sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O FOGO DAS GUARIBAS – A TRAGÉDIA DE CHICO CHICOTE

 Por Roberto Junior


1927 foi o ano em que o Cariri estremeceu com um dos maiores e mais memoráveis tiroteios que a crônica histórica do Coronelismo Caririense pôde registrar. O ataque a casa grade do Sitio Guaribas, em Porteiras, é até hoje um dos maiores exemplos dos arranjos e conluios que uniam numa massa uniforme, os mandões do Cariri e os praças que representavam a Policia Militar do Ceará, sendo esta última, não raras vezes, utilizada como força auxiliar dos poderosos que a tudo e sobre tudo decidiam sob a ótica do bacamarte.

Em 28 de Janeiro de 1927, chegava a Brejo dos Santos, atual Brejo Santo, uma volante comandada pelo então tenente, José Gonçalves Bezerra, uma dos maiores facínoras que já circulou pelo Cariri, e que também esteve envolvido no desmonte do Caldeirão do Beato José Lourenço, em Crato. O militar havia montado campanha com a justificativa de que estaria em busca de Virgulino Ferreira da Silva, O Lampião, que de fato estava na região, mas seria usado apenas como cortina de fumaça, pois, Zé Bezerra, na verdade estaria atendendo a outras demandas, mais especificas e que nada diziam sobre combater o afamado cangaceiro.

A primeira missão do tenente havia sido ir até Macapá, atual Jati, em busca de Antônio Marrocos de Carvalho, um coletor de impostos que ganhava rápido prestigio em sua localidade, a época anexada ao município de Jardim, e que estaria incomodando velhas lideranças politicas. Algum tempo antes, Marrocos havia sido denunciado por essas mesmas lideranças, por ter dado abrigo a Lampião e seu bando, o que de fato havia ocorrido, e é interessante ressaltar que as denuncias ocorreram após duas tentativas fracassadas de assassinar o coletor. Nêgo Marrocos, ciente do contexto desfavorável a si, explica ao cangaceiro, em outra visita do mesmo, que não mais poderia abriga-lo em sua residência diante das denúncias, e Virgulino, compreendendo os fatores, causas e finalidades, recomenda a Marrocos que fizesse denuncia de sua passagem pelo local, como tentativa de afastar de si a fama de coiteiro, que muito poderia lhe complicar. Foi valendo-se desse argumento, que o militar conseguiu fazer com que Antônio Marrocos o acompanhasse, pois, segundo Zé Bezerra, endossando as fileiras da volante que buscaria Lampião, Marrocos afastaria definitivamente as confirmações de suas atividades como aliado de Virgulino Ferreira.

Procedente de Jardim, a volante iniciou sua marcha até o Sitio Guaribas, atual município de Porteiras, nos primeiros minutos da madrugada de 1° de Fevereiro de 1927, tendo como ponto intermediário o sítio Salvaterra, onde o sanguinário tenente cumpriria mais um acordo fechado com os potentados rurais do Cariri. Como podemos observar, Zé Bezerra havia fechado o que poderíamos chamar de “Pacote de Pistolagem”, pois, atendendo as velhas raposas de Jardim, iria exterminar Antônio Marrocos de Carvalho, e respondendo aos mandatos de Sebastião Salviano, vulgo Sinhô Salviano, mataria também a Antônio Gomes Grangeiro e Francisco Pereira de Lucena, vulgo Chico Chicote.

Antônio Grangeiro, tempos atrás havia tido um sério desentendimento com José Franklin de Figueiredo, por questões de terra, e Chico Chicote, em apoio a Grangeiro, havia assassinado José Franklin, que era cunhado de Sebastião Salviano; este último teve por ação buscar abrigo junto do coronel José Pereira Lima, maldito Zé Pereira de Princesa, no reduto absoluto do mandão, a cidade de Princesa Isabel, na Paraíba, com a finalidade de tramar sua vingança que foi executada justamente na ação acima citada.

Mas voltando ao sítio Salvaterra, a casa grande do mesmo foi invadida antes do raiar do dia pelo troço de malfeitores da policia. Em seu interior estavam Antônio Grangeiro, João Grangeiro (Louro Grangeiro), sobrinho do proprietário, e dois moradores, Aprígio Temóteo de Barros e Raimundo Madeiro Barros (Mundeiro) que foram rendidos e obrigados a marchar rumo a Guaribas junto do exército de facínoras. Em determinado ponto da caminhada, estima Joaryvar Macedo que a cerca de 500 metros da residência de Chico Chicote, foram os supracitado assassinados, sofreram degola e tiveram seus corpos incinerados. O batalhão sanguinário seguiu sua marcha, ainda mantendo Nêgo Marrocos entre seus números; anteriormente, Marrocos, segundo algumas fontes, teria inocentemente desenhado a planta da casa grande de Guaribas, que ele tão bem conhecia, e que era praticamente uma fortaleza, com paredes largas e seteiras por onde se poderia armar defesa, o que facilitou em grande soma o trabalho de Zé Bezerra e seu bando.

