sexta-feira, 15 de novembro de 2019

250 GRAMAS DE SAL É SAL QUE NÃO SE ACABA TÃO CEDO, IMAGINA PARA QUEM ESTÁ CONDENADO A COMER UM QUILO.

Por José Mendes Pereira

Um facínora de Lampião foi obrigado a comer 1 quilo de sal, que para mim que não sou nenhuma autoridade no que diz respeito ao estudo do cangaço, mas mesmo assim, eu acho meio duvidosa esta história que desfila na literatura lampiônica. O leitor encontra este fato teria acontecido no sertão nordestino com chefes de cangaceiros.

Quem primeiro escreveu sobre isso ninguém sabe. Nem fala em qual Estado, cidade, vilarejo ou fazenda do Nordeste que isso aconteceu. Teria sido pela manhã? Pela tarde ou pela noite? Uns afirmam que foi o Antonio Silvino o homem que obrigou o cangaceiro comer um quilo de sal, por reclamar da comida insossa. Já outros dizem que teria sido o capitão Lampião que fez ele comer o sal e ainda lamber o prato.

250 gramas de sal é muito sal para ser usado em uma cozinha, imagina bem um quilo de sal para um sujeito comê-lo de uma só vez. Na minha opinião é história de reuniões de pessoas amigas nas calçadas em noite de bom luar.

Veja o que conta o escritor João de Sousa Lima de algumas histórias criadas sobre Lampião...


CONHEÇA AS SEIS PRINCIPAIS LENDAS SOBRE LAMPIÃO
Glauco Araújodo G1, em Paulo Afonso (BA).

Histórias sobre cangaceiro ainda assustam os nordestinos.

Pesquisador conta quais foram os fatos que fizeram a fama de mau do rei do cangaço.

O medo provocado pela presença física ou até mesmo pelas histórias e lendas contadas sobre Lampião ainda persiste. O rei do cangaço morreu há 70 anos, na Grota de Angicos, em Poço Redondo (SE), durante uma emboscada montada pelos policiais. O cangaço terminou em 1940, mas mesmo assim as pessoas, principalmente no Nordeste do país, sentem desespero quando se fala em Lampião.  

O G1 conversou com João Souza Lima, considerado um dos principais historiadores do cangaço. Ele vive em Paulo Afonso (BA), onde há décadas vem levantando informações sobre a biografia do principal casal de cangaceiros: Maria Bonita e Lampião. É ele quem revela os seis principais mitos e lendas que percorreram vários estados do país e que ainda persistem.
       
Testículos na gaveta

Segundo Lima, uma dessas lendas revelava que um sujeito estava cometendo incesto e foi flagrado por Lampião. O cangaceiro separou os dois irmãos e foi conversar com o rapaz. Ele falou para o homem que era para colocar os testículos na gaveta e fechar com chave. Lampião, então, colocou um punhal sobre o criado-mudo e disse: "Volto em dez minutos, se você ainda estiver aqui eu te mato". “A crueldade de Lampião estaria em fazer a tortura e obrigar o sujeito a cortar sua masculinidade para continuar vivo”, disse o historiador.
      
Crianças no punhal

Em outra história lembrada pelo pesquisador, a população, com medo da fama de violento de Lampião, acreditava em todas as histórias sobre o cangaço. Uma delas foi criada com o objetivo de afugentar os sertanejos que ajudavam a esconder os cangaceiros, os conhecidos coiteiros. As volantes (polícia da época) espalharam que Lampião matava crianças com punhal. Segundo uma das histórias contadas pelos policiais, o cangaceiro jogava as crianças para o alto e as parava com um punhal.
    
Lampião macaco

Outro relato que se espalhou conta a história de que Lampião só conseguia se esconder na mata durante as perseguições das volantes porque subia nas árvores e fugia pelos galhos das copas. Lima disse que isso foi publicado em um livro sobre o cangaço como se fosse verdade e muita gente ainda acredita nessa história, desmentida por ele e outros especialistas. “Quem conhece a caatinga sabe que na região onde Lampião passou e lutou não havia árvores com copas.”
Você fuma?

