terça-feira, 30 de julho de 2019
segunda-feira, 15 de julho de 2019
SEU GALDINO LUTA COM ONÇA PRETA SOBRE O SEU CAVALO
Por José Mendes Pereira
Lutar com uma onça sobre o solo já é muito difícil para quem se habilita enfrentá-la, imagina você leitor, lutar com ela sobre um cavalo. Foi o que aconteceu com seu Galdino Borba(gato) de Mend(onça) Filho, segundo ele contou ao seu Leodoro Gusmão quando ambos estavam pescando na represa do açude que faz a divisa de suas terras.
Enquanto eles pescavam por trás da barreira do açude que pertence a ambos, e em um momento que se dirigiram ao rancho para prepararem panelas com peixes frescos, seu Galdino estava disposto a contar ao compadre Leodoro Gusmão como aconteceu o ataque de uma onça preta, e como ele se livrou das suas garras que tentavam devorá-lo, enquanto caminhava para casa em seu cavalo. E assim seu Galdino iniciou a sua história dizendo:
- Foi numa sexta-feira santa à tarde que eu saí de casa para caçar alguns preás, e caso eu os pegasse não iria matá-los, e sim, criá-los em um viveiro que eu havia feito para reproduzirem, e assim que a criação aumentasse, eu a soltaria dentro da macambira nas terras do meu pai, só para não ver este animal desaparecer das nossas caatingas compadre Leodoro, porque ultimamente, a caça aos preás tem sido exagerada. O "IBAMA" que é responsável para protegê-los parece que nada tem feito em seu favor, mas devemos reconhecer que o Rio Grande do Norte é muito extenso e o número de funcionário éstá de restro a fim, porque os que morrem e se aposentam as vagas que ficam não são preendhidas.
- É verdade, compadre Galdino! Têm muitos animais por aí que ainda estão sem proteção. A caça é constante a eles, e se o governo não procurar contratar mais funcionários para preencher as vagas que ficam o "IBAMA" não tem condições de prender os responsáveis pela matança com urgência, e assim, muitos animais irão desaparecer nas próximas décadas. - Disse seu Leodoro.
- É isso mesmo que o senhor me diz..., bom, eu caminhava tranquilo montado no meu cavalo, e nem me lembrava de onça. De repente, ouvi um quebrar de matos, mas isso eu imaginava que era meio longe de onde eu ia caminhando. Com um tempinho não mais ouvi. E como nada de estranho segui a estrada despreocupado. Mas não demorou muito para eu sentir, que aparentemente, de grande porte, um animal pulou sobre a garupa do meu cavalo. E de repente tentou me abocanhar por trás do meu pescoço.
- Meu Deus! E que animal foi este que pulou sobre a garuta do seu cavalo, compadre Galdino?
- Foi uma onça preta de grande porte, e ponha porte nela. Só em vê-la, quem não tem costume de lutar com onça, já se treme...
- O que me chama a atenção é que o senhor estava sobre o cavalo e mesmo assim, ela atacou. - Atalhou seu Leodoro Gusmão.
- Sim senhor! Mas eu fui mais ligeiro do que ela. Quando eu senti as suas presas tentando agarrar o meu pescoço e para eu não morrer pelas patas da danada, a minha primeira diligência foi me virar em sua direção e ficar em pé, sobre o cavalo, tentando segurar as suas patas para não mais me morder e nem me ferir com as suas enormes unhas e presas.
- Que aperreio passou o senhor, compadre Galdino...!
- Nossa! - Exclamou seu Galdino.
- E o mais interessante é que todo este aperreio e luta se passaram com o senhor e a onça sobre o cavalo...
- Inhô sim! Nós dois ali sobre o cavalo lutando corpo a corpo mesmo. A sorte minha foi que ela não conseguia me segurar com firmeza, porque não tinha costume de andar a cavalo, e muito menos lutar sobre ele.
- E como foi que terminou a luta do senhor com a onça?
- Devido eu ter castigado dando-lhe bastantes murros em sua fuça e olhos ela perdeu um pouco a sua visão e findou caindo do cavalo. Eu que não tenho nada de besta, firmei-me sobre a sela do cavalo e foi a partir daí que o cavalo e eu fizemos carreira em busca de casa. Eu fui embora, mas não foi com medo dela não senhor. Eu fui porque eu não queria mais judiar com ela.
- E depois disso, como ficou o cavalo de tanto correr com vocês sobre ele?
- Compadre Leodoro, quando terminou a nossa luta e saímos às pressas do lugar onde isto aconteceu eu vi que ele ficou cansado, de boca aberta, babando. mas é isso aí!
- Eu me orgulho de ter um compadre e vizinho assim, corajoso e que faz qualquer onça correr quando o senhor disputa...
- Compadre Leodoro - atalhou seu Galdino - eu tenho certeza que nasci mesmo para ser domador de leões, mas como eu não tive oportunidade, perdi a vez de ser uma grande estrela em picadeiro de circo.
Assim que terminaram a pescaria seguiram para casa. E ao se separarem, isto é cada um para sua casa seu Leodoro dizia consigo mesmo: "Mas que compadre mentiroso".
Enquanto isso, já bem próximo de casa, seu Galdino dizia: "Talvez ele diz que é mentira o que eu contei. Pense o que quiser, velho corno!
