, tanto que ele promete não voltar mais a Mossoró..."

Ao receber o bilhete de Lampião levado à sua casa através de um dos compassas do facínora, Rodolfo Fernandes mandou pelo capanga uma bala embrulhada num papel. E ao entregá-la, disse-lhe que dissesse ao capitão Lampião que ele não mandasse ninguém. Ele mesmo entrasse na cidade, e viesse pessoalmente contar a quantia solicitada.

Ao chegar ao local em que eles estavam arranchados, lá para as bandas do Saco, atualmente bairro Belo Horizonte, em Mossoró, Lampião perguntou ao mensageiro o que havia dito o prefeito. O mensageiro retirou de seu bornal uma bala enrolada num papel e o entregou, dizendo-lhe que Rodolfo Fernandes havia mandado lhe dizer que ele mesmo entrasse na cidade e fosse pessoalmente apanhar a quantia solicitada.

Lampião ao receber o provocante recado e se sentindo desconsiderado, disse que o prefeito estava mesmo o provocando, e iria mostrar aquele cabra safado que ou rindo ou chorando, ele entregaria o valor solicitado. E ainda disse que não queria menos. Só aceitava a quantia solicitada.

Com esse desrespeito do prefeito Rodolfo Fernandes com Sua Majestade, ele sentiu que a coisa não era de brincadeira, e viu que as chances de sair de Mossoró vitorioso, seriam impossíveis. Mas como já havia cutucado o cão com uma vara curta, não desistiria mais da invasão.

Conta Alexandre Gurgel que para decepção de Lampião, o prefeito havia organizado um grupo de defensores, composto por policiais e civis. Não tendo aonde se alojarem para protegerem Mossoró e se protegerem dos estilhaços de balas, que com certeza, a guerra iria acontecer, os combatentes se valeram de São Vicente, pedindo-lhe que o perdoasse, mas cedesse a sua igreja para dar início ao combate. Alojaram-se nos prédios, estação ferroviária, no cemitério e na torre da igreja São Vicente, onde lá, serviu de esconderijo para muitos homens armados.

Como não chegou em suas mãos confirmação do envio da quantia solicitada, ao meio dia e meia Lampião escreveu o segundo e último bilhete, e novamente incumbiu o capanga para que o levasse às mãos do prefeito. E já irado, disse que se não fosse atendido a segunda solicitação através do bilhete, com certeza, iria fazer uma devastadora invasão, e não se responsabilizaria pelos estragos.

"Estando eu aqui pretendo é drº (dinheiro). Já foi um a viso, ai pª (para) o Senhores, si por acauso rezolver mi a mandar, será a importança que aqui nos pedi. Eu envito de Entrada ahi porem não vindo esta Emportança eu entrarei, ate ahi penço qui adeus querer eu entro e vai aver muito estrago, por isto si vir o drº (dinheiro) eu não entro ahi, mas nos resposte logo.

Capm. Lampião".

Mas o prefeito zeloso com a sua função, e amante de Mossoró, achando que Lampião queria tomar valores na força e na bala, não aceitou as suas solicitações, e a partir daquela hora em diante, Mossoró ficaria sob o comando de Deus, pois seria o que Deus quisesse.

Agora sim, data de 13 de junho de 1927. Finalmente Mossoró teve a infelicidade de receber a majestade Lampião, entrando pela comunidade do Saco, e veio depredando o que encontrava na sua frente.

Como segurança para ele e o seu bando fez como prisioneiros dois senhores de nomes: Pedro José e Azarias Sobreira. E para conservá-los vivos, pediu como adiantamento sete contos de réis. Caso não fosse atendido o seu pedido, os dois iriam passar pelas suas mãos vingativas, executando-os.

Finalmente, às três horas da tarde Lampião e seu famoso bando aproximaram-se mais ainda de Mossoró. Os cangaceiros esconderam os reféns numa velha choupana, deixando como segurança alguns cangaceiros. Os outros deram início à caminhada até a cidade, e como proteção para que não fossem atingidos por balas lançadas por supostos atiradores, que possivelmente já haviam se posicionado para a defesa, seguiram protegidos pelos reféns da Passagem das Oiticicas.

Lá na igreja do Alto da Conceição novamente se protegeram. Mas como Lampião estava sem sorte, e para felicidade dos familiares das vítimas, principalmente os prisioneiros, por falta de cuidado por parte dos guardas de Lampião, felizmente, os reféns se ocultaram das vistas dos cabras, e se mandaram em busca de lugares seguros para que eles não mais os encontrassem.

