terça-feira, 4 de junho de 2019

UMA TRAIÇÃO SEM LIMITE

Por José Mendes Pereira


Talvez você leitor, irá pensar que isto que segue é fictício, mas não o é, foi real. Só em ler quem conheceu a família sabe muito bem os nomes destes personagens. Vou usar nomes criados para preservar os dos infelizes que participam da história, e principalmente o nome da empresa. 

Mauro Gurgel era empregado à noite ocupando a função vigilante na empresa “Dorabela” vendedora de móveis de todos os modelos. Durante o dia fazia bicos na oficina do seu sogro Manoel Tomás ocupando a função de marceneiro, e o velho sogro o tinha como um filho. Vivia uma vida de pobre, mas era muito organizado, e tudo fazia para não deixar os seus dois filhos com menos de 4 anos fora dos padrões como pai.

A esposa Maria das Neves não era muito filé assim como costumam dizer, quando uma dona de casa não mantém o respeito na sua própria vida feminina. Vez por outra, à noite, Maria das Neves dava uma saidinha ou uma puladinha de cerca para qualquer lugar, isto sem destino, e não queria nem saber que os seus filhos pequenos ficassem sozinhos em casa. O seu maior desejo era satisfazer as suas vontades sexuais com qualquer desocupado que o encontrava por aí, bebendo, fumando e participando de forrós, onde a sanfona abria o seu fole.


O Mauro Gurgel nunca sonhou que tinha em casa uma traidora porque ele levava a vida no trabalho, principalmente à noite, e confiava bastante nela, e assim nesse modo de confiar ela o fazia de gato e sapato. Como não tinha nada a ver com isso a vizinhança nunca dissera ao Mauro Gurgel que a sua companheira o traía, e geralmente, altas horas da madrugada, quando os filhos acordavam, ficavam ali, chorando até o dia amanhecer, porque estavam sem a mãe.

Certo noite, por não andar muito sadio o Mauro Gurgel recebeu a autorização do chefe da empresa “Dorabela” para ir repousar em casa, já que se encontrava meio doente, e ao chegar, seus dois filhos estavam em soluços, porque a mãe havia saído de casa muito cedo. 

Pela manhã quando o relógio já marcava 9:00 horas do dia ela chegou em casa. O Mauro quis saber por onde andava e ela deu desculpa esfarrapada, que tinha ido à mercearia próxima de sua casa, e um sujeito a ofereceu Coca-Cola, bebeu, e ao sair de lá, não soube mais de nada. 

O Mauro acreditou desacreditando. Mas dias depois, isto foi repetido por ela, e nesse dia, assim que ele chegou pela madrugada do serviço e viu as crianças sozinhas, foi direto ao sogro, e participou do que estava acontecendo no seu casamento. 

Manoel Tomás seu sogro era um homem que gostava bastante do genro por ele não botar dificuldade em nada que o velho queria fazer ou precisava. Era como se fosse um filho que não nascera em sua casa. 

Ao saber, revoltou-se com o pouco respeito da filha com o Mauro. E sem muito pensar, foi curto e grosso, dizendo-lhe que se algum dia isto tivesse acontecido com a sua mulher e  assim que ela chegasse em casa, ele a mataria.

O Mauro Gurgel apenas ouviu o que dissera o seu sogro e no momento não lhe veio nenhum mal pensamento que um dia pudesse fazer contra a sua esposa, afinal, mesmo mantendo-se no erro, adulterando, talvez, porque ele nada sabia, apenas ela saía de sua casa para se divertir, ela era a mãe dos seus dois filhos, e não a trocaria por mulher nenhuma, o mais importante era cuidar dos filhos e fazê-los felizes, muito embora, vivendo na companhia de uma mãe que nada valia.

E aconteceu que outra noite, ao chegar, encontrou os filhos sozinhos, porque a Maria das Neves andava de bobeira pelo mundo afora. O Mauro não quis mais aguentar aquela atitude da Maria. Ficou aguardando a sua chegada. Ela nem imaginava que ele já estava em casa.  E assim que meteu a chave na porta, abriu-a, e ao entrar, foi surpreendida  por uma paulada na cabeça, caindo já pronta. 

O Mauro não esperou mais por nada. Puxou-a para livrar da porta, em seguida, fechou-a, cobriu  o corpo com um pedaço de lona para os filhos não perceberem, e cuidou de acordá-los para fugir com eles, enquanto a vizinhança não percebesse a morte que ele acabara de fazer naquele momento. E assim que preparou tudo, fechou a porta e foi-se embora, levando consigo os dois filhos. 