Enquanto eles pescavam por trás da barreira do açude que pertence a ambos, e em um momento que se dirigiram ao rancho para prepararem panelas com peixes frescos, seu Galdino estava disposto a contar ao compadre Leodoro Gusmão como aconteceu o ataque de uma onça preta, e como ele se livrou das suas garras que tentavam devorá-lo, enquanto caminhava para casa em seu cavalo. E assim seu Galdino iniciou a sua história dizendo:
- Foi numa sexta-feira santa à tarde que eu saí de casa para caçar alguns preás, e caso eu os pegasse não iria matá-los, e sim, criá-los em um viveiro que eu havia feito para reproduzirem, e assim que a criação aumentasse, eu a soltaria dentro da macambira nas terras do meu pai, só para não ver este animal desaparecer das nossas caatingas compadre Leodoro, porque ultimamente, a caça aos preás tem sido exagerada. O "IBAMA" que é responsável para protegê-los parece que nada tem feito em seu favor, mas devemos reconhecer que o Rio Grande do Norte é muito extenso e o número de funcionário éstá de restro a fim, porque os que morrem e se aposentam as vagas que ficam não são preendhidas.
- É verdade, compadre Galdino! Têm muitos animais por aí que ainda estão sem proteção. A caça é constante a eles, e se o governo não procurar contratar mais funcionários para preencher as vagas que ficam o "IBAMA" não tem condições de prender os responsáveis pela matança com urgência, e assim, muitos animais irão desaparecer nas próximas décadas. - Disse seu Leodoro.
- É isso mesmo que o senhor me diz..., bom, eu caminhava tranquilo montado no meu cavalo, e nem me lembrava de onça. De repente, ouvi um quebrar de matos, mas isso eu imaginava que era meio longe de onde eu ia caminhando. Com um tempinho não mais ouvi. E como nada de estranho segui a estrada despreocupado. Mas não demorou muito para eu sentir, que aparentemente, de grande porte, um animal pulou sobre a garupa do meu cavalo. E de repente tentou me abocanhar por trás do meu pescoço.
- Meu Deus! E que animal foi este que pulou sobre a garuta do seu cavalo, compadre Galdino?
- Foi uma onça preta de grande porte, e ponha porte nela. Só em vê-la, quem não tem costume de lutar com onça, já se treme...
- O que me chama a atenção é que o senhor estava sobre o cavalo e mesmo assim, ela atacou. - Atalhou seu Leodoro Gusmão.
- Sim senhor! Mas eu fui mais ligeiro do que ela. Quando eu senti as suas presas tentando agarrar o meu pescoço e para eu não morrer pelas patas da danada, a minha primeira diligência foi me virar em sua direção e ficar em pé, sobre o cavalo, tentando segurar as suas patas para não mais me morder e nem me ferir com as suas enormes unhas e presas.
- Que aperreio passou o senhor, compadre Galdino...!
- Nossa! - Exclamou seu Galdino.
- E o mais interessante é que todo este aperreio e luta se passaram com o senhor e a onça sobre o cavalo...
- Inhô sim! Nós dois ali sobre o cavalo lutando corpo a corpo mesmo. A sorte minha foi que ela não conseguia me segurar com firmeza, porque não tinha costume de andar a cavalo, e muito menos lutar sobre ele.
- E como foi que terminou a luta do senhor com a onça?
- Devido eu ter castigado dando-lhe bastantes murros em sua fuça e olhos ela perdeu um pouco a sua visão e findou caindo do cavalo. Eu que não tenho nada de besta, firmei-me sobre a sela do cavalo e foi a partir daí que o cavalo e eu fizemos carreira em busca de casa. Eu fui embora, mas não foi com medo dela não senhor. Eu fui porque eu não queria mais judiar com ela.
- E depois disso, como ficou o cavalo de tanto correr com vocês sobre ele?
- Compadre Leodoro, quando terminou a nossa luta e saímos às pressas do lugar onde isto aconteceu eu vi que ele ficou cansado, de boca aberta, babando. mas é isso aí!
- Eu me orgulho de ter um compadre e vizinho assim, corajoso e que faz qualquer onça correr quando o senhor disputa...
- Compadre Leodoro - atalhou seu Galdino - eu tenho certeza que nasci mesmo para ser domador de leões, mas como eu não tive oportunidade, perdi a vez de ser uma grande estrela em picadeiro de circo.
Assim que terminaram a pescaria seguiram para casa. E ao se separarem, isto é cada um para sua casa seu Leodoro dizia consigo mesmo: "Mas que compadre mentiroso".
Enquanto isso, já bem próximo de casa, seu Galdino dizia: "Talvez ele diz que é mentira o que eu contei. Pense o que quiser, velho corno!
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sábado, 6 de julho de 2019
QUEM TINHA MAIS CORAGEM NO QUE SE REFERE À TRAIÇÃO, O CANGACEIRO CONQUISTADOR, OU A CANGACEIRA CONQUISTADA?
Por José Mendes Pereira
Muito difícil de uma explicação, porque o risco que corria o pau, corria o machado, mas, se analisarmos bem direitinho, a cangaceira conquistada era mais corajosa do que o cangaceiro conquistador.
No mundo cangaceiro do Nordeste Brasileiro os pesquisadores e escritores registraram algumas traições de cangaceiras, e até hoje, não se sabe o porquê de suas traições, vez que elas sabiam que no livro de código criado pelo proprietário da “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia”, o rei do cangaço e respeitado capitão Lampião, a mulher, de forma alguma, podia trair o seu companheiro, enquanto estivesse fazendo parte da sua empresa. Se desrespeitasse o código da empresa, seria severamente punida, e a punição, nada mais era ser assassinada pelo seu companheiro, ou pelos seus colegas que pertenciam à empresa.