Como a maioria das pessoas é supersticiosa com a data 13, com certeza, não estava bom para Lampião. E já se arrependera, chegando a dizer a Sabino Gomes que ele não sabia o porquê de ter ouvido a conversa de Massilon, quando o incentivou a invadir Mossoró. E ainda lhe disse: "- Cidade que tem igreja com duas torres Sabino, não é para bico de cangaceiros”.

Mas Sabino Gomes estava confiante, e o encorajou dizendo-lhe: "-Tenha paciência, capitão! Nada está perdido. A nossa vitória será após o tiroteio que não demorará mais acontecer. E tudo irá ser favorável a nós”.

Como em todo Brasil o dia 13 se comemora a data do religioso Santo Antonio, em Mossoró não é diferente, pois a invasão foi feita nesta data de junho em 1927. O dia todo, a população já havia feito a sua fogueira na intenção de homenageá-lo ao anoitecer.

Mas para atrapalhar os planos de Lampião, no final da tarde Deus mandou uma chuva fina, fazendo com que dificultasse um pouco o combate. Mas os combatentes estavam protegidos no cemitério, prédios, na estação ferroviária, e vários escondidos na igreja de São Vicente.

Enquanto o sino badalava anunciando um possível derramamento de sangue, de ambas as partes, os bandidos tentavam amedrontar os defensores com os cantares do mulé rendeira, canção que era usada por eles em todas as invasões.

E sem mais se demorarem, os cangaceiros deram início ao tiroteio, tentando como ponto de partida, invadir a casa do prefeito Rodolfo Fernandes, que esquinava com a igreja de São Vicente.

Os que ficaram na cidade estavam em pânico, pois os atiradores eram de ambas as partes. Mas muitos moradores se debandaram com as suas famílias para outras localidades. Inclusive a cidade de Areia Branca, que fica distante 76 km de Mossoró, serviu como berçário para as famílias mossoroenses, levadas em vagões do trem, autorizada pelo diretor da rede ferroviária de Mossoró, o Sr. Eduardo Galvão de Sabóia, segundo Manoel Tavares de Oliveira em: “Estrada de Ferro – Mossoró...”, coleção mossoroense.

Os cangaceiros sentindo que a cidade estava preparada com fortes combatentes deram início a uma espécie de humilhação, como: pulos em exageros, fortes berros, além de relincho e cocoricós, imitando galos, no intuito de amedrontarem os resistentes e alguns moradores que ficaram na cidade.

Cuidadosamente, vieram se protegendo pelos cantos das casas, nas ruas que dão acesso ao pátio da igreja. Mas o prefeito havia se organizado, evitando um confronto sem sucesso, e ordenou aos colaboradores voluntários que espalhassem pela cidade uma porção de areia e caixotes, além de vários fardos de algodão, que com certeza, seriam uma excelente barreira.

Conta Alexandre Gurgel que se os armamentos eram poucos, muito menos era a munição. E se caso a munição se acabasse, os resistentes findariam nas mãos dos cangaceiros, e com certeza, irados, não perdoariam, e os matariam sangrados, como era de costume Lampião matar os prisioneiros de combates.

O cangaceiro Sabino Gomes querendo ser o mais destemido, invadiu a rua sem nenhuma cobertura pelos seus companheiros. E sem muita demora, logo uma bala o alvejou, rebolando o seu enfeitado chapéu ao chão. E em seguida, outra bala o atingiu, e desta vez, deslizou nas suas perneiras.

O cangaceiro Colchete querendo imitar Sabino Gomes, atravessou a rua em busca de uma das laterais da casa do prefeito, e logo, recebeu um tiro na cabeça, já ficando pronto para os mossoroenses realizarem o seu enterro.

Jararaca que atrás caminhava, e não querendo que os mossoroenses ficassem com as riquezas do facínora assassinado, caminhou em direção ao corpo, mas foi alvejado com tiros que saíram da torre da igreja.

Um dos defensores de Mossoró que mesmo despreparado para tal fim, acertou o Jararaca no peito direito, e com o impacto da bala, foi ao chão. Mas sem demora, se levantou e saiu se protegendo como pode. Mas não levou sorte. Outro tiro recebeu, e desta vez, foi atingido na perna.

Assim como lá em Sergipe, lá na grota de Angico, no dia 28 de Julho de 1938, 11 anos antes, aconteceu em Mossoró, no dia 13 de junho de 1927, pois o cheiro de pólvora queimada e o azedume do sangue derramado ao chão dos cangaceiros, não era para qualquer um despreparado suportar sem que não tivesse um desmaio. A cidade estava desesperada. Sim senhor! Era coisa triste!