Dois dias se passaram e ninguém tinha notícia daquela família, principalmente das crianças que de momento a momento estavam fora da casa, brincando com bolinhas de gude em barrocas improvisadas,  e também a Maria das Neves que misteriosamente desaparecera da vizinhança.

No terceiro dia a vizinhança estava preocupada, e alguns aproximaram-se da porta da casa. E ao chegarem, perceberam que o cheiro era insuportável, e tinham plena certeza que algum vivente morrera lá dentro. E toda vizinhança se responsabilizou pelo que iria fazer. Arrombar a porta da casa para certificar o que lá dentro morrera. Aberta a porta, e ao levantarem a lona que estava sobre, viram que era o corpo da Maria das Neves. 


Feito o enterro e depois as investigações e o sumiço do esposo com os filhos, os peritos chegaram à conclusão quem havia matado a Maria das Neves. Fora morta pelo  seu próprio marido Mauro Gurgel. Depois de alguns meses ninguém sabia para onde o Mauro Gurgel tinha fugido com os seus dois filhos. 


Com o passar dos tempos o Manoel Tomás estava totalmente desorientado com a morte da filha, a ausência dos netos que nunca mais vira, e a perda da amizade do genro, porque ele era como um filho.  


Tendo conhecimento o lugar e a fazenda onde morava o genro Mauro, o assassino da sua filha, Manoel Tomás resolveu fazer uma visita aos netos, e quem sabe, ao próprio assassino da sua filha. Mas esta visita seria sem vingança, porque a única culpada do que acontecera tinha sido a sua filha a Maria das Neves. Sem ninguém saber, marcou o dia e se mandou em busca de lá.


Já eram 4 horas da tarde quando o Manoel Tomás chegou à fazenda. O Mauro estava nas obrigações de curral, porque havia perdido o emprego, e por onde andou só conseguiu ser operário de fazendas. Ali, ele estava mungindo uma faca parida de poucos dias, e ao ver o ex-sogro aproximando-se tentou correr, pensando numa possível vingança. Mas o Manoel Tomás disse-lhe:


 - Fique aí! Nada tenho para fazer contra você. O que passou, passou.  Nem arma tenho. - Dizia ele levantando a camisa. Vim apenas para rever os meus netos e mais nada. A saudade deles é grande.


Mesmo cismado o Mauro concordou no que garantira o ex-sogro, e logo o levou para casa. Os netos gêmeos já se  aproximavam dos 10 anos de idade, e lá, aconteceu o grande abraço entre netos  e avô.


Os filhos ainda não tinham conhecimento que a mãe fora assassinada. Imagina quando eles souberam que quem matou sua mãe foi o seu próprio pai.


Durante toda a noite o Manoel Tomás dormiu sob o alpendre da casa da fazenda. No dia seguinte, ambos foram ao curral para fazerem algumas obrigações. 


O Manoel Tomás pôs-se a pensar: ali, misturado com um homem que findara a vida da sua filha, e por último, ele sendo companheiro do  assassino de quem cuidou com carinho quando era pequena. Mas, imaginou que seria uma covardia vingar a morte de quem não quis ter responsabilidade, fazendo todo tipo de traições com o seu cônjuge, um grande homem e trabalhador. 


E no vai-e-vem do seu pensamento, resolveu vingar o feito. E aproximando do Mauro com um pedaço de pau derreou sobre o crânio do ex-genro, deixando-o cair sobre uma cocheira. Como ficou sozinho  no curral, fugiu às pressas levando consigo apenas a saudade dos netos, e adeus, Mauro!







  