Tenho notícias de algumas traições de cangaceiras e findaram sendo mortas pelos seus companheiros. Uma delas foi a Lili.
Segundo o escritor Alcino Alves Costa - http://cariricangaco.blogspot.com.br/2012/01/existia-amor-no-cangaco-por-alcino.html - após ser companheira de Lavandeira e de Mané Moreno, a caboclinha do Juá, lá na vastidão do Raso da Catarina, se acamaradou com o temido cangaceiro Moita Braba. Mesmo assim, sabendo que seu companheiro era portador de uma periculosidade extremada, Lili não temeu em coabitar com o cangaceiro Pó-Corante. Eis que um dia ao retornar de mais uma razia, ao chegar ao coito, Moita Braba encontrou a sua Lili nos braços de Pó-Corante. O desalmado cangaceiro não pestanejou, puxou sua arma e disparou vários tiros em sua infeliz e traidora companheira, matando-a instantaneamente.
Àquela vida vivida e sofrida pelas mulheres dentro dos serrados e sem liberdade fez com que algumas delas deixassem de amar os seus companheiros, e tentaram amenizar esta solidão nos braços de outros homens, assim fez a cangaceira Lídia que se apaixonou pelo cangaceiro Bem-te-vi, e vez por outra os dois escapuliam em direção às matas, pra viveram um romance amoroso, até que um cangaceiro de alcunha Coqueiro descobriu e não quis calar, revelando ao seu companheiro Zé Baiano, e sem perdão, ele a assassinou no coito a pauladas.
Um outro caso registrado foi o amor vivido pela cangaceira Cristina que era companheira do cangaceiro Português. Esta o traiu com o cangaceiro Gitirana, mas foi castigada, foi assassinada a facadas por Luiz Pedro, Candeeiro e Vila Nova.
Afirmam os historiadores que Maria de Pancada era a que mais traía o seu companheiro Pancada. Era fogosa ao estremo, e viu, gostou, já estava preparada para um novo acasalamento. Não temia um tico o seu companheiro que vivia mal-humorado. Ela não estava nem aí. Também existem informações que a dona Dulce Menezes também teria traído o seu companheiro Criança, mais isso aconteceu quando não estavam mais no cangaço.
E Maria Bonita traía o seu companheiro o rei Lampião?
Existem histórias fundidas por pessoas que não têm nenhum compromisso com a verdade, afirmando que Maria Bonita tinha caso amoroso com o cangaceiro Luiz Pedro, mas todos os remanescentes de Lampião quando eram entrevistados pelos pesquisadores, escritores, repórteres e jornalistas sobre esta possível traição, as respostas eram sempre as mesmas que: em nenhum momento Maria Bonita traiu Lampião com o cangaceiro Luiz Pedro, e muito menos com nenhum deles. E ainda respondiam que todos os cangaceiros respeitavam muito Maria Bonita. Quando falavam diretamente com ela a chamavam de dona Maria, e quando se referiam a ela, chamavam-na de dona Maria do Capitão.
Não precisa mais duvidar de quem com ela conviveu. Todos poderiam até mentirem e criarem conversas não existentes, já que ela não mais existia. Mas não! Eles respondiam só afirmando o respeito que toda cangaceirada tinha com Maria Bonita.
Durante muitos anos eu trabalhei na Escola Estadual José Martins de Vasconcelos aqui em Mossoró, com o pastor Antonio Teixeira, e que sempre ele me dizia: “O homem quando sai da casa de uma "adúltera", e se ele cheirar o colarinho da sua camisa, tem cheiro de defunto, de velório”. Não todos, mas em alguns casos, têm! É o caso destas mulheres que mesmo sabendo que a coisa poderia se tornar em mortes, defuntos, mesmo assim, elas traíram os seus companheiros.
segunda-feira, 17 de junho de 2019
PETRÓLEO EM ABUNDÂNCIA NO QUINTAL DA MINHA CASINHOLA
Por José Mendes Pereira
Se for ser humano com certeza sonhará quando está dormindo. E dizem
que até os animais sonham. E eu acho que é mais do que verdade, porque eu já vi cachorros
dormindo, e enquanto dormiam, ficavam grunhindo como se eles estivessem sonhando que estavam participando de uma grande farra de cachorrada.
Quando nós sonhamos com fatos tristes fazemos de tudo para
acordarmos, mas quando nós sonhamos com fatos bons, é uma maravilha sonhar e não importa a hora que iremos acordar, e queremos que os fatos do sonho sejam de verdade mesmo.
Eu tive um sonho que me deixou bastante feliz durante o tempo que eu sonhava, só em saber que no sonho as minhas dificuldades financeiras iriam embora de uma vez por toda, e nunca mais eu passaria por dificuldades.
Eu tive um sonho que me deixou bastante feliz durante o tempo que eu sonhava, só em saber que no sonho as minhas dificuldades financeiras iriam embora de uma vez por toda, e nunca mais eu passaria por dificuldades.
Aqui em Mossoró, nas
terras de Santa Luzia no Estado do Rio Grande
do Norte, petróleo é o verdadeiro "ouro negro", e quem tem em sua propriedade um
poço produtor deste precioso líquido, vive muito bem. Imagina
você, quem tem dois poços, três, quatro ou até mesmo vinte ou mais, como têm muitos
proprietários de terras aqui que enricaram mais ainda, depois que as suas terras deram início a uma espécie de vômito petrolífera em abundância.
