quarta-feira, 5 de agosto de 2020

MANOEL DUARTE FERREIRA TIDO COMO ASSASSINO DO CANGACEIRO COLCHETE E TERIA BALEADO O JARARACA.

Por José Mendes Pereira
Manoel Duarte Ferreira 

Manoel Duarte Ferreira pertencia a uma das mais tradicionais famílias (Duarte) de Mossoró. Nasceu no dia 15 de novembro de 1895 e faleceu no dia 31 de janeiro de 1982.



Era irmão do médico e ex-Senador da República Francisco Duarte Filho (Duarte Filho),  e filho dos maiores latifundiários no leste de Mossoró, Francisco Duarte Ferreira e Maria Vicência Duarte. Manoel Duarte é acusado de ter assassinado o cangaceiro Colchete e baleado o Jararaca.

 
Francisco Duarte Ferreira e Maria Vicência Duarte

Como já é do conhecimento dos leitores meus irmãos e eu nascemos na propriedade do Manoel Duarte, no sítio Mururé, mas que fazia e continua fazendo parte da antiga Fazenda Barrinha, distante de Mossoró 8 km, porque a cidade já caminha para ocupar as suas terras. Já os meus pais nasceram nas terras do seu pai Francisco Duarte ou simplesmente Chico Duarte, porque a propriedade ainda não tinha sido dividida. 

A propriedade era uma só, mas quando a Maria Inácia faleceu o Chico Duarte fez o inventário, e alguns dos filhos que gostavam da vida camponesa edificaram as suas fazendas independentes da fazenda do pai. Em 1955 Chico Duarte faleceu e dona Chiquinha Rodrigues Duarte 2ª. esposa do fazendeiro fez o segundo inventário, entregando mais outra parte de terras a cada um dos seus enteados.


Historiadores Raimundo Soares de Brito e Geraldo Maia do Nascimento 

Segundo o saudoso historiador Raimundo Soares de Brito o Raibrito em seu livro "Ruas e patronos de Mossoró" - coleção mossoroense, afirma que na defesa de Mossoró contra o bando de Lampião, Manoel Duarte ocupou a trincheira de onde se comenta terem saído os tiros que abateu Colchete e alvejaram Jararaca.


Paulo Nobre de Medeiros

Após o falecimento do Manoel Duarte em em 31 de janeiro de 1982, o jornal "O Mossoroense" comentando o fato informou:

"num reconhecimento ao seu valor e acatando a sugestão de Paulo Nobre de Medeiros, delegado do Oriente Independente Maçônico do Rio Grande do Norte, o prefeito João Newton da Escóssia decretou luto Oficial por três dias, permitindo que fosse coberto o esquife do conterrâneo com a bandeira do município".

DÚVIDAS QUE AINDA NÃO FORAM ESCLARECIDAS:

Sobre a morte do cangaceiro Colchete ainda não se tem uma certeza quem foi o seu matador. Na literatura cangaceira aparece o nome do civil Manoel Duarte Ferreira, como sendo o assassino do cangaceiro Colchete e ter baleado o José Leite de Santana o Jararaca. 

Certa vez um jornalista e escritor de Mossoró, mas atualmente reside em Natal, me falou que não se tem certeza que foi o Manoel Duarte quem assassinou o Colchete e baleou o Jararaca.


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UMA FOTO POSTADA SEM AUTORIZAÇÃO VOCÊ PODERÁ PAGAR CARO POR ISSO.

Por José Mendes Pereira
O Michael Jackson é público e outros tantos.

Quando se trata de pessoa pública você pode postar fotos livremente nas suas páginas sociais, mas se não for e não pediu permissão, tenha cuidado, porque você poderá pagar muito caro por isso, e geralmente é acionada a justiça; um advogado é logo contratado para tomar de conta disso, e diariamente azucrinar os teus ouvidos, Uma volta, volta e meia ele ali aparece, sempre ligando e com tom de ignorância para tentar fazer você temer os seus arrufos.

Quase não deixa você falar nada. É a voz daquele que manda calar a boca como se ele é o poderoso chefão, e você fique tremendo de medo. Só porque faz parte da jurisdição, e ainda expressa poder, sempre fala grosso no que diz respeito às leis, não todos. "- Aqui quem fala sou eu, o advogado encarregado da causa contra você...!" E você para ver se paga bem barato o seu erro assumido, obedece como um cão que foi repreendido pelo seu dono  e desconfiadamente foi se deitar um pouco distante.


