terça-feira, 21 de abril de 2020

INTERVENÇÃO MILITAR

Por José Mendes Pereira
Tem uma porção de gente que está fazendo manifestações pelo Brasil pedindo a Intervenção militar e que venha o Ato Institucional Número Cinco (AI-5). Essas pessoas que exigem que volte o tempo passado que foi a ditadura nem sabe o que estão dizendo. Não têm a mínima ideia como funciona este Ato.
Se elas querem o retorno da ditadura, que venha, e depois irão saber o quanto é duro viver no regime militar.. Não se tem liberdade, não se diz nada com o presidente, deputados..., afinal, tudo é muito triste. Será preso sem fiança e sem visitas na cadeia aquele que falar mal do presidente ou de uma autoridade governamental. Se vier a ditadura eu tenho pena de quem não pediu, e aqueles que pediram que sofram e comam do pão que o diabo amassou.
Eu não sofri na ditadura porque não errei e nem meus pais, mas conheci pessoas que sofreram bastante. Várias foram mortas e até hoje ninguém sabe o local que foram assassinadas. Outros foram dependurados pelos testículos, não sito quem, mas em Mossoró alguns sofreram estas crueldades. Mulheres estupradas e mortas por lá mesmo. A peia comia no centro.
Deixa de tolice, rapaz! Você fala essas bobagem é somente para aparecer.
Leia o que é o Ato Institucionla nº. cinco AI-5 e leia também o que é ditadura para você afirmar o porquê das suas bobagens, ou então cala essa sua boca de escárnio. Deixa de querer aparecer! O que aqui estou falando é independente de presidente. Poderia ser qualquer um, Lula, Dilma ou Bolsonaro. Não me refiro a nenhum. Nenhum deles me dão de comer.
Leia sobre Bangu que era mossoroense e sofreu todo tipo de tortura.
Bangu 1 -
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/…/bangu-memoria-de-…
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terça-feira, 14 de abril de 2020

HOJE 1º. DE ABRIL DE 2020 FUGI ÀS PRESSAS DO PARQUE DE DIVERSÃO PARA NÃO SER MACHUCADO



Era um sábado de um mês qualquer do ano que também não me lembro mais, mas isso foi no período em que inocentemente posei diante de uma câmara fotográfica para fazer esta foto, entregando-a aos amigos e amigas do facebook para ser julgada através de elogios ou no meio de críticas.

A noite chegou clareada pela lua que elegantemente desfilava na gigantesca e deslumbrante passarela do universo. Na José de Alencar, no bairro Paraíba em Mossoró, eu me vestia e me calçava para fugir e chegar até ao Parque de Diversão no grande Lago do bairro Santo Antonio, que por lá tinha se estabelecido naquelas imediações do hospital de Caridade do ex-senador Duarte Filho, eleito pelos esforços intelectuais de Aluísio Alves, ex-governador do Rio Grande do Norte.

Vamos sair um pouco do nosso assunto, mas voltaremos logo.

"Habitualmente, nos últimos dias que antecedia o fim da campanha eram três dias e três noites de vigília, que o cigano feiticeiro Aluísio Alves passava sobre um caminhão, recebendo apoios e algumas vezes, estes negados, além do sol e chuva, sem dormir, mal alimentado, mas mesmo assim, visitando todos os bairros de Mossoró, com a intenção de matar a sua fome que nada mais era do que angariar votos, acabava-se de imediato a sua fome se adquirisse sufrágios para ser eleito ou desfrutar do prazer do seu candidato apoiado".

Continuando a nossa história.

Assim que me aprontei, saí de mansinho para que os olhares dos monitores da Casa de Menores Mário Negócio, seu Manoel Maia e o mano Francisco José Caldas Da Silva Dedé (o nosso querido e amigo 40), não me vissem. E pela Avenida Alberto Maranhão entrei. Mais a frente ocupei a Rua João Marcelino, e em seguida, invadi a Juvenal Lamartine, e por ela não demorei muito para chegar ao Parque de Diversão.