Não faz muitos
anos que isso aconteceu comigo porque na casa em que resido hoje, apenas se
passaram 15 anos que eu trouxe os meus poucos pertences para nela guardá-los, mas no bairro Costa e Silva, na comunidade "Teimosos", no grande Alto de São Manoel em Mossoró, estou há mais de 30 anos, desde quando eu me estabeleci com uma serralharia. Mas antes eu morava em frente à Cohab.
Alguns meses depois de residir aqui aconteceu um fato interessante, e que este muito me deixou feliz, e ponha felicidade nisso, porque fui premiado com petróleo no meu quintal.
Alguns meses depois de residir aqui aconteceu um fato interessante, e que este muito me deixou feliz, e ponha felicidade nisso, porque fui premiado com petróleo no meu quintal.
Nessa noite,
enquanto eu dormia sonhei que eu tinha
sido premiado com uma enxurrada de petróleo em meu quintal, e o certo foi que,
no sonho eu vi tudo isso acontecendo. De repente, surgiu um som barulhento como se
fosse pressionado por uma força que vinha do subsolo, e na verdade, era mesmo, um lençol do "ouro negro" tomou de conta de uma boa
parte do terreno do meu quintal. O petróleo jorrava com muita força, e isto sem
intervalo. Agora sim, eu podia dizer que, uma boa quantia em royalties pago pela petrobras eu iria
receber mensalmente daquele poço, que acabara de nascer no pequeno terreno da minha casinhola.
Não sei quanto
tempo durou o meu sonho e posteriormente acordei por um som de verdade, algo derramando
no quintal. Assustado e acreditando que o sonho tinha se tornado realidade levantei-me da rede e fui até a uma janela que fica para o quintal onde acontecia o exagero do "ouro negro", e, mesmo na escuridão da noite,
percebi que o chão do ambiente estava
coberto por um material preto, e uma fumaça saía do meio daquilo que cobria o terreno. Vi que aquela fumaça
nada mais era do que a alta temperatura do dito "ouro negro".
No momento eu não fui até
ao quintal porque não tinha como passar. A janela era protegida por um
pega-ladrão, e mesmo assim, eu não podia passar para a rua, ainda era muito
cedo da madrugada, e não era aconselhável eu abrir o portão da garagem. Quem sabe, se eu tivesse aberto o portão e de repente um ou dois bandidos aparecesse na minha frente? Ali,
fiquei aguardando que o dia clareasse para ver o que eu tinha ganhado naquela madrugada em meu
quintal.
Durante toda
minha vida eu nunca sonhei ter boas condições um dia, porque venho de família que, se um tirar uma muda de roupa o outro logo veste, porque é naquela velha história: Se Chico tirar uma muda de roupa do corpo, Mané veste. Mas nesta madrugada,
mesmo acordado, eu via o que iria comprar com os meus royalties pago pela petrobras.
Trocar o meu fusquinha 77, terminar a construção da minha casinhola, comprar roupas e calçados novos para eu me apresentar às minhas turmas estudantis. Pagar o que tivesse atrasado, apesar que eu não sou muito de me endividar, mas todos nós temos luz, água, emplacamento de carro... para pagarmos.
Trocar o meu fusquinha 77, terminar a construção da minha casinhola, comprar roupas e calçados novos para eu me apresentar às minhas turmas estudantis. Pagar o que tivesse atrasado, apesar que eu não sou muito de me endividar, mas todos nós temos luz, água, emplacamento de carro... para pagarmos.
Lá pelas
tantas o sol deu sinal que já estava chegando para vitaminar todos os viventes
do planeta. Aos poucos, de fininho e lentamente os raios solares foram clareando tudo. Já que o sol estava chegando abri o portão da frente da área, e apoderei-me da chave do portão da garagem e saí à
rua. Em seguida, abri-o e aos poucos, mesmo ainda um pouco escuto, porque um poste que clareia a frente da minha cara estava com a luz queimada, fui pisando no lamaçal
quente que havia coberto todo chão.
Ali, não senti nenhum cheiro diferente, apenas eu sentia o calor do líquido em meus pés, e a fumaça tomava de conta de todo o solo. E assim que os raios do sol vieram pra mais perto da terra percebi que não se tratava de petróleo, e sim, uma porção de água misturada com pó de carvão dava impressão que era o "ouro negro. Confirmado o meu engano a minha mente caiu de vez, porque eu já havia planejado tudo, com a boa quantia de dinheiro que a petrobras iria me pagar pela produção daquele inexistente poço de "ouro negro". Se ela paga aos outros, porque não iria pagar a mim?
Ali, não senti nenhum cheiro diferente, apenas eu sentia o calor do líquido em meus pés, e a fumaça tomava de conta de todo o solo. E assim que os raios do sol vieram pra mais perto da terra percebi que não se tratava de petróleo, e sim, uma porção de água misturada com pó de carvão dava impressão que era o "ouro negro. Confirmado o meu engano a minha mente caiu de vez, porque eu já havia planejado tudo, com a boa quantia de dinheiro que a petrobras iria me pagar pela produção daquele inexistente poço de "ouro negro". Se ela paga aos outros, porque não iria pagar a mim?
Quando eu fiz
a laje da minha casinhola fui informado que eu deveria colocar entre a placa
e o concreto uma porção de carvão para isolar ecos na parte térreo. E assim eu
fiz. Comprei 100 sacos de pó de carvão. Mas como eu não havia usado todos findei espalhando no meu quintal os que sobraram, e posteriormente mandei
aterrar, porque o chão era acidentado.