Quatro anos já se passaram depois que o que segue aconteceu comigo. Nas minhas postagens tenho preferência por uma bela ilustração, principalmente foto incolor, pois eu acho mais aconchegante para histórias antigas. Nada mais enfeita um texto do que fotos antigas, muito embora temos as atuais que não devemos desprezá-las. 

Nas minhas pesquisas encontrei um trabalho de bom nível que me chamou a atenção e interesse para eu fazer a leitura. O trabalho sobre facínoras é bem redigido, bom de se ler, e foi escrito com informações corretas isto é, até onde eu sei sobre "cangaço"E para que ficasse um trabalho que chamasse a atenção de outros leitores, procurei nas páginas de fotografias e encontrei a foto do autor, e nela, juntamente com o texto, postei-os no nosso blog. 

Posteriormente recebi  do redator daquele trabalho mil e um agradecimentos pela postagem em nosso blog, Mas o mais interessante foi que meses depois ele me enviou uma foto sua solicitando que eu excluisse a anterior e inserisse no seu trabalho àquela enviada por ele. 
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Muitos leitores já sabem que o google ou o blogspot, não sei quem foi, tirou-me o direito de mexer em páginas do http://blogdomendesemendes.blogspot.com de cinco mil postagens para trás. De cinco mil para cá eu posso corrigi-las, mudar fotografias ou palavras que ficaram faltando dígitos ou com excessos de dígitos, principalmente tudo aquilo que foi escrito por mim que tenho o direito de mexer no texto, já que foi eu quem o escreveu, eliminar o que eu não acho necessário, isto é, deixar do meu gosto. 

Comuniquei ao moço que eu não tinha condição de fazer a mudança da sua foto, porque o google ou o blogspot tinha tirado o meu direito de mexer nas página do blogdomendesemendes de cinco mil para trás. Após a informação que enviei, aí começou a pressão do jovem contra mim. Já tinha contratado um advogado para resolver isto, porque a sua foto não fora autorizada por ele, ser publicada em nosso blog. Todo dia ele me mandava e-mails me precionando para a retirada da sua fotografia. Foi um dos maiores infernos que já aconteceu na minha vida de blogueiro. 

Mas mesmo temendo pagar uma boa quantia em R$ real ao oportunista, eu resolvi atacá-lo, imaginando que "barco perdido só é bom mesmo se for bem carregado", mesmo errado eu lhe disse que ele não estava falando com pessoa leiga que não entende de lei. 

Eu fiz direito um ano e meio na atual UERN (de verdade, não é mentira), mas fui obrigado a deixar o curso devido o pouco tempo para continuar, porque eu ja era  funcionário público (hoje aposentado) tinha a escola que trabalhava nela e dirigia uma Serralheria. Era destas que eu ganhava os meus salários. então resolvi deixar o curso de direito que dele eu não ganhava nada.

Eu já havia comunicado que ele procurasse o google, sei lá quem, e pedisse para excluir a sua foto do nosso blog. A partir dos meus arrufos ele mudou o seu comportamento, e passou a me tratar como uma pessoa que tinha errado, mas com calma, seria solucinado o problema entre ele e eu. Não paguei nada, mas fui precionado de todas formas.

Depois deste acontecimento fiquei com cuidado, principalmente postar fotos de pessoas que eu não as conheço. De todos os cangaceirólgos eu não tenho receio de postaras suas fotos, porque sei que se um deles achar que a sua foto não pode permanecer em nosso blog, tenho certeza que educadamente ele me pedirá com tempo, para que não ultrapasse dos 5 mil para trás. 

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DISSERAM A ANANIAS QUE ELE ERA FILHO DE MARIA BONITA E SEM QUERER QUERENDO, ELE ACREDITOU.

Por José Mendes Pereira

Criar fatos inexistentes é bem mais fácil do que fazer a ditadura no Brasil, como disse o Bolsonaro alguns meses que se passaram, que para voltar a ditadura: "- é bem "facim", mas eu não quero...", assim afirmou ele em uma entrevista a um canal de televisão.

Um acontecimento do cangaço que me deixa sem rumo é sobre a paternidade do  Ananias Gomes de Oliveira que era irmão da Maria Bonita do capitão, e alguns familiares colocaram na sua mente, que ele não era irmão de Maria e sim, filho. E o Ananias que era irmão mesmo da rainha do cangaço, infelizmente, sem querer querendo, acreditou na conversa. Impossível! Por que só depois de algumas décadas passadas é que foi descoberto que ele era filho da Maria? E a visinhança não viu ele nascer do ventre de Maria filha ou de Maria mãe?