terça-feira, 28 de maio de 2019

O SABIDO BESTA E O BESTA SABIDO

Por José Mendes Pereira
Nesse mundo do meu Deus têm sábios em abundâncias como também sabidos, mas existem mais sabidos do que sábios. Geralmente, os sábios são facilmente ludibriados pelos sabidos que os deixam de queixos caídos, se lastimando da bobeira que deram, ajudaram alguém, mas saíram perdendo.
Como eu já fiz quase de tudo para sobreviver porque sempre achei que o provérbio que diz: "quem não sabe perder não sabe ganhar"é mais do que certo, já fui enganado de várias maneiras, umas, suportáveis, outras, insuportáveis.
Quando eu era proprietário de uma serralharia tendo o nome de fantasia "Serralharia Karliano", nome de dois filhos: Adriana e Adriano, ambos com o sobre nome de Karl(a) e Karl(o) algumas vezes fui ludibriado por espertos, mas a última foi a que nunca esqueci, porque o sabido usou toda a sua astúcia para me enganar facilmente, como se eu fosse mesmo um besta qualquer. E não passei de besta, fui mesmo um bestão.
O sabido tinha mais ou menos 25 anos de idade, no máximo, moreno, cabeludo, de olhar firme, boné sobre a cabeça, com uma aparência de mente com distúrbio, mas só a aparência de besta. Chegou em minha serralharia procurando serviços, principalmente de serralheiro, segundo ele, porque ali ele já vira de cara a minha profissão, confeccionador de portões de ferro estilo simples e coloniais, grades, pega-ladrões. Era a sua profissão também, assim afirmara ele enquanto me pedia uma oportunidade, e se dizia ser apaixonado pela queima de eletrodos. Sabia fazer tudo: cortava ferros, soldava, lixava, esmerilhava para deixar as peças bem acabadas, pintava etc, assim ele mesmo se promoveu. Era um exímio conhecedor desta profissão, segundo as suas atitudes apresentadas naquele momento.
Quando eu disse que ele ficava para comigo trabalhar na serralharia abriu um riso do canto da boca ao outro. E nem foi necessário eu mandar, de imediato, deu início uma limpeza geral. O que era de ferragens espalhadas pelo chão da oficina o sábio foi recolhendo todas, e encostando-as aos pés das paredes. Diante disto, vi que eu tinha adquirido um ajudante de serralharia de primeira categoria.
Quando já havia se passado mais ou menos 10 minutos de sua permanência dentro da oficina juntando as ferragens e as colocando aos pés das paredes, de olhos dirigidos a mim, o sabido me perguntou:
- O senhor bebe?
- Já bebi, mas já se passaram mais de 15 anos que não ingiro mais bebida alcoólica.
- O senhor é fumante?
- Sou sim. - Respondi, porque eu ainda era fumante.
- O que o senhor diz sobre cigarro?
- Eu fumo, mas sei que é muito ofensivo. Arrependi-me de ter me viciado. E até existe um ditado que diz: "cigarro é uma brasa numa ponta e um imbecil na outra".
O sujeito que nem me lembro mais do seu nome caiu em risos. E com alguns segundo, disse-me:
- Eu também sou fumante..., e se não for muito incômodo de minha parte daria para o senhor me emprestar um dinheirinho para eu comprar uma carteira de cigarro?
- Lógico que sim. - Respondi sem nem imaginar qual era a sua intenção.
Procurei nos bolsos da calça uma nota de menos valor para que ele fosse comprar o cigarro, mas não a encontrei. Como eu estava com uma quantia em dinheiro para fazer compras de uns materiais e confeccionar um portão de um cliente, peguei uma nota de "Cem reais" entregando-lhe, dizendo:
- Ali vende. - Dizia eu apontando a mercearia que ficava a uma distância mais ou menos de 60 metros.
Ele de esperto pegou o dinheiro e me disse:
- Eu vou às pressas e venho correndo. É coisa rápida. Não perderei tempo. Sou homem de palavra. - Dizia-me ele com o olhar firme em minha direção.
E assim ele fez. Saiu da oficina às pressas e tomou rumo à mercearia. Eu de lá, fiquei o observando. Ele passou para o outro lado da rua, pegou a calçada e saiu às carreiras. Eu pensando que aquela carreira era pela alegria de ter arranjado um serviço para ganhar o seu sustento, enganei-me
O sujeito aproximou-se da mercearia, pisou na calçada, fingiu entrar, mas não entrou. E de lá da oficina eu acompanhava os seus movimentos. Ele também me observava. Eu ciente que ele entraria daquela vez na mercearia para fazer a compra do veneno, mas outra vez me enganei. Em vez de entrar no comércio o sujeito se mandou de rua afora olhando para trás. E logo ele desapareceu das minhas vistas, não mais o avistei, porque a esquina da rua atrapalhava eu vê-lo. E adeus, serralheiro!
Foi a primeira e última vez que eu vi aquele sujeito trambiqueiro.













segunda-feira, 27 de maio de 2019

SEU GALDINO FOI CALOURO DO CHACRINHA COM ROBERTO CARLOS

Por José Mendes Pereira
Ter sido calouro no programa "A Buzina do Chacrinha", "A discoteca do Chacrinha" e "O Cassino do Chacrinha" concorrendo com qualquer cantor nunca foi tão difícil, mas concorrer com Roberto Carlos, até hoje, somente seu Galdino Borba(gato) teve a grande e merecida honra de subir aos palcos do Chacrinha e disputar uma canção com o futuro famoso cantor da juventude o Roberto Carlos. 