O certo foi que uma canalização não
aguentou a elevada temperatura da água (em Mossoró a água que vem do subsolo para
servir à população é quentíssima, chegando a fumaçar mesmo) findou estourando e passou uma boa parte da
noite derramando água e fofando o terreno. Dessa forma, o pó do carvão que estava em baixo e bastante leve foi subindo e se misturando com a água formando um líquido preto. A água misturada com pó de carvão, e no meio da noite, quem via, com certeza iria dizer que
era petróleo.
Infelizmente, mais uma vez fui enganado, e desta vez enganado pela a água e pelo o carvão, que mesmo não tendo vidas, enganaram-me sem receio.
Quem muito gostou disso que não deu certo foi o meu amado fusquinha 77 que não saiu do meu poder.
Infelizmente, mais uma vez fui enganado, e desta vez enganado pela a água e pelo o carvão, que mesmo não tendo vidas, enganaram-me sem receio.
Quem muito gostou disso que não deu certo foi o meu amado fusquinha 77 que não saiu do meu poder.
“Para você saber mais um pouco sobre a descoberta de petróleo em Mossoró escrito pelo jornalista e historiador Geraldo Maia clique neste link: - http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/o-ouro-negro-de-mossoro-16-de-janeiro.html
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segunda-feira, 10 de junho de 2019
UM DOS PRIMEIROS PARCEIROS DE LAMPIÃO
A efêmera vida de Meia-noite
Por Joel Reis
Antônio Augusto (Feitosa ou Correia)[1], conhecido como Bagaço, natural de Olho d’Água, município de Piranhas – AL (atual Olho d’Água do Casado – AL)[2], era filho de Zé Bagaço, no qual herdou o apelido.
Quando tinha de 11 para 12 anos de idade, sua mãe, já viúva, pediu-lhe que fosse buscar legumes na roça. No caminho de volta, um rapaz o perguntou:
- Donde tu vem fedelho?
O menino se zangou com tratamento e respondeu:
- O qui você qué sabê? É da sua conta?
O rapaz também se irritou e lhe deu umas tapas. Antônio Bagaço jurou vingança:
- Isso num vai ficá assim, você vai me pagá.
Ao chegar em casa se armou com uma espingarda lazarina e disse:
- Mãe, vô ali.
Saiu a procura do Rapaz, mas só o achou por volta das 19h em uma fazenda. Estava chovendo muito, aproximou-se sorrateiramente e atirou no rapaz. Certo que o tinha matado, fugiu e foi dormir em uma casa de farinha na Fazenda Olho d’Água, do coronel Zé Rodrigues. Pela manhã um vaqueiro o encontra deitado e todo molhado, o acorda e faz diversas perguntas, o menino acaba falando do ocorrido. O vaqueiro o leva até o Coronel e conta a história.
- Menino, vou te dar uma pisa.
Aperreado, o menino revidou:
- Coroné, pelo leite que o sinhô mamou, não dê n’eu. É mió me matá qui estou satisfeito.
Então, o coronel para saber se de fato ele tinha coragem, mandou o vaqueiro pegar uma enxada e uma pá, entregou os instrumentos para o menino:
- Toma, cave sua cova.
Quando o menino já havia cavado uns seis palmos de fundura:
- Está bom, agora se prepare prá morrer.
- Tô pronto prá morrê, coroné! Agora peço que diga a minha mãe que morri como um homi e não como covarde!
- Olha que infeliz, não vou te matar, não. Mas na próxima te mato.
Ao chegar em casa, avisou à sua mãe que ia embora para não ser preso. Sem demora, saiu pelo mundo... acabou chegando em Espírito Santo – PE (atual Inajá – PE)[3], onde foi acolhido pelo velho Terto Cordeiro (Tertulino Cordeiro - da família Marcos)[4]. Por volta de 1921, surgiram questões de intriga entre os Marcos e os Quirinos. Em vista disso, já com dezoito para dezenove anos de idade, os filhos de Antônio Quirino tentaram espancá-lo, na luta saiu ferido na cabeça. Depois disso, chegou em casa, disse ao velho Terto:
- Tio! (Não era, mas assim o chamava), vô m’imbora procurar os cangaceiros.
Quando tinha de 11 para 12 anos de idade, sua mãe, já viúva, pediu-lhe que fosse buscar legumes na roça. No caminho de volta, um rapaz o perguntou:
- Donde tu vem fedelho?
O menino se zangou com tratamento e respondeu:
- O qui você qué sabê? É da sua conta?
O rapaz também se irritou e lhe deu umas tapas. Antônio Bagaço jurou vingança:
- Isso num vai ficá assim, você vai me pagá.
Ao chegar em casa se armou com uma espingarda lazarina e disse:
- Mãe, vô ali.
Saiu a procura do Rapaz, mas só o achou por volta das 19h em uma fazenda. Estava chovendo muito, aproximou-se sorrateiramente e atirou no rapaz. Certo que o tinha matado, fugiu e foi dormir em uma casa de farinha na Fazenda Olho d’Água, do coronel Zé Rodrigues. Pela manhã um vaqueiro o encontra deitado e todo molhado, o acorda e faz diversas perguntas, o menino acaba falando do ocorrido. O vaqueiro o leva até o Coronel e conta a história.
- Menino, vou te dar uma pisa.
Aperreado, o menino revidou:
- Coroné, pelo leite que o sinhô mamou, não dê n’eu. É mió me matá qui estou satisfeito.
Então, o coronel para saber se de fato ele tinha coragem, mandou o vaqueiro pegar uma enxada e uma pá, entregou os instrumentos para o menino:
- Toma, cave sua cova.
