segunda-feira, 20 de julho de 2020

DOIS CORONÉIS DO CANGAÇO NA BAHIA

Por José Mendes Pereira
Coronel Petronillo de Alcântara Reis de Santo Antônio da Glória. Foto do acervo do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio. - http://cangaconabahia.blogspot.com

O coronel Petronillo de Alcântara Reis era lá de Santo Antonio da Glória no Estado da Bahia, cidade que segundo o escritor João de Sousa Lima desapareceu do mapa pelas barragens do Rio São Francisco. O coronel Petronillo comprou propriedades e animais em sociedade com o capitão Lampião e findou o traindo, porque o coronel foi esperto, registrou as propriedades somente em seu nome.

Rarissima foto de Santo Antonio da Glória, Bahia. Era a cidade de referência, no alto Sertão. Foto do acervo do escritor João de Sousa Lima  http://joaodesousalima.blogspot.com/2010/04/santo-antonio-da-gloria-do-curral-dos.html

O capitão Lampião quando tomou conhecimento da safadeza feita pelo coronel Petronillo de Alcântara Reis não gostou nem um pouquinho, e com isso, jurou matá-lo. Mas não conseguiu, porque antes que a desgraça acontecesse o coronel foi mais esperto do que ele. Foi embora para o Estado de Alagoas. Com o passar dos tempos Lampião deixou pra lá, não iria mais fazer vingança  pela covardia do dito coronel.

O rei Lampião

Acho eu que ele imaginou que não valia a pena perder tempo com quem não tinha palavra e responsabilidade. É possível que ele tenha dito: "- Sou bandido, sou cangaceiro, mas sou homem e cumpro com a minha palavra. O homem não é obrigado dar a sua palavra, mas se der, tem que cumprir. Eu cumpro!".

João de Sousa Lima

Mas o escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima diz em um dos seus trabalhos que em 1928, quando  Lampião saiu de Pernambuco para o Estado da Bahia, um dos seus primeiros contatos foi com o coronel Petro, que era uma figura importante, sendo o chefe político de Santo Antônio da Glória.

Diz ainda o escritor que quando houve na Baixa do Boi em Paulo Afonso a batalha que nela foi assassinado Ezequiel Ferreira da Silva, o irmão mais novo do capitão e último que fez parte do cangaço, Lampião achou em um dos bolsos de um policial que foi morto no combate, um bilhete do coronel Petro endereçado ao comandante da volante, e neste estava escrito  onde eram os esconderijos dos cangaceiros.

Ezequiel Ferreira da Silva irmão de Lampião

Logo Lampião arquitetou sua vingança sem dó, com muito ódio e grandes prejuízos. Iniciou de tal forma perversa, incendiando em torno de 18 fazendas do coronel Petronillo de Alcântara Reis, começando por Glória, em seguida cruzando o Raso da Catarina, além de tocar fogo nas fazendas o capitão Lampião  matava os pobres animais.

Segundo Guilherme Alves o ex-cangaceiro Balão em entrevista à "Revista Realidade" em Novembro de 1973, disse que o povo pensa que o capitão  Lampião matava por qualquer coisa. Mas nunca ele viu Lampião mandar matar alguém a sangue frío. E as fazendas por ele destruídas eram dele mesmo. 

O cangaceiro Balão

Diz Balão que o rei Lampião havia comprado as terras em sociedade com um tal de coronel Petronillo de Alcântara Reis, as quais eram Tronqueira, Cachoeirinha, Formosa..., mas ele as registrou apenas em seu próprio nome, e com este tipo de sabotagem Lampião zangou-se. " - Eu mesmo ajudei a matar muito gado a tiro na Cachoeirinha" - afirmou ele.

Acredita-se que o coronel Petronillo Reis como estava com medo da vingaça do capitão Lampião de imediato fugiu para  o Estado de Alagoas, no nordeste do Brasil, que nesse tempo, o perverso e sanguinário capitão já havia saído das terras alagoanas e estava reinando em outros Estados. 