Enquanto viajavam em montaria para Mossoró, em um dia de feira, seu Galdino contou ao seu Leodoro Gusmão a grande honra que teve de disputar o primeiro lugar em um dos programas do velho guerreiro Abelardo Barbosa, que era apresentador do programa "A Discoteca do Chacrinha".

No caminho seu Leodoro estava ali, montado no seu animal, lado a lado ao seu Galdino, a cada passo, e sempre  tomando cuidado para não perder nenhuma explicação feita por ele, sobre a sua participação no programa do Chacrinha. 

Seu Leodoro Gusmão querendo saber como foi que surgiu esta oportunidade de seu Galdino participar de um programa famoso que era o do Chacrinha,  perguntou-lhe o seguinte:

- Compadre Galdino, como foi que esta sua ida para cantar num programa de televisão e quem lhe convidou para chegar até ao programa do Chacrinha?

- Interessante esta sua pergunta meu compadre, e eu vou te contar do começo de tudo até o fim da minha passagem pela A Discoteca do Chacrinha". Eu desde de rapazinho que aprendi alguns acordes de violão e cantava também. Vez por outra me convidavam para tocar em aniversários, casamentos, festas de debutantes, batizados... Como eu sempre tive uma voz boa, e quando eu cantava as pessoas que me assistiam me aplaudiam muito, aconselhavam-me que eu deveria tentar participar de shows de calouros, não só nos do Chacrinha", mas em outras emissoras de televisão. Com estes incentivos me empolguei, e a partir daí, comecei a mandar cartas para os apresentadores de programas de televisão, informando o talento que eu tinha, aliás, tenho ainda que é a minha admirada voz continua firme, e ainda é como se fosse do meu tempo de jovem.

- Inhô sim! - fez seu Leodoro em tom de admiração.

- O primeiro contato que tive com o velho guerreiro Chacrinha foi quando ele me respondeu a carta, comunicando que eu deveria comparecer ao seu programa em um dia de domingo.

- Sim senhor! - Confirmou seu Leodoro atenciosamente.

- Aconteceu que no mesmo ano que eu fui chamado pelo Chacrinha para participar do seu show, a quem devo muito, porque o meu nome passou a ser conhecido no Brasil, e um dos acontecimentos mais interessante que já se passou comigo, que neste mesmo dia que eu estava lá, no programa do guerreiro, adivinha quem também está lá comigo, meu compadre!

- Não tenho a menor ideia...

- Roberto Carlos, compadre Leodoro! Ele estava lá para concorrer o prêmio de bom cantor comigo e mais outros. 

- Tenho certeza que o senhor se sentiu muito honrado...

- E ponha honra nisso! - Atalhou seu Galdino em tom de orgulho. 

- Isso é que chamo de sortudo e dono de talento! - Deu um pouquinho de corda seu Leodoro ao compadre inseparável.

- Pois bem, dizia seu Galdino, na tarde da nossa participação e apresentação no programa do Chacrinha me senti um homem famoso. Primeiro a cantar foi Roberto Carlos que foi bastante aplaudido por aquela gente que assistia as nossas apresentações. Depois, outros e outros. Em seguida, eu cantei. Fui muito aplaudido e pelos aplausos até calculei e apostava que Roberto Carlos não iria ganhar de mim. Mas me enganei. Quando o jurado veio com o resultado o primeiro lugar foi do então Roberto Carlos. Eu fiquei em segundo e os demais ocuparam os lugares seguintes. 

- O senhor ficou no segundo lugar, compadre Galdino?

- Sim senhor! Lá nos bastidores o Chacrinha me disse que quem deveria ter ficado com o primeiro lugar era eu, mas ele não tinha força para voltar atrás a classificação. O mais interessante foi que quando terminou tudo, lá se vinha Roberto Carlos me procurando. E assim que me viu, disse-me: 

- Mas cara, como tu cantas! A tua voz é extravagante e além do mais, uma brasa, mora!

- Isso é que eu chamo de sortudo, compadre Galdino! - Exclamava com admiração o seu Leodoro.

- E eu brinco, meu compadre! Tudo eu sei um pouquinho.

Quando seu Leodoro chegou em casa foi até ao estábulo soltar uma rês que por lá ficara presa. E no decorrer de sua ida dizia:

- Este meu compadre Galdino mente muito. Eu tenho uma encomenda para levar um homem que conta muitas vantagens, mas o meu compadre Galdino passa dos limites. Não dará certo levá-lo, porque quando ele começar a mentir o homem que me pediu que levasse um homem mentiroso irá me matar de peia, por ter encontrado um homem tão mentiroso como é o compadre Galdino.