Não aparece quem a coloriu.

Na história do cangaço o velho guerreiro Lampião só tem uma única filha reconhecida historicamente, que é dona Expedita Ferreira Nunes, e que mora em Aracaju, no Estado de Sergipe. Ela nasceu em Porto da Folha sob a proteção de um umbuzeiro no ano de 1932,  e com 21 dias de nascida foi entregue pelos pais a um casal de vaqueiros, os quais eram Severo e sua esposa Aurora, que já eram pais de 11 filhos, e segundo dona Expedita Ferreira, foi bem criada com muito carinho por todos eles. O casal sempre dizia que ela não era filha dele, e sim, dos cangaceiros Lampião e Maria Bonita.
 

Sabemos que a rainha do cangaço Maria Bonita durante o tempo em que viveu com o capitão Lampião teve três abortos, fazendo um total de quatro filhos gerados em seu útero contando com dona Expedita. Mas o capitão Lampião mesmo sem saber, poderá ter deixado alguma namorada grávida pelos sertões que passou. Não se tem conhecimento disso, mas não é difícil, porque homem que não obedece as leis é poderoso e domina fácil uma mulher, principalmente quando ela não tem nenhum compromisso amoroso. Dois que apareceram por aí dizendo que eram filhos do rei, foram invenções. 

João Peitudo suposto filho de Lampião e Maria Bonita

O João Ferreira (João Peitudo) que era lutador de box e se dizia ser filho do casal de cangaceiros, que segundo ele, nasceu no ano de 1938, Vera Ferreira que é neta de Lampião diz que não há nenhuma possibilidade do João ser filho dos seus avós, porque ele nasceu em 1942, e os seus avós já estavam mortos há quatro anos. João Peitudo morreu tentando provar que era filho do Lampião.

Vera Ferreira neta de Lampião e Maria Bonita

Em 2005, surgiu o mais recente caso e com grande possibilidade de ser real, segundo alguns especialistas, um dos onze filhos de Maria Joaquina da Conceição, conhecida como "Dona Déa" e José Gomes de Oliveira, o "Zé Filipe" o Ananias (foto no início da página) seria filho de Maria Bonita com Lampião. Acontece que Dona Déa e Zé Filipe são pais da Maria Bonita.

Dr. Antonio Amaury e Manoel Severo.

Li que uma descoberta do Dr. Antônio Amaury Correia teria ouvido de um major reformado do exército de nome José Mutti, um ex-volante da polícia, e que este foi  genro dos pais de Maria Bonita que ele foi esposo de Antonia Gomes de Oliveira, a sogra segredou-lhe que o Ananias era filho do "homem", ela quis dizer referindo-se a ao capitão Lampião.


Antonia Gomes de Oliveira irmã de Maria Bonita

Quem ler sobre cangaço e assim como eu que não tem muita segurança sobre o tema, opino sem atrapalhar os pesquisadores e escritores, e com essa informação de dona Déia, fico meio assustado e me perguntando: Mas quem seria a mãe, Maria Bonita com o Lampião ou a dona Maria Joaquina com o “homem” que seria o Lampião?

O mais interessante é que Ananias nasceu no ano de 1929 e Maria Bonita entrou para o cangaço em meados do ano de 1930. E quem viu Maria Bonita grávida neste período de 1929 a 1930? Ninguém fala que a viu gestante durante este tempo em que ela estava tentando se aconchegar a Lampião.


Volta Seca com a sua esposa

O cangaceiro Volta Seca que ainda era menino na época e que entrou para a empresa de cangaceiros de Lampião em 1929, falou ao Jornal “O Pasquim” que viu Maria Bonita grávida, mas de Expedita Ferreira que nasceu no ano de 1932, e quem cuidou dela foi a sua própria mãe Maria Joaquina.

Expedita Ferreira filha de lampião e Maria Bonita

A verdade não aparece em nenhum caso deste. Ananias que foi considerado neto e ao mesmo tempo filho de criação de dona Maria Joaquina é também uma criação dela, para que ele se tornasse filho de Lampião e Maria Bonita. Com certeza, grávida ela não foi para o cangaço, porque nenhum remanescente de Lampião falou nessa possibilidade entre 1929 a 1930, principalmente o Volta Seca que entrou para o cangaço no ano de 1929. E se Maria Bonita teve o Ananias, não era filho de Lampião e sim, do seu primeiro esposo Zé de Neném. 