Quando eu entrei na multidão de jovens que visitava aquela recreação, fui logo atacado por uma porção de garotas que enlouquecida queria me beijar, me abraçar ou me namorar. Não tendo como ficar naquele lugar, saí tentando me livrar das garotas que no momento me rodeavam. Num espaço que elas me cederam a oportunidade de ficar mais livre, saí às carreiras, tirando o trajeto numa grande velocidade em busca da Casa de Menores Mário Negócio, porque lá era o meu refúgio. E todas as garotas me seguiram como loucas, quase me pegando. Eu correndo e elas correndo num pega-pega dos danados.

Ao chegar à instituição, eu estava mais morto do que vivo. Mas mesmo assim, fui pular o muro, porque não dava tempo abrir o portão com a chave, do contrário elas me pegavam e me machucariam todas de uma só vez. E ao cair do outro lado do muro pisei na ponta de uma tábua que tampava um cacimbão. Com o meu peso, a tábua subiu a outra ponta, e ao voltar ao local de origem, provocou um som confuso. Foi aí que acordei, porque a cama de acampamento desarmou no momento do meu medo. Ao acordar, percebi que nem de casa eu tinha saído naquela noite. Eu tinha me deitado sobre a cama de acampamento com uma sonolência das danadas.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

HOJE 1º. DE ABRIL DE 2020 FUGI ÀS PRESSAS DO PARQUE DE DIVERSÃO PARA NÃO SER MACHUCADO



Era um sábado de um mês qualquer do ano que também não me lembro mais, mas isso foi no período em que inocentemente posei diante de uma câmara fotográfica para fazer esta foto, entregando-a aos amigos e amigas do facebook para ser julgada através de elogios ou no meio de críticas.

A noite chegou clareada pela lua que elegantemente desfilava na gigantesca e deslumbrante passarela do universo. Na José de Alencar, no bairro Paraíba em Mossoró, eu me vestia e me calçava para fugir e chegar até ao Parque de Diversão no grande Lago do bairro Santo Antonio, que por lá tinha se estabelecido naquelas imediações do hospital de Caridade do ex-senador Duarte Filho, eleito pelos esforços intelectuais de Aluísio Alves, ex-governador do Rio Grande do Norte.

Vamos sair um pouco do nosso assunto, mas voltaremos logo.

"Habitualmente, nos últimos dias que antecedia o fim da campanha eram três dias e três noites de vigília, que o cigano feiticeiro Aluísio Alves passava sobre um caminhão, recebendo apoios e algumas vezes, estes negados, além do sol e chuva, sem dormir, mal alimentado, mas mesmo assim, visitando todos os bairros de Mossoró, com a intenção de matar a sua fome que nada mais era do que angariar votos, acabava-se de imediato a sua fome se adquirisse sufrágios para ser eleito ou desfrutar do prazer do seu candidato apoiado".

Continuando a nossa história.

Assim que me aprontei, saí de mansinho para que os olhares dos monitores da Casa de Menores Mário Negócio, seu Manoel Maia e o mano Francisco José Caldas Da Silva Dedé (o nosso querido e amigo 40), não me vissem. E pela Avenida Alberto Maranhão entrei. Mais a frente ocupei a Rua João Marcelino, e em seguida, invadi a Juvenal Lamartine, e por ela não demorei muito para chegar ao Parque de Diversão.

Quando eu entrei na multidão de jovens que visitava aquela recreação, fui logo atacado por uma porção de garotas que enlouquecida queria me beijar, me abraçar ou me namorar. Não tendo como ficar naquele lugar, saí tentando me livrar das garotas que no momento me rodeavam. Num espaço que elas me cederam a oportunidade de ficar mais livre, saí às carreiras, tirando o trajeto numa grande velocidade em busca da Casa de Menores Mário Negócio, porque lá era o meu refúgio. E todas as garotas me seguiram como loucas, quase me pegando. Eu correndo e elas correndo num pega-pega dos danados.