Lima lembra de outro caso: Lampião teria sentido vontade de fumar e sentido o cheiro da fumaça de cigarro. Ele caminha um pouco e encontra um sujeito fumando. O cangaceiro vai até o homem e pergunta se ele fuma. O indivíduo vira para olhar quem conversava com ele e, assustado por ver que era Lampião, responde com medo: "Fumo, mas se quiser eu paro agora mesmo!".
         
História do sal

Outra lenda contada nas rodas de amigos no Nordeste até hoje é a de que Lampião chegou à casa de uma senhora e pediu que ela fizesse comida para ele e para os cangaceiros. Ela cozinhou e, com medo da presença de Lampião em sua casa, esqueceu de colocar sal durante o preparo.

Um dos cangaceiros do grupo de Lampião reclamou que a comida estava sem gosto. O rei do cangaço, então, teria pedido um pacote de sal para a mulher. Ele despejou o sal na comida servida ao cangaceiro reclamante e o forçou a comer todo o prato. O integrante do grupo de Lampião teria morrido antes mesmo de terminar de comer.
  
Lampião zagueiro

Para finalizar, Lima disse que, na década de 1960, uma empresa pesquisadora de petróleo no Raso da Catarina, em Paulo Afonso (BA), abriu uma pista de pouso para trazer os funcionários de outras regiões que iriam executar trabalhos de pesquisa. Vale salientar que não foi encontrado petróleo no local, apenas algumas reservas de gás. Na década de 1970, um estudioso do cangaço teria encontrado o campo de pesquisa parcialmente encoberto pelo mato e escreveu, em livro, que aquele seria um campo de futebol construído por Lampião. “O pesquisador ainda teria reportado, de maneira totalmente infundada, que o rei do cangaço teria atuado no time como zagueiro”, disse Lima.

Informação: O escritor repassa para nós o que contam por aí. Em nenhum momento ele afirma que tudo isso foi real. 


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terça-feira, 12 de novembro de 2019

SÓ PARA ARQUIVO - SEU GALDINO PARABENIZA O POVO BRASILEIRO POR TER CONSAGRADO O MANOEL GOMES CANTOR DA MÚSICA “CANETA AZUL”.

Por José Mendes Pereira

Nem todo mundo merece medalha de ouro, de bronze ou de prata, mas têm pessoas que não querem ser nada na vida, não esperam nada de melhora para si, e de repente, são consagradas pela nação que elas pertencem.

https://www.youtube.com/watch?v=7I8rNJ0FgC8

Em conversa com seu Leodoro Gusmão seu Galdino Borba(gato) falou sobre o sucesso que está fazendo o novo ídolo deste Brasil, o Manoel Gomes aquele que apresentou a música “Caneta Azul” no youtube, e hoje é sucesso nacional, e posteriormente no mundo inteiro. Vamos saber o que eles conversaram sobre o novo artista do nosso querido Brasil?

https://www.youtube.com/watch?v=GcrYbnYqZm8

- Compadre Leodoro, quando o povo brasileiro quer derrubar um político, um ator ou até mesmo artistas de palco ou de novelas não tem dó. Mas quando ele quer consagrar alguém, isto é, torná-lo famoso só o meu Deus empata.

https://www.youtube.com/watch?v=kaaazNYChC4
- É isso mesmo compadre Galdino, e eu acho que o povo brasileiro não tem nada de besta, ele sabe muito bem quem merece colocar no pescoço medalha, quer seja ouro, prata ou bronze...

https://www.youtube.com/watch?v=r4LJTLPa1bs

- Eu acho que o compadre tem acompanhado este tal de Manoel Gomes, dizia seu Galdino, que canta a música “Caneta Azul” uma letra menos graciosa, um jovem sem cultura, sem voz, mas bastante bravo, deixou o povo brasileiro de boca aberta com a batida da sua música.