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quinta-feira, 9 de maio de 2019

SEU GALDINO FALA AO SEU LEODORO SOBRE A SUA PASSAGEM NO TIME DE FUTEBOL POTIGUAR DE MOSSORÓ.

Por José Mendes Pereira


Para quem gosta de futebol a Associação Cultural e Desportiva Potiguar é conhecida "Potiguar", porque é uma associação do Estado do Rio Grande do Norte, e que a equipe faz seus jogos no único Estádio de futebol de Mossoró, o Nogueirão.

O Potiguar não é o maior time do Rio Grande do Norte, mas é um dos maiores do interior do Estado, e é merecedor da maior torcida deste. Ele foi fundado em 11 de fevereiro de 1945, resultado da fusão de dois clubes da cidade o Esporte Clube "Potiguar" e a Sociedade Desportiva Mossoró.

Em 1951, o "Potiguar" veio a conquistar seu primeiro campeonato municipal. Dequinha (que mais tarde viria a jogar pelo Flamengo e pela Seleção Brasileira) e Bira (que jogou no futebol europeu) foram os responsáveis pelas primeiras conquistas do clube. 

Seu Galdino Borba(gato) Mend(onça) foi um dos jogadores do "Potiguar", segundo afirmou ele a seu Leodoro Gusmão enquanto conversavam em uma tarde no seu curral. Mas algumas pessoas não respeitam seu Galdino e não querem acreditar em tudo que ele diz.

Eu, particularmente não vejo nenhum motivo  para dizer que seu Galdino Borba(gato) era um homem mentiroso. O que eu sei é que ele era um sujeito completamente polivalente. Um grande conhecedor de várias profissões, como por exemplo: agricultor, fazendeiro, vaqueiro, ourives, jogador de futebol, caçador de mel de abelha italiana e jandaíra e  principalmente, perseguidor de onças nas quebradas sertanejas. Esta última era a que ele mais entendia. Pegava onças na carreira dentro dos cerrados, e para ele, caçar onças era o seu melhor hobe. 

Seu Galdino era mais corajoso do que o tenente João Bezerra da Silva o único policial que foi capaz de matar o homem mais valente do Nordeste Brasileiro, o rei do cangaço  capitão Lampião, sua rainha Maria Bonia e mais 9 cangaceiros, todos estes eram funcionários da Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.

Sob o telhado que cobria o estábulo da sua fazenda seu Galdino e seu Leodoro Gusmão conversavam sentados em  tinas feitas de alvenaria, e o assunto bem gostoso e com muito orgulho para seu Galdino era relacionado à sua participação como titular -  jogador de futebol da "Associação Cultural e Desportiva Potiguar". 

Dizia seu Galdino ao compadre que na adolescência foi um dos melhores jogadores de futebol em campos de poeira, isto é  improvisados, e com o passar dos anos deixou os campos de poeira e conseguiu participar de campos oficiais, com regras, com traves, com bolas oficiais, com  juízes,  bandeirinhas, gandulas, mais uma enorme torcida e tudo mais. E devido o seu bom desempenho como jogador foi convidado, e posteriormente contratado para ser um atleta da equipe do "Potiguar" de Mossoró, assumindo a posição atacante, porque este clube tomara conhecimento do seu talento com bola.

Nessa equipe seu Galdino foi a grande estrela, e até hoje, depois de muitos anos que passou lá pelo "Potiguar" é lembrado por todos os jogadores e membros dali, porque ficou registrada a sua admirada participação naquele grupo. Equipe que apresentava e apresenta até hoje total eficiência. 

No primeiro jogo "Potiguar x Baraúna" ambos de Mossoró que fez como titular desta primeira equipe, contava seu Galdino ao compadre Leodoro, logo no primeiro tempo, fez 8 gols (de acordo com a regra seria goles, mas é mais usado gols), que nunca tinha acontecido em partida de futebol  do Brasil, e nem em país nenhum, um único jogador balançar a rede com 8 golse principalmente, apenas em um tempo de 45 minutos.  

Seu Leodoro Gusmão ouvia com atenção o que dizia o seu compadre Galdino Borba(gato), mesmo pigarreando, mas fingia ser irritação na garganta, como se fosse excesso de secreção acumulada. Mas na verdade, ele achava que seu Galdino estava enfeitando muito o assunto, e jamais tomara conhecimento que seu Galdino tinha jogado em times  de futebol oficiais. Mas não devia duvidar.   