O cangaceiro Menino de Ouro também sem nenhuma cobertura, querendo ser valentão, cuidou de ir até a lateral da igreja, no intuito de atirar nos resistentes que se amparavam na torre. Mas foi atingido com um tiro certeiro na barriga. E não aguentando as dores, em seguida, ele abandonou o combate e desapareceu, fugindo para o acampamento lá no Saco.

Sabino Gomes lá baleado e perdendo muito sangue, aproximou-se de Lampião e lhe disse que em toda sua vida de bandoleiro, nunca tinha atacado uma cidade tão brava quanto era Mossoró.

Lampião arrependido, disse-lhe que um cangaceiro tão experiente quanto ele, mas mesmo assim havia caído nas informações de um aspirante de cangaceiros. E ainda lhe disse que na cidade até os santos atiravam neles. Mas mesmo sentindo que iria sair daqui derrotado, Lampião queria mais. E gritava para os seus comandados que fossem à luta e não desistissem. Era como se ele dissesse assim: “Barco perdido, bem carregado”.

Momentos depois, Sabino Gomes não passava bem, e encostou-se a Lampião dizendo-lhe que estava baleado, e precisava com urgência sair do tiroteio, pois o ferimento estava sangrando muito. E sem mais se demorar, saiu do combate se escorregando em direção à choupana. Era longe, mas mesmo assim ele conseguiu chegar.

Lá pelas tantas ouviram um apito, indicando a desistência de Lampião. E o bando disparou numa desesperada carreira com medo da violência dos nossos heróis combatentes.

Tempo depois, a maioria dos cangaceiros já se encontrava no coito. Seis cangaceiros estavam baleados. Sabino Gomes era um dos tais, mas não corria perigo de vida. Menino de Ouro sofrendo muito com o ferimento, gritava exageradamente. Mas logo cuidaram de amenizar as suas dores com um curativo preparado com pimenta malagueta. Lampião tentava acalmá-lo, mas as dores eram insuportáveis.

Assim que fizeram o curativo no Menino de Ouro montaram-se nos seus cavalos e partiram com os reféns, tomando rumo ao Ceará, amparando-se em um sítio de nome Baixa da Broca. Todos estavam pesarosos pela morte de Colchete, e o cruel Jararaca baleado que eles não sabiam o seu paradeiro. E nem Mossoró tinha conhecimento que um dos cangaceiros de Lampião se encontrava enfermo nas matas.

Jararaca baleado, foi se arrastando, seguindo os trilhos do trem e aproximou-se da ponte ferroviária. Mesmo o ferimento sangrando, enfiou-se às águas do rio, e do outro lado se escondeu numa moita, deparando-se com uns vigias que faziam serviços rotineiros.

Ao vê-los, pediu para que um deles fosse arranjar material de curativo, dizendo-lhe que trouxesse pimenta malagueta para ele esmagá-la e colocar dentro do ferimento. Ainda garantiu que quando retornasse com o medicamento caseiro, lhe pagaria pelo serviço prestado.

Na saída do vigia Jararaca apontou a arma para matá-lo, pois achava impossível que ele voltasse sem a polícia. Mas desistiu, baixando a sua maldita arma. Imaginou que o vigia poderia voltar sozinho.

O vigia incumbido da compra de medicamentos, ao sair da presença de Jararaca, em vez de ir à farmácia, foi direto ao destacamento policial. E lá, comunicou o esconderijo de um suposto cangaceiro. Meia hora depois, a polícia chegou e cercou a área. Ele foi dominado com facilidade, pois estava muito debilitado. Prenderam-no e o conduziram para a cadeia pública de Mossoró.

Lampião continuou correndo em direção ao Estado do Ceará. E em uma fazenda de nome Jucuri, distante 21 km de Mossoró, o bando prendeu um comerciante do lugar, um senhor de nome Manoel Freire, e passaram a exigir por ele uma quantia de 10 contos de réis. Caso não fosse atendido o seu pedido, o matariam. Mas logo os familiares fizeram arrecadação da quantia solicitada e entregaram ao capitão Lampião. E ao recebê-la, colocou no seu bornal e o liberou.

No dia 14 de junho do mesmo ano, Lampião e o bando chegaram ao sítio Lagoa do Rocha, lugar pertencente às terras do Estado do Ceará, onde lá pernoitaram como se nada tivesse acontecido. Neste lugar, Menino de Ouro perguntou a Lampião se já tinha saído do Rio Grande do Norte. Lampião o respondeu que sim. Ele não conseguindo mais suportar as dores causadas pelo tiro, pediu a Lampião que fosse feita a sua execução.