Deixando o grosso da tropa em ponto estratégico, Zé Bezerra e seu incansável braço direito, Veríssimo Gondim, seguiram com Nêgo Marrocos, e pasmem, um sobrinho de Chico Chicote, que serviu de guia ao troço de malfeitores, até o terreiro da casa de seu tio. O imóvel, as 7h da manhã já estava rodeado de plena movimentação, e o rosto conhecido de Marrocos não deu grande alerta aos anfitriões, somente o estampido da arma do tenente Veríssimo, que com um balaço atingiu o coletor de impostos nas costas, denunciou a trama diabólica que se desenrolava naquele momento. A chuva de balas iniciou com carga máxima, e Chicote em minutos viu seu reduto cercado por 70 praças e muitos “Papo Amarelo” com o cano quente, e em seu auxilio, Chico teve inicialmente somente sua esposa, Dona Geracina, sua filha, Josefa, seu filho, Vicente Inácio, e os cabras, Sebastião Cancão e Mané Caipora, era o inicio do Fogo das Guaribas.

Durou 31 horas a peleja de Chico Chicote, e nem o pequeno contingente de auxílio que veio de Porteiras, composto por cerca de 50 pessoas, conseguiu dar vencimento nas volantes criminosas, que ao cair da tarde do dia 1° de Fevereiro de 1927 já haviam recebido reforços de volantes do Pernambuco e da Paraíba, assim como também de um magote de cabras chefiados por Sinhô Salviano, que a conferiu uma força de mais de 200 homens. Mas eram valentes os que se defendiam; Dona Geracina e Josefa se revezavam recarregando, e com o a ajuda de uma gamela de água, refrigerando os rifles. Chegado o dia 02, a fuzilaria continuava a todo vapor, mas Chico, vendo um de seus cabras mortos e o cerco se fechar, sugeriu ao filho, Vicente Inácio e ao outro companheiro, que fossem embora, e contando somente com a ajuda da esposa e da filha, deu combate aos desditosos fardados até as duas horas da tarde. Baleado no maxilar inferior, no braço esquerdo e com o tiro fatal no tórax, Chicote foi encontrado de joelhos, amparado na parede, na posição de atirar e ainda com uma bala na agulha, estava completamente escura a sua pele do rosto, mãos e braços, por efeito das horas de disparos por ele executados, e naquele momento Sinhô Salviano executou sua vingança pela morte do cunhado, encravando na axila esquerda de Francisco um punhal, configurando semelhante ferimento ao que Chico havia causado em José Franco.

Conta-se que na Malhada Funda, localidade ali próxima, estava Lampião, que ouvindo o tiroteio, soube exatamente do que se tratava, mas era Chico Chicote inimigo seu, e por isso não foi em seu socorro. Não obstante a traição de João Gomes Lucena, sobrinho de Chico que serviu de guia aos integrantes da volante, também nos causa estranheza a ação de Quinco Chicote, irmão do falecido e chefe de Brejo Santo, que além de não enviar ajuda, também impediu que Isaias Arruda, chefe de Missão Velha, e Pedro Furtado, de Milagres, enviassem seus homens para travar batalha no Fogo das Guaribas.

É fato o temperamento explosivo e a vida marcada por malfeitos que levou Chico Chicote, mas a figura não ofusca a trama asquerosa que foi montada e que teve como protagonistas homens que deveriam fazer valer a lei, mas que na realidade eram jagunços fardados, usados como braço armado do aparelho politico de outrora, sendo um dos maiores exemplos deste triste papel, que não raras vezes as policias do nordeste representaram.

Terminado o Fogo, a Casa de Guaribas sofreu um saque completo, plantações e animais foram atacados e o cenário era desolador. O imóvel foi usado ainda por longos anos, e a oralidade de Porteiras registra que muitos dos que ali padeceram (também morreram 27 praças, que após dias ainda eram encontrados no meio da mata) continuaram a vagar pela localidade e pela casa, que infelizmente foi demolida no começo dos anos 2000.