Seu Galdino dizia que a bola parecia estar apaixonada por ele. Sempre ela procurava os seus pés. Quando bem olhava ela já vinha à sua direção, e quando ele apoderava-se da bola, era nesse momento que ele fazia a torcida delirar, gritando fortemente o seu nome: "- Galdino! Galdino! Galdino!". Mas isso é o que chamamos de talento. Seu Galdino nasceu para ser mesmo um atleta de campo, onde tem trave e gramado. Em algumas vezes, a bola tomava rumo diferente e caía dentro da rede. 

Em um momento seu Leodoro Gusmão quis saber o que sentia o seu coração quando a torcida delirava. E apoiando-se um pouco sobre a tina que a tempo se sentara, perguntou-lhe:

- Compadre Galdino, eu suponho que é  muito bom quando as pessoas gritam o nome da gente em tom de elogios. E com tudo isso, como ficava o seu coração nessa ocasião de delírio da torcida do "Potiguar" gritando e batendo palmas, só homenageando o seu futebol?

- Nossa! Não há coisa melhor do que ser admirado dentro de um campo de futebol ou qualquer ambiente. Eu nem sei explicar o tamanho da emoção. Mas é gratificante, compadre Leodoro.

Segundo seu Galdino na sua segunda participação na equipe "Potiguar", jogando contra o "Baraúna" local, logo no primeiro tempo, fez 11 gols.  O goleiro do "Baraúna ficou totalmente atordoado de tanto pular para evitar gols, mas não teve jeito, foi surrado com 11 lindos gols.

A galera não parava de gritar quando ele se apoderava da bola. O que era de jogadores do "Baraúna" todos corriam atrás dele. Nesse dia, até o goleiro deixou a sua trave e fez carreira para ajudar os demais membros do Baraúna. 

Teve momentos que três ou quatro jogadores abandonaram o campo e ficaram ali ao lado do goleiro. Com as mãos eles não podiam pegar a bola, mas com pés e cabeças podia evitar mais outros gols. Ele parecia que estava voando sobre o gramado. 

Dizia ele que no segundo tempo, o seu admirado desempenho, até os torcedores do "Baraúna" aplaudiam o seu futebol. Dava cada chapéu nos seus adversários, e que a plateia não segurava a sua emoção, o seu grito de admiração estava por todo campo.

Mas com tanto talento seu Galdino Borba(gato não seguiu o futebol, porque o tempo não oferecia muito dinheiro. Resolveu abandonar de uma vez por toda a carreira de jogador e ficou fazendo companhia aos pais. 

Seu Galdino foi convidado por outros times e também para participar da seleção brasileira, mas ele não aceitou. O que ele queria mesmo era ficar juntinho dos seus pais e seus conterrâneos mossoroenses.

Mais uma vantagem que seu Leodoro ouviu do seu compadre Galdino.




domingo, 21 de abril de 2019

SEU GALDINO E A COBRA SUCURI

Por José Mendes Pereira

Pegar uma cobra sucuri com as mãos não é serviço para qualquer um porque ela tem muita força, mesmo sendo um homem treinado às vezes ela é capaz de dominá-lo quando o sujeito tenta capturá-la, imagina um homem que nunca tinha tentado segurar uma cobra de pequeno porte, e pense bem de grande porte. Isso aconteceu com seu Galdino Borba(gato) quando ainda era jovem, assim contara ele ao seu compadre, amigo e vizinho de propriedade seu Leodoro Gusmão.

Contara ele que isto aconteceu quando ainda era jovem e vivia na companhia dos pais, e nesse dia estava nas águas do rio perene que passa onde os seus pais e ele moravam. Ali, ele tentava capturar alguns peixes com uma tarrafa que dias antes havia terminado de fabricá-la, e sem menos esperar, uma cobra sucuri ainda de pouca idade, surgiu de um nada nas águas, abocanhando o seu braço direito. E assim que ela segurou-o pelo braço tentou puxá-lo para o fundo das águas. Mas como ele estava bem próximo à barreira do rio ficou lutando com ela, isto é, usando toda a sua força para que a danada não submergisse nas águas juntamente com ele, porque ela faz o trabalho melhor dentro de água. Se isso tivesse acontecido não ficaria vivo, porque sem ele respirar lá em baixo, tinha como certeza a morte.

Mesmo sabendo que seu Galdino gostava de enfeitar as suas histórias e por respeitá-lo muito, seu Leodoro Gusmão não abria a boca para perguntar nada, e nem se opor sobre a história que contava ele. Ficou o tempo todo o observando, apenas com os olhos arregalados, mas respeitava e apreciava a história do compadre.

