segunda-feira, 25 de outubro de 2021

ENTREVISTA COM O SUPOSTO FILHO DO CAPITÃO LAMPIÃO E MARIA BONITA

 Por José Mendes Pereira

https://www.youtube.com/watch?v=gmEpGe0XFko&ab_channel=KinkoPelegrine. - "O vídeo pertence ao acervo do pesquisador Kinko Peregrine".

Sobre este senhor, não há como eu acreditar que era filho de Virgolino Ferreira da Silva, o capitão Lampião, e de Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita. Vejam que o suposto filho de Lampião e de Maria Bonita diz que, a briga de Lampião com o Zé Saturnino começou por causa de um chocalho. Não discordo desta informação, porque está escrita na literatura lampiônica. Só que ele diz que este chocalho está na sua mão e de repente,  diz que está em Serra Talhada. 

João Ferreira da Silva o João Peitudo suposto filho dos reis do cangaço Lamapiã e Maria Bonita.

Diz ele no vídeo:

“A verdadeira história começou por um chocalho. Numas cabras, né? Este chocalho ainda hoje está na minha mão. É a última pessoa que existe desse chocalho, que começou toda história do cangaço, é esse chocalho.

Esse chocalho está em Serra Talhada, num museuzinho pequeno, que me pediram a esse, o museu me pediu para eu deixar este chocalho, lá em Serra talhada... Quem me entregou foi um ex-cangaceiro do meu (possivelmente a falha no vídeo, mas acredito que ele quis dizer meu pai), que me disse uma segurança muito grande...”

Vamos lá:

Ele diz que o chocalho estava na sua mão e de repente diz que o chocalho está em Serra Talhada. 

Por que mentir tanto assim? 

Quando foi que este chocalho chegou às suas mãos e através de quem, quando muitos pesquisadores da época, gostariam de ter recebido esta relíquia para os seus acervos? 

Com certeza, foi um chocalho adquirido por aí, ou quem sabe, ele mesmo o encontrou, sem ter nada a ver com o chocalho que misteriosamente começaram as brigas dos vizinhos, Zé Saturnino e Lampião com os seus irmãos. Pelo tempo que já se passou, o chocalho é uma invencionice do João Ferreira da Silva.

Todo mundo queria ser filho de Lampião. 

Assista ao vídeo e diga se tem procedência esta história do João Peitudo, suposto filho de Lampião e de Maria Bonita. Eu acho que não tem procedência de forma alguma.

(Nome: 

João Ferreira da Silva 

Nascimento: 

1938

 

Falecimento: 

26-07-2000

em: 

Juazeiro do Norte, CE

Idade: 

Aproximadamente 62 anos, em 2000.

Profissão: 

Funcionário Público da Prefeitura de Juazeiro do Norte

Pai: 

Virgulino Ferreira da Silva

Mãe: 

Maria Gomes de Oliveira

Notas: 

João Peitudo". Faleceu de ataque cardíaco, está sepultado no cemitério São João Batista. Foi reconhecido filho do cangaceiro Lampião em 1994 através de um exame de DNA realizado nos Estados Unidos. Teve 5 filhos).

Existem pesquisadores do cangaço que são grandes conhecedores do tema, informam que o exame de "DNA" feito para comprovar a paternidade dos pais de João Peitudo, ficou incompleto. Sendo assim, menos verdade.

Posteriormente, após dois exames de DNA, constatou-se que não era verdade. João Peitudo faleceu com 62 anos de idade, morte natural, no dia 26 de Junho de 2000, em Juazeiro do Norte, a 563 quilômetros de Fortaleza.

É claro que ele se dizia ser filho de Lampião e Maria Bonita, não criado por ele, mas, lógico, a afirmação deve ter saído da boca de quem o criou. Só que o chocalho, na minha humilde opinião, ninguém sabe até hoje o paradeiro dele, muito menos sabia o João Peitudo. 

Sem essa afirmação, jamais o João Peitudo iria se considerar filho dos reis do cangaço.

Suponhamos que Maria Bonita engravidou de Lampião no ano de 1937, e só pariu o João Ferreira da Silva no ano seguinte. Mas vale lembrar que, depois que o capitão Lampião saiu do Ceará, nunca mais colocou os seus pés em Juazeiro do Norte. Se ele voltou ao Ceará eu não tenho conhecimento. Só sei que no dia 21 de agosto de 1928, numa canoa, o capitão Lampião e seus cabras cruzaram o rio São Francisco. Ali, ao sul do Rio, passaria a ser a base de suas operações maldosas dali em diante. Agora, o cangaço estaria vivendo uma nova era. 