https://www.youtube.com/watch?v=L6Tnp-x5eLg

- Oxente, compadre Galdino! Eu já me tornei fã deste cantorzinho por ele ter sido consagrado pelo povo do nosso país, nem tenho prestado a atenção na letra, o que eu quero é ouvir bem a batida da sua música. No momento ele está se tornando um fenômeno. Todos os canais de televisão estão o apoiando de forma merecida, porque o que o povo do Brasil escolhe não poderá haver desvio e nem ser rejeitado..., Mais de 40 bandas já gravaram a sua música. E até falam que um japonês de fama irá também gravá-la.

https://www.youtube.com/watch?v=ytSS6iSuxjw

- Meu compadre Leodoro Gusmão, o novo ídolo brasileiro surgiu de um nada e do nada tem se transformado no artista mais famoso em todo território brasileiro... Tenho certeza que ele só está perdendo para os cantores Roberto Carlos e Amado Batista. A nação o consagrou de corpo e alma. Não importa a sua pobreza, o que me importa é que ele suba nos mais famosos palcos artísticos do Brasil, e quem sabe, do mundo inteiro.

- É isso aí, meu compadre Galdino! A gente sabe que por aí existem pessoas que não querem vê-lo subindo no mais alto degrau da música, só porque ele é pobre, mas eu, Leodoro Gusmão, desejo que ele seja bem feliz, e que o mundo melhore a sua vida.

https://www.youtube.com/watch?v=j4YB1OaQZ4I
- E eu também desejo o mesmo a ele, meu compadre Leodoro! Aquele que o tem criticado é porque não gosta de pobre. A letra da sua música pode ser ouvida em qualquer repartição, em escola, no meio da criançada, diante de pais e filhas, porque não existe nenhuma palavra ridícula. Ele apenas conta a história que perdeu a sua "Caneta Azul" e quem a achar, devolva-a.

- Imagina bem compadre Galdino, a música "Caneta Azul" sendo cantada por Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Amado Batista e The Rolling Stones.

- Imagino! - Disse o caçador de onças.

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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

EM SÃO PAULO SEU GALDINO FOI OBRIGADO PAGAR MULTA POR DESOBEDIÊNCIA

Por José Mendes Pereira

Nessa madrugada seu Galdino Borba(gato) amanheceu com o Lúcifer nos couros porque uma de suas vacas leiteiras tinha vazado do curral, levando consigo o seu filhote de dois meses de vida. E se achando incapaz de trazê-la sozinho do campo para o seu curral foi pedir ajuda ao seu compadre e amigo Leodoro Gusmão, vez que a bicha era brava e desobediente quando fugia do seu poder, e além do mais, com recém-nascido ao seu lado. E de pressa, foi até a casa do compadre para juntos irem ao campo ver se conseguiam trazer a virada na peste para o seu poder. Seu Leodoro Gusmão se prontificou, afinal, era um grande amigo, e logo foi preparar o seu cavalo, e que seu Galdino o esperasse em sua casa, ele não se demoraria chegar. 

Passado alguns minutos seu Leodoro Gusmão chegou à casa do compadre. Tomaram café puro, em seguida pitaram e se mandaram atrás da espantada, isto sem os uniformes de vaqueiro.


Estava no inverno. O lamaçal e os caminhos feitos pelo gado dificultava à procura da vaca, e depois de muito caminharem nas estradas fechadas seu Galdino e seu Leodoro resolveram parar um pouco sob uma árvores de quixabeira, para que os seus animais descansassem um pouco.


