domingo, 23 de setembro de 2018

PILOTO PORTUGUÊS MORRE NO AUTÓDROMO DO ESTORIL


Sérgio Leitão não resistiu a um acidente. Prova foi cancelada.

Sérgio Leitão um piloto português que participava nas provas do Campeonato Nacional de Velocidade que decorriam neste fim-de-semana, no Autódromo do Estoril, morreu neste domingo, vítima de um acidente. Na sequência de um despiste, o piloto foi socorrido e transportado para o Hospital de Cascais, mas não resistiu aos ferimentos.

“Logo após o acidente foram accionados todos os meios habituais neste tipo de situações. A equipa de comissários e a equipa médica cumpriram com o seu trabalho e o piloto foi evacuado assim que as operações de estabilização terminaram. 


Infelizmente veio a falecer já no hospital e, após uma reunião com todos os elementos do júri, foi decidido cancelar o restante evento”, explicou António Lima, presidente do Motor Clube do Estoril, através de um comunicado publicado na página oficial da Federação de Motociclismo de Portugal.

Sérgio Leitão de 40 anos, protagonizou um despiste pelas 15h20, tendo sido prontamente assistido pela equipa médica afecta à competição.

https://www.publico.pt/2018/09/23/desporto/noticia/piloto-portugues-morre-no-autodromo-do-estoril-1845000?utm_source=notifications&utm_medium=web&utm_campaign=1845000

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

NOITES NEGRAS

*Rangel Alves da Costa

Noite. Noite negra. Escuridão além da cor. Matiz de tormento, de aflição, de saudade. Mesmo que as luzes estejam acesas ou que os sóis da memória estejam brilhosos, o negrume chegará pela aflição chamada pelo instante. Talvez pela saudade.
Noite. Com a escuridão o despertar maior dos sentimentos. Sob o seu véu um emaranhado de segredos, mistérios e fotografias, tudo querendo se revelar de uma só vez, ou manter-se ainda nos labirintos da alma.
Noite. Talvez noite chuvosa, mais pesada, mais entristecida. Os pingos que caem vão alimentando os íntimos mais escondidos para, de repente, tudo aflorar como flores vivar de lembranças, saudades e nostalgias.
A janela aberta para o negrume lá fora é chamado ao sofrimento. O horizonte escurecido aclara-se somente para vislumbrar as distâncias existentes somente dentro do ser. Os reflexos estarão nos olhos e no coração.
Uma velha fotografia vai surgindo à mão. O olhar encontra a parede e nela as imagens emolduradas. O velho baú é reaberto e as cartas e os bilhetes ressurgem entre o aflitivo e o melancólico. Ali um passado que faz doer pela recordação.
Em noites assim, em negrumes fechados assim, as janelas e portas da memória e da saudade se abrem de vez. E tudo vai chegando, tudo vai tomando conta, tudo vai transformando os instantes em dolorosos percursos.
Um amor distante, um amor desamado, um abandono, um adeus que não desejava ter. Palavras e imagens, sons e pensamentos, diálogos íntimos, reencontros indesejados, eis o percurso até que o descontrole passe a domar aquilo que parecia já resolvido na alma.
Mesmo sem música alguma ao redor, de repente uma velha canção vais surgindo. As folhagens farfalham vozes já ouvidas, a leve ventania para declamar poesia. Um rastro de lua vai deixando suas marcas em meio ao negrume que o olhar desejava transformar em reencontro.
A pessoa parece estar bem, quer estar bem, imagina que daquela vez não irá deixar que a saudade e o entristecimento novamente provoquem enxurradas. O contextual, contudo, entre o instante que chama e o interior que desperta, vai rompendo seus laços e os transbordamentos se tornam inevitáveis.
São em noites assim que as lágrimas procuram vazões no subsolo da alma e vão surgindo como pequenos veios de angústias e aflições. Primeiro, o noturno, depois a moldura do instante, depois as imagens e as recordações que vão surgindo. E depois e depois...
Depois os olhos queimando na febre da saudade. Depois os olhos marejando para se derramar em rios ardentes de aflição. Depois os prantos e os soluços inevitáveis. A pessoa já não está mais em si. A partir daí somente responde ao que a propensão interior desejar.
São em noites assim que os lençóis são encharcados, que os travesseiros são molhados, que os lenços são alagados, que os rios transbordam toda lágrima de dor, de saudade, de relembrança, de nostalgia. São em noites assim que a pessoa navega e naufraga dentro da própria memória.
Os outros passam pelas calçadas, pelas ruas, ao redor, e de ondem passam avistam apenas uma casa fechada, uma janela fechada, uma noturna solidão. Logo imaginam que assim pelo recolhimento da hora, pelo repouso noturno. Nem sempre imaginam que após aquela janela ou porta, dentro da casa, alguém sofre, alguém agoniza.
Na cama ou no sofá, na cadeira de balanço ou num vão qualquer, apenas a pessoa, suas lágrimas, seus soluços e suas dores. Quem está distante ou quem deu causa a tamanho sofrimento, sequer imagina a triste cena noturna do silêncio e do soluço.
E os rios transbordam, inundam, a tudo invade, até que o alvorecer ressurja sem trazer consigo todo o retrato passado. Mas a saudade não passa. A verdadeira saudade nunca passa. Um amor verdadeiro jamais é esquecido.