Lampião aceitou o seu pedido, e ordenou que um dos cabras desse-lhe o tiro de misericórdia. E assim foi feito, sendo Menino de Ouro enterrado por eles no locar.

15 de junho, entraram em Limoeiro, exigindo do vigário da cidade de nome Padre Vital Lucena, uma quantia de 2 contos de réis da população. Como foram atendidos, não fizeram desordens e nem se demoraram. E às 6;00 horas da noite, foram embora.

Vamos leitor, saber o que aconteceu com Jararaca?

Segundo o escritor e jornalista do Jornal “O Mossoroense”, Geraldo Maia, José Leite de Santana nasceu no dia 05 de maio de 1901, em Pajeú das Flores, lá no Estado de Pernambuco. De físico avantajado, de estatura mediana, moreno-escuro, e de temperamento fora do comum. E com esse tipo violento, saiu às carreiras de sua cidade, amparando-se na capital de Maceió, lá no Estado de Alagoas.

Jararaca

Nos anos vinte, do século vinte, sentou praça no exército. Mas não gostando da vida nas forças armadas, desistiu da farda para vestir as lindas e enfeitadas roupas do cangaço.

Mais ou menos no ano de 1925, antes de ser contratado pela Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia, do famoso Lampião, o José Leite de Santana mostrava a sua força e coragem pelos sertões de Pernambuco. E lá, já era alcunhado por Jararaca, e chefe de um bando de cangaceiros, que sem nenhuma piedade, eles assaltavam fazendas, comboieiros, assassinavam, incendiavam casas e depredavam o que viam pela frente.

Este, ao se incorporar ao bando de Lampião, levou em sua companhia oito asseclas, sendo já famoso por ser valente, bom atirador e lutador de faca. E com isso, fez com que Lampião o entregasse um subgrupo de cangaceiros.

Vamos leitor, assistir a execução de Jararaca?

Diz ainda o jornalista Geraldo Maia, que no depoimento baseado que Pedro Sílvio de Morais, um dos integrantes da escolta que matou o cangaceiro fez ao historiador Raimundo Soares de Brito, disse-lhe o seguinte: “- Pelas onze e meia horas da noite, de um luar claro e frio, do mês de junho, uma escolta composta de oficiais, sargentos e praças, conduziu em automóvel o bandido, dizendo que ele iria ser trancafiado na cadeia de Natal. No momento da saída, e ao dar entrada no carro, Jararaca disse que tinha deixado as alpargatas na prisão, e pediu ao comandante para mandar buscá-las, pois não queria chegar à capital com os pés descalços".

O tenente-comandante então disse que em Natal lhe daria um par de sapatos de verniz. Quando os automóveis pararam no portão do cemitério São Sebastião (Mossoró), Jararaca interrogou-os:

- Mas isto aqui é o caminho de Natal?

Como resistisse descer do automóvel, um soldado empurrando-o deu-lhe uma pancada com a coronha do fuzil.

No cemitério mostraram-lhe uma cova aberta lá num canto, e um deles perguntou-lhe:

- Sabe para que seja isso?

Saber de certeza não sei não. Mas, porém estou calculando. Não é para mim?

Agora, isso só se faz porque me vejo nestas circunstâncias, com as mãos inquiridas e desarmadas! Um gosto eu não deixo para vocês: é se gabarem de que eu pedi que não me matassem. Matem! Matem que matam, mas é um homem! Fiquem sabendo que vocês vão matar o homem mais valente que já pisou neste...

Mas o Jararaca não teve tempo de dizer o que queria. Um soldado por trás dele deu-lhe um tiro de revólver na cabeça. Ele caiu e foi empurrado com os pés para dentro da cova.

Observação: “Existem alguns textos contados diferentes do que afirmou Jararaca quando estava prestes a ser executado. Mas apenas os autores usaram sinônimos, sem fugirem do que disse Jararaca. O importante é não criar fatos diferentes do que aconteceu na hora da execução do bandido”.

Dizem os historiadores que o grupo de Lampião sofreu violenta perseguição no Estado do Ceará pelas tropas do major Moisés, dos tenentes: Laurentino, Abdon Nunes e Agripino do Rio Grande do Norte e Quelé da Paraíba.