Naquele Estado, Lampião passou a ter como refúgio preferencial outro Estado que foi Sergipe, onde um de seus protetores seria o médico e capitão do Exército Eronides de Carvalho, mas este ele só se encontrou ao menos uma vez. Em meados dos anos 1930, Eronides se tornou governador, e lógico que o capitão do exército não queria mais amizade com bandido.



Em 1938, quando o João Ferreira da Silva nasceu, o velho querreiro capitão Lampião estava vivendo nas terras do Estado de Sergipe, mais ou menos pelas redondezas de Porto da Folha, atual Poço Redondo. E nesse tempo, o capitão não tinha mais tanta disposição para sair de Sergipe, passar pelo Estado de Alagoas e em seguida, cortar as terras de Pernambuco, e chegar a Juazerio do Norte, no Estado do Ceará, com uma criança no colo para entregá-la  a uma senhora de nome  Aurora, que residia por lá, terra do padre Cícero Romão Batista. E por que o capitão Lampião tinha que entregar a criança a esta senhora, onde no percurso existiam tantas outras famílias que poderiam adotá-la?

Não dar para se entender, porque esta viagem é muito longa são três Estados do Nordeste para enfrentar o calor quente e tudo mais de difícil acesso.

Informação ao leitor: 

Não me refiro ao cineasta que fez a gravação, e sim, ao João Ferreira da Silva, o João Peitudo, que batia o martelo, dizendo que era filho dos reis do cangaço. Mas esta questão é muito fácil resolver. Fazer o "DNA" do cadáver do João, e comparar com o "DNA" de dona Expedita Ferreira, que é a única pessoa que mundialmente, foi reconhecida como filha do capitão Lampião e Maria Bonita.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

domingo, 15 de agosto de 2021

PEÇA LOGO ESTES TRÊS LIVROS PARA VOCÊ NÃO FICAR SEM ELES. LIVROS SOBRE CANGAÇO SÃO ARREBATADOS PELOS COLECIONADORES.

  Por José Mendes Pereira

 

Recentemente o escritor e pesquisador do cangaço Guilherme Machado lançou o seu trabalho sobre o mundo dos cangaceiros com o título "LAMPIÃO E SEUS PRINCIPAIS ALIADOS". 

O livro está recheado com mais de 50 biografias de cangaceiros que atuaram juntamente com o capitão Lampião. 

Eu já recebi o meu e não só recebi, como já o li. Além das biografias, tem fotos de cangaceiros que eu nem imaginava que existiam. São 150 páginas. Excelente narração. Conheça a boa narração que fez o autor. 

Pesquisador Geraldo Júnior

Prefaciado pelo pesquisador do cangaço Geraldo Antônio de Souza Júnior. Tem também a participação do pesquisador Robério Santos escritor e jornalista. Duas feras no que diz respeito aos estudos cangaceiros.

Jornalista Robério Santos

Não deixa de adquiri-lo. Faça o seu pedido com urgência, porque, você sabe muito bem, livros escritos sobre cangaços, são arrebatados pelos leitores e pelos colecionadores. Então cuida logo de adquirir o seu! 

Pesquisador Guilherme Machado

Adquira-o através deste e-mail: 

guilhermemachado60@hotmail.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

A NOSSA QUERIDA FRANCISCA ROSA XAXÁ FOI PARA PERTO DE DEUS, E EU NÃO TINHA TOMADO CONHECIMENTO!

 Por José Mendes Pereira 


Eu não sabia que a professora Francisca Rosa Xaxá tinha partido ontem para a eternidade. Só agora foi que tomei conhecimento da sua partida, contaram-me o meu cunhado Nezinho e sua esposa Neci Mendes. Ela e eu tínhamos combinados, que assim que a Pandemia chegasse ao fim, faríamos um trabalho sobre a família Xaxá e Galdino, principalmente a Xaxá, porque ela conhecia tudo sobre os nossos descendentes, assim como eu que conheço sobre a família Galdino, a qual faço parte, aliás, das duas famílias.

Meu pai Pedro Nél Pereira era filho de Herculana Maria da Conceição, sendo ela filha de Joana Maria do Vale Xaxá e Galdino Pereira Xaxá. ambos Xaxás da gema. Já a Francisca Rosa Xaxá era prima legítima da minha avó Herculana e sobrinha do Galdino que era meu bisavô. Francisca Rosa era também Xaxá da mesma gema da minha avó.