Escritor
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terça-feira, 18 de setembro de 2018

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
E-mail:   

franpelima@bol.com.br

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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domingo, 16 de setembro de 2018

CORONEL JOSÉ ALENCAR DE CARVALHO PIRES (CHEFE DE POLÍCIA VOLANTE NA PERSIGA AOS CANGACEIROS).


Por Valdir José Nogueira

Conhecido por Sinhozinho Alencar, personalidade marcante e grande vulto da historia sertaneja, era filho do Alferes José Leonel de Alencar (sobrinho de dona Bárbara de Alencar e tio do romancista José de Alencar) e de Antônia da Assunção Pires. Nascido em 13/03/1892 na fazenda Várzea, no município de Belmonte, tendo falecido em 19/03/1960, no Recife. Foi casado em primeiras núpcias com Albertina Ferraz filha de João Lopes Gomes Ferraz. Em segundas núpcias, casou-se Sinhozinho Alencar com dona Maria Côrte natural de Triunfo - PE. Sinhozinho Alencar impediu chacinas, ataques à vilas, fazendas e cidades localizadas no Vale do Pajeú.

Dono de extrema coragem na defesa dos seus conterrâneos, aliada a uma boa presença, fina educação e amor as artes. Assim é lembrado o coronel José Alencar de Carvalho Pires.

Este belmontense, que também foi prefeito de Serra Talhada, deixou uma larga folha de bons serviços prestados à polícia pernambucana, comandando por muitos anos o 3º Batalhão.

Na fotografia, em pé ao seu lado a sua irmã Ana da Assunção Pires (Iaiá).

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1999671816759204&set=a.144216698971401&type=3&theater&ifg=1

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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

QUEM VAI QUERER

Por José Mendes Pereira
José Mendes Pereira

Não tenho conhecimento onde residia o comerciante ambulante aqui em Mossoró, do seu verdadeiro nome, apenas era conhecido no centro da cidade por "Vai Querer". Nesse período das suas vendas "Vai Querer" já passava dos setenta anos, mas apesar da idade e do seu frágil corpo, ainda era um homem de muita resistência física.

"Vai Querer" era  magrinho, de pernas finas e alongadas, alto e meio tísico, de rosto seco, camisa de mangas compridas, mas enrolada até ao tornozelo. Usava um chapéu de palhas com enormes abas,  e gostava de andar com as calças arregaçadas até ao meio da canela. Jamais deixou de usar chinelos de couro cru.

"Vai Querer" vivia fazendo das suas vendas ambulantes sobre o lombo de um jumentinho magro e desnutrido, com dois caçoas agarrados, onde neles podia se encontrar laranjas, bananas, melancias, abacaxis, frutas de um modo geral. Quem quisesse pedir outros alimentos era bastante fazer o pedido, que no dia seguinte ele estaria entregando o alimento solicitado. Mas esta sua atividade só era feita pela manhã, principalmente aos comerciários, taxistas, feirantes, carroceiros, jornaleiros, transeuntes.

