sexta-feira, 1 de março de 2019

JOÃO MALAMANHA PODERÁ SOLTAR SUAS MARRETAS (BRAÇOS) SOBRE ALGUÉM

Por José Mendes Pereira

Todos que leem as minhas simples histórias já conhecem muito bem o João Malamanha aquele que era um verdadeiro animal, grosseiro, perverso. Uma vez matara um sujeito só com um cocorote  aplicado em seu crânio, pela sua maldita e deformada mão. Outra vez, fez um sujeito beber um litro de creolina, quase de um gole só. O homem baixou hospital, mas por sorte, não morreu, porque vomitou o ofensivo líquido  de uma só vez. E outra vez, capou um sujeito por ter cantado uma de suas sobrinhas, segundo a moça dissera a ele. Quando esse chegou à casa da moça, ao estirar a mão para cumprimentá-la, disse-lhe: "-Pegue na minha". A moça sentindo-se desrespeitada contou para João Malamanha, que de imediato cuidou de encontrar o miserável, levando-o até ao matagal, e lá, fez o horroroso serviço. Mas isso foi falta de uma boa interpretação. O sujeito não dissera nada que a ofendesse. Mas cada pessoa analisa as coisas como ela pensa. 

Mas o João Malamanha foi assassinado pelo seu empregado anão Leandro, porque o obrigou a colocar um motor sobre a bancada sozinho.  Como o Leandro disse que não obedecia a ordem o João Malamanha quis matá-lo asfixiado. Mas quando tentava enforcá-lo Leandro retirou da sua cintura uma amolada e pontiaguda faca, enfiando-a no pescoço do homenzarrão. O João Malamanha só deu tempo para dar um assustador grito, e o sangue jorrou sobre peças e carros que estavam dentro da oficina, caindo sobre uns pneus  encostados a uma parede.


Apesar de ser um homem do mundo, mas sempre o João Malamanha gostava de fazer uma reserva que poderia ser até através de objetos, como carro, carroças, carro de bois etc. 

O Eurides um dos seus fregueses de oficina porque o João Malamanha era o mecânico do seu velho e surrado automóvel. Mesmo sabendo o que o João Malamanha poderia mudar de comportamento a qualquer hora o Eurides não o temia, porque nunca fizera nada e nem provocara o animal humano racional. Sendo assim, por que ter medo de um homem que jamais o desafiou? E assim, continuava sendo um meio amigo do João Malamanha. Mas todos admiravam aquela amizade meio sem graça. 

- Um dia ele irar se arrepender daquela amizade sem fundamento. - Assim diziam  alguns do bairro.

O Eurides estava necessitando de um carro de bois para fazer as suas obrigações na sua minúscula fazenda, porque um que tinha, um fogo que houve lá no meio do capinzal seco foi destruído por completo, salvando apenas a junta de bois, sorte dos bois que deu tempo para ele retirar os animais do carro. 

O João Malamanha tinha dois carros-de-bois à disposição, isto é guardados e bem guardados no quintal da sua oficina, e nem o Eurides sabia; vendo a necessidade do Eurides, ofereceu um para que trabalhasse com ele até que pudesse comprar outro.

O Eurides agradeceu e no dia seguinte apanhou o carro-de-bois levando-o para sua fazenda. 

Os dias foram se passando e não havia nenhuma necessidade de devolvê-lo ao dono, porque o trato fora feito que: o Eurides só o devolveria quando comprasse outro.

Aconteceu que certo dia o Eurides deslocou-se no carro-de-bois para fazer compras em Mossoró. Quando passou pelo rio que cortava a sua propriedade as águas apenas cobriam os pneus, mas devido uma grande chuva que caiu em toda região, quando ele voltou, tinha muita água no seu leito. O Eurides confiou que dava para passar com a junta de bois e o carro. Mas se enganara. Quando ele entrou nas águas foi surpreendido pela força da correnteza que saiu levando carro e a junta-de-bois, apenas ele conseguindo escapar da violência da correnteza. Os bois morreram afogados sem ele ter condições de nadar até alcançá-los e cortar os arreios. 

Agora o Eurides estava condenado a passar pelas mãos vingativas do João Malamanha, porque ele não perdoava certo descuido com o que era seu.

A vizinhança do Eurides já o chamava a atenção dizendo:

- Para que ter amizade com um homem tão perverso quanto o João Malamanha, Eurides?

- Eu sei que ele é um homem que muda de comportamento de momento a momento, mas mesmo sabendo o que ele poderá fazer contra a minha pessoa, eu vou contar a ele o que aconteceu com o seu carro-de-bois. Mas se ele não me matar ou me violentar eu vou vender alguns bichos meus e comprar um para ele.

Dias depois, o Eurides se benzeu todo e se abalou para informar ao João Malamanha que as águas do rio levaram o seu carro-de-bois.