José Mendes Pereira e seu primo Júlio Batista Pereira na ponte de trem em Mossoró

Eraldo Xaxá nosso primo de 2º grau na ponte de trem em Mossoró

A última vez que eu estive na casa de Creuza Xaxá, sua irmã, foi em companhia do Eraldo seu sobrinho, além do Júlio Batista Pereira, e nesse dia, nós fomos até a ponte de trem em Mossoró, no Alto da Conceição e fizemos fotos por lá. Nós três fomos adeptos da Editora Comercial S/A. durante alguns anos. Júlio eu, além da Editora, fomos internos na Casa de Menores Mário Negócio.

Eraldo Xaxá em pé e dona Antonia Xaxá sentada, ambos faleceram recentemente de covid-19.

De dois anos para cá, viajaram para a Casa do Senhor "7 Xaxás", incluindo três dos seus irmãos, além do sobrinho Eraldo Xaxá e sua irmã Antonia Xaxá que era mãe do Eraldo, ambos faleceram de covid-19 pouco mais de um mês. Você Rosa, foi a última dos Xaxás que Deus chamou.


Arrependi-me de não ter apresentado a ela uma foto doada a mim, pelo Jorge Braz de Medeiros, e nela, aparecem as seguintes pessoas que eram do nosso convívio: dona Caboclinha que era  diretora da Casa de Menores Mário Negócio, as professoras Lucy Pinheiro Costa, Maria Stela Pinheiro Costa que foi minha professora no 5º ano primário, irmã desta última e patrona da Escola Estadual Maria Stela Pinheiro Costa, dona Maria da Conceição, Uguinelma, além de outras pessoas, todas trabalharam na Casa de Menores, onde a Francisca Rosa Xaxá também fez parte dali. Foi professora durante alguns anos da casa, e que eu também fiz parte como interno de lá durante oito anos.

Francisca Rosa Xaxá é a primeira da esquerda.

Adeus, Francisca Rosa Xaxá! Um dia nós nos veremos na Casa do Senhor! Eu não sei dizer com certeza, acho que a estrada talvez seja outra, mas o caminho não será diferente, irei pelo o mesmo que você foi. Guarda lá um cantinho para todos os que fazem parte da sua família!

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

quarta-feira, 28 de julho de 2021

MARIA SULENA DA PURIFICAÇÃO

  Por José Mendes Pereira

A mãe dos Ferreiras tinha uma porção de nomes os quais são: Maria Sulena da Purificação, Maria Vieira do Nascimento, Maria Vieira da Soledade,  Maria Lopes da Conceição, Maria Santina da Purificação e Maria Lusulina da Purificação. E todas é uma só pessoa, isto é, uma só Maria, sendo a  mais conhecida Maria Lopes da Conceição.  

Era a esposa do pacato José Ferreira dos Santos ou Silva que foi assassinado pela volante do tenente Zé Lucena. Ela nasceu no ano de 1873, já se passaram 148 anos, no Sertão Pajeú, Serra Talhada, Pernambuco, às margens do Riacho São Domingos, um dos afluentes do Rio São Francisco. 

Era filha de Manuel Pedro Lopes e D. Maria Jocosa Vieira. Batizou-se na capela de Vila Bela de São Francisco em Pernambuco, e seus padrinhos foram: Manoel Pereira da Silva (Manoel da Passagem do Meio), irmão de Padre Pereira e dona Constância Pereira da Silva (sua segunda esposa) eram os pais de Sebastião Pereira (Sinhô Pereira, primeiro e único patrão fora-da-lei de Lampião). 

Sinhô Pereira 

O casamento de dona Maria Lopes com José Ferreira foi realizado na tarde do dia 13 de outubro de 1894, na igreja da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Aflitos, em Floresta do Navio. Ele tinha 22 anos e ela tinha 21. A cerimônia foi presidida pelo cônego Joaquim Antônio de Siqueira Torres. 

Padre Joaquim Antônio de Siqueira Torres

Na pregação o Padre Quincas declarou: "- Tenho a satisfação de assistir a este enlace matrimonial de gente que conheço: boa, amiga e cristã. Faço votos ao Bom Jesus pela felicidade do casal e o futuro muito grande de seus filhos. 