Quando eu saí da indústria "Vai Querer" ainda fazia esta atividade, mas posteriormente perdi o contato com ele, e não sei em que ano faleceu.

O apelido "Vai Querer" foi criado por ele mesmo, já que saía gritando pelas ruas de Mossoró: "Quem vai querer? E com o passar dos tempo, os seus fregueses deixaram de lado "quem" chamando-lhe apenas de "Vai Querer".

Todos aqueles do comércio e da indústria de Mossoró que participaram das décadas de sessenta e setenta, tenho plena certeza que ainda lembram muito bem do velho comerciante ambulante "Vai Querer".

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fonte:
http://minhasimpleshistorias.blogspot.com

Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo:

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SEU GALDINO CONTA A SEU LEODORO GUSMÃO QUE QUEM FEZ LAMPIÃO CORRER DE MOSSORÓ, FOI ELE

Por José Mendes Pereira

Não adianta duvidar do seu Galdino. Só porque ele conversa um pouquinho a mais, então faz com que algumas pessoas não acreditem nele.

Lá na vazante seu Galdino e seu Leodoro faziam um plantio de milho, feijão..., e entre uma carreira e outra plantavam Gergelim.

Seu Leodoro não tinha ambição nenhuma pelo o plantio de gergelim. Dizia ele que era muito trabalhoso, desde o plantio até a colheita, mas não contrariava o interesse do seu  compadre. E querendo saber o motivo dele tanto gostar do plantio do gergelim, fez-lhe a seguinte pergunta:

- Compadre Galdino, desde que nasceram as nossas amizades vejo seu interesse pelo o plantio de gergelim. Por que o senhor sempre gostou de plantar gergelim?

- O meu interesse pelo plantio de gergelim compadre Leodoro, é porque certa vez, consultei um médico ortomolecular que trabalhava com envelhecimento saudável, bem-estar e estética. Ele me reforçou que se deve comer bastante gergelim, porque oferece uma série de benefícios, como por exemplos: Importante para a saúde intestinal; controla bem o colesterol; faz diminuir peso; tem vitaminas que é importante para a saúde dos nossos ossos, olhos e fígado; faz diminuir o açúcar no sangue, e além disso, o médico me garantiu que é uma excelente fonte de proteínas. O gergelim compadre Leodoro, segundo o médico, combinado a uma alimentação saudável é um grande aliado para quem quer manter a forma com refeições saborosas e que realmente saciam.

- Sim senhor, compadre! – Fez seu Leodoro Gusmão. Muito obrigado pela sua explicação sobre o valor medicinal que tem o gergelim. É por isso que o senhor tem desejo do plantio deste legume. E eu acho que no próximo ano também estarei fazendo plantio de gergelim.

Já eram mais de 9:00 do dia e no gigantesco infinito o sol começava liberar fios solares mais quentes. E de pressa, os dois resolveram fazer lanches sob uma antiga quixabeira, possivelmente milenar, e ali, enquanto comiam, falaram sobre o que estava acontecendo sobre possível envolvimento de pessoas fugidas de outros Estados, alojaram-se aqui, e usavam desonestidades nas fazendas e em pequenos municípios.

- O que está acontecendo aqui em Mossoró compadre Galdino, até nos faz lembrar os velhos tempos de Virgolino Ferreira da Silva o bandoleiro Lampião.

E assim que seu Leodoro usou o nome “Lampião” seu Galdino de um pinote só, levantou-se do lugar em que estava sentado, e resolveu falar sobre a tentativa de ataque de Lampião e seu bando na maior cidade do Rio Grande do Norte - Mossoró, na tarde do dia 13 de junho de 1927. Inciou dizendo:

- Compadre Leodoro, eu até hoje sinto desgosto por ter sido excluído da história que organizaram sobre a tentativa de assalto à Mossoró, feita pelo capitão Lampião e seu honrado grupo.