Massilon vendo seus planos indo por água abaixo, abandonou o bando de cangaceiros. E a partir daí, os que restaram sofreram tanto que acabaram fugindo para a Bahia, aonde chegaram apenas oito companheiros famintos e esfarrapados. Foram eles:

Sobre esta imagem acima, Ivanildo Régis afirma que Ivanildo Silveira, pesquisador e colecionador do cangaço, faz a seguinte observação: “Embora a identificação dos cangaceiros da foto acima seja um tanto polêmica, consultando especialistas, é quase unânime que a legenda mais que mais se aproxima da realidade, é a seguinte: Lampião, Ezequiel, Virgínio, Luiz Pedro, Mariano, Corisco, Mergulhão e Alvoredo.
Um pouco da biografia deles:

1 - Virgulino Ferreira da Silva, “o Lampião”, ou ainda o patenteado “capitão”. Nasceu em 1898, no Estado de Pernambuco. Era filho de José Ferreira da Silva e Maria Sulena da Purificação. Depois de mais de vinte anos como chefe de cangaceiros, foi abatido juntamente com a sua rainha Maria Bonita e mais nove cangaceiros, na madrugada de 28 de julho de 1938, na grota de Angicos, lá no Estado de Sergipe. Um dos maiores líderes de cangaceiros.

2 - Ezequiel Ferreira da Silva, o Ponto Fino (irmão de Lampião); Nasceu no ano de 1908, no Estado de Pernambuco. Foi abatido no dia 23 de abril de 1931 – no tiroteio da Fazenda Touro, povoado Baixa do Boi, no Estado da Bahia, ponto conhecido como Lagoa do Mel.

3 - Virgínio Fortunato da Silva, o Moderno. Ex-cunhado de Lampião. Nasceu em 1903 e faleceu em 1936, aos 33 anos de idade.

Segundo o escritor e pesquisador do cangaço de nome Franklin Jorge, há suspeita, não comprovada, que Virgínio era da cidade de Alexandria, no Estado do Rio Grande do Norte.

Era companheiro de Durvalina, que com a sua morte ela amasiou-se com Moreno. Durvalina faleceu no dia 30 de junho de 2008. Moreno faleceu no dia 06 de setembro de 2010.

4 - Luiz Pedro do Retiro, companheiro de Neném do Ouro. Ele foi abatido juntamente com Lampião, Maria Bonita e mais oito cangaceiros, na madrugada de 28 de julho de 1938, na grota de Angicos no Estado de Sergipe. Dizem que quem o assassinou foi o policial Mané Véio.

5 - Mariano Laurindo Granja, companheiro de Rosinha. Entrou para o cangaço em 1924. Foi um dos poucos que em agosto de 1928, cruzou o Rio São Francisco, em companhia de Lampião, em direção à Bahia. Foi morto no dia 10 de outubro de 1936. Segundo Alcindo Alves em: (... – Mentiras e Mistérios de Angicos), o ataque foi entre os municípios de Porto da Folha e Garuru, região conhecida como o Cangaleixo. A pesquisadora do cangaço, Juliana Ischiara, afirma que Rosinha foi morta a mando de Lampião. Era filha de Lé Soares e irmã de Adelaide, esta última sendo companheira de Criança, e parenta próxima de Áurea, companheira de Mané Moreno. Sendo Áurea filha de Antonio Nicárcio, que era primo/ irmão de Lé Soares.

6 - Cristino Gomes da Silva Cleto, Corisco, companheiro da cangaceira Dadá. Ele foi abatido no dia 25 de maio de 1940, pelo tenente Zé Rufino, na fazenda Cavaco, em Brotas de Macaúbas, no Estado da Bahia. Dadá foi ferida e presa. Ela faleceu em 1994. Com a morte de Corisco, finalmente o cangaço foi enterrado com ele.

7 – Mergulhão foi abatido juntamente com Lampião e mais nove cangaceiros, na madrugada de 28 de julho de 1938, na grota de Angicos, no Estado de Sergipe. (Não tenho maiores informações sobre este cangaceiro).

8 - Hortêncio Gomes da Silva, o Arvoredo. – Desligou-se do bando no momento do ataque a Jaguarari, no Estado da Bahia. Fez dois meninos como reféns. Mas eles conseguiram o dominar, desarmando-o. Em seguida mataram-no a facadas. Achando que o serviço ainda não tinha sido concluído, degolaram-no e cortaram as suas mãos. Após o trabalho concluído acionaram a polícia. (Não tenho maiores informações sobre este cangaceiro).

Fontes de Pesquisas:
O cangaceiro Massilon – Por Alexandre Gurgel - 31/03/2005.
O cangaceiro Jararaca – Por Geraldo Maia.
Massilon, Délio Holanda e Chico Pinto – Por Romero Cardoso.