Maria Bonita e seu primeiro esposo José de Neném.

O mais interessante é que dona Maria Joaquina segredou ao seu genro a paternidade do Ananias sendo Lampião e Maria Bonita. E qual seria a sua intenção de falar isto em boca de cumbuca, já que a vizinhança sabia muito bem quem seria o pai e mãe do Ananias? 

Informação: 

O que eu escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica. São apenas as minhas inquietações. Não prejudica de forma alguma e não contraria os trabalhos dos escritores e pesquisadores. Afinal, tudo que os escritores escrevem eu muito os agradeço, porque é com eles que eu tento conhecer e viajar com os reis do cangaço nas caatingas nordestinas. Um tema apaixonante que é cangaço.

Leia este trabalho no Lampião aceso: 


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JOSÉ FELIPE DE OLIVEIRA PAI DE MARIA BONITA NÃO SE AFINAVA COM O SEU GENRO CAPITÃO LAMPIÃO

Por José Mendes Pereira

Parece que o que dizem sobre Virgolino Ferreira da Silva o capitão Lampião que era bem recebido na casa do José Felipe de Oliveira, seu sogro, não tem muita credibilidade. Aqui eu apresento aos amigos o trabalho abaixo do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros. O natalense fala claramente sobre a recusa de José Felipe de Oliveira com o seu novo genro que era Lampião, companheiro da sua filha Maria Gomes de Oliveira a Maria Bonita. 

Se você quiser saber tudo sobre o que disse o pai da Maria Bonita ao repórter A. C. Rangel do periódico carioca “O Jornal”, que era autodenominado o “órgão líder dos Diários Associados”, e tinha como poderoso chefão o paraibando de Umbuzeiro o jornalista, empresário e político brasileiro Francisco Assis Chateaubriand, clique no link abaixo e faça uma boa leitura. É bem redigido pelo o Rostand Medeiros. Gostosa e prazerosa leitura.

Vamos ouvir em segredo o que o historiógrafo diz sobre eles: 

Historiógrafo Rostand Medeiros

(...) Vinte anos após a morte de Lampião e Maria Bonita na Grota do Angico, o repórter A. C. Rangel e o fotógrafo Rubens Boccia seguiram para o sertão a serviço do periódico carioca “O Jornal”.

Este era autodenominado o “órgão líder dos Diários Associados”, sendo o primeiro veículo jornalístico adquirido pelo poderoso Assis Chateaubriand e se tornou o embrião do que viria a ser a empresa jornalística Diários Associados. O objetivo dos profissionais da imprensa era realizar uma entrevista com o pai de Maria Bonita o José Gomes de Oliveira mais conhecido como Zé Felipe.

O pai de Maria Bonita nada narrou sobre a esterilidade do sapateiro e nem sobre o primeiro marido da sua filha, mas comentou que ficou arruinado com a união de Maria e o “Rei do Cangaço”. Ele afirmou ao jornalista que em consequência daquela união passou oito anos andando pelo norte do país, verdadeiramente como um “cão escorraçado e sem sossego”.
"Se ele passou oito anos fora de casa possivelmente não estava nem um pouco satisfeito com aquela união".

Zé Felipe comentou que após Maria decidir seguir os passos de Virgulino Ferreira da Silva o Lampião, nas poucas vezes que pode estar frente a frente com a sua filha, buscou convencê-la a deixar aquela vida. Atitude bastante razoável para um pai diante daquela situação. Comentou que Lampião vivia como um “alucinado” e que não parava em parte alguma. Mas como bem sabemos, ele não conseguiu convencer a filha.

(...) O jornalista Rangel informa que Zé Felipe lhe narrou que em uma ocasião em meio a uma caminhada forte, com a polícia seguindo nos calcanhares, Maria Bonita foi ficando cada vez mais para trás, pois trazia embalada uma criança sua, com pouco tempo de nascida. Sem explicar como, a reportagem informa que a cangaceira com seu filhinho pegou um cavalo e conseguiu chegar próximo ao bando. Como a criança chorava muito, Lampião se exasperou e, para evitar que o bando fosse encontrado pela polícia, quis “sangrar” com um punhal seu próprio filho. Mas Maria saltou de punhal na mão e encarou o chefe cangaceiro frente a frente e este desistiu de sua ação. 