Ao chegar à instituição, eu estava mais morto do que vivo. Mas mesmo assim, fui pular o muro, porque não dava tempo abrir o portão com a chave, do contrário elas me pegavam e me machucariam todas de uma só vez. E ao cair do outro lado do muro pisei na ponta de uma tábua que tampava um cacimbão. Com o meu peso, a tábua subiu a outra ponta, e ao voltar ao local de origem, provocou um som confuso. Foi aí que acordei, porque a cama de acampamento desarmou no momento do meu medo. Ao acordar, percebi que nem de casa eu tinha saído naquela noite. Eu tinha me deitado sobre a cama de acampamento com uma sonolência das danadas.

sábado, 7 de março de 2020

ANTÔNIO MEDEIROS GASTÃO O DR. GASTÃO

Por José Mendes Pereira

Antônio Medeiros Gastão é irmão do fundador da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço. É natural de Triunfo no Estado de Pernambuco. Nasceu no dia 13 de junho de 1932. É formado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco, em 1958.


Como médico prestou serviços no Pronto-Socorro Municipal, em São Paulo-SP (1959); Médico Estagiário em Anestesiologia do HC, em São Paulo (1959); Hospital de Caridade de Mossoró (1960 a 1962); Diretor Clínico do Hospital de Caridade de Mossoró (1962); Médico do Departamento de anestesiologia do HC, em São Paulo (1962); Médico do INPS e do INAMPS, em Mossoró (1968); Professor do Centro de Educação de Mossoró (1961); Professor no Colégio Diocesano Santa Luzia (1961 a 1962); Presidente do Esporte Clube Baraúnas (1964), em Mossoró; Presidente da Liga Desportiva Mossoroense (1965); Diretor Geral da Sociedade Hospital de Caridade de Mossoró (1967 a 1969); Membro fundador do Conselho de Curadores da Fundação Universidade do Rio Grande do Norte – FURRN (1968 a 1977); Professor na Fundação Universidade do Rio Grande do Norte – FURRN (1972); Diretor Presidente da Sociedade Hospital de Caridade de Mossoró (1978); Membro do Conselho de Curadores da Fundação Universidade do Rio Grande do Norte – FURRN (1981 a 1985); Membro do Conselho Deliberativo da Fundação de Saúde de Mossoró (1989); Membro do Conselho Municipal de Saúde em Mossoró (1992 a 1997) e Vice presidente do Conselho Municipal de Previdência Social de Mossoró (1995 a 1997).

Em razão de todo esse trabalho por nossa cidade, ele recebeu o Título de Cidadão Mossoroense, pelo Decreto Legislativo Nº 35/1976, outorgado pela Câmara Municipal de Mossoró.

Fonte de pesquisa: Relembrando Mossoró

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VIRTUOSA FERREIRA DA SILVA FILHA DO CASAL JOSÉ FERREIRA DOS SANTOS E DE MARIA SULENA DA PURIFICAÇÃO.

Por José Mendes Pereira
Virtuosa Ferreira  da Silva é a primeira da esquerda abaixo. 

Segundo dados publicados na literatura lampiônica Virtuosa Ferreira da Silva era o 4º filho do casal José Ferreira dos Santos e Maria Sulena da Purificação. Nasceu no ano de 1900 em Villa Bella atualmente Serra Talhada no Estado de Pernambuco. No ano de 1919 fez matrimônio com Luiz Marinho que era sobrinho do cangaceiro Antonio Matilde. Este acompanhava todas as lutas do tio e por causa das perseguições Luiz Marinho resolveu mudar-se para o Estado de Alagoas, e após a morte de José Ferreira  ele foi morar com a família em Propiá no Estado de Sergipe. 

No ano de 1930 Luiz Marinho resolveu ir sozinho para São Paulo deixando a sua esposa Virtuosa com seus três filhos: Francisco, Francisca e José. Mas em 1931 ele cortou os contatos com a família e nunca mais deu notícias. 

João Ferreira dos Santos irmão da Angélica que morava no Estado do Piauí, assim que tomou conhecimento que Luiz Marinho havia abndonado Virtuosa e filhos comprou uma casa no Juazeiro do Norte e deu para ela morar juntamente com os seus filhos. 4 anos depois em 1934 Vituosa faleceu na cidade  do Juazeiro do Norte. 


Após a morte da mãe Francisco e Francisca continuaram morando no Juazeiro do Norte, enquanto José Ferreira tomou outro rumo, e em 1938, no dia 25 de julho entrou no cangaço do afamado e sanguinário tio Lampião. Mas ele nem esperava que o seu tio protetor dos cangaceiros e dele 3 dias após a sua entrada no cangaço seria abatido na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico no Estado de Sergipe. 