Zé Bezerra foi assassinado em 10 de maio de 1937, envolvido em mais um caso escabroso, o do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. Veríssimo Gondim foi morto em 26 de junho de 1932, atingido pelas costas, assim como fez com o Nêgo Marrocos, pelo coronel Raimundo Augusto Lima, suas últimas palavras teriam sido: “Que homem falso”.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O DIA EM QUE O REI DO CANGAÇO CAIU: A INVASÃO DE LAMPIÃO A MOSSORÓ.

  Por Direito Dileve.

https://www.youtube.com/watch?v=6UaZjCAnxS0

Em 1927, o temido cangaceiro Lampião decidiu atacar a próspera cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Com a promessa de riquezas, ele e seu bando marcharam pelo sertão, prontos para um grande saque. Mas o que eles não esperavam era a resistência feroz dos moradores, liderados pelo corajoso prefeito Rodolfo Fernandes. Neste vídeo, vamos reviver essa história cheia de emoção, aventura e suspense! Descubra como Mossoró se preparou para o combate, as estratégias do prefeito para proteger a população e os momentos críticos da batalha que marcaram a derrota de Lampião. E claro, com um toque de humor e curiosidades que você não pode perder! Se você gostou do vídeo, deixe seu like e se inscreva no nosso canal ! Compartilhe esse vídeo:    • O dia em que o Rei do Cangaço caiu: A inva...   ____________________________________________________ Outros vídeos com dicas de Direito para seu dia a dia:

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ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, não deixa ele te pedir desculpas, desculpa-o antes, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional, você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. 

Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém poderá apertar o gatilho.

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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O CANGACEIRO GITIRANA.

 Por Tesouros Reais.

O cangaceiro conhecido como Gitirana, cujo nome verdadeiro era Antônio Félix — também identificado por alguns registros como Antônio José dos Santos — foi uma figura singular no cenário do cangaço nordestino. Diferente da imagem comum associada apenas à violência e ao banditismo, Gitirana destacou-se por unir a vida errante do cangaço à sensibilidade artística da poesia e da música.

Natural do estado de Alagoas, Gitirana ingressou no cangaço por volta de 1937, motivado pelo desejo de vingança após a morte de seu pai, assassinado em uma ação policial. Como ocorreu com muitos sertanejos da época, a violência estatal e a ausência de justiça formal empurraram-no para a vida fora da lei.

Durante sua trajetória, Gitirana integrou bandos comandados por dois dos maiores nomes do cangaço: Lampião, o “Rei do Cangaço”, e, posteriormente, Corisco, um de seus principais seguidores após a morte de Lampião em 1938. Mesmo em meio à dureza da vida armada, Gitirana se diferenciava pelo comportamento menos brutal e pelo apreço à arte.

Reconhecido como repentista, compositor e cantor, ele costumava criar versos que abordavam o amor, a saudade e a beleza do sertão, especialmente durante as noites no acampamento. Seus poemas contrastavam com a violência cotidiana do cangaço, revelando um lado mais humano e sensível do movimento.

Em 1940, já enfraquecido fisicamente, Gitirana decidiu se entregar às autoridades na Bahia, acompanhado de sua companheira, conhecida como Maria de Gitirana, e de outro cangaceiro. Pouco tempo após a rendição, ele faleceu em decorrência de tuberculose, doença comum e muitas vezes fatal no sertão da época.

A história de Gitirana permanece como um exemplo das contradições do cangaço: um homem marcado pela violência do seu tempo, mas que encontrou na poesia e na música uma forma de expressar sentimentos em meio ao conflito e à perseguição.

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Um entre tantos... Enterrado sem cabeça

 Por Rangel Alves da Costa

No meio do mato, sempre acompanhado por um cachorro, nas entranhas da Fazenda Coruripe em Poço Redondo, sertão sergipano, apontando o local onde foi enterrado o cangaceiro Canário em 38, morto à traição pelo também cangaceiro Penedinho.

Canário quando posou para Benjamin Abrahão.

Do livro "Lampião entre a espada e a Lei", 

de Sérgio Augusto de Souza Dantas.


Enterrado sem a cabeça, vez que a mesma fora levada como troféu macabro por Zé Rufino, terrível e temido caçador de cangaceiros. É por isso que Totonho Catingueira dizia:

“Vosmicê num pisa no chão de Poço Redondo pra num pisar num rastro de cangaceiro ou de volante. Tomem num anda num lugar pra não sentir um vurto de cabra estirado. A mata aina zune. Aina hoje, eu mermo só entro no mato com medo daquelas aparição, daqueles homens de sangue nos óio e venta sortano fogo. Poço Redondo num era nem pra se chamar Poço redondo, mai Poço do Cangaço. O cangaço inté parece que foi todim aqui.