O casal teve 11 filhos dos quais 2 crianças faleceram ainda pequeninas. O terceiro, ficou famoso: Virgolino, mais tarde, Lampião.  É aí, onde essa Maria com tantos nomes passou para a história.

Maria criou os filhos com autoridade dentro dos rígidos costumes sertanejos. A vida da família era pacata, até Virgolino virar cangaceiro. A situação tornou-se insuportável para ela, sendo obrigada a deixar sua casa, viver de sobressaltos, perseguições etc. O coração não suportou e Maria Sulena morreu no mundo de infarto, aos 47 anos, em Alagoas, no dia 30 de abril de 1920. Foi enterrada discretamente no Cemitério Santa Cruz do Deserto.  

Algumas informações do livro "Lampião a Rapósa das Caatingas" de José Bezerra Lima Irmão.

Entre em contato com o professor Pereira através deste e-mail 

franpelima@bol.com.br 

e adquira esta maravilhosa obra.

http://blogdomendesemendes.blogapot.com

O CAPITÃO LAMPIÃO, ANTONIO FERREIRA E SEUS COMANDADOS, POR PURA VINGANÇA, BAGUNÇAM O ESTADO DE ALAGOAS.

  Por José Mendes Pereira

No ano de 1927, após sete anos das mortes de dona Maria Sulena da Purificação (morte natural), e seu pai José Ferreira da Silva ou Santos, este assassinado por arma de fogo, quase cinco meses faltando para uma possível invasão à Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte, Lampião e seu mano Antônio Ferreira da Silva, resolveram intranquilizar o Estado de Alagoas, com permanentes invasões, usando o ódio e o  poder de vingança sem piedade, e eliminando vidas sertanejas inocentes, mas sem medo, responsabilizando o militar da Polícia de Alagoas, o tenente coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão, maior desafeto policial de Lampião, por ter matado o seu querido e amado pai, enquanto o amado velho debulhava grãos em sua nova residência, no Estado de Alagoas. A maldade que haviam feito com o seu pai, assassinando-o sem motivo nenhum, porque o velho não tinha nada a ver com as suas desordens, o capitão Lampião e o irmão não pretendiam deixar impune. 

Tenente José Lucena responsável pela morte do pai de Lampiao.

Se o militar José Lucena o procuravam para eliminá-los do solo sertanejo, que tivesse se embrenhados até as caatingas do nordeste brasileiro, pois era por lá, que eles e toda cangaceirada da sua "Empresa de Cangaceiros Lampiônica  Cia" estavam com redes armadas e cachimbos acesos nos coitos que faziam por lá, e não tivesse eliminada a vida de um senhor admirado no meio de toda vizinhança do sertão Pajeuense, principalmente em Vila Bela, nos dias de hoje Serra Talhada.

Vlla Bela/Serra Talhada

Um dos motivos das desordens dos irmãos naquele Estado alagoano era para mostrarem ao tenente coronel José Lucena, que a sua imagem como militar, não passava de um simples homem covarde e oportunista, por ter exterminado a vida de um senhor pacato, amigo respeitado por  toda gente daquela região que antes morava. 

José Saturnino inimigo nº 1 de Lampião.

O outro motivo, foi para cobrar do Zé Saturnino por ter usado a sua covardia contra o seu pai, quando antes, ambos, eram compadres, amigos e vizinhos de propriedades, fazendo o velho sair dali, às pressas, privando o direito dele, da sua esposa e de toda família serem felizes na sua amada terra, onde nasceram e se criaram, obrigando-os fugirem do querido chão pernambucano, e os empurrando para as terras que só as conheciam como passeio. Clique neste link e leia sobre a morte de José Ferreira da Silva..., e conheça Senhor Maurício Vieira de Barros,  o homem que enterrou o velho Ferreira https://tokdehistoria.com.br/tag/pai-de-lampiao/

Família de Lampião a começar pela avó dona Jacosa, inclusive ele.

Lá em Pernambuco, seu pai e os seus familiares, com saudades, deixaram para trás, tudo que haviam adquirido com muito trabalho e esforço: propriedade, agricultura, criações e principalmente, um baú de sonhos, sonhos e muitos sonhos que pretendiam tornar realidade. Não querendo que seus filhos continuassem na desgraça, seu José Ferreira da Silva achou que a solução seria abandonar tudo ali, e sem muita demora, vendeu tudo que possuía por um valor insignificante, ganhando como prêmio, um grande prejuíso. Que tamanha infelicidade provocada por um homem que um dia se dizia ser um grande amigo do seu pai! 