O João Malamanha já sabia que o rio havia levado o seu carro-de-bois. Mas a ninguém dissera nada. Afinal, ninguém tinha nada a ver com aquilo. Era conversa para 2 homens debaterem, e não uma porção de gente fofoqueira.

Ao chegar, o Eurides encontrou o João Malamanha deitado ao chão sob um carro que no momento tentava encontrar o defeito de mecânica. O Eurides estava nervoso, mas não podia fugir daquele assunto. Tinha que participar ao perigoso homem o que acontecera com o seu carro-de-bois. E num gaguejo dos danados, iniciou dizendo:

- Seu Jooãão Malamaaanha, vim aquiii informaaar quee o seeeu carro-de-booois foiiii prooo, prooo brejo. E faça o que o senhooor quiseer fazeee comiiigo. Mas eeu nãão tenho mais o queee fazer.

- Mas por que está tão nervoso assim, Euclides? Eu já tomei conhecimento. E não tenho que fazer nada contra a você. Eu o emprestei de espontânea vontade.

- O que acoonteceu seu Malamaaanha, foi terrível. As águas  do riiio leeevaaaram ele e a miiinha juntaaa-de-booois, e o senhor faça o que quiiser comiiigo...

- Está certo. Vou fazer o que quero fazer.

O Eurides já tinha certeza que lá dentro do quintal ele iria ser assassinado pelas mão vingativas do João Malamanha. E levando até ao quintal da sua oficina, mostrou outro carro-de-bois, dizendo-lhe:

- Pega aquele outro carro e o leve para a sua fazenda. Vá trabalhar com ele. Eu sei que não foi descuido seu, porque a natureza é quem manda e não nós. O outro carro era meu, mas este daí é seu. Não precisa me devolver. Sou justiceiro para caras safados, mas um homem batalhador como o senhor eu muito agradeço a Deus por ter a chance de te ajudar. 

O Eurides o agradeceu e com o carro-de-bois continuou fazendo as suas obrigadões.  
  
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

CACIQUE "PAI CAUÊ" VAI MORRER!