Noutra ocasião Zé Felipe narrou ao jornalista Rangel que Maria tinha ficado raivosa com o companheiro e chegou a quebrar-lhe uma cabaça d’água na cabeça. [2]
Em outra parte da narrativa, o velho Zé Felipe narrou uma desobediência de sua filha perante Lampião. (...)

Não deixa de fazer uma visitinha ao Rostand Medeiros. Basta clicar no link abaixo. Seus trabalhos são excelentes, tanto faz cangaço como aviação e outros.

https://tokdehistoria.com.br/

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terça-feira, 28 de julho de 2020

O PERVERSO ZÉ BAIANO

Por José Mendes Pereira

No dia 07 de julho de 1936, quase um ano faltava para o extermínio  da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica Cia." foi feita a eliminação do bando de cangaceiros do famoso e perverso Zé Baiano, por um grupo de seis civis, que em reunião, combinou chacinar todos os quatro integrantes da pequena turba, e assim foi cumprida a missão acordada.
Para aqueles que já leram sobre o famoso sanguinário e impiedoso Zé Baiano e está um pouco esquecido dele e para que você se lembre, é aquele que era chefe de um subgrupo da "Empresa do capitão Lampião e atuava no município de Frei Paulo, no Estado de Sergipe, localizado na parte agreste na Microrregião de Carira. Ele foi para este lugar a mando de Lampião. Também é aquele que por pouca sorte foi traído pela sua companheira Lídia Pereira de Souza, ela sendo filha do coiteiro de Lampião Luiz Pereira e de dona Maria Rosa. 

Zé Baiano teve má sorte e sorte ao mesmo tempo, porque ele era o cangaceiro mais feio de todos eles, mas mesmo assim, foi companheiro da mais bela cangaceira, segundo os próprios remanescentes do cangaço  Lampiônico, afirmaram isso aos pesquisadores e escritores, que a Lídia era muito bonita, e nenhuma cangaceira tinha condição de concorrer com ela.
Jornalista Robério Santos na sepultura de Bem-te-vi na cidade de Carinhanha, no sábado (26). Foto: Reprodução de Robério Santos - https://folhadovale.net/cangaceiro-bem-te-vi-foi-enterrado-em-carinhanha.html

O ano era 1934 e o mês julho. Lídia  havia corneado o Zé Baiano com o cangaceiro Bem-te-vi, que ao tomar conhecimento da traição através do facínora "Coqueiro", este sendo um eterno apaixonado por ela que não lhe queria, e como vingança, no meio do jantar cangaceiro, Coqueiro iniciou enredando a Zé Baiano o que fazia a sua amada na sua ausência, isto é, chifrando-o com um comparsa. Zé Baiano quase não acreditou no que estava ouvindo do delator, e depois de convencido que era verdade, porque ela mesma confessou o seu erro, a traição, levou-a ao tronco de uma árvore, em seguida a amarrou e matou a sua companheira no meio da noite à pauladas, no próprio coito do capitão Lampião. E após t~e-la matado, cavou uma cova, enterrou-a e pôs-se a chorar ao lado.

Zé Baiano fez cumprir o código de honra cangaceira. A mulher que traía o seu companheiro tinha que ser morta, ou pelo seu marido ou pelos seus próprios amigos. A morte de qualquer uma que desrespeitasse o código de honra do cangaço, jamais seria perdoada. 

O cangaceiro Coqueiro foi penalizado no coito com a morte a mando do próprio capitão Lampião, por ter delatado a traição da Lídia, enquanto que  o Ben-te-vi tem-se informação que ele escapuliu da presença da turba. De acordo com relatos, assim que fugiu do Estado de Sergipe em julho de 1934, talvez ainda temendo uma possível vingança do cangaceiro Zé Baiano, Bem–te-vi ficou escondido na cidade de Iuiú, e posteriormente foi morar em Carinhanha. 
Agora, com vinte e oito anos depois o jornalista e pesquisador do cangaço Robério Santos através das suas pesquisas, localizou no cemitério Senhora Santana, na cidade de Carinhanha, no Oeste do Estado da Bahia, o túmulo em que foi sepultado o homem Demócrito, conhecido no mundo do crime por Bem-te-vi. Na cidade em que morava ele era conhecido como Benedito Bacurau, e no ano de 1991, faleceu de causas naturais, com pouco mais de 80 anos. 