Conheça o Raso da Catarina clicando neste link abaixo: 


Coronel Antônio de Souza Benta
 Coronel Antonio de Souza Benta - Foto do acervo do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio. - http://cangaconabahia.blogspot.com

Antônio de Souza Benta era natural de Chapada Velha, município de Brotas de Macaúbas. Ele originalmente veio para o Ventura, onde se estabeleceu em um garimpo que o permitiu ficar rico. Posteriormente mudou-se para Morro do Chapéu.

De sua união com Honestina Virgília Benta, em 1895, nasceu um filho, de nome Flodoaldo de Souza Benta, que morreu em 11.09.1917, aos 21 anos de idade, na fazenda Roça Grande, situada entre o Ventura e Bela Vista (hoje Utinga). O cavalo que montava foi beber água, tropeçou, atolou e caiu por cima do mesmo. O rapaz cursava o segundo ano de engenharia civil em Salvador.

O coronel teve outro filho José de Souza Benta, formado em direito em 1919, com Josepha Maria D’Assumpção. Em 13.01.1925 o jornal A TARDE noticia que o Dr. José Benta suicidou em Mucugê. Era ex-juiz de Remédios e foi injustamente acusado de desvio de 20 contos de réis da uma casa comercial. Após a morte de Flodoaldo o coronel Benta criou um menino de nome Remo. 

Benta era um grande amigo, seguidor politico e braço armado do Coronel Dias Coelho.

Os coronéis da região quando tinham qualquer caso de crime mandavam o jagunço para Dias Coelho abrigar em Morro do Chapéu. Dias Coelho mandava esses criminosos para o coronel Benta, que era seu homem de armas e possuía garimpos na serra de Martim Afonso onde mantinha as despesas de mais de 100 homens, que eram garimpeiros e jagunços. Se um criminoso ia para lá, para trabalhar, e não obedecia as ordens ele mesmo tinha que abrir sua sepultura.

Benta exerceu o cargo de Intendente no periodo de 1904-1906. Com a morte de Dias Coelho, em 1919,  vplta a assumiu, a prefeitura, no período de 19.02 – 10.04.1919, numa fase agitada, em face da existência de uma forte oposição política, que  havia implantado o “Pequeno Jornal”, dirigido por Adelmo Pereira e seu filho Osvaldo Dourado Pereira, para divulgação de suas idéias.

Na eleição de 1923, os partidários do coronel Benta apresentaram como candidato ao cargo de intendente, o coronel José Martins de Araújo, de Canabrava do Miranda (atual Canarana), que concorre com o professor Faustiniano Lopes Ribeiro. A eleição gera um impasse, pois ambos os candidatos se declaram eleitos. O Senado Estadual decide a questão, reconhecendo a eleição do professor Faustiniano. Esse fato gera o início de uma fase politicamente muito agitada, inclusive com a vinda da capital de uma força policial, comandada pelo tenente Macedo, em apoio ao prefeito, correligionário do governador Góes Calmon. Essa crise tem como consequência a criação do municipio de Irecê.
O coronel Benta foi membro da Comissão Pacificadora das Lavras Diamantinas, nos conflitos em torno do coronel Horácio de Matos, em 1920. Em 30.01.1922, o coronel Benta e sua esposa se mudaram para Senhor do Bonfim.

Muritiba et. al. (1997) citam que na época em que apoiou com jagunços o coronel Galdino César de Moraes (1857-1946), na sua luta armada contra o coronel Ernestino Alves Pires, em Jacobina, o Coronel Benta se orgulhava de ser capaz de ter ao seu dispor 450 homens .

Tavares (2001) cita que nos primeiros dias da revolução de 1930, telegramas do presidente Washington Luis, de Pedro Lago, governador eleito, e de outros políticos baianos, convocaram coronéis da Chapada Diamantina, do São Francisco e do Sudoeste a enviarem homens armados para engrossar as forças governistas. Quase todos atenderam ao apelo acreditando ser uma repetição da luta contra a Coluna Prestes.

Cunegundes (1999) cita que após a revolução de 1930, o coronel Benta foi preso em Feira de Santana, por comandar um Batalhão Patriótico para combater as forças revolucionárias que pretendiam, como obtiveram, a deposição do presidente Washington Luiz. Anos depois, durante uma campanha política, o governador Juracy Magalhães, de passagem por Morro do Chapéu, ficou hospedado na sua casa e sempre repetia a pergunta: o que é que o senhor quer do meu governo? Benta então dizia: eu não quero nada. O senhor mandou me prender. Portando considere-se hospede apenas da minha esposa e não meu convidado Por mais que Juracy explicasse que a ordem de prisão não partira dele, Benta não mudou de idéia.