Por José Mendes Pereira

Bem cedinho, antes da chegada do lençol que envolve o sol para acordá-lo o pajé Yathagan da tribo indígena Monxorós saiu de oca em oca comunicando a todos os índios que o cacique "Pai Cauê" amanhecera acamado. E com a triste notícia todos os habitantes da aldeia se levantaram das suas redes, aparentando formigueiro quando incomodado com a presença de estranhos, e cuidaram de preparar um ritual em forma de pedido a seu Deus para levantar o cacique o quanto antes possível. O ritual foi feito ao redor da aldeia. Pai Cauê pouco conversava, porque sentia uma forte dor de cabeça e um aperto no coração. O pajé Yathagan ficou o tempo todo ao redor do cacique.
Lá pela tarde o cacique deu sinal de melhora, e olhando para o pajé, disse-lhe:
- Cacique Pai Cauê quer pitar...
- Cacique Pai Cauê não deve pitar, atalhou o pajé Yathagan, está doente e poderá causar complicações piores.
- Mas cacique Pai Cauê quer pitar.
- Se o cacique Pai Cauê exige pitar, Cacique Pai Cauê vai pitar, mas pajé Yathagan não se responsabiliza por complicações que possam aparecer.
E pegando o cachimbo do cacique Pai Cauê colocou fumo, acendeu e o entregou para pitar. Cacique Pai Cauê pitou até matar o desejo de pitar.
O ritual lá por fora da aldeia continuava com todos os índios e índias dançando e fazendo os seus pedidos ao superior, para que devolvesse a saúde do cacique Pai Cauê. Ao anoitecer, toda aldeia parou as atividades.
O dia seguinte o cacique Pai Cauê amanheceu com uma pequena melhora. Mas sem escrúpulo, disse ao pajé Yathagan:
- Cacique Pai Cauê quer comer carne de tamanduá assada.
- Carne de tamanduá cacique Pai Cauê, é carregada (no sentido de causar complicações) e poderá lhe fazer mal...
- É carregado, mas para casa. - Disse cacique Pai Cauê.
- Se cacique Pai Cauê deseja comer carne de tamanduá assada cacique Pai Cauê vai comer, mas pajé Yathagan não se responsabiliza por complicações que possam aparecer.
Pajé Yathagan chamou os melhores caçadores e os mandou pegar um tamanduá pelas matas. Às pressas foram e voltaram com dois. E logo os tamanduás foram cuidados e assados nas brasas do fogão à lenha. Assim que um tamanduá foi assado pajé Yathagan o recebeu para ser entregue ao cacique Pai Cauê, mas antes lhe disse:
- Cacique Pai Cauê vai comer a carne de tamanduá, mas pajé Yathagan não se responsabiliza por complicações que possam aparecer.
No dia seguinte vendo que pajé Yathagan estava fazendo as suas vontades cacique Pai Cauê disse-lhe:
- Cacique Pai Cauê quer beijar, namorar e depois transar.
- Esta não, cacique Pai Cauê! É um dos piores pedidos para quem está doente. Mas se é isso que cacique Pai Cauê quer, cacique Pai Cauê vai beijar, namorar e transar, mas pajé Yathagan não se responsabiliza por complicações que possam aparecer.
E vendo Marinêz a índia velha do cacique Pai Cauê no meio da aldeia, Pajé Yathagan a chamou. E ao chegar, disse que cacique Pai Cauê queria beijar, namorar e transar. E lá se foi a índia velha do cacique Pai Cauê com o pajé Yathagan. Logo disse-lhe:
- Pajé Yathagan trouxe uma índia para cacique Pai Cauê beijar, namorar e transar.
Assim que cacique Pai Cauê viu a sua velha índia, disse:
- Pajé Yathagan está querendo que cacique Pai Cauê morra muito antes da hora, tendo um infarto. Esta já não mais serve para o cacique Pai Cauê. Cacique Pai Cauê quer flor nova.
- Cacique Pai Cauê pode me dizer com quem deseja ter um romance amoroso antes de morrer?
- Antes de morrer cacique Pai Cauê quer ter um romance amoroso com mulher do Pajé Yathagan...
- É isso que cacique Pai Cauê quer, é? Vou na oca chamar minha índia. Volto já.
A índia companheira do pajé era formosa, com pernas e braços torneados, sorriso e olhar atraentes, reboculosa assim como dizia o humorista coronel Ludugero, e não tinha sangue do cacique. Ela fora tomada de uma outra tribo de índios lá pela chapada do Apodi. E já que não tinha sangue do cacique Pai Cauê fez com que ele a desejasse.
Ao chegar na oca o pajé Yathagan nada disse à sua companheira Yara o que lhe dissera o cacique Pai Cauê, e apoderando-se de um facão foi até à mata para tirar umas tiras de cascas de um mororó. Ao retornar, cuidou de fazer uma trança longa. Terminado o trabalho convidou a companheira para ir visitar o cacique Pai Cauê, pois ela ainda não tinha feito a visita ao chefe índio.
E ao chegar à central administrativa do cacique Pai Cauê o pajé Yathagan disse-lhe:
- Pajé trouxe a minha índia para cacique satisfazer os seus desejos, mas antes de transar tem que levar umas boas lapadas desta trança longa. - Dizia o pajé Yathagan mostrando a trança da casca do mororó ao cacique Pai Cauê.
Ao ver o tamanho e a grossura da trança cacique Pai Cauê disse:
- Se para transar com a sua índia cacique Pai Cauê tem que apanhar primeiro pajé Yathagan, sendo assim cacique Pai Cauê prefere morrer.
Ali fez o pelo sinal completo, de lá mesmo benzeu toda aldeia, levantou-se do seu repouso, ficou em pé, e numa distração do pajé Yathagan, o cacique Pai Cauê atirou-se nas matas em gritos dizendo:
- Fiquem aí, cambada de índios!
Ainda hoje se tem notícias que cacique Pai Cauê continua correndo pela chapada do Apodi.
Sem cacique na tribo o pajé Yathagan foi coroado cacique, dando a sua função de pajé curador a outro índio.
Cacique não estava doente. Era esperteza para conseguir namorar a índia do pajé Yathagan, já que ele vinha fazendo todos os seus gostos.

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

MEU PAI PEDRO NÉO, MEU TIO ZÉ DE DELMIRA, MEU AVÔ NÉO E PEDRO DO BARRACÃO

Por José Mendes Pereira

Geralmente as pessoas que não merecem confiança sempre acusam as outras por desonestidades, mas na finalidade de esconder os seus erros e denegrir a imagem de quem quer que seja por uma despeita, ciúmes ou outra coisa que se relaciona com o assunto em pauta.

Quando o meu pai casou e já que nasceu ali na Barrinha bem próxima da cidade de Mossoró, e continuava morando sobre as ordens do meu avô  “Papai Néo” em propriedade da família “Duarte” (e foi lá que todos nós nascemos, tanto os meus pais como nós, irmãos), fez apenas uma pequena mudança, tirando os seus pertences da casa do pai para a sua, mas continuou sendo dominado pelo meu avô, como era costumes antigos, filhos casavam, e ficavam sempre dependurados nos cós das calças dos pais. Até a feira do meu pai era feita no barracão que o meu avô comprava desde de muitos anos. 

Contara-me o meu pai sob uma árvore na calçada da sua casa, que certo dia, foi fazer a feira em Mossoró, no comércio de um senhor chamado Pedro do Barracãolocalizado à rua da frente, como era e continua sendo chamada por todos mossoroenses, porque ela fica em frente ao rio Mossoró. 