Pequenas e úteis informações:
Alcindo Alves, Kidelmir Dantas. José Cícero, Ivanildo Silveira, Juliana Pereira Ischiara, Franklin Jorge, Manoel Tavares, Ivanildo Régis.


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SEU GALDINO ACEITA JESUS EM UMA IGREJA EVANGÉLICA.

Por José Mendes Pereira - (Crônica 23)

As coisas não andavam bem em favor do seu Galdino. O gado estava morrendo, ovelhas, bodes, porcos, galinhas e tudo mais. E por último, seu Galdino fora roubado. Um indivíduo roubou-lhe uma boa quantia em valores que guardava no fundo do seu baú, com certeza, o diabo estava dentro da sua fazenda – assim reclamava ele.
E alguns dos seus vizinhos já haviam lhe dito que, do jeito que as coisas não estavam dando certo para ele, o bom, seria aceitar Jesus de corpo e alma, numa igreja qualquer, para expulsar os maus espíritos da sua propriedade. E ainda, opinaram que, igreja com repeito, sem dúvida, evangélica.
Mas todos aqueles que aconselharam seu Galdino para aceitar Jesus, temiam passar pela calçada de uma igreja evangélica, com medo de serem obrigados a pagarem dízimos. Muitos que aconselharam o seu Galdino a se converter, nem deviam ter dito isto, porque, nenhum deles, nunca participou de igreja evangélica.
Decidido, seu Galdino partiu em busca de uma igreja evangélica. Esteve em quase todas, e cada uma delas, tinha uma doutrina para se cumprir, isto é, diferente.
- E o que é que significa doutrina, senhor pastor João Tomah? – Perguntou seu Galdino.
- É o conjunto coerente de ideias fundamentais a serem transmitidas, ensinadas aos senhores que participam da nossa igreja, seu Galdino. - Explicava o pastor.
- Sim senhor..., e me falaram que a gente paga um tal de dízimo? – Perguntava ele meio desconfiado.
- Verdade! O dízimo é uma obrigação do membro da igreja. A própria bíblia reza isso. (Levítico 27:30, 32). O dízimo é sagrado e santo, seu Galdino.
- Sim, senhor! - Fez seu Galdino com calma.
- E vamos lá, seu Galdino, entra no tanque para eu te batizar e ver Jesus. – Dizia o pastor.
- E o senhor prendeu Jesus dentro deste tanque? E se ele morrer afogado, pastor?
O pastou apenas riu um pouco com a ignorância do seu Galdino. Em seguida, disse-lhe:
- O senhor irá ver Jesus espiritualmente, seu Galdino...
E assim, mergulhou seu Galdino no tanque. Em seguida, levantou-o puxando pelos cabelos.
- Eu já vi que o senhor é um perverso. Quase arrancou os meus cabelos!
Agora, seu Galdino é membro da igreja evangélica e batizado dentro das normas religiosas.
Mas seu Galdino ainda não sabe que, além do dízimo de 10%, tem que colaborar com mais recursos para manter a igreja de Jesus funcionando. Todas às vezes que seu Galdino frequentava a igreja, sempre tinha umas cobranças para isso e para aquilo.
Não se sabe quem foi dizer ao pastor João Tomah que seu Galdino era dono de uma fazenda, e que tinha muitos animais, inclusive, boas vacas leiteiras. Agora, por último, o pastor estava na cola do seu Galdino Borba(gato) de Mend(onça) Filho, criando mentiras, que ele era um homem de sorte, e que Deus estava de olhos nele para melhorar a sua vida, recuperar todos os seus animais que desapareceram, e até mesmo, aqueles que morreram de febre aftosa. Ainda lhe disse que o Satanás queria sair de dentro da sua propriedade, mas para sair, exigia que seu Galdino vendesse alguns bichos, e fizesse a doação da quantidade de dinheiro arrecadada à sua igreja, e depois de doada a quantia em valores, seu Galdino..., nem sabia o tamanho da riqueza que o todo poderoso lhe daria.
Seu Galdino ficou a imaginar que isso poderia ser verdade. Se ali é a casa de Deus, por que duvidar do pastor, que é ele quem é encarregado das coisas de Deus e de Jesus? E com este raciocínio, seu Galdino se rendeu mesmo, e da primeira venda que fez de gado, 5 vacas leiteiras com os seus bezerros, foram entregues ao comprador de gado, e o valor pago a ele, foi todo doado à igreja.
Meses depois, novamente, seu Galdino recebeu a visita do pastor João Tomah, com outra conversa, que ele precisava de uns valores para a compra de bancos, porque a igreja estava crescendo, e muitos fiéis assistiam os cultos em pés. E que ele era um dos fiéis que mais tinha, então ajudasse com uma boa quantia, e não se preocupasse, Deus estava preparando a sua riqueza, que Deus continuava o vendo lá de cima e benzendo o seu coração.
E de pressa, cuidou de campear o seu rebanho de gado, escolheu os melhores garrotes, deu preço ao comprador, recebendo uma quantia maior do que a primeira. E sem demora, foi às pressas entregar ao pastor. Mais uma vez, seu Galdino caiu na malha fina do pastor João Tomah.