Quando o menino já havia cavado uns seis palmos de fundura:
- Está bom, agora se prepare prá morrer.
- Tô pronto prá morrê, coroné! Agora peço que diga a minha mãe que morri como um homi e não como covarde!
- Olha que infeliz, não vou te matar, não. Mas na próxima te mato.
Ao chegar em casa, avisou à sua mãe que ia embora para não ser preso. Sem demora, saiu pelo mundo... acabou chegando em Espírito Santo – PE (atual Inajá – PE)[3], onde foi acolhido pelo velho Terto Cordeiro (Tertulino Cordeiro - da família Marcos)[4]. Por volta de 1921, surgiram questões de intriga entre os Marcos e os Quirinos. Em vista disso, já com dezoito para dezenove anos de idade, os filhos de Antônio Quirino tentaram espancá-lo, na luta saiu ferido na cabeça. Depois disso, chegou em casa, disse ao velho Terto:
- Tio! (Não era, mas assim o chamava), vô m’imbora procurar os cangaceiros.
Antônio Augusto vulgo 'Meia-Noite'
A princípio, Bagaço entrou no grupo de Antônio Porcino. Logo, conquistou notoriedade. Posteriormente, integrou-se ao grupo de Lampião, no qual foi denominado de Meia-Noite por ser de cor parda. O chefe cangaceiro nutria verdadeira admiração, em virtude que, Meia-Noite possuía extrema coragem, tendo triunfado ao seu lado em diversas ações[5].
Em agosto de 1924, Meia-Noite discutiu de maneira severa com os irmãos de Lampião; Vassoura (Livino) e Esperança (Antônio). Foram acusados de terem roubado seus Rs. 9:000$000 (9 contos de réis = 9.000 mil-réis)[6]. Lampião interveio na discussão, indenizando o valor que ele alegava ter sido subtraído por seus irmãos quando estava dormindo. Questão resolvida, o chefe cangaceiro o expulsa do bando e exige a entrega do armamento. Sem demora, Meia-Noite responde:
- Si no meio desta cabroêra tem homi, venha tomá.
Os cangaceiros presentes preferiram não tentar. Sem demora, Meia-Noite foi andando para trás com os olhos fixos nos velhos companheiros, em pouco tempo desaparece na caatinga.
No dia 18 de agosto de 1924[7], poucos dias do ocorrido, Meia-Noite foi visto atravessando o sítio Bandeira em direção ao sítio Tataíra[8], na companhia apenas de uma mulher[9]. Um olheiro avisou o coronel Zé Pereira (José Pereira Lima) que o famanaz cangaceiro se encontrava no sítio Tataíra. Com o comunicado, tratou imediatamente de organizar uma diligência, a fim de apanhar o bandoleiro.
Por volta das 21 horas, foi formado um grupo em Princesa – PB (atual Princesa Isabel – PB)[10], composto de quatro soldados da Força Pública e oito civis, marcharam 4 horas até o sítio Tataíra. Já era madrugada quando o cerco começa em duas casas, mas não o encontraram, batem na porta da terceira casa[11] (o bandoleiro estava em plena lua de mel):
- Quem é?
- É os meninos do coroné...
- Ah!... Eu não abro a minha porta prá descunhecidos... Zulmira não qué qui eu abra a porta. Ela tem medo...
- Venha dar um bocado d’água a gente...
- Num tem água, não.
- Que diabo de véia da fala fina...
Proferidas essas palavras, atento a conversa e com intuito de ganhar tempo para se equipar, o sicário enfurecido vocifera:
- Qui desaforo de seu Zé Pereira, mandá incomodá os homi essa hora, apôis vocês tão pegado cum Meia-Noite, nêgo nascido em meio de desgraça.
Sem demora, inicia o fogo contra a tropa... após uma hora de tiroteio e ofensas de ambas as partes, o cangaceiro brada:
- Canaias, o qui vocês quére, chega já. Cabra de barro num aguenta tempo.
- Vem aqui fóra, nêgo ladrão!
- Ladrão, é vocês, qui quére robá a roupa de minha muié, magote de peste!
Depois de algum tempo, o cangaceiro pede para o grupo cessar-fogo e que permitisse a saída de Zulmira, sua mulher, mas o pedido foi ignorado e o tiroteio se intensificou até amanhecer, apesar disso, o bandido volta a zombar:
- Rapaziada, vocês são de barro? Esse mangote de peste tá cum fome... Entre, venha tomá um cafezinho cum queijo de mantêga...
- O café qui nós qué é ti passá nas corda.
Em seguida, ouve-se uma voz cantada de dentro da casa sitiada:
"Si quizé sabê meu nome
Faça favô preguntá
Eu me chamo é Meia-Noite
Canário de bom lugá
Eu sou um carnêro fino
Do colo de minha Iaiá!
É Lampe, é Lampe, é Lampe
O Virgolino é Lampeão
É o dedo amolegando
Embolano pelo chão!”
No alvorecer, próximo ao local do tiroteio, as Forças comandadas pelo Tenente Manoel Benício, Tenente Francisco de Oliveira e o Sargento Clementino Furtado (Quelé) foram alertadas. Logo, reuniram o efetivo de 84 homens e rumaram para o campo de luta. Ao ouvir o clangor da corneta, berra furioso:
- Sustenta a ispingarda, canaias pôde, qui nêgo vai simbora.
Debaixo de uma saraivada de balas feriu alguns homens e também foi ferido[12], ainda assim, conseguiu escapar. A Força seguiu o rastro de sangue, porém o perdeu de vista.