- Oxente, compadre Galdino! Tenho lhe acompanhado de muitos anos, mas eu não sabia que o senhor entende um pouco da história de Mossoró sobre o falado capitão Lampião.

- E eu não te contei ainda não, compadre Leodoro?

- Não senhor! Até hoje não ouvi nada sobre Lampião contada pelo compadre.

- Eu não só entendo como também fui o responsável pela fugida de Lampião com o seu bando daqui...

- Verdade, compadre Galdino? – Fez seu Leodoro em tom de admiração.

- Coompaadree Leeoodooro, quantas vezes o senhor já me viu contando mentiras?!

- Nunca, compadre! Nunca! – Confirmou seu Leodoro mesmo contra a sua vontade. Mas até hoje o senhor nunca me falou nada sobre Lampião. Sobre onças, já me falou muitas vezes, mas a fugida do capitão Lampião de Mossoró...

- Pois bem compadre, atalhou seu Galdino, eu vou contar ao senhor Tim-tim por tim-tim. Quando o coronel Rodolfo Fernandes soube que Lampião estava caminhando em direção à cidade de Mossoró ele que era prefeito, iniciou uma espécie de alistamento para quem quisesse combater o cangaceiro e seu grupo. Eu que sempre fui corajoso, nunca temi a nada, isto o senhor sabe muito bem...

- Verdade, compadre! Isto eu sei bastante, que o senhor é homem corajoso mesmo! Homem que tem coragem de lutar com onça compadre, imagino...!

- E então, eu ainda era muito jovem, mas com um bom porte físico. Fui tentar entrar nessa lista para combater o cangaceiro com os seus comandados. Mas ao chegar à casa do prefeito, bem lá na Avenida Alberto Maranhão, no centro da cidade de Mossoró, um dos seus empregados me encaminhou até à sua presença, que naquele momento, ele se encontrava em reunião com um amigo lá nos fundos da sua casa. Mas tive o desprazer de ouvir dele a palavra não. Perguntei o motivo de não me aceitar na alistar da empreitada. Ele me falou que eu era ainda muito jovem, adolescente sem experiência na vida para enfrentar bandoleiros...

- E o prefeito disse isso na sua cara, compadre Galdino?

- Sim senhor! Disse. Mas eu não insisti mais. Fiquei calado, e de lá, saí meio triste. E quando foi no dia 13 de junho de 1927, Lampião entrou na cidade com gosto de gás, e desejo de levar tudo que ele achava que tinha direito. Nesse tempo, eu morava sob os olhares dos meus pais. Já bem próxima da sua entrada na cidade eu me arrumei e fui tentar ver se conseguia falar com ele.

- Ele quem, compadre Galdino?

- Falar com o capitão Lampião, compadre Leodoro! Parece que o senhor não está acompanhando o meu raciocínio?

- Estou, comadre Galdino! – Disse seu Leodoro tentando não o contrariar.

- Mais ou menos 4 horas da tarde o tiroteio começou. Os resistentes atiravam e os bandidos respondiam. Haviam homens instalados por todos os lugares como nas torres das 3 maiores igrejas: Matriz de Santa Luzia, Na Coração de Jesus e na Igreja de São Vicente. Também tinham defensores no Mercado Central, na Empresa Companhia de Luz, No Ginásio Diocesano, na sede dos Correios e Telégrafos, na Estação ferroviária, no Grande Hotel, na casa do prefeito Rodolfo Fernandes e outros locais.

- Mossoró estava muito bem preparada concorda comigo, compadre Galdino?