Arte do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

Tem-se informação que no coito quando a Lídia Pereira se sentiu presa na árvore pelo o seu companheiro, e sabendo que daquela talvez não escapava, intercedeu, implorou e suplicou muito ao capitão Lampião e a Maria Bonita, para não deixarem que o seu companheiro Zé Baiano assassiná-la. Mas não foi considerado o seu pedido de arrependimento pelo o que havia feito, nem pelo capitão e nem tão pouco pela a Maria Bonita, que ela mesma como companheira do Lampião, era uma das tais que aceitava plenamente, que fosse punida com a morte, qualquer cangaceira do bando que traísse o seu companheiro desobedecendo as leis da empresa do capitão. Se era lei criada pelo o capitão, tinha que ser cumprida. Do contrário ficaria um movimento social de cangaceiros sem ética e sem respeito.

Nesta casa morou a cangaceira Lídia Pereira - http://cangacologia.blogspot.com/

O cangaceiro Zé Baiano o famoso "Pantera Negra dos Sertões" era primo legítimo de Mané Moreno e de Zé Sereno, aliás, os três eram primos entre si, sendo que este último era seu primo carnal. Eram também sobrinhos dos cangaceiros Antônio e Cirilo de Engrácias. Os cinco cangaceiros parentes pertenciam à famosa família dos Engrácias.
Mulheres ferradas pelo cangaceiro Zé Baiano

Zé Baiano era um homem extremamente perverso. Tinha como mania de amedrontar as mulheres, marcando-as com ferro quente por um hábito infeliz. Usava um ferro com as iniciais "JB", pois era esquentado na brasa antes de marcar a pele do rosto ou do púbis de moças que tinham os seus hábitos que ele discordava. 

Este ferro "JB" não era o do Zé Baiano. Inseri-o somente para ilustração do trabalho.

O Zé Baiano também usava uma palmatória feita de madeira, a qual fora batizada por ele de “Boneca de laço e nó”, e com ela eram aplicados violentos bolos nas mãos das pessoas que ele as escolhia para serem penalizadas, mesmo sem nenhum motivo. Infeliz daquele ou daquela que caísse nas mãos do cangaceiro, porque ele não tinha nenhum tico de dó e muito menos temia retaliação de quem quer que fosse.
Palmatória

As mortes do Zé Baiano e seus comandados foram feitas por Pedro Guedes, Toinho, Birindin, Dedé, Antonio de Chiquinho e Pedro de Nica, que segundo a literatura cangaceira, alguns escritores afirmam que o Antônio de Chiquinho fazia festas em sua residência, e geralmente Zé Baiano e seu grupo participavam de todos os divertimentos que aconteciam na casa do marchante. Mas sempre estavam ali em paz, com respeitos e amizades que já haviam conquistados dos moradores do lugar.

Da esquerda para a direita: Em pés: Pedro Guedes, Toinho, Birindin, Dedé Sentados: Antonio de Chiquinho e Pedro de Nica

Mas o Antônio de Chiquinho vinha percebendo que o Zé Baiano estava de olhos vivos em uma das suas filhas, e por isso, aquele olhar desejoso a sua filha estava lhe incomodando, vez que o Zé Baiano era um homem do mundo, nômade que vivia mais na caatinga do que nos vilarejos, e não valia nada, e muito menos tinha nada a perder. Mas a sua filha sim, uma donzela muito jovem, bonita e querida pelos seus familiares. Antonio de Chiquinho temia que com a continuação daquela convivência amorosa poderia surgir um desejo dela querer acompanhá-lo para a caatinga.

Mas antes que isso acontecesse, o Antonio de Chiquinho estava mais vivo do que mesmo o cangaceiro. Ele jamais iria passar a perna sobre sua filha. Ora essa! O Antônio receava que acontecesse com a sua querida caçula, a má sorte que teve a Lídia Pereira, quando por ele foi morta à pauladas, e  todas aplicadas pelo o perverso. A Lídia residia na localidade Salgadinho, perto da cidade de Paulo Afonso no Estado da Bahia. 

Antônio de Chiquinho ainda lembrava que Lídia não foi poupada quando por culpa do culpído ela o traiu com o cangaceiro Ben-te-vi. Isto ele não queria que acontecesse com as filhas dos outros e muito menos com as suas. Por isso, fez reunião com os amigos de grande confiança, e na data marcada, marcharam para cumprir o que foi combinado entre eles. Assassinar os quatro desordeiros das terras e da caatinga de Frei Paulo.