Antônio de Souza  Benta foi o primeiro proprietário de carro em Morro do Chapéu, um caminhão apelidado de Leão do Norte.

Uma reunião realizada em Duas Barras, em dezembro de 1935, deliberou encaminhar aos poderes competentes, o pedido para mudar o nome dessa localidade para Souza Benta.

O coronel Antônio de Souza Benta faleceu em Morro do Chapéu, em 23.02.1946. A sua importância histórica para Morro do Chapéu é muito relevante. Sob sua liderança a cidade viveu a crise politica que resultou na criação do município de Irecê, a passagem da Coluna Prestes, a passagem de Lampião e a Revolução de 1930.

Benta também foi um destacado construtor de estradas, muitas vezes aplicando recursos proprios.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

O DEPUTADO FEDERAL FLORO BARTOLOMEU COMUNICOU COM ANTECEDÊNCIA QUE NÃO PRECISAVA MAIS DA PRESENÇA DE LAMPIÃO EM JUAZEIRO DO NORTE.

Por José Mendes Pereira

É muito difícil saber quem foi o verdadeiro culpado de ter protegido o cangaceiro Lampião e seu bando, entregando-lhes em Juazeiro do Norte armas e muita munição, além do mais, uniformes como se o grupo de facínoras  representasse grande autoridade para a sociedade nordestina

A gente percebe que foi um desastre total e maldoso quando entregaram mais de "50" armas  e bem municiadas a uma porção de delinquentes, todos, com a intenção de apertarem os gatilhos das armas novas para verem um infeliz cair morto. 

As autoridades de Juazeiro do Norte da época que tinham obrigação de desarmar marginais, e o que fizeram, entregaram a bandidos armas que matam sem piedades. O poder é um meio de negócios ilícitos. Alguém estava ganhando com esta maldade contra os nordestinos, que ao saírem de lá os bandidos, quantas vidas foram eliminadas no retorno a Pernambuco pelas armas adquiridas ilegalmente no Ceará? 

Lampião - Não sei quem a coloriu.

Sobre o deputado Floro Bartolomeu da Costa que sempre foi acusado de ter sido ele que planejou o ingresso de Lampião e seus homens para combaterem a Coluna Prestes, e convocado o rei para comparecer a Juazeiro do Norte, mas precisamos ver que, antes da sua ida ao Rio de Janeiro para fazer tratamento de saúde, Floro Bartolomeu enviou um telegrama no dia 23 de janeiro de 1926, ao rábula (advogado não formado) José Ferreira em Juazeiro. Vejam o conteúdo do telegrama:

 “ - Comunique ao nosso amigo, que não é preciso mais Lampião, povo já seguiu perseguição revoltosos”.  
Floro Bartolomeu.

O deputado não revelou o nome do amigo e acho que seria o padre Cícero Romão Batista. No mesmo dia, bastante doente, Floro Bartolomeu da Costa viajou de Campos Sales para o Rio de Janeiro, e no dia 8 de março deste mesmo ano faleceu às 5 horas da tarde, com 50 anos de idade, Afirmam alguns escritores e pesquisadores que Frolo morreu solteiro e pobre. 

Cidade Campos Sales

O telegrama prova que o deputado Floro Bartolomeu não tinha mais nada a ver com o aparecimento de Lampião e seu bando em Juazeiro, porque o tempo de "44" dias, isto é, de janeiro a março foi o suficiente para que as autoridades de Juazeiro do Norte tivessem  comunicado a Lampião que não era mais necessária a sua presença no município. Não se sabe se o rábula José Ferreira apresentou o telegrama do Floro às autoridades. Mas quem sabe, apresentou-o e ninguém se preocupou com o conteúdo que estava escrito pelo o político. 

Padre Cícero Romão Batista

E agora! A quem devemos responsabilizar pelo armamento a Lampião e seu bando de marginais? Teria sido mesmo o Padre Cícero Romão Batista que não percebeu, que ele antes tinha sido um sacerdote de Deus? Ou fez por achar que Lampião era merecedor mesmo de ser uma autoridade do sertão, recebendo a patente de capitão do exército, patente esta que não era legal? 