O sol estava com temperatura normal, e a finalidade de pararem por ali a convite do seu Galdino era o desejo de falar ao amigo sobre as suas histórias cabeludas. Seu Galdino tinha mania de contar tudo que com ele se passava, mas era bom para aumentar ou criar histórias que apenas imaginava um dia acontecesse com ele. E sentados sobre as montarias seu Galdino Iniciou:

- Meu compadre Leodoro, eu estou aqui me lembrando que os prédios dos dias de hoje quase não têm mais paredes na parte da fachada... A vidraça tomou de conta e até que fica bonito aquelas centenas de vidros dividindo a fachada como se fossem pequenas janelas...

- Isso são as invenções dos homens de hoje, compadre Galdino! - Atalhou seu Leodoro. - Os estudos estão por aí e o homem a cada dia descobre coisa que antes, somente Deus sabia. E olha lá, um dia o homem dirá que encontrou o reino de Deus. E se ele deixar, tenho certeza que o bicho homem dará um grande aperto de mão em Deus e depois um abraço forte. 

- Quem sabe, meu compadre! Poderá isso acontecer mesmo..., mas veja bem o que se passou comigo em São Paulo quando eu fiz uma visita a um primo meu que por lar residia. Ocioso na casa do primo eu resolvi sair à rua para ver as belezas da cidade, e de repente me deparei com um enorme arranha-céu. Enquanto eu admirava a bela fachada do edifício resolvi saber quantas janelas de vidro tinha naquele prédio. 



E pus a contar uma por uma. E sem menos eu esperar um senhor com fardamento de trabalho municipal apareceu na minha frente dizendo-me:

- Pelo que eu vi o senhor estava contando as janelas deste prédio. É isso mesmo?

- Sim senhor, eu estava contando para ver quantas janelas nele tem.

- Mas o senhor sabe que aqui em São Paulo é proibido contar as janelas dos prédios?

- Sabia não senhor!

- E sabia que quem conta as janelas dos prédios daqui de São Paulo é multado?

- Não senhor. Menos ainda..., eu não sabia.

-  Pois é proibido. Eu  vou fazer a multa.

Disse ele puxando um talão e uma caneta. E começou a escrever. Depois me perguntou quantas janelas eu já tinha contado. E eu como nordestino e que não tem nada de besta, respondi que eu já havia contado 200 janelas. E ele lá anotou. Em seguida, me passou o papel, paguei a multa correspondente às 200 janelas. E sem mais conversar comigo foi embora. Só que eu peguei o besta, compadre Leodoro. 

- Mas por que o senhor diz que pegou o besta?

Eu já tinha contado 400 janelas...

- O senhor é vivo, compadre Galdino! Eu nunca vi um homem mais inteligente do que o senhor.

- Eu sou nordestino e não sou como os sulistas pensam da gente, meu compadre! Sou cabra da peste e conterrâneo do capitão Lampião.

- Verdade, compadre Galdino! Quem nasce neste sofrido Nordeste é cabra macho sim senhor!

 E eu brinco, compadre Leodoro!


O FORRÓ DO JOÃO DE MOCINHA

Por José Mendes Pereira

Eraldo Xaxá, Railton Melo, Jorge Braz, Pedro Nascimento e João Augusto Braz, sei que vocês não foram festeiros daquele clube “Forró do João de Mocinha” estabelecido à Rua da Harmonia em Mossoró, no grande Alto de São Manoel, fundado entre os anos de 1966 a 1967, por Francisco de Assis Lemos (o Chico), filho do homem que o forró recebera o seu nome, mas sabem que durante muitos anos, aos sábado e aos domingos à noite, algumas vezes, uma matinê no sábado, animou os festeiros do São Manoel e de outros bairros com o som da amada sanfona, triângulo e zabumba, onde lá o cavalheiro pegava a sua dama e só no bico do sapato, divertia a si mesmo e a sua morena, ali aconchegado de ponta a ponta o casal rodopiava o salão do ambiente.