Lá, em Alagoas, os Ferreiras, filhos e filhas tiveram o desprazer de caminharem para assistirem o sepultamento da sua mãe dona Maria Lopes, que faleceu quase que de repente, infartando. Sentindo bastante desrespeito do Zé Saturnino com o seu esposo, veio a óbito. E com poucos dias que a mãe partira para a eternidade,  foi a vez  de levarem o pai para enterrá-lo, porque fora assassinado pelas armas do tenente José Lucena. 

No silêncio do seu “EU”,acho que o rei dizia que não tinha dúvida, que o principal culpado das suas desventuras, era o Zé Saturnino, por não ter assumido a sua desonestidade, quando o assecla viu peles dos seus animais na casa de um dos moradores da Fazenda Pedreiras. Se o fazendeiro tivesse assumido o feito, não teria sido necessário ele e seus irmãos viverem de correrias dentro das matas, tentando ocultarem das volantes que os perseguiam.

O rei do cangaço, talvez, ainda se lastimava que todos os seus antes amigos, viviam passeando pelas redondezas do lugar, livres de perseguições, e diariamente aconchegados às mocinhas do povoado, frequentando festas e bailes. E enquanto os outros gozavam da liberdade, eles eram privados de participarem dos divertimentos que o povoado oferecia. Infelizmente, teriam que passar a vida inteira se amparando às árvores, castigados pelas chuvas, sol, poeiras, dormindo no chão, misturados com  insetos de todos as espécies, no meio de violentos tiroteios, tentando se livrarem dos estilhaços de balas. E na maioria das vezes, fome, fome, e muita fome, vivendo um horroroso sofrimento. 

Lampião e seu irmão Antonio sabiam que na região do Pajeú, todas as cidades dali, como Itapetim, Tuparetama, São José do Egito, Ingazeira, Afogados da Ingazeira, Carnaíba, Flores, Calumbi, Serra Talhada, Floresta e Itacuruba, muitas os condenavam como homens perigosos, mas que todos que os julgavam como bandidos cruéis, entendessem o porquê das suas práticas criminosas. Fizeram simplesmente para defenderem o que lhes pertencia, e em prol das suas honras. Se eles não defendessem o que eram seus, com o passar dos tempos, todos iriam querer pisá-los como se nada valessem na vida.

Enquanto descansava sobre o chão dos seus coitos, Lampião ainda imaginava   que, se o Zé Saturnino não tivesse manipulado o tenente Zé Lucena para assassinar o seu generoso pai, quem sabe, talvez ele não tivesse se tornado um bandoleiro; e sim, um fazendeiro, um engenheiro, um rábula qualquer, ou outra coisa parecida. Ou ainda se casado com serra-talhadense e construído uma linda e maravilhosa família. 

E agora, depois de tantas decepções que os dois manos passaram, principalmente a dolorosa e sofrida morte do José Ferreira da Silva, como os irmãos Ferreiras se vingariam das maldades que fizeram contra eles?

Lampião e o seu mano Antonio Ferreira decepcionados e de cabisbaixas diante da vizinhança, e privados de tudo e de todos, já que não havia como assassinarem os causadores das suas declinações e morte do seu pai por armas de fogo, decidiram que o mais propício para amenizarem as suas dores e sofrimentos, seria fazerem invasões constantes no Estado de Alagoas, não importando com o tipo de atrocidade, vingando-se a maneira deles. Já que tinham perdido o respeito diante da vizinhança lá em Pernambuco, uma ou umas desordem a mais, não influenciavam nada.  

E a partir de 11 de janeiro de 1927, Lampião e Antonio Ferreira organizaram-se e com os seus comandados partiram para bagunçarem o Estado de Alagoas, a terra do tenente Zé Lucena, onde destruíam tudo que viam pela frente, não dando tranquilidade aos moradores sertanejos, e geralmente, rios de sangue ficavam escorrendo por onde os vingadores passavam. 