Mas há quem diga que o Antonio de Chiquinho havia tomado emprestado uma certa quantia de dinheiro a Zé Baiano, que além de tomar dos catingueiros ele usava agiotagem, e com a aplicação de juros sobre juros, o valor devedor foi aumentando assustadoramente, chegando a não ter mais condições de pagá-lo. E assim, o Antonio de Chiquinho não queria receber uma cobrança maior, talvez até ser maltratado com chicote pelo o cangaceiro ou morto, que isso não era coisa difícil para marginal fazer contra a alguém. E antes dele ser castigado, imediatamente, resolveu convidar cinco amigos de grande confiança para exterminar  o poderoso "Pantera Negra dos Sertões" e seus três rapazes que formavam o seu pequeno grupo.

A chacina aos cangaceiros foi planejada da seguinte maneira: Eram seis justiceiros e todos chegariam lá no coito no mesmo momento. Com eles foi levada uma boa quantia de bebidas para não faltar, tira-gostos em abundância etc., na intenção de conquistá-los, porque não podiam falhar os seus planos. O mais seguro seria primeiro gradativamente embriagá-los. Com calma, com tranquilidade, sem muita pressa, mas usando todo cuidado para que eles não desconfiassem do que haviam combinados em reunião.

Assim que os quatro facínoras iniciassem a bebedeira os justiceiros se envolveriam no meio deles, como se estivessem bebendo de verdade, e na sequência, imitariam bêbados. Mas eles apenas fingiam ingerir as doses, e talvez, não sei, derramavam às escondidas dos seus olhares. E lá para as tantas, os cangaceiros estavam totalmente bêbados, e que já poderiam ser dominados. E foi aí que os seis partiram para cima deles, corpo a corpo. Em algum momento, os cangaceiros estavam vencendo os justiceiros, e em outro momento os justiceiros estavam ganhando a luta dos cangaceiros. E lá para as tantas, os seis companheiro comemoraram a vitória. Agora os quatro cangaceiros estavam mortos.

Os marcados para morrer tentaram de todas as formas salvarem as suas vidas, mas foram vencidos pelo grupo civil. Finalmente estavam eliminados das caatingas do nosso nordeste brasileiro: Eram eles: o chefe Zé Baiano,  Demundado, Chico Peste e Acelino.
A aproximação de Zé Baiano com os familiares de Lídia Pereira de Souza, é contada por alguns estudiosos do cangaço que surgiu dessa forma: 

O cangaceiro Zé Baiano andava meio adoentado de um tumor, e se sentindo sem condições de ficar na caatinga, porque não podia se defender de um possível ataque das volantes, assim que o capitão Lampião tomou conhecimento do seu problema de saúde, procurou-o e o levou até a casa do casal de coiteiros de sua inteira confiança que eram o Luiz Pereira e sua esposa Maria Rosa, para "o Pantera Negra dos Sertões" ser tratado por eles.

O Pantera Negro... ficou lá apenas durante 15 dias, tendo toda a assistência que o casal pode lhe oferecer com muito respeito e consideração. Mas assim que tomou conta do seu corpo, porque ficou totalmente curado do tumor, e como  péssimo agradecimento, Zé Baiano usou a sua covardia, tirando do seio familiar a Lídia Pereira de Souza, a filha mais nova do casal, que lhe deu guarida durante estes dias todos, e a levou consigo para participar do seu desastroso movimento cangaceiro. 


E no dia 7 de julho de 1936, Zé Baiano e seu bando estavam mortos. Antonio de Chiquinho manteve segredo do fato durante quinze dias, temendo represálias de Lampião. Mas o cangaceiro soube do ocorrido e decidiu não se vingar após os conselhos da Maria Bonita, que achava perigosa uma retaliação, pois o povoado  de Frei Paulo contava com a presença de um canhão.
Escritor José Bezerra Lima Irmão

O escritor José Bezerra Lima Irmão fala com clareza sobre o cangaceiro Zé Baiano. Vamos apreciar as suas palavras sobre o marginal:

"Entrevistei velhos coiteiros, e todos afirmam que Zé Baiano era um caboclo alto e forte, de rosto comprido cor de bronze, sobrancelhas escassas, maçãs do rosto salientes, nariz afilado, boca média, de lábios finos e bem ajustados, queixo fino, olhos vivos, penetrantes, cabelo liso, de índio. Apesar de ser um sujeito de poucas palavras, em situações normais falava de forma branda e cortês. Era um tipo simpático. Nas festas, comportava-se de forma comedida. Nunca dançava. Limitava-se a cantar, sentado, batendo palmas, o rifle atravessado no colo. Tinha uma voz grave, afinada, maravilhosa. Gostava de modinhas românticas. Metia-se a fazer trovas de improviso e tinha certo traquejo no fole de oito baixos. Ao contrário dos demais cangaceiros, ele não bebia, não fumava e não jogava baralho. Almoçava à mesa com os grandes fazendeiros da região de Alagadiço, Gameleiro e Pinhão, todos seus amigos – Laurindo Gomes, Pedro Gato, Zeca Ferreira, Etelvino Mendonça, Joãozinho de Donana Rego e seu irmão Costinha, Napoleão Emídio, Josias Tabaréu, José Melquíades e os irmãos Marcionílio e Gersílio do Gameleiro.