Seu Galdino dizia que a cobra tinha muita força e aos poucos ele foi a dominando, mas o corpo dela já estava todo enrolado ao seu. A intenção dela era matá-lo asfixiado, e assim iniciou enrolando o seu corpo em volta do dele. Após enrolar-se no corpo ela iniciou o aperto.

Ter amigos na praça é melhor do que dinheiro na caixa. Seu Galdino contou que onde eles moravam seu pai e ele faziam um plantio de bananeiras em uma enorme croa entre o rio. A croa era rodeada de águas por todos os lados, uma espécie de ilha. Lá, existiam muitos macacos pregos, e sempre seu Galdino tirava bananas e dava à macacada. Mas eles não viviam por ali, apenas iam vez por outra apanharem bananas que não serviam para serem vendidas.

Seu Leodoro Gusmão continuava assim como se estivesse hipnotizado com a história do seu Galdino.

Por sorte do seu Galdino a macacada apareceu no momento em que ele estava sendo asfixiado pela cobra. E assim que os macacos viram aquela situação triste do seu Galdino, sendo arroxado pela cobra e condenado a morte, os macacos se encarregaram de salvá-lo. Cada um pegou uma tora de pau, outros com pedras começaram a jogar sobre o corpo dela com toda força. Sentindo as dores no corpo causadas pelos paus e pedras, jogados pelos macacos, a cobra resolveu soltar o braço do seu Galdino que ainda continuava preso na sua boca, e ficou tentando abocanhar algum macaco, caso se descuidasse. Mas os macacos eram rápidos, e de forma alguma ela conseguiu capturar um deles.

Após uma boa surra que a cobra sofreu dos macacos - segundo seu Galdino - o seu corpo foi liberando, isto é, iniciou a desenrolada, caiu nas águas e adeus, macacada!

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quinta-feira, 21 de março de 2019

SEU GALDINO TOMA CRIANÇA DE ONÇA NEGRA

Por José Mendes Pereira

Na represa do pequeno açude que passava nos fundos das terras de seu Galdino e do seu Leodoro, nesse dia, ambos cuidavam de um plantio de melancia e jerimum, mais algumas mudas de macaxeira e mandioca. E ali, após duas horas de trabalho forçado, seu Galdino convidou o seu Leodoro para amolarem as suas enxadas, isto é, limando-as, para facilitar o corte no solo úmido, porque mesmo encharcado, estava meio duro. E enquanto eles limavam as enxadas seu Galdino lembrou de um acontecimento histórico a nível nacional, segundo ele, que em anos remotos uma família teve o desprazer de ficar sem uma criança de 9 anos, porque misteriosamente ela desapareceu dos olhares cuidadosos de toda sua família. E como a história já estava preparada em sua mente, seu Galdino iniciou contando da seguinte forma:

- Meu compadre Leodoro, a gente que é pai de família sofre muito. E principalmente quando as coisas ruins acontecem com filhos pequenos. Com pessoas já adultas, e bem adultas, a gente sente, mas não tanto. Agora, se for com criança é como se o mundo caísse todo sobre a gente.  
- É verdade compadre Galdino, o sentimento por criança é muito diferente. O adulto a gente sabe que está caminhando para o fim, e a criança está começando a viver.

- Compadre Leodoro, continuando o que eu raciocinava para lhe contar. Estava na primavera. A vegetação toda florida formava maravilhosos jardins de flores distribuídos nos campos, e muitas árvores já estavam brotando os seus rebentos. Uma família que havia chegado em Mossoró foi morar perto de onde eu morava quando me casei. O casal tinha três filhos pequenos. O mais velho tinha mais ou menos 10 anos de idade. Os outros dois cabiam dentro de um dedal. Os pais estavam morando numa propriedade de um senhor chamado Chico Néo, mas não tinham nenhum vínculo empregatícios, moravam de favores naquelas terras de rio perene. E aconteceu que numa tarde o menino mais velho desapareceu dos olhares dos pais. Foi um aperreio dos maiores já visto naquela região. Sendo ainda região que as casas eram distantes uma das outras, mas mesmo assim, de repente, o ocorrido saiu por toda vizinhança, isto é, o desparecimento do menino filho do novo morador.

- Sim senhor! – Fez seu Leodoro. Fatos tristes acontecidos com crianças compadre Galdino, mesmo não sendo filho nosso, a gente sente muito.

- É isso aí, compadre Leodoro..., Ninguém sabia o seu roteiro. Desaparecera mais ou menos 4 horas da tarde. O mundo desabou sobre aquela família. E ao saber daquele triste acontecimento a vizinhança foi solidária, e de pressa cuidou de sair à procura da criança. Um grupo de vizinhos tomou rumo ao Norte. Outro, ao Sul. Mais outro, rumo ao Leste e por último, o grupo que eu estava, tomamos rumo ao Oeste. E passamos quase a noite procurando esta criança e não a encontramos de forma algumas.