Adquira este livro "Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico" com o professor Pereira através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

Informação ao amigo leitor:

Nesse período, Lampião tinha no cangaço apenas o seu irmão Antônio Ferreira da Silva, porque o Livino Ferreira, seu irmão, tinha sido assassinado no ano de 1925. Mas com poucos dias destas bagunças, o Antônio foi morto acidentalmente por balas. Veja vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=nXXlE_76gZU&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

O Ezequiel Ferreira da Silva, irmão do capitão Lampião, só entrou para o cangaço, quando o Antônio foi morto, e foi neste mesmo ano de 1927. Quem causou a sua morte foi o cangaceiro Luiz Pedro, um dos cangaceiros da velha guarda de Lampião.

https://www.youtube.com/watch?v=nXXlE_76gZU&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Muitos fatos que aparecem aqui no texto que eu escrevi, são verídicos, mas outros, são apenas as minhas imaginações. 

Imaginar, não quer dizer que atrapalha a literatura lampiônica. Sendo para discordar do que foi escrito por pessoas que fazem os seus trabalhos com seriedades, eu sou a primeira  pessoa a protestar. 

Eu escrevo mais para cultivar a leitura sem atrapalhar os escritores, pesquisadores e cineastas encarregados de organizarem a literatura lampiônica. 

Não contrario e nem tão pouco tenho  conhecimento para guerrear contra estes catedráticos, no que diz respeito à literatura lampiônica. Eu sou como um cão que fica esperando pelo resto de comida do prato de quem come.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

terça-feira, 6 de julho de 2021

UM FILME REAL COM LAMPIÃO E SEU RESPEITADO BANDO DE CANGACEIROS, FEITO NA CAATINGA NORDESTINA POR BENJAMIN ABRAHÃO CALIL BOTTO.

  Por José Mendes Pereira

https://www.youtube.com/watch?v=lmqd-ijH2cQ&ab_channel=Hist%C3%B3riadoCinemaBrasileiro

Meu grande amigo que está tentando estudar o cangaço de Lampião ou de modo geral, tenha interesse de ver estas filmagens feitas na caatinga do nordeste brasileiro, pelo então Sírio-libanês Benjamin Abrahão Calil Botto "Zahlé" (em árabe), também chamada de Zahlah ou Zahleh) e é a capital de BeqaaLíbano. Benjamin Abrahão nasceu no ano de 1890. 

Abrahão foi amigo e secretário do padre Cícero Romão Batista, e fotógrafo responsável pelo registro iconográfico do cangaço e de seu admirado líder cangaceiro nordestino Virgolino Ferreira da Silva, o facínora mais estudado, biografado, respeitado, afamado e sanguinário capitão Lampião. 

O Sírio-libanês Abrahão Benjamin Calil Botto teve uma morte muito triste, quando foi esfaqueado com 42 facadas, no dia 7 de maio de 1938, aos 48 anos, durante o Estado Novo, 2 meses antes da morte do capitão Lampião, que foi tocaiado e assassinado na fatídica madrugada do dia 28 de julho de 1938, em terras de Porto da Folha, atual Poço Redondo, na Grota do Angico, Fazenda Forquilha, no Estado de Sergipe. 

Benjamin Abrahão Botto

O Benjamin foi comerciante de tecidos, de miudezas e de produtos típicos nordestinos. Principalmente em Recife, e depois fez comércio no Juazeiro do Norte do Padre Cícero Romão batista, e em sua companhia seguiam, dois burros de nome "Assanhado e Buril", mais um cavalo nomeado de "Sultão". Todo este seu esforço, era simplesmente atraído pela grande frequência de romeiros na cidade do padre.

Benjamin Abrahão conheceu Virgolino Ferreira da Silva o Lampião em 1926, quando este fez visita ao Juazeiro, com a finalidade de receber a bênção do padre e a patente de capitão do exército, para perseguir a Coluna Prestes. Em 1924, Lampião e Benjamin estiveram na cidade de Juazeiro, mas não cehgaram a se conheceram. 

A patente foi feita com ordem do padre pelo então funcionário federal Pedro de Albuquerque Uchoa, e falam que esta tal patente foi uma autorização dada ao deputado federal Floro Bartolomeu, pelo próprio presidente da república "na época", Artur da Silva Bernardes (1875-1955),  patente que não tinha nenhum valor, porque ela não foi considerada nos demais Estados nordestinos, e além do mais, teria que está ligada ao exército brasileiro. 

E assim, nem Lampião e nem os cangaceiros efetuaram perseguição à Coluna Prestes, vez que o ódio dominou o capitão, ao saber que era apenas uma maneira de ludibriá-lo. E a partir dali, ficou decepcionado, mas muitos pagaram por isso, até mesmo pessoas inocentes que foram assassinadas pelas suas armas.

