Por Roberto Junior
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
O FOGO DAS GUARIBAS – A TRAGÉDIA DE CHICO CHICOTE
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
O DIA EM QUE O REI DO CANGAÇO CAIU: A INVASÃO DE LAMPIÃO A MOSSORÓ.
Por Direito Dileve.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2026
O CANGACEIRO GITIRANA.
Por Tesouros Reais.
O cangaceiro conhecido como Gitirana, cujo nome verdadeiro era Antônio Félix — também identificado por alguns registros como Antônio José dos Santos — foi uma figura singular no cenário do cangaço nordestino. Diferente da imagem comum associada apenas à violência e ao banditismo, Gitirana destacou-se por unir a vida errante do cangaço à sensibilidade artística da poesia e da música.
Natural do estado de Alagoas, Gitirana ingressou no cangaço por volta de 1937, motivado pelo desejo de vingança após a morte de seu pai, assassinado em uma ação policial. Como ocorreu com muitos sertanejos da época, a violência estatal e a ausência de justiça formal empurraram-no para a vida fora da lei.
Durante sua trajetória, Gitirana integrou bandos comandados por dois dos maiores nomes do cangaço: Lampião, o “Rei do Cangaço”, e, posteriormente, Corisco, um de seus principais seguidores após a morte de Lampião em 1938. Mesmo em meio à dureza da vida armada, Gitirana se diferenciava pelo comportamento menos brutal e pelo apreço à arte.
Reconhecido como repentista, compositor e cantor, ele costumava criar versos que abordavam o amor, a saudade e a beleza do sertão, especialmente durante as noites no acampamento. Seus poemas contrastavam com a violência cotidiana do cangaço, revelando um lado mais humano e sensível do movimento.
Em 1940, já enfraquecido fisicamente, Gitirana decidiu se entregar às autoridades na Bahia, acompanhado de sua companheira, conhecida como Maria de Gitirana, e de outro cangaceiro. Pouco tempo após a rendição, ele faleceu em decorrência de tuberculose, doença comum e muitas vezes fatal no sertão da época.
A história de Gitirana permanece como um exemplo das contradições do cangaço: um homem marcado pela violência do seu tempo, mas que encontrou na poesia e na música uma forma de expressar sentimentos em meio ao conflito e à perseguição.
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Um entre tantos... Enterrado sem cabeça
Por Rangel Alves da Costa
No meio do mato, sempre acompanhado por um cachorro, nas entranhas da Fazenda Coruripe em Poço Redondo, sertão sergipano, apontando o local onde foi enterrado o cangaceiro Canário em 38, morto à traição pelo também cangaceiro Penedinho.
Canário quando posou para Benjamin Abrahão.
Do livro "Lampião entre a espada e a Lei",
de Sérgio Augusto de Souza Dantas.
Enterrado sem a cabeça, vez que a mesma fora levada como troféu macabro por Zé Rufino, terrível e temido caçador de cangaceiros. É por isso que Totonho Catingueira dizia:
“Vosmicê num pisa no chão de Poço Redondo pra num pisar num rastro de cangaceiro ou de volante. Tomem num anda num lugar pra não sentir um vurto de cabra estirado. A mata aina zune. Aina hoje, eu mermo só entro no mato com medo daquelas aparição, daqueles homens de sangue nos óio e venta sortano fogo. Poço Redondo num era nem pra se chamar Poço redondo, mai Poço do Cangaço. O cangaço inté parece que foi todim aqui.
Ali foi um fogo, acolá foi uma emboscada, mais adiante um acaba-mundo da gota serena. É cuma aina a sombra de Lampião tivesse aqui, tomem de Corisco, de Zé Sereno, de Corisco, de Mané Moreno e tudo mais. É cuma aina a gente ouvisse a bala zunindo e o grito de dor. Menino, foi um escorrimento de sangue de num acabar mais. Eu mermo aina sinto o cheiro suarento do cangaço e o fedor da volante.
Pro todo lugar existe cangaço, e aina como se o medo deixasse o cabelo em pé. Conheci a Véia Gerusa que mermo adespois da morte de Lampião ainda continuava com saco arrumado pra correr a quarqué hora. O maluquim Oreba continua dizeno que toda noite sonha com a cangaceirama e que Lampião virou rei com coroa e tudo, e que seu reinado é pelas banda da Maranduba, debaixo de um daquele sete umbuzeiro. Sei não, viu. Sei não... Eita Poço Redondo das história cangaceira. Mai vou dizê uma coisa, sem medo de errar: se as morte do cangaço fosse todinha marcada em cruz, entonce Poço Redondo todim era um cemitero. Pro todo lugar haveria de ter uma cruz, aqui debaixo dos meus pé, ainda debaixo do seu...”.
https://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Can%C3%A1rio
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domingo, 11 de janeiro de 2026
UMA MORTE ENCOMENDADA.
Por José Mendes Pereira
João era vaqueiro da fazenda “Eldorado”, do “fazendeiro Luiz Jerônimo” em Mossoró, e alguns anos passados fizera um crime quase que forçado, só que por último ele estava sujeito a morrer, os filhos do assassinado cresceram e não o queriam perdoá-lo, pela morte do seu pai. Todos que presenciaram a tragédia sabiam que ele não o matou por maldade, e sim, confundido com um lobisomem. Sabiam também que o assassino nunca teve nenhum problema com o assassinado, mas por má sorte, agora estava na lista para morrer.