- Meu Deus! - penalizou seu Leodoro.


- O dia seguinte fizemos as mesmas procuras à criança, mas não tivemos sucesso. E assim fizemos buscas por toda mata da região durante 7 dias. Após os 7 dias de procura vimos que a criança não mais estava viva, porque por onde ela estivesse não encontraria alimentos fáceis. Talvez frutos e mais nada.


- Que infelicidade dela! - Disse seu Leodoro coçando a cabeça.


- Mas veja compadre Leodoro, o que aconteceu com 1 mês depois. Nesse período eu estava vivendo de caçar mel de (jandaíra, enchuí, Enchu, capuxu, todos conhecidos pelo matuto por estes nomes) e outras abelhas mais. Ao anoitecer desse dia, eu arrumei o meu material de caça, na intenção  de sair cedinho de casa. Machado, uma foice, uma picareta e um facão rabo de galo. 

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jumento_de_cangalha_-_panoramio.jpg

E assim fiz. Antes das 4 horas da manhã, do dia seguinte, encangalhei o meu jumento, pus os caçoas e em seguida o meu material de trabalho, mais alimento, caso eu sentisse fome. Como as matas são perigosas, porque vez por outra o sujeito é ferido por um galho, um espinhos..., sempre que eu vou à mata, levo comigo um pouco de álcool em uma garrafa, para colocar em ferimentos caso isto me aconteça, além de fósforos para fazer fogo, porque tem abelhas que são violentas no momento em que a gente inicia a retirada do mel. Com tudo pronto, me mandei de mata adentro. Lá para as tantas encontrei um enxuí. Tirei-o. Em seguida, fui entrando mais ainda na mata. 



-  O mato estava fechado, compadre Galdino? - Perguntou seu Leodoro.

- Não muito, mas não estava tão ralo assim. Pois bem..., em um lugar meio descampado, resolvi permanecer alguns minutos, para que o jumento descansasse um pouco. E olhando para frente, lá se vinha sabe quem, compadre Galdino?


- Não senhor, eu não tenho ideia do que o senhor via em sua frente. 


- Era uma onça negra que vinha lentamente caminhando, e sobre o seu lombo eu percebi que era uma criança. 


- Uma criança sobre o lombo da onça, meu compadre?!


- Isso mesmo o que o senhor ouvi. Era o menino que tinha sumido da casa do novo morador. Uma criança que todos nós da visinhança passamos dias e dias à sua procura dentro das matas.


- Mas que sorte meu compadre Galdino, a onça não comeu o menino! E o senhor fez o que para tomar a criança da onça?


- A onça ficou muito brava quando me viu. Assim como uma gata que protege os seus filhos. Claro que o menino não era nada dela, mas já fazia parte da sua amizade.


Seu Leodoro permanecia ali, quase duvidando, mas não podia dizer nada contra. Afinal, eram compadres  e se respeitavam muito. 


- Aí eu pensei. Onça tem medo de fogo. Como eu andava com o álcool para usá-lo em possíveis cortes de galhos na mata fiz tudo para que o menino descesse do lombo da onça. E assim que ele desceu, eu disse que saísse de perto, porque eu ia tocar fogo na mata. Dei uma boa seringada de álcool à direção dela. Risquei um palito de fósforos na caixa, e joguei sobre o álcool. De repente, o fogo tomou conta da mata. A onça não esperou mais por nada e se enfiou na mata, esturrando que fazia dó. E o mais interessante, foi quando a onça entrou na mata, a criança me reclamou dizendo:


- Olha o que o senhor fez! Ela já era a minha amiga!

- Meu Deus! - Fez seu Galdino. E o menino compadre Galdino, o que aconteceu com ele?


- Depois que a onça foi-se embora, levei-o para minha casa montado na garupa do meu animal, e em seguida, até a casa dos seus pais que fizeram uma das maiores festas que eu vi naquela região.


- Eu dou por vista compadre Galdino, como foi animada...

- A onça  sempre aparecia por lá, e quando me via, dizia-me:

- Seu Galdino, eu não sou pedófilo, mas cadê a minha criancinha? Eu estou com tanta saudade dela...!

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O CANGACEIRO GORGULHO.

    Por Fabio Costa Este Cangaceiro estava no grupo de Mané Moreno em Poço da Volta quando em meio ao forró foram emboscados pela volante de...