Eu não sei o porquê de Lampião ter caído nesta de ser patenteado no Juazeiro do Norte como capitão. Baseio-me na sua inteligência, porque, para ser capitão do exército brasileiro, tem que passar primeiro pelas seguintes patentes: 

1 - Soldado, 2 - Taifeiro, 3 - Cabo, 4 - Terceiro-sargento, 5 - Segundo-sargento, 6 - Primeiro-sargento (cuida de tarefas administrativas), 7 - Subtenente, 8 - Aspirante, 9 - Segundo-tenente, 10  - Primeiro-tenente, e aí será  capitão, e nesse caso, seria a 11ª. patente no exército brasileiro.

Após a morte do Padre Cícero, Abrahão Benjamin resolveu solicitar uma coisa perigosa, que foi mandar pedir ao rei do cangaço, a permissão para acompanhá-lo na caatinga e filmá-lo juntamente com  o seu bando de facínoras, e realizar as imagens que o imortalizaram. E sem nenhuma dificuldades o capitão aceitou. Mas para realizar este legado, ele teve a ajuda do cearense Ademar Bezerra de Albuquerque, dono da ABAFILMEM que, emprestou os equipamentos de filmagem, e ainda ensinou como operá-los. 

Ademar Bezerra de Albuquerque dono da Abafilmes

Os  trabalhos do Abrahão foram apreendidos pela ditadura de Getúlio Vargas. Guardada pela família Elihimas, migrantes libaneses, em Pernambuco, a película foi analisada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP, um órgão de censura atuante durante o Estado Novo

Sobre a morte do Abrahão, uns dizem que teria sido queima de arquivo. Outros afirmam que não. A causa da morte do Benjamin, teria sido praticada por um jovem que estava com ciúmes da sua esposa com o libanês, e acabou o assassinando. 

Mas ainda outros falam que ele morreu após ser agredido com quarenta e duas facadas, crime que jamais foi esclarecido, tanto na autoria como na motivação, e a especulação, ter sido mais uma das mortes arquitetadas pelo sistema, como outras ocorridas em situação análoga, a exemplo de Horácio de Matos, embora exista a versão de que o fotógrafo sírio-libanês teria sido alvo de roubo, apesar de com este nada de valor haver.

Mas vamos deixar pra lá o Benjamin. Você que está começando a estudar o tema "cangaço", você eu, vamos assistir com cautela ao vídeo real, tendo como personagens "de verdade, não são atores" Lampião, Maria Bonita e todos os seus corajosos algozes. 

Só como ilustração

O filme foi feito na caatinga nos anos de 1936 e 1937, mas foi proibido pela ditadura de ser exibido em telas cinematográficas, e as latas que guardavam as películas, foram estragadas pela ferrugem, restando apenas um pouco mais de 14 minutos de projeção.

Às vezes encontramos pessoas que nos condenam, simplesmente, porque estudamos cangaço. Que mal faz  estudar cangaço? E o que faremos com a história de Jesus que sofreu um inferno, por ter sido pregado em uma cruz pelos carrascos que o condenavam? Teremos que abandonar o estudo bíblico? E as guerras que matam e destroem cidades inteiras? Então, temos que abandonar todo tipo de estudo, onde matam pessoas, já que é considerado crime? Não somos nós que cometemos crimes. 

O filme não tem uma sequência, como por exemplo, romance, história..., mas foram gravadas imagens do dia a dia dos congaceiros dentro da caatinga nordestina, como seja um documentário e de grande valor.

Leia o que eu encontrei sobre a sua morte: 

(...) 

A morte dele foi um tanto quanto confusa. O que se sabe é que ele mantinha relações com a mulher de um sapateiro, que era deficiente. Mas o Benjamin também tinha filmado o Lampião, pessoas importantes que tinham relacionamento com Lampião, e eu acho que essa foi a causa da morte dele. Como ele mantinha relacionamento com essa mulher, não sei até onde foi que colocaram na cabeça do sapateiro que ele precisava dar um fim no Benjamin. O genro e o filho do sapateiro mataram o Benjamin com 42 facadas”, diz Araujo.

(...) 

Clique aqui: https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/4142/quem-era-o-imigrante-libanes-que-fez-as-unicas-imagens-de-lampiao

Leitor, que está começando a estudar o tema cangaço, vá em frente! Ler cangaço é cultura. 