O forró não tinha regras para se participar da festa, podia entrar quem quisesse, mulher de bons modos, mulher de vida livre, desde que pagasse a entrada de acordo com o preço estabelecido na portaria, e rigorosamente, respeitasse o ambiente. Nada grátis, afinal, o dono fazia gastos e mais gastos com instrumentos musicais e procurava manter o conjunto com bons músicos, para que o forró funcionasse nos finais de semanas, e fizesse mais ainda sucesso e divertisse os festeiros.

O nome do conjunto era “Os Diamantinos” de propriedade do Chico que começou com instrumentos improvisados, e aos poucos, foi se aperfeiçoando, e era administrado por seu pai João de Mocinha, tendo como componentes: Crooner Antonio Alexandre da Cunha Filho - meu asmigo (vulgo Tota). No triângulo João Batista (vulgo Doidelo), este é meu primo de 2º grau, porque as nossas avós eram irmãs. Ainda no triângulo e bateria o Antonio Airton de Carvalho (já falecido) e no baixo o Edilson de Teotônio.

Quando Edilson saiu do grupo, quem assumiu o contrabaixo foi o Geniel, também meu primo de 2º grau, filho do Olegário Ismael Jácome e de Francisca de tia Adelaide Maria da Conceição. Na guitarra era responsável pelo som um jovem com o vulgo de Chico Cascudo.

Com este nome, o conjunto musical “Os Diamantinos” permaneceu durante 13 anos, e foi uma homenagem a uma freira do Ceará, amiga do padre Sales, que por aqui vivia, e sugeriu aos proprietários este nome de fantasia, o qual foi muito bem escolhido e abençoado por Deus.

O proprietário do clube acreditou e com muito sacrifício, investiu, chegando a ser uma das casas de shows melhores da periferia de Mossoró. O forró do João de Mocinha era tradição na cidade e conquistou a população fazendo grande sucesso.

Esta foi a primeira fase do conjunto musical “Os Diamantinos” que durou de 1966 a 1979.

A segunda fase do ”Forró do João de Mocinha” teve início em 1979, quando o conjunto “Os Diamantinos”deixou de existir, recebendo o nome de “The Black Som”, considerada a fase de “ouro” do grupo, tendo sido comprado mais instrumentos com maiores potências no que diz respeito a decibéis. Nesse período, alguns componentes deixaram de fazer parte do conjunto, como por exemplo: Geniel que deixou o grupo e que a sua vaga de baixista foi preenchida por um jovem chamado Neto. O crooner de “Os Daimantinos” o “Tota” permaneceu até dois anos no “The Black Som”, mas posteriormente ele deixou a banda, e a vaga foi preenchida pelos cantores Sales de Aleixo e uma jovem com o nome de Aledir.

A fama do forró fez com que o Chico investisse mais ainda, comprando instrumentos como teclado, caixas de som de alta potência, além de baterias e tumbas de alto curto.

O forró andava bem obrigado, mas quando o proprietário resolveu colocar um empresário, que havia mudado o nome para “The Balack Som”, e por ironia do destino, não se sabe se foi afastamento dos festeiros, porque já existiam outros clubes nas periferias de Mossoró, ou se foi administração do empresário que não chegou a satisfazer aos frequentadores, e a partir daí, o conjunto caminhou para a decadência.

E para ver se recuperava o sucesso que fez o conjunto antes, pai e filho resolveram convidar os antigos componentes como o Tota, o Geniel, o Airton, o João Batista (Doidelo), o Edlson..., e como ninguém quis mais fazer parte do grupo, ele foi fracassando sem mais ter casa cheia no ambiente, e assim foi de água abaixo, chegando a falência.

Se o grupo “Os Diamantinos” fez bastante sucesso, mais ainda fez o “The Black Som”, e com a entrada do empresário, o conjunto perdeu o rumo, chegando o proprietário encaixar os seus instrumentos, guardando-os, esperando por uma outra oportunidade, a qual nunca mais existiu.

Que pena! Um clube que fez muito sucesso só restou a saudade a quem nele frequentou, e o prédio todo desmoronado que ainda tenta resistir em pé.