Nesse dia, o meu pai estava acompanhado de um concunhado de nome José Freire apelidado de Zé de Delmira, que era casado com Maria Mendes Maia, uma irmã da minha mãe Antonia Mendes Pereira. Ali, os dois fizeram as suas feiras e assim que terminaram, colocaram os sacos em suas montarias e se mandaram para casa, subindo a grande ladeira da ponte velha que passa sobre o rio Mossoró.

Achando que tinha entregue mercadorias além do que foi comprado a um deles seu Pedro do Barracão chamou um senhor que o ajudava e disse:

- Toma de conta aqui que eu vou ver se ainda alcanço o Pedro de Néo e o Zé de Delmira para me devolverem as mercadorias que foram além das compras. Isso não é coisa de homens honestos. Levaram o que não era deles. - Dizia ele. 

E assim fez. Pegou o seu cavalo que sempre estava à sua disposição, amarrado sob a sombra de um velho pé de figo, montou-se, passou pela ponte e seguiu pela avenida Presidente Dutra, na intenção de alcançá-los. E ao longe, os viu já bem próximo da 2ª. ponte que fica sobre um córrego. E tome chicotadas no pobre e cansado cavalo, para ver se os alcançava o mais rápido possível. O certo é que não demorou muito para alcançá-los. E ao chegar bem próximo levou o cavalo até eles dizendo:

- Rapazes, eu pensei que vocês dois eram homens, mas são dois safados. Vão tirando os sacos das montarias que vocês estão levando mercadorias que não foram registradas na lista de compras...

- Mas seu Pedro...

- Não tem mais e nem menos. Eu quero ver todas as mercadorias.

Ali, meu pai e tio Zé de Delmira era assim que nós o chamávamos, por ser casado com uma tia nossa, arriaram os sacos de feira e começaram a tirar todas os alimentos de dentro do saco. E ele ali só conferindo. Mas nada irregular encontrou. E meio assustado por não ter visto nenhuma irregularidade nas feiras, olhando para eles, disse:

- Acho que me enganei..., deve ter sido...

Não achando mais a quem acusar o seu Pedro do Barracão parou de falar.  Em seguida foi até ao cavalo velho e magro, e sem nem ao menos pedir desculpas ao Pedro de Néo e ao Zé de Delmira, montou-se no seu cavalo, chicoteou-o e retornou para o seu barracão em longos galopes sobre a  sua montaria.

Ao chegarem na casa do meu avô o Zé de Delmira bebeu água, mais um cafezinho, e em seguida, despediu-se do meu pai e rumou para a sua casa, que ficava do outro lado do rio, mas na mesma localidade. 

O meu pai ficou lá por alguns minutos e depois iria seguir para sua casa que era um pequeno passo da casa do meu avô, e após descansar da fadiga da viagem, meu pai repassou o ocorrido ao meu avô, que de imediato ficou imaginando o que faria no dia seguinte, sobre esta desconfiança causada pelo Pedro do Barracão contra o seu filho e o concunhado do filho.

O meu avô ficou remoendo as carnes da língua, e na madrugada deste dia, fez o seguinte: Pela madrugada, pegou 10 bichos de bodes que estavam bons para o abate, encangou-os um a um, e seguiu viagem para Mossoró, tangendo-os a pé em companhia de um filho, levando os brutos para serem vendidos na feira de animais, e depois ir até ao barracão do Pedro para liquidar aquela conta, e nunca mais compraria nem um dedal de açúcar, e muito menos colocaria os seus pés no seu barracão.

Feito a venda dos viventes na feira e já com o dinheiro no bolso, meu avô tomou rumo ao barracão do Pedro que ficava apenas um quarteirão, mas bem próximo do local que os marchantes negociavam os animais para abates. 

E ao chegar, Pedro do Barracão imaginou que aquela visita inesperada do meu avô, era porque ele havia recebido o recado que mandara dias antes, que o mel de furo e as rapaduras pretas já tinham chegado no barracão, porque um caminhoneiro veio exclusivamente do Ceará para entregar o pedido que o comerciante tinha feito. 

- Néo, ainda bem que você recebeu o recado que mandei do mel de furo e das rapaduras. - Dizia ele sem nem ao menos lembrar da acusação que fizera contra os dois concunhados, com a história de mercadorias em seus sacos além do comprado.

- Eu recebi Pedro, mas eu não vim aqui para isso. Dizia o meu avô. Eu vim aqui hoje só pagar a minha conta e do meu filho Pedro.

- Mas o que houve, Néo? Sempre você paga as despesas no final do mês,  e não está nem perto do fim?

- Pedro, em barracão que o meu filho não merece confiança eu não compro mais. Ele ontem chegou me falando que você desconfiou dele e do seu concunhado. O que você acha? Devo continuar comprando no barracão do homem que desconfia do meu filho?