Leia sobre cangaço seguindo os blogs: 

http://cariricangaco.blogspot.com

http://lampiaoaceso.blogspot.com

https://tokdehistoria.com.br

http://joaodesousalima.blogspot.com, 

http://cangaconabahia.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com, 

além de tantos outros que guardam muitas histórias sobre o cangaço.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

quarta-feira, 23 de junho de 2021

O CAPITÃO LAMPIÃO FOI HERÓI OU FOI BANDIDO?

  Por José Mendes Pereira


Cada um de nós que estuda "cangaço" e principalmente quando se refere à empresa do capitão Lampião, tem a sua opinião, e não podemos desmerecer quando se trata de suposição. Mas quando é invencioníces, coisas que não aconteceram no cangaço e nem isoladamente com cangaceiros, todos os estudiosos deste tema, e aqueles que foram às caatingas para registrarem as verdades, têm obrigação de protestar a falsa informação. A literatura lampiônica não tem espaço para acomodar assuntos mentirosos sobre ela.

Sobre o velho guerreiro Lampião, uns dizem que ele era herói, outros o classificam como bandido, outros como um simples covarde, e outros dizem o que bem querem, vão mais além do normal.  Mas é assim mesmo, porque são opiniões. Todo estudo tem as suas crenças e as suas contrariedades. porque, enquanto um opina assim, assim,,. outro já se vira e contraria tudo de uma hora para outra. 

Desde do ano de 2008, todos os dias que Deus me dá, pela manhã, bem cedinho, eu me arrumo com os meus equipamentos de pesquisa, e bem camuflado para não me verem, sigo os passos do capitão Lampião e seu admirado bando de cangaceiros, dentro dos cerrados sertanejos. Vez por outra, sou necessário recuar, porque eles são como abelhas quando perseguidas pelos seus  predadores. 

Há anos que sou patrocinado pelos pesquisadores, escritores e cineastas, que amigavelmente, diariamente, me entregam o material para eu segui-los. Mas ainda me falta tanto chão para percorrer e registrar o que os cangaceiros fazem dentro da mata, porque, o tempo não foi ainda suficiente para acompanhá-los por todos os lugares que eles vão. Também, a literatura lampiôncia é bastante vasta, e não é fácil segui-la tão rápida como se pensa.

Nessas minhas andanças seguindo os facínoras presenciei o começo das desavenças da família Ferreira com o senhor Zé Saturnino, ou vice-versa, mas ainda eu não descobri quem tem razão nesta briga de vizinhos. O Zé Saturnino diz que quem começou a desavença foram os Ferreiras, e a razão é sua. Já os Ferreiras também se acham vítimas de um homem que se fazia amigo da sua família, e de repente, sem menos eles esperarem, se transformou em um grande adversário. 

Presenciei também uma certa parte de invasões que o capitão fez por este sertão nordestino. Mas vi também o Lampião sendo assassinado, juntamente com a sua rainha Maria Bonita e mais nove cangaceiros da sua empresa, mortes todas feitas pelas forças policiais do tenente João Bezerra da Silva, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, em Porto da Folha, atualmente Poço Redondo, no Estado de Sergipe.

Eu também não tenho como afirmar que o meu amigo de andanças nas caatingas, o capitão Lampião foi herói. Na minha humilde e não válida opinião, ele nunca foi herói, mas também não quero o chamar de bandido, para não ferir os seus familiares, e assim, o considero como um verdadeiro delinquente, doente mental, que não quis obedecer a lei por desejo próprio, que não respeitava as regras ou não fazia o dever de casa no momento certo, ou ainda não aceitava seguir as regras de um grupo social de homens. O capitão Lampião não obedecia a lei, porque sabia muito bem que ficavam impune todas as desordens praticadas por ele. 

Pedra da Emboscada, Fazenda Pedreira, Serra Talhada, Pernambuco. 

Foi por trás dessa pedra que Zé Saturnino se escondeu e meteu bala contra Lampião e os seus irmãos. O motivo seria uma desavença entre vizinhos, causado por duelo abortado por Zé Saturnino, filho de pessoas que tinham muitas posses e que moravam vizinho as terras de Lampião e família.

"Lembrando ao leitor que, o que eu escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica, e nem contraria de forma alguma o que os cineastas gravaram, e nem o que os escritores e pesquisadores já escreveram. 

São apenas os meus pensamento sobre cangaço. 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O CANGACEIRO GORGULHO.

    Por Fabio Costa Este Cangaceiro estava no grupo de Mané Moreno em Poço da Volta quando em meio ao forró foram emboscados pela volante de...