- E como concordo, compadre! Pois bem, Lampião tinha ajuda de alguns bandidos que conheciam muito bem a região do nosso Estado. Um destes bandidos era um tal de Cecílio Batista o Trovão, que em anos remotos havia  morado em Assu no Rio Grande do Norte, e fora preso por malandragens e desordens. O José Cesário o Coqueiro mais um outro bandido de nome Júlio Porto. Estes dois últimos haviam trabalhado em Mossoró como motorista da empresa Algodoeira Alfredo Fernandes, e outros mais. Esta empresa era uma que muito fez Mossoró crescer, dando empregos aos mossoroenses. No início do tiroteio as balas voavam pelas ruas da cidade. Tanto saíam das armas dos cangaceiros como das armas dos combatentes. A cidade estava em pânico, mas quase sem ninguém, porque a maior parte da população tinha sido advertida para deixar a cidade o quanto antes possível. Nesse tempo, meus pais e eu morávamos nos alagadiços, hoje bairro Pereiros, não tão distante do combate. E eu saí devagarinho de casa sem comunicar aos meus pais, que o meu intuito era ver se conseguia falar com o capitão Lampião para ele desistir da empreitada. E assim fiz. Fui me aproximando, sempre me escondendo e lá mais adiante  fui me defendendo dos estilhaços de balas, tentando me contactar com Lampião. Ao longe,  em uma rua bem no centro, por trás da igreja do São Vicente avistei um homem magro, alto, que usava óculos..., e percebi que só poderia ser ele, porque eu já havia visto a sua foto no jornal "O Mossoroense". Eu levava aquele meu facão que é do seu conhecimento compadre Leodoro, até hoje ainda o uso quando caço onças nos tabuleiros... Olhando ao meu lado direito vi uma moita muito bonita, bem enramadinha e arredondada. Cortei-a, coloquei-a sobre mim, e fui andando bem abaixadinho. E fui me aproximando do suposto Lampião, suposto porque eu não tinha certeza que era ele.  E na verdade, era o capitão Lampião.

- O senhor estava dentro da moita, compadre Gadino?

- Sim senhor..., e bem escondidinho. Eu pensei sair logo de dentro dela, mas esperei uma oportunidade...

- Tinha cangaceiros por perto?

- Vi alguns deles com armas em punhos e atirando...

- E o senhor ficou com medo quando os viu?

- De forma alguma, compadre! Eu não sou homem de ter medo de nada..., e quando eu estava bem pertinho dele, de dentro da moita eu disse: Seu Lampião!!! Aí Ele teve medo tão danado que em gritos exclamou fortemente, dizendo: 

- "Valha-me meu Padim Padim Ciço!!" Nunca tinha visto uma moita falar!

- E lá, ficou rodeando a moita com o seu mosquetão em punho e o dedo no gatilho. E eu fui saindo. E ao me ver, quis logo me sangrar com um punhal. Mas eu disse-lhe que estava ali à sua presença somente para dizer a ele que desistisse do ataque, porque a cidade estava muito bem preparada, com mais de 800 combatentes. Eu aumentei o total de combatentes compadre Leodoro, só para ele desistir e não mexer com a minha cidade.

- E ele, o que fez, meu compadre Galdino?

- O que o capitão Lampião fez foi ir embora. Colocou um apito na boca, e fortemente, ficou chamando os seus cangaceiros para se mandarem de Mossoró. Com pouco tempo, o local em que nós estávamos, ficou coalhado de facínoras. Exceto o Colchete que ficara estirado ao chão já pronto para se fazer o enterro, em frente à casa do prefeito. Um de nome Jararaca que saiu baleado quando foi desequipar o seu companheiro morto. Um dos combatentes acertou bem de cheio o seu peito, e ele se mandou, tendo sido capturado no dia seguinte, e dias depois, foi executado. 

- Já vi, compadre Galdino que o senhor tem coragem até para enfrentar dragão..., teve coragem de enfrentar até o capitão Lampião que não temia ninguém...

- E eu brinco, compadre! Eu não nasci de 7 meses não senhor!

E assim que terminaram este bate papo cada um foi para sua casa. Seu Leodoro nem imaginava acreditar esta conversa contada pelo seu compadre. as o que era de fazer?





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COM DAVI, IRMÃO DO VAQUEIRINHO GABRIEL.

  Por Rangel Alves da Costa Hoje (Sábado 12/09), após a Missa de Sétimo Dia, conversei alguns instantes com o irmão do Vaqueirinho Gabriel, ...