Nesse período da presença do cangaceiro a Juazeiro do Norte o padre Cícero estava afastado da igreja católica, porque o Vaticano havia suspendido as suas ordens religiosas, porque estava o acusando de falsos milagres. 

Na minha humilde opinião o padre Cícero não era o responsável por tudo isto. mas já que ele estava afastado das suas obrigações religiosas, quem sabe, uma espécie de vingança...

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A PATENTE "CAPITÃO" DADA A LAMPIÃO NÃO FOI RESPEITADA PELOS MILITARES DE PERNAMBUCO.

Por José Mendes Pereira

Chegando Lampião e seus cabras em Juazeiro do Norte, no Estado do Ceará, no dia 04 de março de 1926, hospedaram-se no sobrado do poeta popular João Mendes Oliveira, localizado à Rua Boa Vista. Acredita-se que Lampião tenha sido um hóspede como qualquer figura importante, já que para ali, foi chamado para receber a patente de capitão do exército brasileiro. 


É certo que nem todos os cangaceiros se hospedaram nele, porque o futuro capitão precisava de ser protegido pelos seus comandados, vez que ele não iria aceitar ser vigiado por pessoas do lugar, e não tinha certeza que aquela convocação para receber a patente de capitão era de verdade. O futuro capitão tinha razão. Homem perseguido tem que ter guarda-costas, do contrário será morto.


Também não há dúvida que Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião temia que poderia ser uma espécie de covardia, e as autoridades vencê-lo juntamente com os seus homens, assim como posteriormente tentou envenená-lo o coronel de Aurora Isaías Arruda de Figueiredo, no ano de 1927, quando ele mesmo ofereceu um almoço para o bandoleiro e para toda a sua cabroeira. Mas o capitão Lampião não era nada de besta, e findou descobrindo a covardia feita pelo o coronel Isaías Arruda.

Sobrado que Lampião se hospedou no Juazeiro do Norte em março de 1926

Lampião entrou pela rua principal de Barbalha em direção a Juazeiro do Norte há 12,5 km que separavam as duas cidades; convocado para participar do “Batalhão Patriótico”, milícia criada pelo deputado federal Floro Bartolomeu para combater a Coluna Prestes, combate que nunca houve entre os cangaceiros e os revoltosos.

Floro Bartolomeu e Padre Cícero

Ao lado do Padre Cícero está o baiano Floro Bartolomeu, nascido em Salvador e formado pela Faculdade de Medicina da Bahia. Em 1908 Floro foi atraído pela mina de cobre de Coaxá, no município de Aurora, e posteriormente fez morada em Juazeiro do Norte, onde adquiriu uma farmácia e atendia a população como médico. Fez amizade com o  padre Cícero Romão Batista e passou a incentivá-lo a ingressar na política, porque o Vaticano havia suspendido  as ordens religiosas do padre. Nesse período Floro Batolomeu não conseguiu falar com Lampião no Juazeiro, porque ele estava internado no Rio de Janeiro, e veio a óbito no dia 8 de março deste mesmo ano, em consequência de uma doença chamada angina. Floro Bartolomeu faleceu solteiro, e mesmo sendo uma grande figura no meio político estava bastante paupérrimo. 

Rua principal de Barbalha, pode onde Lampião e seu bando passaram em 1926, em direção a Juazeiro do Norte, onde ele receberia a patente de capitão.

Alguns historiadores não acreditam que o Padre Cícero sabia deste engodo organizado pelo deputado Floro Bartolomeu, para que fosse entregue a Lampião e seus cabras,                          armas, projéteis e fardamentos. Lampião foi a Juazeiro levando em sua companhia aproximadamente 50 homens confiante na promessa de receber a patente e ser anistiado seus crimes, em uma condição: combater à coluna dos tenentes. Mas a sua patente era sem valor.

O convite para ser entregue a Lampião chegou em Juazeiro do Norte, vindo de Campos Sales, em mãos do José Ferreira de Menezes. Lampião era muito sagaz e se, além da assinatura de Floro Bartolomeu o bilhete não tivesse a assinatura do Padre Cícero, ele jamais atenderia ao convite.