Zé Baiano era um rapaz comunicativo, mas não falador. Estava sempre tranquilo, alegre. Usava óculos de grau. Foi um dos cabras mais fiéis a seu chefe, obediente ao código do cangaço, tanto assim que quando os parentes romperam com Lampião Zé Baiano ficou com ele". (...).

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sábado, 25 de julho de 2020

O CANGACEIRO "MENINO DE OURO"

Por José Mendes Pereira
Menino de Ouro é o nº 25 e sua foto está com um círculo

Não sou um grande conhecedor do cangaço e muito menos querer ser, sou apenas um estudante que muito erra, aqui acolá acerta, mas acho que o pesquisador e historiador Dr. Antonio Amaury tem suas razões sobre o cangaceiro Menino de Ouro.

O pesquisador Geraldo Júnior disse: “Segundo o pesquisador/escritor Antônio Amaury Corrêa de Araújo, “Menino de Ouro” não foi o cangaceiro que foi morto nessa ocasião (referindo-se após a saída da frustrada tentativa de assalto à Mossoró), e que inclusive esteve pessoalmente com ele há algumas décadas atrás”. - https://www.facebook.com/groups/ocangaco/?ref=ts&fref=ts

Escritor Antonio Amaury

Dona Francisca da Silva Tavares é a viúva de Antonio Luiz Tavares, o cangaceiro Asa Branca, a segunda esposa do mesmo. 


Asa Branca nasceu no dia 10 de janeiro de 1902 e faleceu de problemas cardíacos em Mossoró, no dia 02 de novembro de 1981, sendo que os seus restos mortais repousam no Cemitério São Sebastião em Mossoró, aos fundos do túmulo de José Leite de Santana, o ex-cangaceiro Jararaca.

Francisca da Silva Tavares viúva do cangaceiro Asa Branca

Dona Francisca reside aqui em Mossoró no Estado do Rio Grande do Norte, e sempre que eu tenho um tempinho, a visito em sua casa. Excelente senhora, educada e muito simpática.

Foi me contado por ela o que segue, mas não sei se for preciso, se ela continuará contando do jeito que me contou em sua casa, porque as pessoas às vezes mudam os seus depoimentos, mas certo dia, acho que já se foram dois anos quando ela me falou o seguinte:

Quando ela morava em Macaíba, no Estado do Rio Grande do Norte, 41 min (29,0 km) da capital Natal, segundo ela, o ex-cangaceiro “Menino de Ouro” morava vizinho à sua casa, e muito ajudou ao casal criar seus filhos, pois eles estavam em dificuldades financeiras, e como ele não tinha família, isto é, filhos, o que ele adquiria referente a alimentos, sempre levava para sua casa, no intuito de ajudar o “Asa Branca” sustentar a sua família.

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sexta-feira, 24 de julho de 2020

LIVROS "PEREIRAS" DO PAJEÚ E "FEITOSAS" DOS INHAMUNS - HISTÓRIA GENEALOGIA


Outra grande obra com a assinatura do Professor Venicio Feitosa Neves que se avizinha, trazendo a história das famílias "Pereira" do Pajeú e "Feitosa" da região dos Inhamuns no Ceará.

Recentemente o Professor Venicio Feitosa Neves lançou o Livro "O PATRIARCA - CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO (IOIÔ MAROTO", um estudo com 712 páginas, focado na saga dos colonizadores, origens das famílias Feitosa dos Inhamuns e Pereiras do Pajeú, coronelismo, biografia e história do patriarca Crispim Pereira de Araújo e narrativas do cangaço.

Adquira-o através deste e-mail:

franpelima@bol.com.br

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O CANGACEIRO GORGULHO.

    Por Fabio Costa Este Cangaceiro estava no grupo de Mané Moreno em Poço da Volta quando em meio ao forró foram emboscados pela volante de...