O Jornal “A TARDE“ no dia 02 de março de 1939 publicou uma entrevista entrevista feita com o recém-cangaceiro “José Ferreira sobrinho de Lampião“, o qual narra para o repórter a sua entrada no bando, bem como a sua prisão, que ocorreu na cidade sergipana de Canindé.

Clique no link abaixo e leia o que escreveu o cangaceirólogo e pesquisador do cangaço "Volta Seca": 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2015/08/e-agora-jose.html

FAMÍLIA FERREIRA NASCEU PARA LUTAR CONTRA AS SUAS VÍTIMAS.

Por José Mendes Pereira

Sem citar nomes de famílias valentes e nem das cidades que passaram por isso, aqui bem perto de Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte, duas famílias se desentenderam e a intranquilidade reinou por muitos anos, quando uma matava membros da outra família e assim vice-versa. E o mais interessante, de geração a geração, vingando a morte de pessoas do seu rebanho que outra tinha matado. Mas elas não chegaram nem um tiquinho do que fizeram os Ferreiras.

Um dia no sertão do velho e sofrido nordeste brasileiro, lá em Vila Bella (nos dias de hoje, Serra Talhada) no Estado de Pernambuco, duas famílias vizinhas, e que antes eram amigas, se tornaram inimigas.

De um lado, o proprietário da Fazenda Pedreira, José Alves de Barros, o famoso 'José Saturnino', homem que não gostava de baixar a cabeça para ninguém, e no seu entender, não tinha motivos para isso, porque alegava a desavença criada pela outra família.

Do outro lado, os vingativos irmãos Ferreiras: Antonio, Livino, mais outros como um senhor chamado Antonio Matilde (que me parece ser sobrinho do José Ferreira pai de Lampião), e Luiz da Gameleira (não tenho informação quem seria sua família), com o passar dos tempos, com a briga dos Ferreiras, ambos entraram na confusão, no intuito de proteger os irmãos. Mas o mais famoso e briguento era o Virgolino Ferreira da Silva, um homem ainda jovem e dono de uma timidez, de comportamento excepcional, e de repente, mudou o pensamento adverso, contrariando os camponeses da época, que jamais acreditavam que o Virgolino Ferreira da Silva tinha tanta coragem para enfrentar o Zé Saturnino e seus filiados.

Virgolino ainda não era alcunhado de Lampião, porque isso começou no ano de 1916, e só passou a ser Lampião, a partir do ano de 1922. 4 anos depois, (1926), tornou-se capitão Lampião, patente recebida no Juazeiro do Norte, no Estado do Ceará, entregue pelo padre Cícero Romão Batista, a mando do deputado federal Floro Bartolomeu. Muito embora sem nenhum valor a sua patente de capitão, mas mesmo assim, Lampião reinou por muito anos no nordeste brasileiro como capitão, e era com esta patente que os seus comandados o respeitavam. 

Os Ferreiras eram filhos de um homem de boa conduta. Amável à tranquilidade, principalmente a liberdade, isso sim, era o seu desejo, viver harmoniosamente com a sua esposa, sua prole, vizinhos de propriedades, onde ali, alguns deles eram seus compadres. Andar despreocupado de dia e de noite sem ser perseguido, nem incomodado, respeitado por todos que ali viviam. 

Existe um comentário na literatura lampiônica que o ódio e a valentia dos Ferreiras herdaram da mãe dona Maria Sulena da Purificação, porque, enquanto o José Ferreira dos Santos  desarmava os seus filhos na porta da frente, ela os armava na porta de traz, e ainda dizia publicamente que: “não tinha tido filho para ser desmoralizado e nem para ficar no caritó”.

Lógico que os seus filhos não desejavam uma vida intranquila para os seus pais e irmãos que não tinham nada a ver com as suas brigas, mas sem ter outro jeito, devido as suas rixas e ódios, infelizmente criaram um mundo infernal e difícil para eles e para toda família. Marcharam em busca do desassossego, do corre corre, tanto para eles como para os pais e irmãos.