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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

MINHA PRIMEIRA BICICLETA


Por José Mendes Pereira

Naqueles tempos de dificuldades para todos aqueles que nasciam e residiam no campo tudo era muito difícil, e que muitos pais que dependiam apenas da saúde para trabalhar e sustentar a sua numerosa prole viviam miseravelmente sem apoio de ninguém, somente da boa vontade de Deus.

Meus irmãos e eu não vivemos a miséria porque apesar de viver de favor em propriedade alheia, onde lá meus pais e nós filhos nascemos, mas que ele nunca fora empregado do proprietário, isso é, sem obrigação para com o proprietário de terras, o nosso pai era dono de um grande chiqueiro de criações, e além disto, ele fazia tudo (menos desonestidade) para não nos ver com fome. Lógico que os nossos alimentos não eram muito nutrientes, porque em décadas passadas o camponês alimentava a sua família apenas com carne da sua criação, feijão, arroz, cuscuz (milho passado no moinho), farinha vez por outra, rapadura fabricada no cariri, e mais algumas caças completavam os nossos alimentos. 

Como todos sabem muito bem como era a vida do campo no período de inverno todos estavam ocupados no plantio, estendendo-se até agosto, mais ou menos, porque chegava o período da colheita do milho. E assim que terminava a colheita todos iriam trabalhar no corte da palha da carnaubeira, mas nem todos os camponeses faziam esta atividade, somente em lugares que têm rios ocupados pelas carnaubeiras.

Eu ainda era pequeno e que tenho a impressão com menos de 13 anos, não só eu como todos as crianças da época, mas meu desejo era possuir uma bicicleta mercswiss. Naqueles tempos crianças trabalhavam, e é por isso, não menosprezando a linda juventude que existe hoje, o Brasil formou homens responsáveis, e é por isso que nenhum de nós se tornou marginal. Como eu estava trabalhando no corte de palha fui juntando dinheiro para um dia ser dono de uma bicicleta mercswiss usada. Meses depois, eu estava com o valor da bicicleta pronto.

O meu pai já sabia da minha intenção de possuir uma bicicleta, e como quase não dispunha de tempo, pois tinha as suas obrigações, porque era encarregado de uma turma de corte da palha da carnaubeira, e com o vexame de fazer logo esta compra, falei para eu vir sozinho à Mossoró e comprar a tão sonhada bicicleta. Ele tinha plena certeza que eu não sabia comprá-la, mas mesmo assim,  não se opôs, dizendo-me:

- Eu acho meu filho, que você não sabe comprar bicicleta, porque ainda é muito pequeno. Mas como eu não posso ir, tente sozinho. Tenha cuidado! Veja bem o estado da bicicleta que lhe agradar. Às vezes elas só têm presenças, mas que não estão perfeitas. – Dizia-me o meu pai.

A noite eu passei quase em claro só me lembrando da bicicleta e do retorno para casa, montada nela. Uma sensação que já estava pedalando. Quando eu cochilava sonhava já montado na tal bicicleta dos meus sonhos. Os enfeites que eu pensava em colocar nela, tudo foi pensado e vistos no meu pensamento. Um farol com dínamo e ao anoitecer, montar nela e fazer carreira em busca da casa da minha avó Mamãenana, que ficava um pouquinho distante de onde eu morava. E ao sair de casa, minha mãe dizia:

- Cuidado meu filho, porque tem touros bravos nos caminhos por aí e poderá tentar te derrubar com bicicleta e tudo!

- Se algum deles vier me açoitar mamãe, eu faço carreira na bicicleta para cá!

Quatro horas da manhã do dia seguinte eu já estava pronto para enfrentar a pé o caminho que trás até Mossoró. E ao me ver já pronto, meu pai me disse:

- É muito cedo ainda meu filho, para você caminhar até Mossoró.

- É porque papai, eu quero chegar cedo lá e também voltar cedo. – Eu disse.