Ali foi um fogo, acolá foi uma emboscada, mais adiante um acaba-mundo da gota serena. É cuma aina a sombra de Lampião tivesse aqui, tomem de Corisco, de Zé Sereno, de Corisco, de Mané Moreno e tudo mais. É cuma aina a gente ouvisse a bala zunindo e o grito de dor. Menino, foi um escorrimento de sangue de num acabar mais. Eu mermo aina sinto o cheiro suarento do cangaço e o fedor da volante.

Pro todo lugar existe cangaço, e aina como se o medo deixasse o cabelo em pé. Conheci a Véia Gerusa que mermo adespois da morte de Lampião ainda continuava com saco arrumado pra correr a quarqué hora. O maluquim Oreba continua dizeno que toda noite sonha com a cangaceirama e que Lampião virou rei com coroa e tudo, e que seu reinado é pelas banda da Maranduba, debaixo de um daquele sete umbuzeiro. Sei não, viu. Sei não... Eita Poço Redondo das história cangaceira. Mai vou dizê uma coisa, sem medo de errar: se as morte do cangaço fosse todinha marcada em cruz, entonce Poço Redondo todim era um cemitero. Pro todo lugar haveria de ter uma cruz, aqui debaixo dos meus pé, ainda debaixo do seu...”.

https://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Can%C3%A1rio

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domingo, 11 de janeiro de 2026

UMA MORTE ENCOMENDADA.

  Por José Mendes Pereira

Só como ilustração - https://xapuri.info/o-traje-do-vaqueiro-nordestino/

João era vaqueiro da fazenda “Eldorado”, do “fazendeiro Luiz Jerônimo” em Mossoró, e alguns anos passados fizera um crime quase que forçado, só que por último ele estava sujeito a morrer, os filhos do assassinado cresceram e não o queriam perdoá-lo, pela morte do seu pai. Todos que presenciaram a tragédia sabiam que ele não o matou por maldade, e sim, confundido com um lobisomem. Sabiam também que o assassino nunca teve nenhum problema com o assassinado, mas por má sorte, agora estava na lista para morrer.

Só como ilustração - https://revistapesquisa.fapesp.br/formato-do-sol-%C3%A9-mais-est%C3%A1vel-do-que-se-pensava/

Um dia de muito sol, pela tarde, chegou na fazenda um homem montado num cavalo avermelhado e lustroso, todo metido com roupas de couro e chicote em uma das mãos, dizendo que estava indo para Governador Dix-sept Rosado. Ali, pediu um pouco de estadia enquanto o cavalo e ele descanassem um instante. O vaqueiro foi generoso, ordenou que descesse do cavalo para fazer algum lanche, talvez, um almoço fora do horário.

O João, logo exigiu que a esposa preparasse um almoço às pressas, o homem rezou que ainda não tinha almoçado. Almoço servido à mesa da salinha e o homem abancou-se, e no momento em que se alimentava disse que era vaqueiro de um bancário de Mossoró, mas não revelou o seu nome, e que andava à procura de um touro que havia desaparecido alguns dias passados.

Mas o forasteiro não estava tão preocupado com a volta (se era verdade) ao seu trabalho, findou indo ao campo com o João para campear o rebanho de gado do fazendeiro. Durante a viagem relatou que tinha sido vaqueiro de outras fazendas dos arrabaldes, mas em nenhum momento ele citou nome de fazendeiro que havia trabalhado.

O João começara a entender e se perguntando: o que aquele homem estava a fazer ali, se não disse para quem trabalhava, ou se era perto daquela fazenda que ele morava, algo estranho existia na mente daquele sujeito. Imaginou na morte que fizera e era possível uma tentativa de vingança.

Vem o início do anoitecer e o homem não foi embora e com certeza, queria jantar ali também. O João ficou na dele, sem querer perguntar mais nada, mas assustado com aquele infeliz. A noite chegou por completa e vem o jantar. Nada tinha o que mais fazer. Entregaria a sua vida aos cuidados de Deus. Após o jantar o João o convidou para se sentarem sob o alpendre que cobria toda frente da casa, e em companhia, também foram os dois filhos pequenos.