Como foi que Lampião tomou conhecimento deste bilhete: 

Um dos empregados de João Ferreira dos Santos (irmão de Lampião) que trabalhava em seus afazeres por nome Zé Dandão que na foto aparece sendo o número 9, e que este é do conhecimento de todos que estudam o cangaço, era como se fosse da família dos Ferreiras; assim que foi recebido o convite foi até à Fazenda Piçarra do seu Antonio Teixeira Leite em Macapá, hoje Jati, onde morava Sebastião Paulo este aparece na foto sendo o número 3 que era primo legítimo de Lampião, e juntos, com o convite em mãos, seguiram viagem para o Pernambuco, ver se localizavam o futuro capitão, e no dia 2 de março de 1926, Lampião entrou no Ceará. 

Há quem diga (não tenho a fonte para comprovar no momento, mas tenho certeza que o leitor não irá pensar que eu estou criando informação sem credibilidade); que alguém presenciou, que quando soube que Lampião estava para chegar a Juazeiro do Norte, o padre Cícero Romão Batista teria dito em tom de repúdio: 


"- Agora vem este homem novamente para cá!". 

Com estas palavras ditas pelo o padre protestando a visita do cangaceiro e seus aliados, eu entendo que ele segurava aquela amizade com o Floro Bartolomeu, mesmo o congressista querendo dar cobertura a Lampião, porque ele era deputado federal, e sem a sua pessoa, seria difícil o padre adquirir verbas para continuar trabalhando em prol da sua cidade Juazeiro do Norte e do seu povo. 

Billy Jaynes Chandler é um dos mais importantes escritores acerca do cangaço e coronelismo, fenômenos ligados entre si e característicos de uma certa época da história recente do Brasil. Suas obras Lampião, o Rei dos Cangaceiros, e Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns, são canônicas, seminais, inigualáveis.

Mas o historiador Billy Jaynes Chandler diz que o convite para Lampião ir até a Juazeiro, teria sido feito pelo próprio sacerdote. Mas outros afirmam que não. O Padre Cícero somente ficou sabendo do acordo alguns dias antes da chegada do bando a Juazeiro. 

De Barbalha a Juazeiro do Norte são 12,5 km. aproximadamente 19 minutos

Tem gente que não pensa nas consequências que poderão surgir após querer fazer os outros de bestas, malucos..., e se o perigo aparecer contra si, diz que é porque o sujeito é valente, perverso e desumano. Nada disso! Depois que o bicho está criado, é muito difícil vencê-lo ou matá-lo.

Quando o capitão Lampião chegou em Pernambuco e tomou conhecimento do que fizeram com ele sobre a patente sem nenhuma filiação com o exército brasileiro, e tivesse se revoltado, em seguida, voltado ao Ceará para cobrar daqueles que em Juazeiro do Norte (a cidade não tinha nada a ver com isso), no meio da covardia das pessoas importantes de lá, mesmo sabendo que a patente de capitão do exército dada a Lampião não tinha nenhum valor, a surra e o seu punhal teriam trabalhados bastantes, obrigando "falsos nêgos" dançarem na peia mesmo sem saberem dançar.

Quem sabe, os pensamentos do compadre Lampião talvez confiante que, ao chegar à sua terra natal Pernambuco com a patente de capitão, que nem todos têm esse privilégio, receberia uma espécie de perdão pelos seus crimes e desordens, poderia até ser homenageado diante das autoridades militares como capitão. Mas  foi o contrário. O comandante da polícia civil daquele Estado não o reconheceu como capitão, e o que fez contra Lampião que já estava patenteado, foi severamente atacá-lo sem compaixão pelas forças volantes do governo de Pernambuco.

Eu que estudo cangaço e principalmente a era "lampiônica" não acredito que Lampião seria tão fácil para se mudar os seus ideais, porque ele mesmo patenteado, jamais abriria mão da sua vida cangaceira que há alguns anos vivia dela, mas quem sabe, se tivessem tentado reformar o capitão Lampião e o tratado como um cidadão, e ainda o respeitado a partir dali como capitão,  e como um novo homem da sociedade, seria possível que nascesse um ser humano honesto e até mesmo mais compreensivo. E quantas vidas teriam sido salvas, já que a raposa do sertão tinha deixado a vida de crimes? Mas o que fizeram? Prepararam uma patente sem filiação a nada. Novamente traíram o jovem rapaz que tinha apenas 28 anos de idade na época.