Noutros tempos o sujeito andava a qualquer hora do dia e da noite, e tinha certeza que chegaria em casa, exceto algum animal feroz que o atacasse. Tirando este, sairia vivo e retornaria vivo.

Abri a porta da frente da nossa humilde casinhola de taipa e me mandei. Sempre com a imaginação voltada para o tão desejado transporte. E durante o percurso eu corria, parava, fazia gestos de quem monta em bicicleta, me desequilibrava como se fosse cair do transporte  simbolicamente. Deixei a mercswiss e tentei a bristol, mas ela não tinha apoio aconchegante. Tentei outras, isto somente na minha mente, nenhuma era especial como a mercswiss. 

Mas quando eu percebi que solitariamente o pai da vida aqui na terra já estava irradiando um pouco o chão do nosso chão, eu fiz carreira sem parar um só instante.

Lá para as tantas eu entrei em Mossoró. E me mandei até a casa de uma tia minha de nome “Dos Reis” que morava na atual Ilha de Santa Luzia. Ela já havia se levanto e feito café. Tomei um pouco e me mandei para a pedra do mercado, porque era lá o local de vendas destes. Ao chegar, sentei-me em um banco da praça aguardando os comerciantes que  logo chegariam para ludibriarem aqueles que tentavam comprar algo. E lá para as sete horas os comerciantes ambulantes foram chegando. Daí a pouco, a praça estava cheia de gente vendendo de tudo quanto existe em feiras livres.

E lá estava eu sentado no banco feito um matuto mesmo com um pouco de timidez. Disfarçadamente, vi uma bicicleta de cor azul, e no meu entender, aquela estava perfeita, bem pintada e com aparência de pouco uso. Somente os aros tinham começo de ferrugem, e a desejei, mas não saí do banco. Como eu a observava apenas com um rabo de olho o dono se aproximou de mim e me perguntou:

- Você mora aonde?

- Na Barrinha, eu o respondi.

Aquelas alturas aquele carniceiro percebeu que eu era camponês, e camponês é matuto, e matuto é bestão mesmo, e se é bestão é bom de fazer negócio, e se fizer, é fácil ser ludibriado de todas as formas.

- Veio fazer o que aqui em Mossoró?

- Eu vim comprar uma bicicleta mercswiss. 

O sujeito pôs a me ganhar na conversa.

- Veio com seu pai? - Perguntou-me?

- Não senhor, vim só.

E começou fazer mais perguntas e eu as respondendo. Em seguida disse:

- Vamos tomar um cafezinho ali...

Eu o acompanhei, e foi lá que ele me apresentou a bicicletas que estava à venda e que eu a tempo que a observava. E era aquela mesma que eu queria. Perfeita, bonita, quase nova. 

- Dê uma voltinha nela para você ver como ela é boa...

- Não precisa. - Respondi. 

Fomos a negócio. De lá pra cá veio o preço que eu nem me lembro mais quanto custava. E de cá pra lá foi a minha confirmação. Concordei que eu queria a bicicleta por aquele valor. 

Montei na já minha tão sonhada bicicleta e fui-me embora. Mas ao passar pela ponte do rio Mossoró, um pouco mais a frente a bicicleta começou os problemas. A corrente caiu, a catraca não prestava, freios duros e secos. Em busca de casa, andei mais a pé do que mesmo nela. 

A bicicleta só tinha beleza, presença, mas estava toda cheia de solda. Como ela tinha sido pintada a tinta cobria as partes que haviam sido soldadas. 

Que sorte! Naquele tempo matuto era matuto. Hoje não existe mais esta raça. O matuto de hoje sabe tanto quanto o homem da cidade. 

Parabéns para ele!

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COM DAVI, IRMÃO DO VAQUEIRINHO GABRIEL.

  Por Rangel Alves da Costa Hoje (Sábado 12/09), após a Missa de Sétimo Dia, conversei alguns instantes com o irmão do Vaqueirinho Gabriel, ...