Mas, quanto mais seu Galdino fazia pela igreja que se congregava mais os seus bens estavam diminuindo, prejuízos presentes em sua fazenda, com o gado morrendo, bichos miúdos, etc...
E inconformado com isso seu Galdino foi direto ter uma conversinha com o pastor que o recebeu em sua luxuosa mansão; móveis dos melhores, televisão de 59 polegadas, telão carro novinho na garagem... Queria saber por que os seus animais continuavam morrendo, se ele estava ajudando a igreja muito mais do que os outros fiéis, e só lhe apareciam prejuízos.
O pastor dizia que Deus estava trabalhando em seu favor, e não tivesse pressa!
- Não há vitória sem luta, seu Galdino...! Deus é onipotente e tem poder para transformar o mundo sem nenhuma recordação do passado. – Dizia-lhe o pastor João Tomah.
Seu Galdino não estava mais para acreditar naquela conversa, e marchou para a ignorância, exigindo o dinheiro que já tinha lhe dado para beneficiar a igreja.
O pastor, malandro, disse que tudo que os fiéis doavam para a igreja, não seria devolvido.
- E eu vou ficar no prejuízo, pastor João Tomah, que até o momento Jesus não fez nada em meu favor?
- Não sei se é prejuízo, seu Galdino. Eu acho que o senhor fez uma boa ação, doar valores para nossa igreja. É porque os fiéis não esperam que Deus opere sem muita pressa..., querem que os seus problemas sejam resolvidos da noite para o dia. Não é assim não, seu Galdino!
Seu Galdino calou, mas ficou resmungando por dentro de si mesmo, e em seguida, disse:
- O senhor tem razão, pastor João Tomah! – Dizia ele para que o pastor não notasse a sua intenção maldosa. Eu vou fazer uma doação de mais valores, e desta vez, será somente para o senhor, pastor João Tomah.
E despediu-se com um sorriso franco, mas somente de dentro para fora. E assim que desceu a calçada, abriu o jogo consigo mesmo:
- Eu vou preparar um presente para este pastorzinho sem vergonha, que em todo globo terrestre, ninguém ainda fez o que eu penso contra um pastor safadão.
Certo dia, iria haver um culto costumeiro, mas muito badalado. Seu Galdino mandara avisar ao pastor que, iria lhe deixar o seu presente. E lá, chegou seu Galdino com o presente para o pastor João Tomah.
O pastor ficou orgulhoso! Tinha certeza que seria uma boa quantia em dinheiro. Com certeza, seu Galdino havia se arrependido.
Alugara um carro e uma carrocinha, dizendo que pastor tem que receber presente grande e de boa qualidade. Pediu para que todos os fiéis saíssem de dentro da igreja, porque o presente era muito grande, e não queria que ninguém se machucasse na hora em que ele abrisse o pacote. E dentro da igreja, só ficou o pastor, de olhos vendados, assim exigiu ele. Ligou o carro e veio guiando em direção à porta da igreja. E nele, a carrocinha ligada ao chassi. Veio de ré e posicionou o carro no meio da porta da igreja. O presente estava coberto com papel brilhoso. Ao chegar, e olhando em direção ao pastor que permanecia sentado em uma cadeira com os olhos vendados, disse:
- Só abra os olhos quando eu ordenar, pastor João Tomah.
- Pode ficar tranqüilo, eu vou obedecer a sua ordem.
E assim que ele levantou o pano, abriu a porta, e com voz alta, gritou:
- Segura a onça, seu pastorzinho sem vergonha! A onça é sua, seu malandro!
O pastor saiu correndo dentro da igreja e a onça pega não pega. Seu Galdino apenas controlava a onça através de uma corda. Quando ela partia para abocanhar o pastor, seu Galdino puxava a corda.
Aperreado com a onça o perseguindo o pastor João Tomah subiu sobre a mesa que ficava a bíblia. E de lá, ficou aos gritos, implorando ao seu Galdino que puxasse a corda que estava no pescoço da onça.
- Não senhor! Pastor que rouba os seus fiéis merece é isso mesmo! Bicho oportunista, dizia seu Galdino, me enganando, dizendo que Jesus iria recuperar o que eu tinha perdido, malandro safado!
Os fiéis gritavam desesperadamente, pedindo a ajuda de Jesus: "- Ajuda, Jesus! Ajuda, Jesus"! E era uma correria que fazia medo ver.
Com um bom tempo que a onça tentava matá-lo, aos poucos, seu Galdino foi recolhendo a corda, conseguindo dominá-la e a colocou dentro da jaula. Em seguida, ligou o carro e foi embora, dizendo:
- Pastor que toma dos fiéis só merece isso mesmo! Ninguém no mundo, nunca fez isto com ladrões de igrejas, Eu fiz! E eu brinco! – Dizia ele em risos.
Dias depois, o pastor João Tomah foi embora do lugar sem deixar endereço e nem pista.
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ALERTA AO LEITOR E LEITORA!