- Mas Néo, eu apenas me enganei...

- Tira a conta aí, eu não pretendo falar mais nada sobre isso. - Disse meu avô.

O Pedro fez a conta debaixo de mil desculpas, mas o meu avô não aceitou nenhuma justificativa. Pagou, agradeceu pelo tempo que o Pedro  confiou, e foi-se embora.

Apesar da pobreza que acompanhava desde do tempo do seu pai o meu avô era um homem respeitado em toda região, e aqueles que moravam na mesma localidade, e ainda existia a consideração entre os homens de verdades, quando tomaram conhecimento do desrespeito do Pedro do Barracão com o filho do Néo,  muitos deles se revoltaram contra o Pedro, e liquidaram suas contas no seu barracão, que também eram seus fregueses, e saíram do seu comércio e foram ser fregueses de um senhor chamado Luiz Rola (Luiz Rocha) que tinha um comércio no atual bairro dos Pintos. 

- Nenhum filho de Néo é capaz para isso! Dão homens de respeito e de confiança. - Era o comentário da vizinhança.

- E se Pedro do Barracão acusou  o filho de Pedro de Néo por desonestidade, fará com qualquer um de nós e com os nossos filhos. - Dizia outro e mais outro.

Com a ausência dos fregueses Pedro do Barracão não teve condições de tanger o seu comércio, e 4 anos depois, fechara o seu ponto comercial, passando a trabalhar com pequenas bombonas vendendo água apanhada no rio Mossoró aos moradores da atual Ilha de Santa Luzia, porque ainda não existia redes de água até às residências.

Posteriormente, o homem que era chamado de Pedro do Barracão viciou-se com bebida alcoólica, e não demorou muito para despedisse do chão mossoroense, sendo enterrado no cemitério São Sebastião de Mossoró.





  





















quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

ESCOLA ESTADUAL PROFESSOR JOSÉ MARTINS DE VASCONCELOS UMA ESCOLA QUE POR LÁ EU ME APAIXONEI, MAS POR DUAS VEZES FUI DECEPCIONADO POR UMA MESMA PESSOA

Por José Mendes Pereira
Escola Estadual José Martins de Vasconcelos

A Escola Estadual Professor José Martins de Vasconcelos foi a  minha segunda casa no mundo da educação, porque a primeira foi a Escola Estadual Professor Manoel João, no grande Alto de São Manoel. 

Escola Estadual Professor Manoel João de Mossoró - http://blogdadired12.blogspot.com/2014/08/e-e-prof-manoel-joao-realiza-caminhada.html


A última escola que trabalhei durante seis meses e era completando o meu tempo de serviço para eu requerer a aposentadoria foi a Escola Estadual Antonio de Sousa Machado, no conjunto Nova Vida (Malvinas).


Muita saudade eu sinto da Martins de Vasconcelos, dos(as) amigos(as) que lá deixei, e que não citarei nomes de nenhum para não deixar amigas e amigos sem frisá-los, apenas falo "discente e docente", mas nela, por duas vezes fui decepcionado por uma pessoa e que isto nunca saiu da minha mente. Fui desprezado e decepcionado.

Às vezes eu fico num canto parado, revendo a Martins de Vasconcelos e observando todos os cômodos, classes, direção, sala de professores, biblioteca, sala de vídeo e corredores, mas de repente me aparece na minha frente, como se eu estivesse vendo novamente o desrespeito da pessoa que me agrediu com palavras, repetindo tudo, e isso me apodero de um tédio invencível e me dar vontade de ainda descascar feridas e ir saber o porquê de ter me decepcionado no meio daquela gente que me viu chegar ali. 

Eu não sou uma pessoa vingativa, mas sou igual a todos os seres racionais, sou humano, rio quando preciso, choro quanto sinto dores, tenho um coração que bate, e pelas minhas veias, correm sangue escarlate. Mas a segunda vez que fui repreendido no meio do corpo docente me apareceram pensamentos contrários, mas fui controlado por forças maiores.

De repente aparece as minhas inquietações querendo saber qual foi a finalidade de me atacar. Teria sido pelo fato de me apresentar calmo, tranquilo? Se o que disse a mim por duas vezes tivesse dito a outra pessoa tinha engolido o que não passa pela sua garganta? Posteriormente vi que tudo aquilo contra mim era marcação.

Mas o tempo é pouco e por enquanto eu vou me aguentando para não descascar ferida. Eu sei que já faz muitos anos, mas dizer a verdade,  ainda há tempo, nunca é tarde.