Passaram-se seis dias, o Comissário de Polícia de Patos, Manoel Lopes Diniz e quatro companheiros encontraram Meia-Noite gravemente ferido. Mesmo assim, resistiu à prisão, disparando dois tiros de parabellum contra o grupo que, rapidamente revidou, e acabou matando o temido bandoleiro no auge dos seus 22 anos.
NOTAS:
[1] Nomes - Antônio Augusto Feitosa (ALMEIDA, 1926); Antônio Augusto Correia (MELLO, 2013); José Tiago (LIRA, 1990).
[2] Olho d’Água - povoado, subordinado ao município de Piranhas, posteriormente Distrito de Olho d’Água do Casado, pela Lei Estadual nº 1473, de 17 de setembro de 1949.
[3] Espírito Santo - atual Inajá – PE.
[4] Terto Cordeiro - Tertulino Cordeiro era da família Marcos.
[5] Diversas ações - As mais importantes foram: O assalto a residência de Joana Vieira de Siqueira Torres, a Baronesa de Água Branca (26.06.1922) e o ataque à cidade de Sousa - PB (27.07.1924).
[6] Rs 9:000$000 (9 contos de réis ou 9.000 mil-réis) = 9.000.000 (9 milhões de réis) - Conversão para Real = R$ 250.000 (Duzentos e cinquenta mil reais).
[7] Érico Almeida (1926), afirma que foi no final do mês de setembro de 1924.
[8] Sítio Tataíra - nos limites do município de Princesa – PB com o de Triunfo – PE. (ALMEIDA, 1926).
[9] Mulher - Alexandrina Vieira (Zumira). (DANTAS, 2018).
[10] Princesa – PB - atual Princesa Isabel - PB.
[11] Casa - Alguns autores/pesquisadores afirmam que era uma casa de farinha, outros que era uma casa velha.
[12] Ferido - em uma das pernas.
FONTES:
ALMEIDA, Érico de. Lampião: sua história. João Pessoa: Editora Universitária, 1996. [Fac-similar à edição de1926].
DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. Lampião na Paraíba: notas para a história. Natal – RN: Polyprint, 2018.
LIRA, João Gomes de. Lampião: memórias de um soldado de volante. Recife: FUNDARPE, 1990.
MACIEL, Frederico Bezerra. Lampião, seu tempo e seu reinado: II. A guerra de gerrilhas (fase de vinditas). Petrópolis - RJ: Vozes, 1985.
MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do Sol: violência e banditismo no nordeste do Brasil. 5. ed. São Paulo: A Girafa. 2011.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
terça-feira, 4 de junho de 2019
O BOBOCA E O PILANTRA
Por José Mendes Pereira
Ninguém fica imune de um pilantra. Ele acompanha todos os passos de um sujeito. Geralmente, só anda bem vestido, de boa dicção, mas existe também o que não fala interessante e nem se veste bem. Todo ladrão é pilantra, mas nem todo pilantra é ladrão. O pilantra é esperto, malandro no modo de dizer, astucioso, sem vergonha e usa a sua esperteza para se sair bem. Geralmente o pilantra não rouba nada de ninguém. Não é agressivo. Aceita qualquer reclamação com um simples gesto e com risos sarcásticos. Pelo o seu jeito de falar impressiona qualquer indivíduo, principalmente aquele que não gosta de diminuir as pessoas. Gargalha com facilidade e não duvida do que o sujeito diz. Este falcatrueiro o que quer é conhecer de perto o comportamento do indivíduo para ludibriá-lo com facilidade e levar sem roubar. O indivíduo entrega com as suas próprias mãos.
Já se passaram muitos e muitos anos que isso aconteceu comigo. Nesse tempo eu era um jovem boboca (ou continuo sendo) que havia saído da "Casa de Menores Mário Negócio". Eu era funcionário da Editora Comercial S. A. que publicava livros de escritores, orçamentos das prefeituras, notas fiscais, recibos etc). Eu entrei nela através do gráfico Manoel Flor que já era funcionários há alguns anos e que também era interno da mesma instituição. Nesse período do meu primeiro emprego ru tinha apenas 16 anos de idade.
O pilantra que eu vou o chamar de José dos Alagadiços por não mais saber o seu nome devido os longos anos que já se passaram era um bom violonista, e este residia em outra rua próxima a Almirante Barroso a que nós morávamos. Como o Raimundo Feliciano (todos o conheceram nas minhas histórias da "Casa de Menores", e que infelizmente em fevereiro deste ano de 2019, ele faleceu aos 68 anos de idade) era proprietário de um violão, e sempre nos finais de semanas, à noite, na calçada da instituição, na Almirante Barroso, nos Pereiros, Raimundo Feliciano, outros tantos e eu, ficávamos ali arranhando algumas músicas da época. Com exceção do pilantra os que ali estavam, quem mais sabia tocar violão era o Raimundo. Eu já sabia, mas nem tanto, e continuo sendo um péssimo violonista.
Como o José dos Alagadiços morava perto da instituição sempre vinha à calçada onde nós da instituição ficávamos. Lá, ele era a grande estrela, por ser o melhor violista presente. Tocava com muita facilidade e com competência "Gotas de Lágrimas" e outras músicas do Dilermando Reis. Quem é tocador de violão assim como o Ruy Lima que faz parte do nosso grupo e outros e outros conhecem muito bem músicas do Dilermando Reis, que foi um dos maiores violonistas do Brasil.
Nesse dia era um sábado, final de dezembro, e acho que o ano era 1970, e já eram mais de 12 horas quando eu saí da Editora levando comigo o meu 13º. salário, além do soldo da semana, porque a empresa nos pagávamos semanalmente.