Os irmãos Ferreiras se tornaram feras a partir do ano de 1916, quando o sumiço de bodes do seu rebanho começou, e passaram a ser espiões para descobrirem quem estava subtraindo os seus animais.

Como chegaram ao responsável pelo sumiço das suas criações.

Certo dia, Virgolino e o Livino entraram na casa de um morador do Zé Saturnino, na Fazenda Pedreira, e vendo peles de bodes por lar, e ao conferirem as marcas nas orelhas, perceberam que se tratava dos animais que vinham desaparecendo da fazenda do pai, Sentindo-se prejudicados, e na certeza que o Zé Saturnino tomaria a devida providência, resolveram participar ao fazendeiro.

Zé Saturnino não aceitou as acusações contra o morador, e como não obtiveram apoio, os manos se transformaram em feras humanas, e difíceis de serem domados. A partir daí, as portas do inferno foram abertas para as duas famílias. O furto de bodes deixou duas famílias de salto alto, cada uma se sentindo como a verdadeira vítima, quando as duas eram cúmplices uma da outra.

Não tenho autoridade para com o cangaço e muito menos sobre o José Saturnino, mas se através dos Ferreiras ele tomou conhecimento que o seu morador vinha praticando roubos de criações do seu vizinho, o certo teria sido mandado embora, vez que aceitando, não só o empregado, como também ele, seria desonesto com os animais do outro fazendeiro.

Segundo o que tenho lido, o roubo de bodes feito pelo morador do Zé Saturnino, foi comprovado por um inspetor de quarteirão, bastante violento e resolvia as coisas com autorismo, e que era compadre e amigo do paciente José Ferreira. Mas o inspetor não se sentiu seguro em prender o ladrão, apenas delegou impiedosos castigos. E a partir daí, só fez piorar a briga, tudo se transformou em conflitos nas duas famílias.

O Zé Saturnino e o José Ferreira eram amigos e se davam muito bem, respeitavam-se entre si, bons e pacíficos vizinhos. Mas os filhos não obedeceram o que ensinara o pai, e como não suportaram os roubos dos seus animais, e nem Zé Saturnino aceitou a acusação apontada por eles, de repente, as duas famílias criaram uma intriga.  Agora seria muito difícil de ser resolvida, porque nenhuma estava apta a baixar a cabeça para a outra e pedir desculpa. Cada família tinha no peito o ódio e vontade de vingança, e não demorou muito para ser iniciado tiroteios e emboscadas, manchando de sangue escarlate a pequena região que os viu nascerem naquele sertão desprotegido de autoridade governamental.

Sentindo-se desmoralizado e decepcionado com os Ferreiras, pela  acusação que lhe era apontada, e como vingança, Zé Saturnino passou a mutilar os seus animais que na sua propriedade entravam para ruminarem, cortando os tendões das suas patas, e assim, os viventes não tinham mais condições de se deslocarem para se alimentarem e muito menos, retornarem aos seus chiqueiros de origem, e o resultado era a morte. E vendo as suas criações mutiladas, os Ferreiras não tiveram outra solução, e passaram a agredir o velho fazendeiro em sua própria residência, na Fazenda Pedreira, com ataques violentos, usando o poder das armas.

Os Ferreiras achavam que se de lá pra cá vinham 4 pedras jogadas pelo fazendeiro Zé Saturnino, daqui pra lá não poderia ir menos do que oito, isto é, respondiam ao velho ao dobro, e achavam eles que era isso o que o fazendeiro merecia.

Lampião não era qualquer um, era um homem de gênio forte, não só forte como fortíssimo, e aquele que tentasse vencê-lo, seria impossível sair vitorioso, porque no seu “eu” reinava a maldade, a vontade de matar, de vencer os seus desafetos, de estrangular, de derramar sangue, só assim, serviria de exemplos para outros que poderiam se juntar ao grupo do Zé Saturnino, e tentar vencer os Ferreiras, e não temiam de forma alguma, o que os seus inimigos preparavam para eles.