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

SEU GALDINO E PEDRO DAS VASSOURAS

Por José Mendes Pereira

Foto só para ilustração - http://www.faculdadersa.com.br/vemverosemiarido/processo-de-producao-da-cera-de-carnauba-na-fabrica-salustiano-em-geminiano-pi/

Pela semelhança do nome já deu para saber a origem do seu apelido; no inverno plantava, mas a sua atividade mesmo era fabricar vassouras da palha de carnaúba, mas não era um grande fabricante, fazia este trabalho apenas para adquirir o sustento da numerosa família. O Pedro era um homem que vivia mais para ele do que para os vizinhos. 


http://gibsonmachadocm.blogspot.com/2009/10/vassoura-da-palha-de-carnauba.html

Pedro das Vassouras era um minúsculo agricultor. Recebera uma sobre de terras do seu ex-patrão que havia contratado um agrimensor para medir a sua propriedade. Como sobrou mais de 1 quilômetro de área que não estava em sua escritura, fez a doação ao Pedro da Vassouras. 

Pedro das Vassouras pouco falava e mais pouco ainda era segurar papos com as pessoas que às vezes o procuravam. Sua maneira de atendê-las não era grosseira, mas tinha que ser rápida. O Pedro das Vassouras não se sentava em lugar nenhum para ouvir besteiras de ninguém. Quando solicitado, vinha e atendia quem o procurava mas sem muita demora. Não tinha tempo para ouvir gente contando histórias vantajosas ou qualquer outro tipo de assunto que não lhe interessava ou indesejado naquele momento. Pedro das Vassouras era uma pessoa que vivia somente para ele. Às vezes, ainda dava a atenção às conversas da esposa, mas que fosse o mais breve possível. E assim vivia o Pedro feliz entre ele  e ele mesmo.

Mas o Pedro das Vassouras tinha estranha e desconsiderada mania terrível. Sempre que ele passava por uma pessoa tinha a mania de escarrar, e aquilo no meio da vizinhança sertaneja não estava sendo acatado por nenhum, todos repudiavam aquele gesto grosseiro do Pedro das Vassouras.

Devido o isolamento com a sua vizinhança Pedro das Vassouras era pouco conhecido naquela região, e seu Galdino o conhecia apenas de calça caqui, camisa volta ao mundo e chapéu Maracangalha. 

Mas assim  que seu Galdino tomou conhecimento que Pedro das Vassouras escarrara quando passava por perto de alguém não gostou nem pouco, e disse que se isso acontecesse com ele -  Pedro das Vassouras iria pagar caro. Não era homem de fazer mal a ninguém, mas se ele escarrava era humilhação contra qualquer um.


http://blogdetelescope.blogspot.com/2013/02/avenida-cunha-da-mota-mossoro-rn_14.html

Aconteceu que certo dia seu Galdino foi à cidade de Mossoró fazer a feira. Lá na rua da frente como ainda hoje é conhecida, por ser defronte ao rio, fez a feira no barracão de "Paulo Targino", em seguida foi até ao café da Raimundinha de Bertoldo que era uma banca sob a sombra de um "pé de figo", em seguida foi-se embora montado no seu jumento de nome "maçarico", e entrou na estrada em direção ao rio de Angicos, rumo à sua propriedade.

Ao longe seu Galdino avistou um senhor que vinha também montado em um jumentinho, e pelas aparências das roupas e do seu chapéu maracangalha percebeu que era Pedro das Vassouras que caminhava em direção à cidade. Possivelmente iria fazer a feira.

E como existia uma curva e assim que a alcançou, desceu do jumento e tirou um saco que acomodava uma parte da feira, colocou-o ao chão e arreou por cima dele, se fazendo de doente, porque a sua intenção era ver se ele escarrava ao vê-lo. O seu jumento era obediente, e enquanto isto acontecia ele nem saiu do lugar. 

E lá se vinha Pedro das Vassouras de estrada afora. Foi chegando e foi olhando quem ali estava caído. Apesar do pouco conhecimento que tinha viu que era seu Galdino. E às pressas desceu do jumento e foi tentar socorrê-lo dizendo:

- O que que houve seu Galdino, o senhor está doente? 

Seu Galdino quis dizer que sim, mas ficou na dele.

- Pelo amor de Deus! Vamos, suba no jumentinho que eu vou te levar até ao Hospital de Caridade de Mossoró. - Fez Pedro das Vassouras bastante preocupado com seu Galdino.

- Seu Galdino quis dizer que sim, mas foi sincero dizendo-lhe:

- Não senhor. Eu não estou doente.

- Mas o senhor caiu aí sobre este saco e ainda me diz que não está doente?

- Eu não caí. Eu me fiz de doente.

- Mas qual a razão de se fazer de doente, seu Galdino?

- A razão de eu ter me feito de doente é que me falaram que quando o senhor passa pelas pessoas sempre escarra, e eu queria saber se isso é verdade.