Dinheiro no bolso saí a pé da rua Alfredo Fernandes (rua da Editora) e pequei a Rua Tiradentes que faz cruzamento com a Alfredo. Segui para o Sindicato da Lavoura onde eu estava morando. Assim que entrei na Tiradentes tirei o pacote, valor do 13º. e de cabisbaixa, mesmo caminhando, fui conferindo nota por nota.
Pela foto abaixo dá para você saber o meu trajeto até chegar em casa. Subi a calçada e continuei andando e conferindo o dinheiro, e logo fui interrompido pelo José (violonista) que acredito que ao longe, naquele momento me observava contando o dinheiro. Na minha visão, mesmo de cabisbaixa eu vi um sujeito à frente, mas como antigamente ser roubado no meio da rua e principalmente de dia era muito difícil, não liguei muito para a pessoa que me observava. Só levantei a cabeça quando ouvi a voz me dizendo:
- Contando um dinheirinho, né Mendes? -Disse-me ele de olhos arregalados ao pacote.
- É isso aí, José. - Respondi. Hoje a Editora nos pagou o 13º. salário.
- Há quanto tempo que eu não pego em um monte dinheiro assim. - Disse-me ele rindo e apresentando a falta de dentes em sua boca, porque ele era quase banguelo e ainda não tinha adquirido os outros com o protético.
E olhando em direção à praça que existe lá, isto é, em frente a este prédio da foto, lá estava uma carroça com um animal sob uma árvore, mas do outro lado da praça. E sem demora me disse:
- Mendes, Você está vendo aquela carroça? - Dizia ele apontando-a com o indicador.
- Estou.
(Os valores eu vou os criar, porque devido o tempo eu não sei mais. Só sei que era cruzeiro e não me recordo se era novo ou velho. Mas eu vou os usar como sejam reais).
- O homem está me vendendo por mil reais, só que eu não tenho o dinheiro completo. Fiz o negócio com ele, mas nesta condição, até 3 hora da tarde. Se eu não arranjar vou perder a carroça. Daria para você me emprestar 500,00 reais? Hoje à tarde vou receber 500,00 Reais dos serviços que prestei a J. P. Sousa. (J. P. Sousa era pai do Paulinho da Honda localizado à Rua José de Alencar, mas no centro da cidade. Mas aquilo era meio de me ludibriar). Assim que eu receber - continuava ele - vou deixar lá no sindicato o valor que me emprestar.
De bobo, separei a quantia e o entreguei.
- Satisfeito com a besteira do bobo, disse-me:
- Só você Mendes, poderia fazer isso por mim. Muito obrigado, cara!
Disse-me isto e não mais se demorou. Saiu às pressas afirmando que iria pagar o valor da carroça ao homem.
À tardinha aguardei a sua chegada para me pagar, mas não me apareceu. Lá para seis horas da tarde eu fui à rua Cunha da Mota nos alagadiços e igapós do bairro Pereiros onde ele morava. Mas não o vi. No dia seguinte, logo após às nove horas fui lá novamente. Mas fui informado que o José havia se separado da mulher e deu no pé. Para onde ninguém sabia.
Perdi por completo e mais um bobo nascera nos alagadiços do bairros Pereiros.
Para Cleonice Castro, Clécida Castro, Ruy Lima, Mazé Rodrigues, Analucia Gomes, Lindomar Silvsa, Danielle Hours, Edna Bezerra, Jose G Diniz, Voltaseca Volta, Solange Sol, Erineide Vieira, Janio Oliveira, Alzimar Pereira, Marcia Filardi Neliton Silva, Verluce Ferraz, Valceli Veresconde, José João Souza, Luiz Serra, Chagas Nascimento, Darlan Deily João Fernandes, José Augusto Sousa, Taisa Bezerra, Alberto Salgado Bandeira Filho, Allison Flor Lalinho, Williams Santos, Antônio Eustáquio, Eraldo Xaxa, Assis Nascimento Nascimento, Antonio Dos Santos Lima, Francisco Pereira Lima, Francisco Davi Lima, Renilson Soares, Jorge Braz, Joao Augusto Braz, Maria Da Graça Rosado de Araujo, Veridiano Dias Clemente, Ana Maria Tresse, Antonio Jose, Aretuza Simonetta de Oliveira, Margarida Santana Lopes Nascimento, Thais Fidelis, Benedito Vasconcelos Mendes, Aluísio Barros Oliveira, Susana Goretti, Agripina Silva, Lirete Rocha, Laete Vidal de Amorim, Deocele Lucena, Juh Gurgel.
Foto 1: Funcionava a Rádio Difusora, Cine Caiçara e Editora Comercial. No começo da direita da foto você ver uma parte do nome Editora. Este prédio fica, aliás uma parte porque a outra já foi substituída por prédio, de frente para o Norte.
1 - Na foto dá para você ver da direita para à esquerda o meu trajeto em direção onde eu morava. A foto é antiga, mas não me recordo se estas árvores são daquele tempo. Mas acho que não. Saindo do Caiçara pega-se a Tiradentes que fica do Norte para o Sul, mas ele é de frente para leste
2 - Quando eu saí desta rua Alfredo Fernandes entrei após o carrinho do Raimundo Confeiteiro e tomei a Tiradentes.
3 - carroça.
Imagens do google. Se eu colocar as fontes das fotos não consigo publicar este. Dá problema. e não posto.
4 - José Pereira de Souza, Lindinalva Paula e Javan Pereira.
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