Lampião era um homem destemido. Quando não gostava de alguém era fácil transformar o seu ódio em forte desavença, e não era preciso que o sujeito fosse o principal causador da desavença, porque ele mesmo, passava a cutucá-lo até que a ira do outro nascesse. Uma intriga de alguém, só o fazia ficar mais famoso, assim achava ele, e isso era o que mais queria. A fama para Virgolino era como se estivesse recebendo um valioso e cobiçado troféu, queria ser o rei, ou sendo uma autoridade qualquer, vista pelos sertanejos de sua jurisdição e reconhecido como um homem valente. Era o seu orgulho, e que todos aqueles que o viam, acanhadamente, apertavam-lhe a sua mão, mas com cuidado, para não machucar alguns calos do futuro rei e capitão do cangaço, porque, poderia surgir um ódio, e desse ódio, uma morte sem demora e sem motivo, uma surra de chicote com três pernas, ou ainda uma punhalada enfiada na clavícula, rasgando coração e fígado do indivíduo, até o local que o punhal alcançasse.

Lampião era o Lampião de Vila Bella, o perverso das queimadas em currais, o sanguinário das mortes de gado e criações miúdas, o vingativo das destruições de casas e roçados, o facínora das capações, das mutilações em orelhas de homens, o celerado dos ferros quentes em rostos de mulheres feitos por outros cangaceiros, mas a mando dele. 

Lampião era um homem que o sujeito não pudia confiar. Sorrir alto diante dele, poderia interpretar aquele gargalhar como uma maneira de criticá-lo. Que todos tivessem cuidado com o Lampião. Quem gosta de cheirar todo tipo de flor, geralmente se atrapalha, recebe o que não espera. Em vez de ramalhete, cheira espinho e finda se furando.

Lampião era como uma capivara que por sorte, mergulha no meio de uma porção de jacarés faminta, e em nenhum momento, teme. Passeia para lá e para cá, e se considera intocável. Assim era o facínora, perverso e sanguinário capitão Lampião. O ódio fazia com que ele praticasse as mais tristes perversidades. Ver sangue derramado no chão de um seu desafeto, era como se fosse simplesmente refresco de morango. 

Feliz daquele que ele o odiava e não chegou a passar pelas suas mãos vingativas. A morte para os seus inimigos não tinha semelhança. Morreria de qualquer jeito.

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

RELEMBRANDO O AMIGO RAIMUNDO FELICIANO.