- Seu Galdino, - dizia Pedro das Vassouras com calma -  não é que eu quero ter esta mania, pois eu já tentei muito deixar isso, mas não consigo. Perdoe-me por favor, não faço isso por maldade...

- Eu já entendi. Muito lhe agradeço, seu Pedro. Mesmo eu não estando doente o senhor se preocupou comigo.

- É um dever de cada um de nós seu Galdino, ver os outros com bons olhos. Peço desculpas aos que um dia passaram por mim e eu escarrei, mas não foi por nojo, é uma mania minha que ainda não consegui acabar.

Depois de entendidos, seu Pedro foi para a sua fazenda e Pedro das Vassouras seguiu para fazer a feira em Mossoró. 

Não devemos julgar o outro pelo um simples escarro."

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

MEU, SEU, NOSSO ESTADUAL

Por José Mendes Pereira

Por que "O Estadual" e não "A Estadual"? Simplesmente porque esta escola já foi "Colégio Estadual de Mossoró", esta é a razão de todos a chamarem de "O Estadual".

Será que existem pessoas adultas ou bem adultas de Mossoró que ainda não conhecem o Estadual? É quase certeza que não. Quem aqui nasceu sabe muito bem chegar na maior Escola pública de Mossoró. E quem aqui nasceu e nela estudou conheceu e conhece todas as dependências dela, e até teve, muito embora pequeno e passageiro, um romance amoroso nas suas dependências, nos seus corredores, na cantina, na área de lazer, no auditório do teatro, na quadra de esporte, na rampa e que tenha sido em qualquer uma delas, enfim, "O Estadual" sempre foi e será um guardador de segredos que viu nas sua dependências casais de alunos e até mesmo professores se amando.


A Escola Estadual Jerônimo Rosado está localizada em Mossoró no bairro Santo Antonio, à Rua Ferreira Itajubá S/N, e foi fundada no ano de 1959, por Dinarte de Medeiros Mariz, que governou o Rio Grande do Norte entre 1956 e 1961.

Nas últimas seis décadas esta repartição já educou uma grande parte do povo mossoroense, inclusive pessoas de outras cidades que se matriculam nela, e é conhecida em toda região por "O Estadual", sendo de tradição. É a maior escola pública de Mossoró, com pouco mais de 20 salas de aula, e todas são grandes, com auditório, quadra de esporte, e duas rampas para ter acesso às classes.

Acadêmicos de matemática na recepção aos visitantes - http://pibidmatematicauern.blogspot.com.br/2013/06/salao-de-jogos-matematicos-movimentam.html

As alunas eram as pétalas que desabrochavam em suas flores para florirem aquela escola, e que sempre foram as personalidades que não deviam faltar naquelas dependências. Um olhar e um riso apaixonado de cada uma delas dentro daquele ambiente educacional fazia a escola continuar educando e formando com muito prazer, obrigado!

Quem viveu o Estadual sabe muito bem como era divertido estudar nele, e com certeza, orgulhou-se ou orgulha-se muito, por estudar em uma das mais tradicionais escolas de Mossoró, com bons mestres e responsáveis funcionários.


Aquelas estudantes que vestiam as suas fardas do magistério eram  e ainda são muito bem lembradas em qualquer lugar de Mossoró, porque a cor do uniforme embelezava mais ainda a estudante.

http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com/2014/08/escola-estadual-jeronimo-rosado.html

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

SEU GALDINO E OS VELHINHOS

Por José Mendes Pereira

Seu Galdino andava pela manhã de mata adentro sem destino, e até invadindo terras alheias, quando se deparou com um velhinho com mais de 110 anos de idade. Seu Galdino quis saber para onde ele estava indo, vez que a sua idade e seu porte físico ofereciam bastantes perigos por ele estar no meio daquela mata totalmente desacompanhado.

O velhinho disse-lhe que não se preocupasse. Aquele seu caminhar já era de longos anos, uma obrigação que tinha, todos os dias, naquele horário, pela manhã, ele saía da sua residência para visitar em sua casa o pai e a sua mãe.

- Mas quantos anos o senhor tem? – Perguntou-lhe seu Galdino.

- Eu tenho 110 anos já vividos com muita saúde diante do “Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Seu Galdino duvidou, porque ele com aquela idade toda, era muito difícil ainda ter pai e mãe vivos. E perguntou-lhe o seguinte:

- O senhor me deixa ir à sua companhia até à casa dos seus pais para que eu os conheça?

- Mas não seja só por isso, senhor! Desejar conhecer os meus pais para mim é uma grande honra. Eles estão bem velhinhos, mas tudo que se dizem eles ouvem com atenção e entendem muito bem.