Para que o leitor entenda que esta foi uma grande invenção e humilhante contra Lampião, é que para ser capitão do exército brasileiro o sujeito primeiro tem que passar por estas "11" graduações: 

1 - soldado de 2ª. classe.
2 - soldado de 1ª. classe. 
3 - Cabo.
4 - 3º. sargento,
5 -  2º. Sargento. 
6 - 1º. Sargento.
7 - Suboficial.
8 -  Cadete.
9 -  Aspirante a oficial.
10 - 2°. Tenente 
11 - 1°. Tenente. 
12 - Capitão.

Todas estas 11 primeiras graduações no exército brasileiro são para poder o militar chegar a ser Capitão do Exército. Lampião foi direto para capitão.

Eu não entendo porque Lampião não percebeu que a esmola era grande para ele. Nunca foi nem soldado, e pulou 11 patentes, passou logo para capitão do exército! Incrível!


O que escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica. 

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segunda-feira, 13 de julho de 2020

DOIS CORONÉIS DO CANGAÇO NA BAHIA

Por José Mendes Pereira
Coronel Petronillo de Alcântara Reis de Santo Antônio da Glória. Foto do acervo do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio. - http://cangaconabahia.blogspot.com

O coronel Petronillo de Alcântara Reis era lá de Santo Antonio da Glória no Estado da Bahia, cidade que segundo o escritor João de Sousa Lima desapareceu do mapa pelas barragens do Rio São Francisco. O coronel Petronillo comprou propriedades e animais em sociedade com o capitão Lampião e findou o traindo, porque o coronel foi esperto, registrou as propriedades somente em seu nome.
Rarissima foto de Santo Antonio da Glória, Bahia. Era a cidade de referência, no alto Sertão. Foto do acervo do escritor João de Sousa Lima 

O capitão Lampião quando tomou conhecimento da safadeza feita pelo coronel Petronillo de Alcântara Reis não gostou nem um pouquinho, e com isso, jurou matá-lo. Mas não conseguiu, porque antes que a desgraça acontecesse o coronel foi mais esperto do que ele. Foi embora para o Estado de Alagoas. Com o passar dos tempos Lampião deixou pra lá, não iria mais fazer vingança  pela covardia do dito coronel.
O rei Lampião

Acho eu que ele imaginou que não valia a pena perder tempo com quem não tinha palavra e responsabilidade. É possível que ele tenha dito: "- Sou bandido, sou cangaceiro, mas sou homem e cumpro com a minha palavra. O homem não é obrigado dar a sua palavra, mas se der, tem que cumprir. Eu cumpro!".

João de Sousa Lima

Mas o escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima diz em um dos seus trabalhos que em 1928, quando  Lampião saiu de Pernambuco para o Estado da Bahia, um dos seus primeiros contatos foi com o coronel Petro, que era uma figura importante, sendo o chefe político de Santo Antônio da Glória.

Diz ainda o escritor que quando houve na Baixa do Boi em Paulo Afonso a batalha que nela foi assassinado Ezequiel Ferreira da Silva, o irmão mais novo do capitão e último que fez parte do cangaço, Lampião achou em um dos bolsos de um policial que foi morto no combate, um bilhete do coronel Petro endereçado ao comandante da volante, e neste estava escrito  onde eram os esconderijos dos cangaceiros.

Ezequiel Ferreira da Silva irmão de Lampião

Logo Lampião arquitetou sua vingança sem dó, com muito ódio e grandes prejuízos. Iniciou de tal forma perversa, incendiando em torno de 18 fazendas do coronel Petronillo de Alcântara Reis, começando por Glória, em seguida cruzando o Raso da Catarina, além de tocar fogo nas fazendas o capitão Lampião  matava os pobres animais.

Segundo Guilherme Alves o ex-cangaceiro Balão em entrevista à "Revista Realidade" em Novembro de 1973, disse que o povo pensa que o capitão  Lampião matava por qualquer coisa. Mas nunca ele viu Lampião mandar matar alguém a sangue frío. E as fazendas por ele destruídas eram dele mesmo. 