A palestra entre os dois rolou sob o alpendre da casa grande. Nada de outros assuntos, só pegada de bois bravos nos tabuleiros, vacinas de rebanho, rações, leite, queijo e outros mais referentes à fazenda e rezes. 

Afinal, ambos eram vaqueiros, se era que o desconhecido entendia mesmo de fazenda. Mas parecia por completo um homem que sabia lutar em fazendas.

A noite estava se indo e todos dali precisavam dormir. O João foi lá dentro e trouxe uma rede, lençol e cordas para que o forasteiro a armasse sob o alpendre. Com esta cisma o João não seria maluco de deixar um desconhecido dormir dentro da sua morada, principalmente com aquela dúvida. Quem era ele? Um cobrador de impostos? Um vaqueiro de verdade? Um andarilho, um justiceiro, ou mesmo um pistoleiro de fama? Dentro da sua casa o João não deixaria aquele sujeito dormir.

Só como ilustração - https://www.youtube.com/watch?v=sDfqfc3bEUU

Pela manhã, do dia seguinte, logo cedo, os dois foram mungir as vacas no curral, e assim que terminaram, conduziram o gado até ao pasto. Em seguida, foram até a cacimba do gado apanhar água em uma pipa sobre uma carroça. E ao chegarem em casa, cuidaram do gado miúdo que ainda continuava no chiqueiro. 

Obrigações feitas, retornaram para casa, e lá, fizeram o primeiro café do dia com leite, pamonhas e mais outros alimentos. Lá para as nove horas desse dia o sujeito disse que iria preparar o cavalo. Precisava chegar cedo ao destino. Foi até ao estábulo, pegou-o e veio puxando-o pelo cabresto. Antes de arrumá-lo deu-lhe um banho. E assim que o cavalo ficou com os pelos enxutos, colocou a sela.

O João estava mais feliz de tudo, finalmente o seu hóspede contra a vontade, agora iria seguir viagem ao destino pensado. Ali, despediram-se. O forasteiro montou-se e antes que partisse, disse:

- Seu João, eu vim até aqui a sua casa para te matar, porque eu sou pistoleiro profissional. Mas eu fiquei a noite toda me lembrando que tão bem recebido que fui, e fazer uma covardia com o senhor...

- Mas pelo amor de Deus, não faça isso comigo não. Eu tenho estes dois filhos para criá-lo...

- E verdade! Vejo isso, o que eu pensei, não posso desistir, pois este é meu trabalho.

E arrastando o revólver mirou em direção ao seu João, e ao tentar atirar, o forasteiro caiu do cavalo morrendo no meio de tanto sangue escarlate. O João fora salvo pela esposa que a tempo que ouvia a conversa do homem mal. Com um tiro só de escopeta, derrubou o infeliz pistoleiro.

Só como ilustração - https://unsplash.com/pt-br/s/fotografias/arma-menina

E sem esperar por mais ninguém o casal fugiu com os filhos da fazenda, deixando o forasteiro morto, e nunca mais foram vistos pela região. Grande mulher! Salvou o seu esposo da morte.

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As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão. 

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DÉ ARAÚJO: O HOMEM QUE COLOCOU O APELIDO EM LAMPIÃO.

 Por Geraldo Júnior

Segundo uma das versões mais apresentadas na historiografia do cangaço a respeito do surgimento do apelido de Lampião, aponta Dé Araújo, na época cangaceiro, como o autor do apelido de Lampião, na época conhecido ainda como Virgolino. O fato teria ocorrido durante um confronto entre o bando de Sinhô Pereira, do qual Dé Araújo e Lampião faziam parte, contra força militar volante. Após o término do confronto, Dé Araújo teria comentado que o clarão provocado pela carabina (Papo Amarelo) de Lampião se parecia com o claro produzido por um Lampião à gás, muito utilizado nos sertões do Nordeste em tempos passados. E assim teria surgido o apelido daquele que em pouco tempo se tornaria o maior cangaceiro de todos os tempos.
Lembrando que Dé Araújo abandonou o cangaço e ingressou na carreira militar.
Foto: Site: Genealogia Pernambucana.
Para efeito de curiosidade.
Fica o registro!
Obs.: Comentários ofensivos serão excluídos e o responsável banido e denunciado imediatamente. Conto com a colaboração de todos.
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Geraldo Antônio de Souza Júnior - Criador e administrador do canal Cangaçologia.

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O CANGACEIRO GORGULHO.

    Por Fabio Costa Este Cangaceiro estava no grupo de Mané Moreno em Poço da Volta quando em meio ao forró foram emboscados pela volante de...