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, não deixa ele te pedir desculpas, desculpa-o antes, porque faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional, você poderá ser vítima. As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão. Você pode não conduzir arma, mas o outro, quem sabe! Carregará consigo uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância.
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sábado, 3 de fevereiro de 2018

JOÃO LEODORO

Por José Mendes Pereira - (Crônica 29)

João Leodoro só, era o seu verdadeiro nome. Cearense até os poucos dentes que lhes restavam na boca. Lá das terras do José Cicero, Aurora. Meio tísico, fanhoso, amigo para todas as horas. Não aceitava malandragens; exigente às suas amizades. Ou era seu amigo, ou estava descartado do seu círculo de amizades.

Trabalhava na antiga "Comensa" de Mossoró, atualmente "Cosern", época em que Mossoró era abastecida com luz elétrica até às onze horas da noite. Depois desse horário, Mossoró se tornava um verdadeiro breu, a luz só retornava às seis horas do dia seguinte.

Certo dia, enquanto João Leodoro conversava em patotas de amigos, surgiu um assunto que ninguém quer falar. Morte. Sim senhor! Assunto que se paga para que não seja relatado em lugar nenhum. e principalmente quando  é dirigido à pessoa.

Ali, três ou quatro estavam afirmando como queriam ser lembrados após a sua morte.

O Tobias que não tinha medo da morte, assim afirmava ele, disse que queria ser lembrado pelos seus queridos amigos, da seguinte maneira: que fora um homem trabalhador, amigos de todos, religioso, não tinha sido  bonito, mas também não tinha sido dos mais feios, e dono de uma simpatia extraordinária. Rosas por todos os cantos da sala, e uma corrente para controlar a entrada das pessoas, isto é, limitada visita. E as pessoas que lhe visitassem, estivessem todas com trajes de corte, como reinado.

O Cordoniz pôs-se a dizer que queria ser lembrado pelas suas atitudes certas. Havia amado e fora também amado. Jamais tinha negado um pão  àqueles que eram necessitados. E em sua volta, uma porção de mulheres rezando um terço.

Outros e outros apresentaram os seus desejos como queriam que fossem lembrados.

O João Leodoro, esperto, ganancioso pela vida, cearense que adora viver, e não desejava dizer nada sobre o seu velório, foi se levantando do lugar em que havia se sentado, e caminhou em busca dos maquinários da Comensa, afirmando ele que iria abastecer o motor que fazia o gerador produzir luz.

Mas os companheiros de trabalho não o deixaram ir, sem dizer o seu desejo quando morresse. Perguntou-lhe um:

- E você, João Leodoro, o que quer que seus amigos lhe digam enquanto estiverem pastorando o seu corpo?

O João Leodoro olhou para um lado, depois para o outro, e de diante de todos eles, soltou o seu desejo:

- Eu quero que quando eles estiverem olhando o meu corpo, um deles, ao me observar, solte a voz com muita alegria, dizendo: "- Ele está vivo! Ele está se levantando, gente! Olhem! Olhem! Ele não morreu, gente!".
Cearense morrer, nunca!



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COM DAVI, IRMÃO DO VAQUEIRINHO GABRIEL.

  Por Rangel Alves da Costa Hoje (Sábado 12/09), após a Missa de Sétimo Dia, conversei alguns instantes com o irmão do Vaqueirinho Gabriel, ...