O cangaceiro Balão

Diz Balão que o rei Lampião havia comprado as terras em sociedade com um tal de coronel Petronillo de Alcântara Reis, as quais eram Tronqueira, Cachoeirinha, Formosa..., mas ele as registrou apenas em seu próprio nome, e com este tipo de sabotagem Lampião zangou-se. " - Eu mesmo ajudei a matar muito gado a tiro na Cachoeirinha" - afirmou ele.

Acredita-se que o coronel Petronillo Reis como estava com medo da vingaça do capitão Lampião de imediato fugiu para  o Estado de Alagoas, no nordeste do Brasil, que nesse tempo, o perverso e sanguinário capitão já havia saído das terras alagoanas e estava reinando em outros Estados. 


Conheça o Raso da Catarina clicando neste link abaixo: 


Coronel Antônio de Souza Benta
 Coronel Antonio de Souza Benta - Foto do acervo do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio. - http://cangaconabahia.blogspot.com

Antônio de Souza Benta era natural de Chapada Velha, município de Brotas de Macaúbas. Ele originalmente veio para o Ventura, onde se estabeleceu em um garimpo que o permitiu ficar rico. Posteriormente mudou-se para Morro do Chapéu.
De sua união com Honestina Virgília Benta, em 1895, nasceu um filho, de nome Flodoaldo de Souza Benta, que morreu em 11.09.1917, aos 21 anos de idade, na fazenda Roça Grande, situada entre o Ventura e Bela Vista (hoje Utinga). O cavalo que montava foi beber água, tropeçou, atolou e caiu por cima do mesmo. O rapaz cursava o segundo ano de engenharia civil em Salvador.

O coronel teve outro filho José de Souza Benta, formado em direito em 1919, com Josepha Maria D’Assumpção. Em 13.01.1925 o jornal A TARDE noticia que o Dr. José Benta suicidou em Mucugê. Era ex-juiz de Remédios e foi injustamente acusado de desvio de 20 contos de réis da uma casa comercial. Após a morte de Flodoaldo o coronel Benta criou um menino de nome Remo. 

Benta era um grande amigo, seguidor politico e braço armado do Coronel Dias Coelho.

Os coronéis da região quando tinham qualquer caso de crime mandavam o jagunço para Dias Coelho abrigar em Morro do Chapéu. Dias Coelho mandava esses criminosos para o coronel Benta, que era seu homem de armas e possuía garimpos na serra de Martim Afonso onde mantinha as despesas de mais de 100 homens, que eram garimpeiros e jagunços. Se um criminoso ia para lá, para trabalhar, e não obedecia as ordens ele mesmo tinha que abrir sua sepultura.

Benta exerceu o cargo de Intendente no periodo de 1904-1906. Com a morte de Dias Coelho, em 1919,  vplta a assumiu, a prefeitura, no período de 19.02 – 10.04.1919, numa fase agitada, em face da existência de uma forte oposição política, que  havia implantado o “Pequeno Jornal”, dirigido por Adelmo Pereira e seu filho Osvaldo Dourado Pereira, para divulgação de suas idéias.

Na eleição de 1923, os partidários do coronel Benta apresentaram como candidato ao cargo de intendente, o coronel José Martins de Araújo, de Canabrava do Miranda (atual Canarana), que concorre com o professor Faustiniano Lopes Ribeiro. A eleição gera um impasse, pois ambos os candidatos se declaram eleitos. O Senado Estadual decide a questão, reconhecendo a eleição do professor Faustiniano. Esse fato gera o início de uma fase politicamente muito agitada, inclusive com a vinda da capital de uma força policial, comandada pelo tenente Macedo, em apoio ao prefeito, correligionário do governador Góes Calmon. Essa crise tem como consequência a criação do municipio de Irecê.
O coronel Benta foi membro da Comissão Pacificadora das Lavras Diamantinas, nos conflitos em torno do coronel Horácio de Matos, em 1920. Em 30.01.1922, o coronel Benta e sua esposa se mudaram para Senhor do Bonfim.