O DIA EM QUE NÓS FOMOS DESPEDIDOS DA CASA DE MENORES MÁRIO NEGÓCIO.
Por: José Mendes Pereira
Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano, você se foi para "Casa do Senhor" e não voltará, lugar que eu também penso chegar lá um dia. Vou, mas não por espontânea vontade.
Ainda recordo como se fosse hoje numa manhã ensombrada pelas nuvens sem previsões de chuvas, o dia em que a nossa diretora dona Caboclinha nos chamou em sua diretoria e nos comunicou que, aquela boa vida que nós tínhamos antes, naquela Casa de Menores Mário Negócio, havia chegado o fim, pois nós não tínhamos mais direito de continuarmos como internos daquela instituição, alegando-nos a nossa maioridade, por ser uma escola que abrigava alunos até que completasse 18 anos. Mas nós dois já havíamos ultrapassados os 20 anos de idade, e ela passou a não nos ver ali, a instituição era do governo e nós não tínhamos para onde irmos. Mas nem tudo é como a gente pensa. Ela foi obrigada mesma contra vontade de nos mandar embora.
O mês era novembro. O dia, se não me foge a memória, 26, mas o ano não tem como fugir da minha mente, foi em 1970, e neste mesmo ano, havíamos terminado o os nossos cumprimentos com o TG - Tiro de Guerra em Mossoró.
Aquela notícia de imediato era como se a gente tivesse sido atingido por uma perversa punhalada. O que era bom antes, agora seria difícil para procurarmos um lugar seguro, onde nós pudéssemos conviver em família. Os que ali ficaram não sabiam bem se o nosso amanhã iria nos dar alimentos ao redor de outros que talvez substituíssem as nossas amizades de antes.
Lembro-me que a nossa convivência naquela casa seria até quarta-feira que se aproximava. Você com seu jeito engraçado, apoderado daquele violão do Chico Pompilo, que com ele fazíamos as nossas serenatas, pôs-se a cantar uma música de Roberto Carlos, a qual estava sendo a mais tocada nas emissoras de rádio.
Após a nossa saída de lá você tomou rumo aos seus familiares e como sempre foi responsável, trabalhou durante muitos anos com a família Negreiros, só a deixando quando os Negreiros mais velhos partiram para a eternidade.
Assim como eu você também foi um que passou pela Editora Comercial S/A. Sei que foi por pouco tempo, porque a sua profissão não era manusear aquele quebra-cabeças, de juntar letras por letras, para formar palavras ou conteúdos inteiros.
Eu não quis voltar para os meus familiares porque de lá eu já tinha vindo, e a solução foi me alojar no Sindicado da Lavoura de Mossoró, hospedagem adquirida pelo meu pai, Pedro Nél Pereira, que era um dos membros da diretoria daquela instituição sindical.
A primeira noite em que dormi lá senti-me como se fosse um sujeito rejeitado por Deus, pela sociedade, pelos amigos, sem pai, sem mãe e irmãos ao meu lado. Deitei-me e fiquei a olhar o teto, imaginando o teto que eu havia deixado para trás, seguro, com alimentação na hora certa, acompanhado de uma porção de amigos. Eu ali sentia uma solidão que só eu sabia. Em alguns momentos levantei-me, fui até à porta e fiquei observando os transeuntes, que àquelas horas ainda passavam para suas casas.
Eu, em segredo, pelas rótulas da porta da frente, observava aquele movimento bastante restrito de pessoas que se deslocavam, e de repente, vinha um senhor bastante bêbado ocupando toda a Rua Almirante Barroso, e em suas mãos, um objeto. Vi de imediato que era um cabresto, talvez para recolher um dos seus animais.
As horas já se passavam, mas eu não tinha a mínima ideia o que os relógios da humanidade marcavam naquele momento. Lembrei-me da matriz de Nosso Senhora da Conceição e resolvi sair fora para ter ideia que horas o relógio da Igreja assinalava. E vi que os enormes ponteiros marcavam 2 horas da manhã. Retornei à rede e fiquei imaginando o que seria de mim no dia seguinte, onde eu iria tomar o primeiro café do dia, almoçar, e posteriormente o jantar. Mas finalmente, minutos depois, eu adormeci, só acordando quando a assistente do dentista do sindicado (Dr. João Falcão), Maria Da Paz chegou para dar início aos seus trabalhos rotineiros.
Vivi dias e noites difíceis, alimentando-me muito mal, e se eu almoçava (na Churrascaria do Batista, na Alberto Maranhão com o cruzamento da Almirante Barroso), às vezes eu não jantava, por falta de dinheiro; eu ainda não era gráfico profissional e ganhava muito pouco. Foram dias, meses tentando me adaptar a nova vida que eu havia ganhado.
Neste período de sofrimento eu era aluno do Ginásio Municipal de Mossoró, e que muitas vezes, frequentei àquela escola sem jantar, mas nunca cheguei a nenhum dos meus amigos para contar o que estava se passando comigo. E para amenizar um pouco a falta de alimento em minha barriga, fumaça, fumaça, e feito isso, o que me maltratava no momento, havia desaparecido, só retornando as mesmas crises horas depois.
Quando o meu pai me visitava no meu local de trabalho me perguntava sobre o meu passadio, se eu estava comendo todos os dias, se eu jantava, tomava café..., se eu estava necessitando de roupas e calçados. Mas eu o deixava sossegado, em paz, sem aperreios, para que ele, minha mãe e meus irmãos dormissem as noites inteiras sossegados.
Devido a minha situação difícil em alguns momentos pensei em retornar ao campo, voltar a viver àquela vida de camponês, trabalhando na agricultura, nos carnaubais, acordar três horas da madrugada para fazer empilhamentos das palhas das carnaubeiras, cuidando das criações, campeando o minúsculo rebanho de gado que o meu pai possuía, carregando água em ancoretas sobre o lombo de animais, ou sobre o meu próprio ombro. Mas me veio o medo de passar por covarde, fraco, sem esperanças, desprovido de fé em Deus. E depois de imaginar tudo isto, decidi-me, tentar, valia a pena, desistir do sofrimento não era uma boa opção. Que eu seguisse o caminho para ver aonde iria chegar, do jeito que Deus havia determinado para mim.
Para tomar intimidade com esta nova vida levei muitos dias,.., e como sempre Deus está perto de nós, felizmente, um funcionário que trabalhava comigo na Editora Comercial, José Nogueira, filho de Aldenor Nogueira, resolveu ir morar em Natal, e a partir daí, fiquei assumindo o seu lugar, e passei a ganhar de igualdade com os outros profissionais.
Sofri muito, mas tudo que passei valeu a pena. Estudei e sou formado pela Universidade Regional do Rio Grande do Norte - FURRN, nos dias de hoje, UERN. Já estou aposentado pela Secretaria de Educação. Foi uma prova dada por Deus. Venci todos os obstáculos que um ser humano tem que enfrentar para contar a sua história. Hoje estou amparado pela divina graça do Deus todo poderoso.
Adeus, mano Raimundo Feliciano! Um dia a gente se encontra novamente, mas desta vez na casa do Senhor. A estrada poderá ser outra, mas o caminho é exatamente o mesmo que você seguiu.
Raimundo Feliciano faleceu no dia 21 de fevereiro de 2019
LEIA O QUE ESCREVEU Gilvan Rodrigues Leite Leite:

FALECEU EM MOSSORÓ MEU AMIGO RAIMUNDO FELICIANO DA SILVA (RAIMUNDO DA AGROTEC).
É com enorme sentimento de pesar que recebo através das redes sociais, a infausta notícia do falecimento do meu velho amigo e companheiro de trabalho RAIMUNDO FELICIANO DA SILVA (RAIMUNDO DA AGROTEC). Nasceu em Mossoró no dia 01/08/1950, era casado há 42 anos com a Senhora Ilza Feliciano, companheira de toda sua vida e pai de Simone e Ciro Eduardo. Na sua infância foi interno da Casa de Menores, nos tempos áureos da gestão de Dona Caboclinha Miranda. Iniciou sua carreira profissional na antiga Casa Negreiros, de propriedade do saudoso Manoel Negreiros. Com o fechamento da Casa Negreiros, passou a laborar na Agrotec - Agro Técnica Máquinas e Motores Ltda., de propriedade do Dr Gabriel Fernandes de Negreiros, onde tive a satisfação de conviver com ele durante dez anos, de 1981 à 1991. Tendo ele, permanecido na aludida empresa até sua aposentadoria, poucos anos atrás, e como trabalhador e vendedor nato, estabeleceu se no segmento de móveis, máquinas e equipamentos usados. É difícil falar de Raimundo Feliciano, sem ser com o sentimento de gratidão, respeito e amizade. Como colega de trabalho sempre foi um professor, um incentivador, um amigo solidário. Como amigo, era amigo na verdadeira acepção da palavra. Companheiro, afetuoso, espirituoso, simples, Alegre e constante nas horas de lazer e tb nos momentos difíceis. Deixa viúva uma grande mulher, Dona Ilza Feliciano, os filhos Simone e Ciro Eduardo e um neto. Neste momento de profundo pesar, faço chegar às família enlutada minhas condolências, pedindo à Deus que o receba no Reino Eterno".
Minhas Simples Histórias
Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.
1 - Raimundo Feliciano e José Mendes Pereira ex-internos da Casa de menores Máreio Negócio;
2 - Igreja de Nossa Senhora da Conceiçã - diocesedemossoro.blogspot.com
3 - Granjaceara.blogspot.com;
4 - Raimundo Feliciano e José Mendes - ex-internos da Casa de Menores Mário Negócio – Foto do acervo do autor;
5 - Tiro de Guerra de Mossoró - jotamariatirodeguerra.blogspot.com

COM DAVI, IRMÃO DO VAQUEIRINHO GABRIEL.

  Por Rangel Alves da Costa Hoje (Sábado 12/09), após a Missa de Sétimo Dia, conversei alguns instantes com o irmão do Vaqueirinho Gabriel, ...