E se abalaram os dois em busca da casa dos pais do velhinho. Ele sempre à frente do seu Galdino. E assim que chegarem lá, estava a velhinha de cócoras ao chão. Seu Galdino a cumprimentou e ela sem se levantar do chão o recebeu muito bem, esboçando um sorriso de alegria, até fantasiado, agradecendo a Deus os anos já vividos. A velhinha ainda andava, mas com um pouco de dificuldades. Ali, conversaram um bom tempo. Ele fez uma porção de perguntas em relação de tantos anos vividos. Ela só o respondendo.

Terminou com esta pergunta:

- Quanto ano a senhora tem?

- Completos eu tenho 130 anos. – Disse a velhinha com alegria de vida e com esperança de mais dias que iriam vir.

E virando-se para o velhinho seu Galdino perguntou-lhe:

- Agora onde está o seu pai que eu quero o cumprimentar?

- Ele está lá dentro do quarto...

E saiu levando seu Galdino para conhecer o seu pai. E ao entrar no quarto ele viu que o velhinho não estava mentindo. Dentro de uma rede o seu pai permanecia deitadinho, ali, só o caquinho de gente, mas lúcido, capaz de um só pulo se levantar da rede a qualquer momento. E logo perguntou:

- Quantos anos o senhor tem?

E se sentando à beira da rede, respondeu-lhe:

- Eu tenho 140 anos.

- E o que faz com que uma pessoa viva tantos anos assim?

- Para se viver bem meu filho, existem várias maneiras que levam o homem/mulher viver muitos anos.

- O senhor pode exemplificar alguns? – Perguntou-lhe seu Galdino.

- Não seja só por isso..., casar para ter um cônjuge que lhe dê carinho e amor, que cuide bem e que o zele. Digo, casar no sentido de casal, não casamento religioso e nem tão pouco diante da justiça. Dois amores que se gostem assim é que é o casamento. O ser humano se não for zelado pelo seu parceiro morrerá mais cedo. Olha sempre para o seu cônjuge com carinho e não discuta com ele. Se o cônjuge falecer não fica chorando por muito tempo. A vida não admite que se chore em exagero por quem se foi e não voltará mais. Cuida de arranjar outro cônjuge o quanto antes para substituir o que se foi. Ninguém é insubstituível. Na terra o único homem que é insubstituível é o Jesus Cristo.

- Sim senhor! - Seu Galdino ouvia o velhinho com atenção.

E continuou o velhinho: - Não ouvir o que o outro diz do indivíduo. A boca do ser humano é uma verdadeira navalha afiadíssima e corta tudo o que ver pela frente. Não fumar, porque o tabaco, é a maior destruição no corpo humano, caso sejam ingeridas substâncias dele ao corpo. Não beber bebidas alcoólicas de forma alguma. Não perder noites de sono no trabalho e nem em farras. Para ter um corpo saudável tem que o deixar descansar muito. Ter fé em Deus e ajoelhar-se sempre diante dele para agradecer o que ele tem feito pelo indivíduo. Só compre se puder pagar, senão irá perder sono, e isto diminui dias de vida. Não comer alimentos enlatados ou congelados. Alimentos enlatados e congelados já estão vencidos e não se deve consumi-los. Neles contêm uma porção de bactérias invisível. Beber água potável. É bem melhor beber água de cacimba do que tratada. A água tratada e gelada não mata os germes do corpo do homem. Conserva os germes vivos, principalmente água mineral. Ter sempre alguns amigos sem exagero, isto é, regrados. O homem sem amigos é como um lobo solitário, estressado, triste e morrerá mais cedo.

- Estou entendendo bem, fez seu Galdino.

Continuou o velhinho: - Não deixar de comer pelo menos um ovo cozido, beber a água de um coco todos os dias, e beber leite de qualquer fêmea quadrúpede. Ver o nascer e o pôr do sol todos os dias da sua vida e admirá-lo. É a maior beleza da criação de Deus. Ao anoitecer, é bom observar a lua passeando no universo. Sempre que puder, faça uma visita ao mar para sentir o cheiro e o balé das águas salgadas, e veja que maravilha o Deus criou. Não usar armas como seja para se defender. A arma encoraja o homem e poderá ter um fim triste. Comer com farinha rapadura preta do Cariri. Comer carne de sol. Levantar cedo e receber o sereno da madrugada. Não duvidar e nem teimar com ninguém. A teimosia estressa, e se estressa, poderá causar mortes.

Em frente à casa dos velhinhos passava um rio e mantinha uma porção de água corrente. Seu Galdino querendo ver se o velhinho teimava, disse em voz alta:

- Interessante! Todos os rios que eu os conheço descem as água de ladeira para baixo. O seu rio senhor, aqui na sua propriedade, faz isto ao contrário, sobe de ladeira acima.

- Sim senhor! O rio daqui, da minha propriedade é assim como o senhor afirma.

O velhinho não teimou de jeito nenhum. Concordou a mentira que disse seu Galdino.

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COM DAVI, IRMÃO DO VAQUEIRINHO GABRIEL.

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