Muritiba et. al. (1997) citam que na época em que apoiou com jagunços o coronel Galdino César de Moraes (1857-1946), na sua luta armada contra o coronel Ernestino Alves Pires, em Jacobina, o Coronel Benta se orgulhava de ser capaz de ter ao seu dispor 450 homens .

Tavares (2001) cita que nos primeiros dias da revolução de 1930, telegramas do presidente Washington Luis, de Pedro Lago, governador eleito, e de outros políticos baianos, convocaram coronéis da Chapada Diamantina, do São Francisco e do Sudoeste a enviarem homens armados para engrossar as forças governistas. Quase todos atenderam ao apelo acreditando ser uma repetição da luta contra a Coluna Prestes.

Cunegundes (1999) cita que após a revolução de 1930, o coronel Benta foi preso em Feira de Santana, por comandar um Batalhão Patriótico para combater as forças revolucionárias que pretendiam, como obtiveram, a deposição do presidente Washington Luiz. Anos depois, durante uma campanha política, o governador Juracy Magalhães, de passagem por Morro do Chapéu, ficou hospedado na sua casa e sempre repetia a pergunta: o que é que o senhor quer do meu governo? Benta então dizia: eu não quero nada. O senhor mandou me prender. Portando considere-se hospede apenas da minha esposa e não meu convidado Por mais que Juracy explicasse que a ordem de prisão não partira dele, Benta não mudou de idéia.

Antônio de Souza  Benta foi o primeiro proprietário de carro em Morro do Chapéu, um caminhão apelidado de Leão do Norte.

Uma reunião realizada em Duas Barras, em dezembro de 1935, deliberou encaminhar aos poderes competentes, o pedido para mudar o nome dessa localidade para Souza Benta.

O coronel Antônio de Souza Benta faleceu em Morro do Chapéu, em 23.02.1946. A sua importância histórica para Morro do Chapéu é muito relevante. Sob sua liderança a cidade viveu a crise politica que resultou na criação do município de Irecê, a passagem da Coluna Prestes, a passagem de Lampião e a Revolução de 1930.

Benta também foi um destacado construtor de estradas, muitas vezes aplicando recursos proprios.


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segunda-feira, 6 de julho de 2020

MINHAS INQUIETAÇÕES ASSIM DIZIA O ESCRITOR ALCINO ALVES COSTA

Por José Mendes Pereira - (Crônica 49)
Manoel Dantas Loyola (cangaceiro), Aderbal Nogueira (pesquisador do cangaço) e José Alves de Matos  ex-cangaceiro Vinte e Cinco.

Em um material que eu li ou em um vídeo não tenho muita lembrança e que no momento não disponho da fonte, que o bom mesmo é apresentar ao leitor a origem do fato registrado, mas que eu não estou criando isto, e não tenho segurança em afirmar que foi em um documento (Vídeo ou escrito) do cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira, que o Manoel Dantas Loyola o ex-cangaceiro Candeeiro afirma que Maria Bonita chegou a ter ciúmes da amizade dele com Lampião. Mas o facínora Candeeiro não explicou o motivo dos ciúmes.

Aí surgem as perguntas:

1 - Qual teria sido o motivo que despertou ciúmes de Maria Bonita sobre a amizade do cangaceiro Candeeiro com o perverso e sanguinário capitão Lampião?

2 - Será que Candeeiro sabia da vida amorosa do rei do cangaço com alguma mulher por este sertão sofrido e Maria Bonita suponhava isto? 

3 - Ou teria Maria Bonita colocada em sua mente que aquela amizade de Lampião com Candeeiro nada mais era do que trazendo bilhetes de futuras amantes do seu companheiro?

Não tinha nenhum problema que Candeeiro e Lampião mantivessem as suas boas amizades, porque, durante um ano e poucos meses que o cangaceiro fez parte do cangaço do velho guerreiro, era ele quem levava as solicitações de dinheiro às vítimas escolhidas pelo capitão Lampião, e também trazia os recados dos fazendeiros, informando que no momento não tinham condições de servirem ao facínora. 

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O CANGACEIRO GORGULHO.

    Por Fabio Costa Este Cangaceiro estava no grupo de Mané Moreno em Poço da Volta quando em meio ao forró foram emboscados pela volante de...