Um dia de muito sol, pela tarde, chegou na fazenda um homem montado num cavalo avermelhado e lustroso, todo metido com roupas de couro e chicote em uma das mãos, dizendo que estava indo para Governador Dix-sept Rosado. Ali, pediu um pouco de estadia enquanto o cavalo e ele descanassem um instante. O vaqueiro foi generoso, ordenou que descesse do cavalo para fazer algum lanche, talvez, um almoço fora do horário.
O João, logo exigiu que a esposa preparasse um almoço às pressas, o homem rezou que ainda não tinha almoçado. Almoço servido à mesa da salinha e o homem abancou-se, e no momento em que se alimentava disse que era vaqueiro de um bancário de Mossoró, mas não revelou o seu nome, e que andava à procura de um touro que havia desaparecido alguns dias passados.
Mas o forasteiro não estava tão preocupado com a volta (se era verdade) ao seu trabalho, findou indo ao campo com o João para campear o rebanho de gado do fazendeiro. Durante a viagem relatou que tinha sido vaqueiro de outras fazendas dos arrabaldes, mas em nenhum momento ele citou nome de fazendeiro que havia trabalhado.
O João começara a entender e se perguntando: o que aquele homem estava a fazer ali, se não disse para quem trabalhava, ou se era perto daquela fazenda que ele morava, algo estranho existia na mente daquele sujeito. Imaginou na morte que fizera e era possível uma tentativa de vingança.
Vem o início do anoitecer e o homem não foi embora e com certeza, queria jantar ali também. O João ficou na dele, sem querer perguntar mais nada, mas assustado com aquele infeliz. A noite chegou por completa e vem o jantar. Nada tinha o que mais fazer. Entregaria a sua vida aos cuidados de Deus. Após o jantar o João o convidou para se sentarem sob o alpendre que cobria toda frente da casa, e em companhia, também foram os dois filhos pequenos.
A palestra entre os dois rolou sob o alpendre da casa grande. Nada de outros assuntos, só pegada de bois bravos nos tabuleiros, vacinas de rebanho, rações, leite, queijo e outros mais referentes à fazenda e rezes.
Afinal, ambos eram vaqueiros, se era que o desconhecido entendia mesmo de fazenda. Mas parecia por completo um homem que sabia lutar em fazendas.
A noite estava se indo e todos dali precisavam dormir. O João foi lá dentro e trouxe uma rede, lençol e cordas para que o forasteiro a armasse sob o alpendre. Com esta cisma o João não seria maluco de deixar um desconhecido dormir dentro da sua morada, principalmente com aquela dúvida. Quem era ele? Um cobrador de impostos? Um vaqueiro de verdade? Um andarilho, um justiceiro, ou mesmo um pistoleiro de fama? Dentro da sua casa o João não deixaria aquele sujeito dormir.
Pela manhã, do dia seguinte, logo cedo, os dois foram mungir as vacas no curral, e assim que terminaram, conduziram o gado até ao pasto. Em seguida, foram até a cacimba do gado apanhar água em uma pipa sobre uma carroça. E ao chegarem em casa, cuidaram do gado miúdo que ainda continuava no chiqueiro.
Obrigações feitas, retornaram para casa, e lá, fizeram o primeiro café do dia com leite, pamonhas e mais outros alimentos. Lá para as nove horas desse dia o sujeito disse que iria preparar o cavalo. Precisava chegar cedo ao destino. Foi até ao estábulo, pegou-o e veio puxando-o pelo cabresto. Antes de arrumá-lo deu-lhe um banho. E assim que o cavalo ficou com os pelos enxutos, colocou a sela.
O João estava mais feliz de tudo, finalmente o seu hóspede contra a vontade, agora iria seguir viagem ao destino pensado. Ali, despediram-se. O forasteiro montou-se e antes que partisse, disse:
- Seu João, eu vim até aqui a sua casa para te matar, porque eu sou pistoleiro profissional. Mas eu fiquei a noite toda me lembrando que tão bem recebido que fui, e fazer uma covardia com o senhor...
- Mas pelo amor de Deus, não faça isso comigo não. Eu tenho estes dois filhos para criá-lo...
- E verdade! Vejo isso, o que eu pensei, não posso desistir, pois este é meu trabalho.
E arrastando o revólver mirou em direção ao seu João, e ao tentar atirar, o forasteiro caiu do cavalo morrendo no meio de tanto sangue escarlate. O João fora salvo pela esposa que a tempo que ouvia a conversa do homem mal. Com um tiro só de escopeta, derrubou o infeliz pistoleiro.
E sem esperar por mais ninguém o casal fugiu com os filhos da fazenda, deixando o forasteiro morto, e nunca mais foram vistos pela região. Grande mulher! Salvou o seu esposo da morte.
DÉ ARAÚJO: O HOMEM QUE COLOCOU O APELIDO EM LAMPIÃO.
Por Geraldo Júnior
O CANGACEIRO GORGULHO.
Por Fabio Costa Este Cangaceiro estava no grupo de Mané Moreno em Poço da Volta quando em meio ao forró foram emboscados pela volante de...
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